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Le Editorial * 383 por Ana Ema

LISBORAMA

Eu sempre quis dizer: o ponto G da ordem de trabalhos não vai ao âmago da coisa ou não é profundo como devia. Pois então. E tenho também o sonho de ser fotografada pelo Alfaiate Lisboeta, em transe de compras ou a dar um passo à frente do outro no Carmo. Lisboa e o sol, recomeçaram a sua história de amor. Mais dia menos dia e estamos em modo primavera, a colecionar cafés e esplanadas, vistas e miradouros. / Ana Ema

O Miguel e o Rafa.El chocam uma virose - parece que anda por , por todo o lado.

Le Editorial * 382 por Henry Limit


Enquanto o São Pedro goza comigo, nessa sua saga de fazer de nós marionetas ora à chuva, ora ao sol; vou pensando em Lisboa. Porque raio, diz-me tu Lisboa, é que tanta casa definha sem gente, nesta terra de bem? Os censos talvez registem ar e espaço, paredes vazias, mas eu preferiria pessoas, famílias, cães e gatos, a encher janelas e quartos, portas e travessas. / Henry Limit

O Miguel e o Rafa.El pensam em coisas constantemente. E depois põe-nas catitas, vírgulas e tudo, ilustram com foto à medida e publicam com pompa no Facebook. A isto chamam filosofia pronta-a-vestir (prêt-à-porter era presunçoso).

Le Editorial * 381 por Óscar Amado


Fecham-se bares e agendam-se manifs! Pintam-se palavras de ordem ao tempo do PREC e jigajoga a malta pela escadarias todas de São Bento. A malta das feiras que assentou arraias no Camões se foi, alto ia o baile Rua do Alecrim abaixo. Contesta-se horas de abertura e de fecho, malditem-se os notívagos que estão tramados para beber um copo entre as 4h e o após. Ou entre as 24h e o até (depende do sítio). Outra época e isto era Carson City. Mas é Lisboa, espera-se que assente, porque tanto de bom por e como está. Ou não? / Óscar Amado

O Miguel e o Rafa.El jogam à bisca no Jardim da Parada e tomam um mata-bicho no café do bairro. Só porque pisca o sol em Lisboa.

Le Editorial * 380 por Óscar Amado


As escadas rolantes da Baixa-Chiado são a metáfora da situação económica portuguesa. Sempre lentas, a maior parte do tempo paradas na subida e (quase) nunca bloqueadas na descida, aos solavancos nos vão levando até ao topo da colina do Chiado, que tarda sempre em chegar. E depois, claro, os chicos que ultrapassam pela esquerda, na melhor parábola do desenrasque de que me lembrei hoje. Mas não quero estar aziago, até porque contorno essa viagem usando a bicla, pois então. Acho, sobretudo, que esta história de crises pode dar um infinito alimento para a criação. Filmes, vinhetas, caricaturas, partituras, novas óperas do falhado, curtas aziadas, comédia e canção de intervenção, viagens de pregação e pregadeiras, muitas pregadeiras. Vamos começar a criar? Isto é um oceano de motivos! / Óscar Amado

O Miguel e o Rafa.El previnem-se e investem em postais para o verão (Para o inverno, enchem-se de gabardinas e de peúgas, para contrabalançar os chapéus de chuva dos chineses).

Le Editorial * 379 por Ana Ema


Agora que não Habemus Papam, é de ir espreitar o filme do Moretti. naquela de perceber que na alta cúpula eclesiástica, tal como no Olimpo, muitos atributos e inseguranças humanas. Lisboa não tem recuos. Apesar de repleta de contradições e de ser muito humana, é cheia e segura de si como poucas. Venham vinte Romas ou trinta Mogadíscios testar o assunto e levam a eito. Para tem o concurso mais concorrido de sempre, o das Sardinhas, que envolve batalhas de argumentos e de traço que deixam Alcácer-Quibir a chorar. Depois, é linda de morrer e contamina todos os turistas que arrisquem um dia poisar aqui o pezinho. É vê-los ficar por a assentar. / Ana Ema

O Miguel e o Rafa.El gostavam de assentar um dia com uma casa e um pátio por Alfama, um. Pela Madragoa, o outro. Algo que inclua vista, uma figueira e talvez piscina. Mas não somos esquisitos, aos sábados pela manhã.

Le Editorial * 378 por Ana Ema


Lisboa tem saldos o ano inteiro. Chama-se Feira da Ladra. O resto do ano é ver as gentes a desbravar montanhas de roupa deixadas ao dará em lojas com sufixos como outlet ou com dísticos em mil e uma variações de "Saldos". Ou "rebaixas", como um alguém escreveu, num refinado portunhol. Rebaixas é, ao certo, a época de promoções na luta de trincheiras pela registadora. É um rebaixamento ao desbarato, ali, contado à peça e ao euro. São peças de roupa, senhores, não um sabor limitado do Santini. Mas o que é verdade, confessa esta ana, é que me encho de trapinhos novos a cada saldo. Salto e entro nele que nem o Livingstone em África: em frenético safari. / Ana Ema

O Miguel e o Rafa.El gostam de ir à vez à Feira da Ladra: só naquela de serem os primeiros a encontrar aquela pechincha. Ou então esplanar para o Clara Clara, que tem uma ótima vista de pássaro sobre os vendilhões.

