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A Batalha de Tabatô


Acredita se quiseres, mas a batalha é real. Verdade, são os resquícios da chamada guerra das colónias. Fisicamente acabou, mas ainda está bem viva na cabeça dos que a lutaram. Um ex-soldado regressa, vindo de Portugal, à sua Guiné-Bissau para o casamento da filha, mas o único reencontro que lhe acontece é com as suas memórias manchadas de vermelho. Felizmente, Tabatô é um lugar especial. Um lugar de muitos e muitos séculos que todo esse tempo deixou a guerra e abraçou a vida. Um lugar onde todos os habitantes são músicos. E se fazes música, não fazes a guerra. «A Batalha de Tabatô» de João Viana nasceu para ser e é, na realidade, um documentário. Mas um documentário que nos obriga ao exercício da observação para descobrir uma Guiné-Bissau que tanto é moderna, como passada. É estranho, mas mesmo depois de dizer tudo isto é como se ainda estivesse no ponto de partida. Procurem-no. / Cláudio Braga

Moda Lisboa "Trust" por Pedro Alfacinha

Em março a Moda voltou às passerelles nos Paços do Concelho e no Pátio da Galé, com as novas propostas dos Criadores Portugueses para o próximo Outono/Inverno

Além dos criadores nacionais apresentou também a sua colecção a criadora polaca Monika Ptaszek, a convite da Moda Lisboa e no âmbito do protocolo estabelecido com a Fashion Week Poland.

O tema escolhido para a 40ª edição foi "Confiança" - "Trust" de forma a homenagear o trabalho desenvolvido pelos nossos criadores numa altura em que tudo está posto em causa. É preciso acreditar nas nossas capacidades, somos capazes de superar as dificuldades que estamos a enfrentar e a Moda tem um papel muito importante como dinamizador social, económico e cultural.  

Esta edição foi marcada por uma vasta quantidade de iniciativas e projectos que extravasaram para além dos próprios desfiles das colecções. O motivo para a apresentação das mesmas foi uma maior proximidade e interacção com o público. Tiveram lugar no MUDE - Museu do Design e da Moda, as conferências "Fast Talks/Fashion Today", uma sessão de conversas rápidas que abordaram o modo como a Moda influencia e é influenciada por tudo o que a rodeia.  

Igualmente no MUDE, foi exibido o documentário "The Eye Has to Travel" sobre a vida e a obra de Diana Vreeland, a mítica editora das revistas norte-americanas Harper's Bazaar e Vogue. Outra iniciativa teve lugar na Loja da Atalaia com a apresentação do projeto "Art Comes First" , um colectivo de criativos que considera que a Arte vem em primeiro lugar em relação à Moda. Durante os três dias do evento o público pode apreciar o seu gabinete de work in progress a que deram o nome "The Coal". 

A fotografia também marcou presença nesta edição com Amaranthine Beleza Intemporal, uma exposição do reconhecido fotógrafo de moda, Carlos Ramos, aberta ao público na Sala do Arquivo nos Paços do Concelho. Também de acesso ao público no Torreão Poente do Terreiro do Paço e durante a duração deste evento, teve lugar uma Pop Up Store, à qual foi dado o nome de Wonder Room - Cabinet of Wonder. Os visitantes do espaço puderam conhecer os trabalhos originais e inovadores de um grupo de criadores, artesãos e artistas industriais nacionais.

O desfile de abertura coube ao designer Valentim Quaresma, que apresentou uma colecção trabalhada sobre materiais não sintéticos, como os couros e cabedais, com um design vagamente de evocação mitológica.
               
Sábado, dia 9, o sol iluminou a Praça do Comércio para acolher o desfile de Luís Buchinho nas arcadas poente, junto à entrada do Pátio da Galé, onde centenas de lisboetas, entre eles alguns turistas surpreendidos, acorreram para admirar o desfile. A colecção de Buchinho para o outono/inverno de 2014, inspira-se nas cores e cortes de Portugal dos anos 70, onde não faltam as referências aos cravos e ao grafismo político da época.   

Na parte da tarde o Pátio da Galé encheu-se de visitantes, convidados e habitués, para assitir aos desfiles de Ricardo Andrez, Saymyname, Aleksandar Protic, Os Burgueses, Pedro Pedro, Alexandra Moura, Nuno Baltazar e Ricardo Preto.  

Os desfiles, sempre muito concorridos, demoraram-se até à noitinha. Colecções onde predominaram este ano os tons escuros e terra.  

no domingo, dia 10, a Sala do Risco, adjacente ao Pátio da Galé, voltou a encher para os grandes desfiles que se adivinhavam. O dia encerrou com a apresentação das propostas de estilistas com os nomes firmados, como Miguel Vieira, Filipe Faísca e Nuno Gama. Mas foi a colecção de Dino Alves que suscitou grande admiração na audiência, pela sobriedade das linhas e tons, onde a elegância dos peças revelou a capacidade inovadora do criador, sem cedências ao imediato ou ao facilmente provocatório.

