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Le Entrevista a Sérgio Augusto por Rafa.El

O que te inspira a fotografar lisboa?

Aqui já pouco me inspira. Enquanto rebolo pelas mesmas voltas, o fascínio surge já tépido e os lugares amorfos misturam-se comigo. É algo mais denso que me faz querer fotografar Lisboa. Há pequenas fixações que usurpam monumentos entre outras subtilezas que devem ser regadas. É bom destapar a cidade das muitas camadas.


O que te puxa mais pelo dedo e pelo olho na lente, pessoas, bairros, detalhes, perspectivas, horizontes?


Gosto de combinações bastardas, do desfocado expressivo e do pouco que enche.
Se pudesses resumir lisboa numa frase, qual é que seria?

Lisboa é feita de pedaços.


Conta-me um pouco sobre ti e como começaste a fotografar.

Os contos sobre mim estão sempre trocados. Deambulei muito até ficar suspenso na fotografia. Numa viagem espreitei inadvertidamente por uns óculos sem contexto. Acabei por largar todas as ideias e deixar o autodidacta perder-se nos erros e na novidade. É um método que vicia porque a frustração tem um ritmo diferente das outras formas de arte. Depois apareceu o hábito.
Releva-me um percurso, um bairro ou uma história engraçada sobre a cidade.

Recomendo nascer no disperso da Apolónia e acabar nos vértices da Estrela. No meio há inúmeras pérolas que não quero enumerar.
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* Originalmente publicado a 8 de Outubro de 2013, na Le Cool Lisboa * 410

Le Artista da Capa * 408, Rafael Vieira

Tenho uma colecção de hipnotismos quanto a Lisboa. Antes, nesse longíquo antes, ouvi-a descrita em canção como a cidade dos loucos. Um estribilho que sabia ser e interpretava como tal, dedicado não tanto a males de mente, mas a bens de coragem. Uma malta que era, ainda à distância e agora confirmando, loucamente apaixonados pela sua cidade.

A moldura alpina em recortado de colinas contra o horizonte, hipnotiza. A garganta do Tejo e as casas de Maluda a tocar-lhe os cabelos de margem, hipnotiza. A história de todos os becos e todos os filmes que falta deles fazer e todos os livros que falta deles escrever, hipnotiza. A cor dos cacilheiros e dos barcos, em bandeira muito própria e em aguada reflectida sobre o nosso Tejo, hipnotiza. A ponte que é mais nossa do que dos postais ou os eléctricos que reconhecemos pelo chilrear montanha-lusa abaixo, hipnotizam. E as gentes alfacinhas, em todos os seus cambiantes de mais ou menos verde, continuamente, me hipnotizam.

A ti não?

Le Artista da Capa * 407

Sempre desenhei mãos. Comecei é por pôr os pés pelas mãos ao desenhá-las. 
Depois fui aprimorando a coisa.

Tenho um almanaque com mil e uma desenhadas. Em formas e posições para todos os gostos, como se fosse a milena e tal de receitas diferentes do fiel amigo. Sherazade ficaria orgulhosa e até daria à estampa uma por noite, para apimentar as contas.

Afixei uma data delas em folhas alinhadas junto ao Conservatório de Lisboa

Desapareceram num ápice, levadas por outras mãos em pinça de quero-te sem que as pudesse desenhar.

São quase sempre minhas, mas nem sempre. Umas parentes, outras amigas, uma ou outra imaginada, aquela em detesto.

Reparei que os povos se identificam e valorizam (e se valorizam) muito pelo que lhes sai das mãos. Não pela mão em isso, essa é a ferramenta necessária, mas pelo produto do seu trabalho. E toque e jeito e minúcia (o olho e o tacto também entram no jogo).

Filigranas, artesanatos, olarias, relojoeiros, artífices, artistas, joalheiros, bilros, tecedores, sapateiros, gravadores. Enfins, afins e infinitos sabeses. E desenhos de mãos. Claro.

Le Artista da Capa * 405, Rita Mota


Apresenta-te e fala-me de ti em pinceladas leves.

Gosto de coisas e pessoas simples mas desafiadoras. Coisas e pessoas felizes e com sentido de humor porque me revejo em tudo isso e apenas isso é preciso para me sentir feliz!
O que te leva a fotografar, porque fotografas tu?

Porque quando os meus pais me começaram a dar prendas «a sério», decidiram começar por me oferecer uma máquina fotográfica e logo isso bastou para deixar lá a curiosidade!

