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Le Editorial * 375 por La Cucarafa

Pêpinos

Agora que 2013 assentou arraias e as colinas de Lisboa são tracejadas com alguns raios de sol, é de pensar em plantar pêpinos nas hortas que abundam na nossa cidade. Isso ou feijões, antes que chovam malas na altura de desabrochar. Eu gosto de pensar que a Le Cool é um feijoeiro mágico que te leva a trepar até ao Castelo de São Jorge e a uma data de eventos todas as semanas. Para te colocar bem nas nuvens. Se este país tem uma polémica por dia, porque não uma boa novidade diária que lhe faça frente? Isto tudo metido numa balança do Mercado da Ribeira, levava com prece e pregão: «Ó cara linda, leva esta pêtingas, que vão bem com tudo!» / La Cucarafa

Le Capa * 375


Por Raquel Garrancho

Le Artista da Capa * 375, Raquel Garrancho

Parte de mim é isto, uma parte necessária, presente desde que memória.

A ideia de ilustrar como modo de vida começou a ganhar terreno durante a universidade, na mesma altura em que a paixão pela minha área oficial de estudo diminuiu exponencialmente. Querendo mudar de ares, mudei de cidade, afastei-me de Lisboa e de tudo o que ela oferece e, mesmo depois de todo este tempo distantes, ainda consigo ouvir uma pequena voz afirmando que eu e Lisboa temos que passar ainda mais tempo juntas... ela ainda não me mostrou nem metade do que tem.

Podes conhecer-me por aqui e por aqui.

Le Entrevista a Sara Ribeiro (Offbeatz) por João Freire

Boa tarde. Fala-me um pouco sobre o Offbeatz, como surgiu, como se impôs e como são as perspetivas de futuro?

O Offbeatz surgiu das ideias que o Rui de Brito tem no duche! (risos) Ele imaginou o formato e modos de divulgar ainda mais a música portuguesa e assim nasceram as sessões ao vivo, que numa primeira instância aconteciam no Frágil, no Bairro Alto. Depois veio tudo o resto e a plataforma em si - o Offbeatz - que tem várias vertentes. Não temos o club no Musicbox, como um site e um programa de televisão, na SIC Radical, que compila as sessões ao vivo.  

Tem tudo o mesmo objetivo que é impulsionar o talento e a música portuguesa. E, na realidade, as coisas correram sempre muito bem porque sentimos que estávamos a fazer a diferença e a preencher uma lacuna de divulgação no meio. E percebemos isso devido ao feedback e apelo das bandas, das editoras etc. É para eles e com eles que trabalhamos.

Apercebemo-nos também que interferimos positivamente com os costumes do público. De repente, habituámos as pessoas a descobrir mais música porque o Club Offbeatz é sempre composto por quatro bandas nacionais. Isto faz com que uma pessoa vá ver aquela de que gosta e por consequência descubra outras. E a entrada nessa experiência é por conta da casa!
No futuro queremos expandir essa dinâmica que é o Club a outras cidades. O Porto vem já a seguir na lista. Em paralelo, estamos a pensar noutros formatos mas para já não posso revelar nada.

Fala-me da equipa. Qual a diferença na vossa abordagem que está a fazer este projeto um de enorme sucesso e importância no panorama musical português?

A equipa é unida e acredita no Offbeatz.

O mundo mudou, não há volta a dar, e temos de ser cada vez mais determinados para fazer com que as coisas aconteçam. É incrível ter um grande número de pessoas que se revê neste projeto, que está lá todas as semanas e que faz tudo funcionar. São pessoas ativas e com garra, o que não é assim tão fácil de encontrar por aí. Para além de motivados, acreditam todos na filosofia do projeto. Têm todas as suas vidas, mas encaixam o Off numa parte delas.

Ora, acho mesmo que podem retirar uma lição da nossa equipa. Muita gente critica ou pasma-se com o facto de fazermos isto à base de voluntariado, mas a verdade é que o fazemos, com prazer, porque todos nós encontramos algo que nos recompensa. E estando essa motivação apoiada no facto de contribuirmos para a história musical portuguesa, com os nossos registos, e podermos ajudar bandas e realizadores, faz com que o Offbeatz seja um óptimo ‘trabalho’.