A Moda Lisboa volta em Outubro com novas propostas e sugestões!

por Pedro Alfacinha

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* Originalmente publicada a 26 de Março de 2013, na Le Cool Lisboa * 384

A Paz

Os Artistas Unidos têm a capacidade de encher uma sala às 19h numa quinta-feira. É obra, ainda para mais com um texto difícil. No caso, "A Paz" de António Tarantino. O autor manda Yasser Arafat e Ariel Sharon para o deserto, para o exílio, «para que estes dois senhores da guerra conhecessem as misérias do mundo. Condenou-os a uma espécie de expulsão do paraíso», como explica Jorge Silva Melo, diretor dos Artistas Unidos.  

Vão conhecer o mundo: as estações de comboio, as bichas da assistência social, a miséria do mundo, as mães a quem morrem os filhos, vítimas das bombas. A miséria e a morte estão sempre presente na Palestina, são uma banalidade. Conhecem uma prostituta que afirma a sua boca estar mais limpa do que a deles os dois. E com ela gastam os últimos dinares que tinham, para se verem sodomizados.  

Franco Nero no Nimas

"E foi muito giro! Valeu Le cool!”valeu mesmo, cara leitora. Valeu recordar o tempo em que o mundo do cinema se dividia entre Westerns e outros. Valeu recordar que, no que toca a duros, existiam três: Eastwood, Bronson e Franco Nero. Valeu ter ali, a meia dúzia de filas de distância, o homem que fez Corbucci dizer a Leone que o tal de Eastwood devia ser mais como o Nero dele. 

O mesmo que, no dia em que conheceu Tarantino, o ouviu repetir todas as deixas e trautear as músicas das fitas mais marcantes da sua carreira. As comparações com o novo Django, o Unchained, não puderam faltar, assim como a ideia de Nero para o argumento que consistia em fazer do novo filho do original. Tarantino não se deixou convencer mas, como era ponto assente que queria ter Nero no filme, inventou o italiano amante de lutas de mandingos. Curta mas recheada, a conversa. / Cláudio Braga

Le Crónica, E o Tejo ali tão perto

A água sempre foi amiga da alma portuguesa. Ou não nos tivessemos lançado à descoberta a partir da nossa costa lisboeta, onde o mar se confunde com o rio. Seja mar, ou seja rio, conto sempre com essa linha de água para me orientar. O geográfico torna-se psicológico, porque sabe sempre bem saber que temos ali uma beira-rio onde nos podemos refugiar quando a rotina cansa. Que outras capitais se podem gabar de ter um imenso rio para desfrutar? Não muitas, é certo. Fugir para a beira do Tejo num domingo soalheiro, ou num fim de tarde mais frio. Pode ser para passear, tomar um copo, ou apenas para refletir.  

Vê-se sempre um pouco de tudo. Estes são apenas alguns dos privilégios de “ter” um rio. dizia o nosso fado, que Lisboa é uma “toalha à beira mar estendida”. Porque, afinal, o Tejo está sempre ali à nossa espera. / Andreia Pedro (Foto por Rafa)

Le Crónica do Pastel de Nata

Nunca damos valor aquilo que temos. Clichés à parte, grande verdade nesta expressão. Estar em Lisboa, pedir um café e um pastel de nata é uma coisa tão banal, como tropeçar de saltos altos na calçada portuguesa. Mas quando o chão muda as coisas às quais nem prestávamos atenção tornam-se naquelas das quais mais falta sentimos. As saudades apertam se não tivermos disponíveis aqueles sabores de sempre, que fazem parte de uma tradição quotidiana.  

Quando no estrangeiro encontramos um cafezinho que vende pastéis de nata, a repentina felicidade depressa se transforma numa pequena irritação.

Le Crónica ao OUT.FEST 2012 por Hugo Strawn | Fotografia por Rula Domínguez

Quinta-feira à noite no Barreiro: pouco movimento nas ruas.

21h, 21h30. A cidade gosta de se pensar como de trabalho, apesar da falta de dinheiro, da desindustrialização, da suburbanização estilo dormitório. A cidade tem um modo peculiar de viver as mudanças. O Teatro Municipal do Barreiro fica num centro comercial onde quase todos os espaços comerciais não funcionam enquanto tal... ARRENDA-SE. O auditório onde decorreu o segundo concerto agendado do OUT.FEST 2012 encheu.

Helena Espvall surgiu em palco com um colorido vestido. Trabalhou o violoncelo a solo, tocado através de loopers e pedais de efeitos e construindo uma atuação baseada numa improvisação melódica e algo, por assim dizer, telúrica. Prelúdio para o que seguiria.