A seguir a essa e que eu me lembre, veio pelo menos mais uma, até eu comprar a minha primeira máquina! A partir daí e até aos dias de hoje, a fotografia têm-me ajudado a abrir horizontes, a ver muitas mais interpretações além das que captamos a olho nu, a desenvolver a criatividade e o sentido crítico, a conhecer pessoas e partilhar conhecimentos mas essencialmente é um exercício de relaxamento!

Le Artista da Capa * 404, Rita Mota

- Sobe Sobe Glória Sobe

É um sobe e desce sem parar! Seja Verão ou Inverno, faça chuva ou faça sol, a Glória pertence a quem sobe e desce aquelas carruagens amarelas!

Apinhadas de gente, com turistas ou meros Lisboetas que, ou por não terem opção ou pelo prazer genuíno que sentem em se deixarem transportar pelo velhinho amarelo, vão elas, rua abaixo e rua acima. Pelo meio, um ou outro atrevido salta para a carruagem, agarra-se e ali vai ele, do lado de fora, para toda a gente ver.
Em cima: Alfama, o Castelo, Miradouros, o Chiado...

Em baixo: Rossio, Restauradores, as ruelas da Baixa Pombalina, com as suas lojas e lojistas singulares…

Dois pequenos mundos que se completam energicamente. Um leque distintíssimo de cores, cheiros e sabores, ligados pela eterna Glória da cidade das 7 colinas.

Do Miradouro de São Pedro de Alcântara inspiro uma Lisboa rendida a quem a percorre. No regresso a casa expiro a eterna vontade de voltar.

Le Entrevista a Margarida Girão por Rafa

Tu, Margarida Girão, portuguesa e afins, que voltaste agora de calcorrear o mundo (américas latinas, sul e semelhantes), que achas daquela velha história de turistas versus viajantes?

São opções e por vezes circunstâncias, ah! e também atitude. O resto são nomes numa história velha e chata. :)

O que trouxeste da tua viagem de volta a Portugal, Lisboa criou-te aquele bichinho carpinteiro português chamado de saudadinha?

Não criou bichinho algumApenas tive saudades gastronómicas: do verdadeiro caldo verde e da dourada grelhada.

Agora, por dentro ou não consegues deixar de pensar em fora, a viagem deu fruta?

Agora quero ter calma.

Deu muito sumo e um livro de recordaçõeshttp://margaridagirao.com/?portfolio=south-america-book


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* Originalmente publicada a 8 de Agosto de 2013, na Le Cool Lisboa * 403

Le Artista da Capa * 402, Rita Mota

Apresenta-te e fala-me de ti em pinceladas leves.

Gosto de coisas e pessoas simples mas desafiadoras. Coisas e pessoas felizes e com sentido de humor porque me revejo em tudo isso e apenas isso é preciso para me sentir feliz!

O que te leva a fotografar, porque fotografas tu?
 
Porque quando os meus pais me começaram a dar prendas «a sério», decidiram começar por me oferecer uma máquina fotográfica e logo isso bastou para deixar a curiosidade
 
A seguir a essa e que eu me lembre, veio pelo menos mais uma, até eu comprar a minha primeira máquina! A partir daí e até aos dias de hoje, a fotografia têm-me ajudado a abrir horizontes, a ver muitas mais interpretações além das que captamos a olho nu, a desenvolver a criatividade e o sentido crítico, a conhecer pessoas e partilhar conhecimentos mas essencialmente é um exercício de relaxamento!
 

Le Artista da Capa * 396, Federico Pentito

Lizboa é meravigliosa! Não gosto assim tanto da sardinha, mas entro na festa e trinco aqui e ali (umas vezes não em sardinha, mas entro em boas sardinhadas =). Está é cara e prefiro fazê-la na minha casa da Mouraria com uns amigos. Desde que vim para Lisboa que me encanto com tudo, desde a mais insignificante portada em Alfama, até ao sorriso mais amplo de qualquer um dos meus vizinhos.

E, mesmo após três anos de cidade emprestada a este italiano vero, onde não sou nem turista, nem acidental, mas um quase-alfacinha esverdeado, ainda vou descobrindo cantos à casa. E isso diariamente!

Um exemplo? ' bem. Entra pela porta principal do Palácio Foz, nos Restauradores. Sobe passo ante degrau até ao primeiro piso. Descobre-lhe o claustro que acede ao Museu Nacional do Desporto e onde , na lateral, uma pequena cafetaria. Pára um pouco e respira o ar envolvente. Estás no centro de uma capital europeia e aqui o silêncio e o verde comungam.

Podes dizer que concordas comigo por aqui.