Esperavam tamanha adesão? Acham realmente que esta forma de "mostrar" e fazer as coisas faz a diferença na divulgação da música portuguesa?

Começámos devagar mas fomos tomando força. Ao início, eu e o Rui andámos a distribuir flyers no Bairro Alto para que as pessoas soubessem das sessões. Hoje em dia, temos casa cheia e as pessoas procuram-nos. Foi surpreendente este sucesso, mas penso que vem do quão único é o Offbeatz e da falta que fazia. Conheces outro movimento que apresente 4 bandas nacionais por semana e ainda faça entrevistas, programa de TV, divulgação online e tudo o resto?

Uma vez, um rapaz inglês disse-me «wow, isto nem em Londres acontece!» Pois bem, acontecerá quando o Club Offbeatz estiver por lá. Divulgamos a música gratuita e regularmente, registamo-la para a eternidade e divulgamo-la através de vários meios. Esta é a nossa forma de fazer as coisas e acreditamos que é a certa. Quantos mais o fizeram, melhor.

E, já agora, qual a tua forma de ver os novos fenómenos musicais portugueses? Achas que há um aumento de qualidade, ou essa sempre esteve lá e as pessoas tornaram-me mais sensíveis e disponíveis para ouvir e apreciar?

Eu penso que hoje em dia as pessoas ouvem mais música, porque há mais facilidade. Agarram-se a uma coisa, contribuem para os fenómenos, e pouco depois agarram outra novidade. O truque por parte de quem faz música será manter o interesse. E isso não quer obrigatoriamente dizer que os projetos não tenham qualidade mas sim que é difícil permanecer num mundo em constante produtividade.

Em Portugal existem projetos de qualidade, e há bandas que vão sabendo manter essa curiosidade viva por isso não estou preocupada. O que acontece é que, por vezes, vejo umas que poderiam tentar ter um pouco mais de visão e de ousadia só para evitarem seguirem os caminhos mais normais.

Houve alguma noite que te ficou cravada na memória?

Nunca vou ter outra igual à primeira, corria o ano 2010. O caminho até lá fez-se de determinação e incertezas, o que desde logo a marcou. E depois, quando finalmente chegou, viveu-se num ambiente muito underground. O Frágil estava cheio de pessoas da indústria, o que eu achei porreiro para as bandas (Youthless e The Doups), arrasou-se no palco, houve momentos de improviso e, bem, eu sentia-me feliz por conseguirmos realizar a primeira sessão. Como podes ver, não se esquece.

Há outras noites que memorizo também como quando existem bandas de hip hop que lá vão, quase acabadas de serem concebidas, e de repente têm o Sam the Kid na plateia. Um momento como esse torna-se bom para eles e para nós, que possibilitamos isso.

Onde achas que está o futuro da música em Portugal? Em tempos de crise apertada, o facto dos vossos eventos serem gratuitos vai continuar a fazer com que desempenhem um papel fundamental na divulgação de novos valores, ou mesmo assim vai-se refletir na adesão do público?

Acho que o presente já está a pedir que pensemos em novas maneiras de fazer as coisas, quanto mais o futuro. Se não há dinheiro, terão de ser inventadas formas diferentes para desenvolver as ideias. E isto não se aplica apenas à música, mas a todas as outras áreas. O Offbeatz é um exemplo de um formato pensado de maneira alternativa e apelativa, não só para as bandas que tocam mas também para o público. É um modelo que funciona. E estaremos por cá até deixar de fazer sentido.

O Rui de Brito costumava responder «nunca!» quando nos perguntavam quando acabaríamos com as sessões. Entretanto nunca mais respondeu a isso porque o pessoal começou a perceber que vamos continuar.

A crise só faz com que as pessoas queiram poupar e ali terão sempre uma noite gratuita. E ainda há imenso para mostrar, porque já percebemos que a música portuguesa não pára de surpreender. E com isto acho que não é preciso dizer mais nada.

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* Originalmente publicado a 17 de Janeiro de 2013, na Le Cool Lisboa * 375