Steve Gunn tem vindo a delinear e ofereceu no Barreiro um fascinante trajeto/ação assente numa guitarra na tradição da americana e da vagabundagem numa colocação de voz de assombração. Uma canção sobre um homem que busca/buscava coisas no lixo. Sons como pura presença, paus espetados na terra. Not the Spaces You Know, But Between Them. Com o homem do Brooklyn percebemos, então, isso de musica exploratória e como o OUT.FEST brinda quem dele se aproxima com os melhores momentos musicais do ano e a cada ano. O final do concerto foi uma colaboração entre Espvall e Gunn. Aliás, o final foram os aplausos e como os músicos se retiraram modestamente depois de terminado o seu trabalho. Nem encores, nem braços no ar, nem gritos. A intuição de inteligência prossegue.

Hipóteses de reconciliação com a cidade.

Sexta-feira à noite numa outra zona da cidade do Barreiro: mais movimento nas ruas do que no dia anterior.

21h30, 22h. Será possível na realidade portuguesa uma vida citadina diferente da formatação sair de casa centro comercial/copos/delinquência e pouco mais? Caminhar por passeios europeus... A igreja do Convento da Madre de Deus da Verderena (que necessita de renovada pintura exterior) encheu. Algumas dezenas de pessoas. Musica exploratória. Os membros da associação OUT.RA (Rui Pedro Dâmaso, Tiago Sousa etc.) andam sempre por ali e o festival funciona, simpático e com intenção. A antiga igreja do convento, na penumbra, recebeu o público.

Helm, aliás, Luke Younger, abordou, em linguagens noise e espectrais, um peculiar conceito de ordem: massa sonora, dissidências, prevalência da dissidência, uma segunda dissidência (massa rítmica), combate, um terceiro elemento, prevalência do terceiro elemento (massa/ordem), transmutação, final cavo.  

Kevin Drumm voltou a encher a igreja. Os Yong Yong montaram a tenda e o sistema de som no claustro. Lá fora as ruas esvaziavam-se.

O rigor do «silêncio» ainda é possível.

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* Originalmente publicado a 18 de Outubro de 2012, na Le Cool Lisboa * 362

Taberna Moderna


Fomos à Taberna Moderna.

E logo pensei eu: viva a inovação e a criatividade no conceito, que hoje em dia em Lisboa todo o buraco que abre, tem logo o nome de taberna ou tasca ou coisa que o valha. Falei (ou pensei) cedo demais. Em primeiro, esta tasca é uma taberna refinada com direito a sentar o rabiosque em cadeiras Philippe Starck e outros quantos modelos concebidos para a Vitra e com um chandelier que se começa a cobiçar mal se entra. Em segundo, tem um Gin Bar, de seu nome Lisbonita, onde se servem dezenas de espécies de gin. Depois de beber um cítrico copo de Martin Miller’s fiquei rendida a este novo espaço.

Babete Gastrobar


Na sequência de um evento publicado na Le Cool - semana da arte no Babete Gastrobar- surgiu um convite à degustação de que nos oferece este recente espaço na nossa cidade do sol.

Situado no início das Escadinhas do Duque (para quem as desce), lugar este cada vez mais multicultural, o Babete Gastrobar emerge como um espaço de inspiração brasileira que alia os ambientes de bar, boteco e restaurante, dito por Adriana, a chefe de cozinha e co-proprietária. A apresentação do espaço e projeto pessoal Babete Gastrobar foi-nos imediatamente feita pela própria, que conhecemos na entrada enquanto acompanhávamos a pintura ao vivo de um mural que desenhava o encontro entre o senhor Oswald de Andrade e um Índio, evento no âmbito da semana da arte.

Le Vitória 15

Buenos Aires. Paris na América Latina. E quem o disse, sabia-o muito bem. Conhecemo-nos há nove meses, em Vilcabamba, no Equador. O tempo de uma gestação. Tempo esse cheio de ideias, de sonhos, de projetos, de dúvidas. Por terra viajei do Peru à Bolívia, por ar fui de La Paz a Santiago do Chile, sobrevoando toda a Cordilheira dos Andes, num suspiro constante, observando todas aquelas montanhas brancas e vulcões aos meus pés. São 11h da manhã quando chego ao aeroporto de Buenos Aires. Os meus joelhos tremem.

Le Vitória 13

Trujillo : Huanchaco. Chego num sábado ao fim da tarde. Entro no primeiro hostel que encontro, onde o meu quarto cheira a ratos mortos, mas não estou nem aí. Só quero água de mar e chinelo no pé. A praia está apinhada de gente, porque hoje termina o campeonato de surf.

Huanchaco é uma antiga vila pescatória, a cerca de 14 km a noroeste de Trujillo, a terceira maior cidade do Peru. O nome tem a sua origem por volta do século XVIII e significa “ lagoa de peixes dourados”. Isto porque reza a história de que os antigos pescadores antes de se lançarem ao mar, pintavam o peito de vermelho,
imitando uma ave que tem pelo nome de “huanchaco”, ficando apelidados assim de “huanchaqueros”.