Le Artista da Capa * 395, Tijo

Lisboa nem sempre viveu voltada ao Tejo, esteve mais virada para o Tejo. Sempre foi uma cidade de barcas, de barcos, de marinheiros e marinhagem, de pescadores e de varinas. Toda a nossa cultura mete peixe e oceanos descobertos. De umbigo virado para o céu em cada uma das suas sete pontas, o casario lisboeta volta, aos poucos e poucos, muito lentamente parece-me, a redescobrir o rio. Mas tanto mais a fazer, que lhe mergulhar adentro e casar Lisboa com o Tejo!

Le Artista da Capa * 394, Paulo Moura


Paulo Moura é professor de Português e bibliotecário no Maria Amália, aquela escola secundária lisboeta que ainda exibe na fachada a designação «Lyceu Feminino». Para além desta missão, ainda tem tempo para ser actor amador (por puro amor) e para sair por à caça de instantâneos de Lisboa.

Como é que a fotografia entrou na tua vida? Foi amor à primeira vista?
Entrou por via paterna. Desde sempre que me lembro de uma câmara embrulhada num estojo de cabedal castanho, muito ajustado, que ia sempre connosco quando viajávamos.

Le Artista da Capa * 393, Camilla Watson

Camilla Watson faz parte da Mouraria. Chegou a Lisboa cinco anos e, perdendo-se de amores pelo bairro, ali decidiu ficar a viver e trabalhar. Do seu atelier no Largo dos Trigueiros têm saído, e continuam a sair, muitas imagens e projectos envolvendo a comunidade e as associações do bairro. O mais conhecido de todos será, talvez, aquele a que decidiu dar o nome de «Tributo» e que parte, precisamente, do seu local de trabalho em direcção às ruas vizinhas, mostrando a quem passa quem são os moradores e quais as suas vivências.
 
Mas Camilla não pára e prepara-se para oferecer à Mouraria mais uma galeria a céu aberto. «Retratos do Fado – um Tributo à Mouraria» é uma série de 26 fotografias, impressas sobre madeira ou directamente na parede, que Camilla coleccionou ao longo do tempo que leva de vida na Mouraria ou foi recolher junto de museus e particulares

Le Artista da Capa * 391, eLa

Um cultivo ao dia e a Lisboa não sabes o bem que lhe fazia. Eu tenho uma horta numa encosta de Lisboa - centro. Tenho um ponto de água, leiras por culturas, vizinhos diligentes, um cão que a ninguém pertence e a cada alguém um nome diferente, sementeiras em casa e sol no nabal. Não é apenas uma homenagem a Ribeiro Telles, é uma homenagem também à cidade e a mim.

Primeiro, saco da terra aquilo como que me coso.
Segundo, a cada cultura sua sentença e tenho aprendido tanto com os vizinhos e com o Borda D'Água.
Terceiro, aromáticas em casa a postos para a salada. O restante no campo, à espera da enxada.

Mais urbano do que ter uma horta urbana? Não o vejo. E a sopa que faço e a comida que teço, nunca souberam tão bem.

Le Artista da Capa * 390, Ricardo Filho de Josefina

Apresenta-te e fala-me de como começaste a fotografar.

Tenho uma caixa em casa, dentro dessa caixa está um projector de slides e com ele uns quantos slides.

Lembro-me que o meu pai tirava imensas fotografias fosse onde fosse e nada importava, o que importava é que ele tirava. Algo veio daí. Gostava de as mostrar um dia porque são realmente boas e de tudo o que tenho, elas acabam por ser. Tudo muito simples ali guardado em pedaços quase transparentes e com tanto o que nos prende tentar enquandrar o que vivemos, ali.

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* Originalmente publicado a 2 de Maio de 2013, na Le Cool Lisboa * 390

Le Artista da Capa * 389, Maria B


No passado mês de Fevereiro fiz 32 anos e decidi dar início ao Projecto32.

Trata-se
de uma colecção de 32... ver aqui ou aqui. É qualquer coisa ou se calhar nada é. Talvez apenas tentativa ou tentação. 32 anos de sobreposições : passagens, idas, regressos : Lisboa nem sempre é casa para mim, mas é hoje uma cidade que me devolve gestos de ingenuidade.

Le Artista da Capa * 388, Sarah Frances Dias

Sarah comenta que Lisboa é uma cidade mágica, plena de memórias, história e com uma beleza natural que parece espreitar em cada esquina. As cores, as texturas e os reflexos são uma verdadeira inspiração para a alma de um artista.

Le Artista da Capa * 386, Gajo

A minha avó não é tão antiga como Lisboa (nem como a de Braga), mas tem história a correr-lhe das mãos.

É  um doce de senhora, tão doce como um Pastel de Belém. Talvez mais - mas sem a canela.

Lisboa, se fosse mais antiga, os sinais surgiriam gatafunhados a gravuras rupestres.