Quando chegaram os espanhóis, resolveram chamar a este lugar a vila dos “ Cavalinhos de Totora “, que são uns pequenos barcos bem estilizados, feitos de umas canas semelhantes às de bambu, que dão pelo nome de “totora”. O cultivo desta cana, já vem desde o séc. XVII com a civilização Moche, característica desta zona, onde os “huachaques” eram poços de totora dos quais se aproveitavam as filtrações do subsolo, assim que daí ser possível a semelhança fonética entre “Huanchaco” e “ Huachaque”. Outra civilização pertencente a esta zona foram os Chimú. Tanto estes como os Moche, foram antecessores dos Incas, e Trujillo é uma
zona bastante turística desde que foram descobertos os seus templos, conhecidos por “Huacas”.

Qualquer amante do surf, sabe o que se passa por estes lados. A cerca de uma hora de Trujillo, na praia de Chicama, encontra-se a “esquerda mais larga do mundo”. Sofia Mulanovich, uma surfista peruana, foi campeã mundial no Campeonato de 2004, e estas praias são o seu quintal.

Huanchaco é um lugar simpático. Tem a sua onda. Aos fins-de-semana, é muito comum as famílias de Trujillo escaparem ao centro da cidade, para virem desfrutar dos seus apartamentos à beira da praia, qual Aroeira ou Costa da Caparica. “Cremoladas! Raspadillas! Tamales! Manzanas Dulces! Anticuchos! Picarones!
Marcianos de Lúcuma!! “ São os pregões dos comerciantes ambulantes ao longo de todo o paredão. Deitada na areia, perdida nos meus pensamentos, e sou abordada por um lindo menino de rua dizendo “Hola mi reina, me compra un chocolate?”. Um sol, dois soles, e assim se vão as moedas do fundo da carteira. Menus de 10 soles, com “ceviche” para entrada, um crocante “chicharrón” de peixe como prato principal, e para baixar pelo estreito, uma geladinha “ Inca Kola”.

Existem uns quantos cafés de estilo mais ocidental, com deliciosos menus vegetarianos e um ambiente bastante acolhedor. Classes de yoga na praia, à hora em que o sol acaricia o horizonte, onde todos param entre o terminar de um gelado, ou um partilhar de um abraço, em silêncio, antes de voltarem ao ritmo normal do seu passeio de fim de tarde.

Ruínas de Chan Chan. Às portas da maior cidade de barro do mundo, com uma extensão de 14 km2, um taxista aborda e tenta-me convencer com o seu serviço directo e eficaz a mais 3 atractivos turísticos, tudo por 50 soles com uma duração de 3 horas. E por mais que deteste agarrar estes pacotes, hoje o sol bate forte, e não estou em modo “ combi”. Hoje sou turista.

“ Huaca del Arco Íris”, “ Huaca del Esmeralda”, Museo de Sikan y “Chan Chan“. Recorri todas as pérolas da cultura Chimú, ficando-me a faltar as “Huacas del Sol, Luna y del Brujo”, da cultura Moche. Mas isso ficaria para o meu regresso.

Aqui aconselho vivamente que se hospedem no Hostal My friend (com económicos menus) , e a noite a 10 soles com banho privado, ou para quem procura mais comodidade “Surf Lily Hostal” ou “Sudamérica Hostel“. Para os vegetarianos ou os tão ou mais “cafeteros” que eu: “Outra Cosa” com uma incrível vista para o mar, (onde também podem consultar bons guias de viagem e desfrutar de um mini-cinema), “Chocolate Café”, “La Casona” , "Abacaxi” e “Las Carmencitas” onde não podem perder dois bons dedos de conversa com a dona com o mesmo nome.

Equador : De Guayaquill para passar a fronteira e para chegar a Montañita na costa.

Em vez de venderem t-shirts na rua que dizem “I love Montañita”, deviam fazer outras a dizer “I FUCKING HATE MONTAÑITA”. A gringolândia sul americana em peso. Toda a Argentina e Chile decidiram mudar-se
para aqui nas férias da universidade.

Montañita é sujo, a praia não é grande espingarda, apesar de ser um bom destino para o surf, por onde quer que passes os “waykis” ( artesãos de pé-descalço ), saem-se com um constante “Hola amiga!”, como se tivessem andado contigo na escola, à espera que te derretas pelos seus longos cabelos negros, e corpo moreno musculado com tatuagens incas, achando assim que já te venderam o par de brincos mais “in” da
América Latina.

Se viajas sozinho esquece Montañita. Os dormitórios não são partilhados, assim que senão vais em grupo, estás lixado, as matrimoniais por alguma razão especial apenas alugam a casais, assim que onde dorme quem gosta de ser um pouco mais solitário? Aqui é a pura “juerga”. Sexo, drogas e reggaetown.

O Sr. Ruben é o único que às 8h da manhã de um domingo tem a sua banca aberta com boas empanadas de queijo e café quentinho. Falou-me do paraíso que era este lugar, há cerca de 30 anos antes de chegar o primeiro turista. Não existia dinheiro em Montañita. Trocavam-se peixes por arroz e batatas. Dinheiro? Nem sabia o que era disso. O caminho que me separa entre a banca dele e a saída do meu hostel, faz-me
andar aos ziguezagues para fugir dos comentários obscenos daqueles que ainda não dormiram, e caminham tipo “zombies” com uns olhos que mais parecem os faróis de um carro avariados.

Os meus planos de continuar a subir pela costa alteram-se. Não queria mais correr o risco de encontrar este tipo de festa à beira-mar e a preços estupidamente caros. Assim que regresso a Guayaquill para encontrar-me com um português que vive em Lima e seguirmos viagem, num destino que decidiremos mais à noite. Passamos horas à conversa no “malecón” de Guayaquill, uma cidade que antigamente pertenceu aos piratas. Parece que temos pilhas na língua, e trocamos o máximo de impressões possíveis, como que a matar saudades do que é falar em bom português.

Baños, Equador. Conhecida como a cidade das Cascatas e do vulcão Tungurahua, ainda ativo, que em 2006 foi a última vez que entrou em erupção. Depois de uma boa caminhada na montanha e a miradouros, e de fazermos o percurso das cascatas principais, rumbo a Latacunga, a Oeste de Quito, para desfrutar os últimos dias de viagem juntos, de volta à costa.

Mas agora acompanhada.

Por Ollantaytambo, sei que a vida continua tranquila, e a chover. E eu, mesmo de férias, sei que o trabalho não pode parar, tentando espalhar ao máximo a campanha para as vítimas das cheias em Urubamba, que senão alcançarmos parte do limite final, terá os seus últimos dias nos próximos meses. Assim que vos
peço que difundam o máximo que possam, e para os que possam fazer uma pequena contribuição, que se lembrem que por mais pequena que seja, aqui por estes lados, pouco significa muito. A comunidade agradece, e todos juntos com pequenos gestos podemos mudar o mundo.

Deixo-vos com um documentário publicitário sobre a cultura peruana. Espero que gostem e que assim de alguma forma possam perceber, como este país me apaixona cada vez mais, a cada dia que passa.

Ligações

Pintura por Augusto Brocca

Le Crónica Rock'n'Roll Tv 1


Uma vontade de ser. De sentir e de fazer sentir. De ultrapassar fronteiras e limitações. Usar e abusar do que é nosso. Trazer de volta o orgulho ferido, contra tudo e todos. Voltar à ribalta, às bocas do mundo. Mas tudo na penumbra. Sempre com um sentimento de marginalidade. Essa coisa magnífica de fazer em cima do joelho e mesmo assim soar perfeito. De fazer mais e melhor sem os meios. Sem o falso e demasiado pensado. Sem obedecer a estratégias e canais convencionais. De chegar a todo o lado sem comprometer a ideologia e a originalidade. Mais que nunca estamos vivos. E prontos a tomar de assalto o que até há pouco tempo era preenchido por estrangeirismos sem valor. Glorificar e elevar ao expoente máximo da criatividade este nosso sentimento.

Le Crónica por Eduardo Condorcet

Joaquim Paulo Nogueira e o realizador Jorge António pareceram não ter dúvidas, quando há 20 anos encenaram a primeira peça juntos, "daqui a vinte anos encenamos outra". Meu dito, meu feito e o resultado é 3 Actores à Procura de um Papel, a peça que trazem ao Teatro da Comuna de 19 a 20 de Janeiro. Neste texto, Oceana Basílio, Ângelo Torres e João Cabral, trazem à cena três atores que entram para uma sala para realizarem um casting público.

Uma voz off explica o jogo e as regras: os atores vão ter de entrar em cinco cenas, onde representam personagens diferentes que lhes são atribuídas em segredo.

Ao longo do tempo em que estão juntos vão começar a cruzar as suas histórias de vida e a sofrerem influência dos personagens que representam. Cada história manifesta o seu traço de contemporaneidade, apontando os autores a mira à precariedade, ao terrorismo, às doenças terminais ou à identidade sexual.

Neste trás para a frente de performance teatral o texto flui ágil prendendo o espetador às diversas histórias contadas, mesmo se, não cedendo à facilidade, as transições serem por vezes alargadas misturando-se muito do material das "improvisações encenadas" com as emoções dos atores/personagens em palco. No final, não sabemos inteiramente o propósito desta sessão de casting (afinal para que é o papel em disputa) ou acerca da instituição que está por detrás da voz do altifalante. Subentende-se o establishment, as constrições da vida ou a própria vida em si. Com este recurso cénico, a atenção do espetador não deriva para a desconstrução social ou política, mas mais para o campo do veste-despe de trajos e emoções que é matéria da prática teatral.

onde
Teatro da Comuna, Praça de Espanha
mapa de localização

quando
5ª, 6ª e sáb às 21h30, dom às 16h | Até 2 fev

quanto
10€

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* Originalmente publicado a 26 de Janeiro de 2012, na Le Cool Lisboa * 324

Le Vitória 11


Viver em Ollantaytambo, a 2750 metros acima do nível do mar, num povoado com 1500 habitantes no centro, cerca de 3500 pela montanha. Depois de tantos meses a viajar dentro e fora do Peru, chegou a hora de assentar. Arrendei um quarto num pátio castiço, com vista para as ruínas, numa rua construída pelos próprios Incas.

Ollantaytambo é a cidade viva dos Incas. O único lugar onde os espanhóis foram derrotados e por essa mesma razão ainda hoje se mantém tal como há 500 anos. A cerca de 3 horas de caminho pelo meio da montanha com vistas incríveis, passando pelos 100 terraços agrícolas Incas, estão as ruínas de Pumamarca, construídas a 3200 metros de altitude, num ponto estratégico com um ângulo de 360º, para que os Incas pudessem avistar a chegada do inimigo. Aqui, foram encarcerados os espanhóis quando tentaram invadir este lindo povo.

Le Crónica | Rebelbingo Lisboa 9 Dez


Eu já não saía à noite há muito tempo, mas ontem, foi daquelas que soube que nem ginjas relembrar bons velhos tempos. Não sei se sou eu que estou a ficar velho, mas aquilo estava tudo louco ao rubro, a mandar patrões e "troikas" passear.

Se não, "veja-se": em cima do palco está um louco a puxar pelo pessoal enquanto se joga bingo, a pedir abracinhos valentes cada vez que saem os números; depois estão duas loucas, a tirar os números e a fazer rimas sexuais com os números saídos (é preciso ver para crer); depois os prémios vão desde um fato de canguru, até um personal trainer gordo que nem um texugo; para finalizar dão-te uma caneta supostamente só para jogar bingo, mas... a caneta acaba a ser como um "intermediário" de um engate perfeito.

InShadow 2011 | Crónica por Eduardo Condorcet


De 1 a 11 de Dezembro de 2011, realizou-se em Lisboa a terceira edição do festival internacional de vídeo, performance e tecnologias InShadow, tendo a organização do evento cabido à associação cultural VoArte.

A organização liderada por Pedro Sena Nunes trouxe à capital nomes relevantes da intermediação tais como:

Ka Fai Choy, artista/investigador de Singapura que estuda as intersecções da memória muscular com a electrónica, criando coreografias em que a electrónica domina a movimentação do performer através de eléctrodos; Daniel Conrad, canadiano que estuda a "combustão espontânea na improvisação em vídeo-dança e ainda o britânico Caswell Coggins e o aclamado português Rui Horta, cuja apresentação versou sobre os desafios da percepção nas artes performativas.

Le Vitória 10

Le Petit Routárd: Pérou et Bolivie.

MachuPicchu pela segunda vez em low budget. Em Ollantaytambo tomo uma combi até Piscacucho, ao km 82, onde começa o famoso “Inca Trail”. Até Aguas Calientes são 28 kms. São 9h da manhã e são cerca de 8 horas a caminhar seguindo a linha do comboio. Poucos minutos depois encontro umas ruínas Incas. Entro e faço um pago à Pachamama, com folhas de coca e um pouco de água florida, e peço-lhe para que nos acompanhe nesta caminhada. Estamos rodeados por montanhas de cor terra, áridas, o clima é seco e a vegetação de verdes suaves.

Ao longe do nosso lado esquerdo avistamos parte do Caminho Inca, que leva numa subida muito íngreme a vários aglomerados de ruínas. Depois de 5 horas sentimos o ar húmido, as montanhas de um verde tropical e ruídos ligeiros: estamos a entrar na selva. Em menos de 4 horas chegamos a Aguas Calientes. No hostel deito-me, com as pernas doridas e só quero dormir, dormir e dormir, mas não posso. Amanhã o despertador toca às 4h da manha para subir a Machu Picchu.

Os planos de viajar pelo Peru alteram-se: à última da hora decidimos ir À Bolívia fazer o Salar de Uyuni e visitar as minas em Potosi. Em Tupiza, no sul da Bolívia, já quase na fronteira com a Argentina marcamos uma tour de 4 dias e 3 noites para o Salar de Uyuni. Santos era o nosso condutor e guia e a pequena Maria com apenas 19 verdes anos era a cozinheira que sofria de anemia crónica e passava o tempo todo a dormir e apenas acordava à hora das refeições e que, incrivelmente, nos colocava delícias no prato a condições inóspitas, a 4400 metros de altitude.

Aqui vi das paisagens mais bonitas de toda a minha vida. Lagoas de cores e tons sem fim. Brancas, azuis, verdes, vermelhas e depois de 4 dias a viajar pelo meio do deserto, no último dia dormimos num hotel feito de sal e acordamos às 5 h da manha para ver o sol a nascer no Salar. Somos os primeiros a chegar. E observamos em silêncio os primeiros raios de sol a nascer num horizonte tão perfeito, num branco mais belo que o branco da neve. Santos passa-me o jeep para as mãos e é com emoção que conduzo no maior deserto de sal do mundo. Terminamos no Cemitério dos Comboios em Uyuni, onde se encontram abandonados a maior parte dos comboios que os espanhóis trouxeram da Europa para a América do Sul.

Já com saudade despedimo-nos de Santos e de Maria, e está na hora de seguirmos viagem. Potosi: a cidade mais alta do mundo, a 4000 metros, foi no tempo da colonização a cidade mais rica do mundo, pela riqueza das suas minas de prata assim como a maior cidade do mundo. Londres, Paris e Nova Iorque cabiam dentro dela e ainda sobrava espaço para mais alguns. Todos queriam viver em Potosi e depois dos espanhóis lhes terem sugado toda a prata que puderam, uma cidade tão rica transformou-se numa cidade-fantasma e numa das mais pobres de toda a América Latina. Hoje em dia, ainda existem minas activas e uma das maiores fica no Cerro Rico, a 4600 metros de altitude. São 8h da manhã quando o bus nos apanha no hostel e nos leva ao Cerro Rico. Óscar um ex-mineiro é o nosso guia. Antes de entrarmos, vestimo-nos a rigor: capacete com luz, fato-macaco e botas de borracha. Compramos tabaco, folhas de coca, sumos, água e dinamite como oferendas aos mineiros. Sabemos que vamos passar até ao 4º nível, a praticamente 300 metros abaixo da terra, onde quase não há oxigénio.

Não gosto de espaços fechados nem escuros, mas para isso aqui estou. Para ver outra realidade e enfrentar este medo. Ao entrarmos no segundo nível temos que nos deitar no chão, pois a passagem não passa dos 50 cm de diâmetro. Concentro-me tanto em todas as manobras a serem executadas, as condições de segurança são escassas e tudo é escorregadio e vejo buracos sem fundo por todo o lado. Este processo é tão complexo que não há tempo para o sequer pensar no medo. Ao mesmo tempo sinto adrenalina por querer saber como será lá em baixo. Hoje é segunda-feira e disseram-nos que há muita gente a trabalhar na mina. A passagem para o terceiro nível é mais perigosa e dão-nos folhas de coca para aguentarmos a caminhada. O pó aumenta, a temperatura está demasiado alta, começamos a suar, o oxigénio já começa a ser cada vez menos, mas o que incomoda mais é o cheiro insuportável a enxofre. Chegámos ao inferno. Estamos numa cova onde 4 mineiros trabalham arduamente em tronco nu, onde os seus poros vertem água a cada segundo que passa. Num processo manual aqui chegam os minerais dos níveis abaixo vagão a vagão, cada um contendo duas toneladas de minerais em bruto. E há que parti-los nesta pequena cova para passar para os níveis acima. Somos 9 pessoas a contar com os mineiros, não há tubos de ar, assim que cada um respira o oxigénio do outro e o espaço é demasiado pequeno e perigoso.

Estou a transpirar demasiado e tenho o coração a mil, tentando encontrar uma respiração moderada. O pó que paira no ar é tão denso que mal nos podemos distinguir. O Óscar passa-me uma pá para a mão e diz-me: “Trabalha! Ajuda! Há que dar dois minutos de descanso a estes homens!“ Ele mesmo despe-se e começa a ajudá-los.

Sei que não posso dizer que não e não quero dizer que não porque quero ajudar, mas tento ganhar consciência da tarefa que tenho pela frente e só consigo pensar onde vou arranjar a força para o fazer. Enquanto carrego os minerais, ao meu lado reparo num mineiro encostado, com o suor a queimar-lhe os olhos e pela primeira vez vejo que respira fundo de descanso. Olho à minha volta, as condições são desumanas, olho estes homens no fundo dos seus olhos e não consigo sentir pena, senão respeito e admiração. Estamos todos os turistas a trabalhar, enquanto os mineiros se limpam, bebem água e mascam mais folhas, até ficarem com uma bola de coca tão grande que lhes chega a deformar a cara.

O cansaço é tanto, que penso que não vou aguentar mais. Mas Óscar diz-me que a saída está no nível abaixo e já pouco falta para terminar. Mal baixamos e surpreendentemente sentimos uma ligeira brisa de ar fresco. Aos poucos cada um já controla a respiração ao seu ritmo. Aqui Óscar fala-nos da vida dos mineiros. Já o pai dele era mineiro, assim como o seu avo e bisavô. E quando a próxima geração nasce, o homem mineiro será. E não é como uma obrigação, senão como que uma atitude de respeito para com os seus antecessores, e também, porque hoje em dia não há muito mais que um homem possa fazer em Potosi.

Estes homens dão o suor e o sangue para estarem 8 a 10 horas por dia, nestes pequenos buracos
que se parecem com o inferno, ao saberem que não passarão dos 40 ou dos 50 anos de idade, e sem terem um salário fixo. O rendimento depende da quantidade e da qualidade do mineral recolhido a cada dia. Já perto da saída visitamos o “El Tio”- o santo padroeiro dos mineiros. Tem a figura de um diabo e está rodeado de vários tipos de oferendas.

Quando um mineiro entra na mina, Deus e os problemas ficam do lado de fora. Aqui dentro só existe o companheirismo e o El Tio. Aqui dentro jamais se diz “ Não se pode.” Os meus olhos enchem-se de lágrimas que não lutam muito por sair e escorrem-me pela cara coberta de pó. Engolimos todos em seco e temos o batimento cardíaco acelerado não desta vez pela falta de oxigénio, senão pelo nó que temos na garganta. A visita chegou ao fim, e eu queria mais. Queria entrar de novo e ficar a trabalhar com estes homens. Mas às mulheres não lhes é permitido trabalhar nas minas. No entanto, Potosi ficará para sempre guardado no meu peito.

Bolívia, mostraste-me o que de melhor tens em ti. Santos, o guia mais profissional, alegre e companheiro do Salar de Uyuni. Eduardo um ex-mineiro dono do hostel Koala Den em Potosi. O melhor anfitrião que em pouco depois de chegarmos já estávamos com a sua família a beber e a comer do bom e do melhor. Dançámos as melhores “morenadas” bolivianas horas sem fim, com o mesmo copo de whisky a rodar entre todos. Óscar o melhor guia das minas de Potosi, que espero que siga com a paixão das minas a correr-lhe pelas veias. Depois de me mostrares a tua melhor gente. Depois de um Sudoeste repleto de paisagens incríveis, áridas, rudes, de cores que só vemos em arco-íris, de ver o nascer do Sol no maior deserto de sal do mundo com uma extensão de 18 mil kms, mostras-me um mundo de pó, de condições desumanas,
de temperaturas extremas, de homens dignos, respeituosos e companheiros, mostras-me um inferno onde jamais pensei que pudesse existir tanta vida e tanta esperança.

E em ti Bolívia, encontrei mais uma das minhas paixões assolapadas que tanto me fazem sentir viva. Gosto de ti e não sei porque. Mas julgo que é sempre assim. Talvez é essa tua timidez e esses olhos verdes, azuis, cinzentos, que mesmo depois de tanto prenderem no meu olhar não percebo de que cor são. E também tu te apaixonaste seriamente por mim.

Caros amigos e leitores: o meu tempo no Peru está a chegar ao fim. Assim diz o meu coração.

Quero voltar a pisar as minhas pedras da calçada, a voltar a sentir o cheiro a sardinha assada, ouvir o eléctrico a passar e a ver as ruas da minha Lisboa cheias de cores dos Santos Populares. Quero voltar a pedir ao Sr. Ulisses da Bijou do Calhariz : “Uma meia de leite e sandes mista no pão da casa, se faz favor. “Quero voltar a olhar nos olhos dos meus amigos e rir e sorrir com eles. Quero voltar a dançar kizomba e kuduro no calor da minha família de que tantas saudades tenho. Quero beber minis na Bica e dançar no Cais do Sodré. Quero conhecer melhor a França, Espanha e Holanda. Quero trabalhar nesses campos maravilhosos a apanhar fruta e conhecer novas gentes. Quero fazer o caminho de Santiago. Quero passear pelos jardins de Londres e perder-me nas livrarias da Charing Cross Road. Quero caminhar tranquilamente pelas ramblas de Barcelona e que me cresça água na boca na “La Boqueria.

E se até lá eu não te esquecer e tu não te esqueceres de mim, quero pisar esse branco das montanhas no coração da Europa onde vives, meter-te no meu carro, levar-te a conhecer a minha tão querida Costa Vicentina e perdermo-nos nas suas dunas, como diz a música dos GNR.

No entanto, sei que assim que pisar esse lado, vou morrer de saudades deste lindo continente que me faz tão feliz. E por essa mesma razão eu vou voltar. Europa: quero desbundar agora nas tuas terras, quero reviver tudo isto, porque sei que tão cedo não irei regressar. Estas gentes, estas culturas, estas cores, estes caminhos, estas paisagens, estas vidas, estas lutas, estas comidas, estas danças, estes cheiros, estes mares, estas montanhas, estes segredos, estas crianças, estas caras, estas peles, estes olhos tão escuros cheios de tanta história, isto sou eu que tanto procurei e que finalmente encontrei.

Mais uma vez América Latina: Viajo porque preciso, Volto porque te amo, porque por agora
não consigo viver sem ti.

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Ligações

http://www.boliviahostels.com/Hostal_Koala_Den-Potosi_713-es.html


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* Originalmente publicado a 1 de Dezembro de 2011, na Le Cool Lisboa * 316