Le Editorial * 377 por La Cucarafa

Tic Trac

Ia jurar que me cruzei com o César Monteiro reencarnado. Até me cravou um cigarro e tudo, à Pensão Amor, embalado pela minha baba em máquina de lavar, ao fazer o cigarro de enrolar. Hoje, que acordei ao décimo nono despertador (trabalhei tardio), sonhei empreendedor e construí negócios que fariam bem a Lisboa. Um franchise de Bifana Gourmet, um serviço 24 horas de material artístico, um veggie a casa, um hostel spa, um barco-bar a vogar no Tejo, um club tenda de circo, um hotel móvel, um serviço de segurança canino. Pega/risca o que te interessa, enquanto prego mais um olho no colchão para acordar enxuto para Lisboa. / La Cucarafa

O Miguel e o Rafa.El adoram a palavra empreendedorismo, se bem que no "Scrabble" seria tramada.

Le Editorial da Le Cool * 376 por Ana Ema

Papoilha

O meu avô repetia uma frase que me desengonçava: «Desde que vi um cão a andar de bicicleta...». Foi ao crescer e aparecer por Lisboa que lhe percebi o fundamento. Os mistérios do Entroncamento também têm lugar nestes bairros trajados de sombra e de luz. Uma senhora que vende poesia à folha. Outra que fala com anjos sobre o ombro, correndo a rua. Um sem-abrigo artista. Alguém que vende o património de alfarrabista na Feira da Ladra. Um mendigo rapper. Sei que todas as cidades têm o seu ângulo, mas aqui aquilo que me causa estranheza, faz parte desse romantismo que se cola a Lisboa que nem bolo de chocolate à língua. É o ópio de uma papoilha cidade. / Ana Ema

Le Editorial * 375 por La Cucarafa

Pêpinos

Agora que 2013 assentou arraias e as colinas de Lisboa são tracejadas com alguns raios de sol, é de pensar em plantar pêpinos nas hortas que abundam na nossa cidade. Isso ou feijões, antes que chovam malas na altura de desabrochar. Eu gosto de pensar que a Le Cool é um feijoeiro mágico que te leva a trepar até ao Castelo de São Jorge e a uma data de eventos todas as semanas. Para te colocar bem nas nuvens. Se este país tem uma polémica por dia, porque não uma boa novidade diária que lhe faça frente? Isto tudo metido numa balança do Mercado da Ribeira, levava com prece e pregão: «Ó cara linda, leva esta pêtingas, que vão bem com tudo!» / La Cucarafa

Le Editorial * 374 por Nicarágua Jones

Tóristas

Eis o que um diligente e astuto estudioso da economia não poderia imaginar. Lisboa, a cidade que deu caravelas, descobrimentos, a nata e o pastel de bacalhau ao mundo, é um prodígio turístico. Take that que as comeste. Uns dizem que é a decadência romântica desta cidade-ginásio que lhes serviu de chamariz. Outros desconfiam que foi a low cost que os trouxe até aqui. Uns revelam que a noite é a mais quente deste paralelo. Uns, rapidamente disfarçando a ginjinha que lhes orla as beiças, argumentam que são as mulheres, essas sereias do Tejo, a suprema atração. Todos eles se afundam nos pratos do delicatessen luso. Nosso fado ou não, temos uma cidade rica como o caraças, venham os turistas que quiserem! / Nicarágua Jones

Le Editorial * 373 por Benjamin Juíz

Pássara

Pareceu-me ter ouvido «pássara» da boca dela, enquanto passava por mim velozmente, trocando um olhar e uma impressão em algumas letras em atropelo. Como fiquei algo impressionado e antes de perceber que era mais algo como «para a Sara», entreabri a boca, em espera de mais alguma indicação ou de que pássara seria essa. Ainda apegado ao sono mal dormido da consoada de ano novo, sou bombardeado pela primeira polémica do ano. Esperam-se mais, pois é, que a polémica por aqui é uma macieira quase em época de dar fruto. Agora fala-se em discursos e dezcursos, em discursantes e em aumentar o buraco do cinto. Eu sei lá, não dou para isto nem vou com estes pequeno-almoços, mas acho simpático pensarem nos jornalistas.

Tanta polémica fará certamente imensas parangonas de jornais. / Benjamin Juíz

Le Editorial * 372 por Franco Mondego

Alturas

Por alturas do fecho do ano e do espreitar do ano que se lhe segue - ou seja, no quebrar do ano no mundo ocidental, que é aquele que tenta guiar o restante à liça de chicote - tomo contas à vida, recontando o ano que passou. Assim em frames como "eles" gostam de contar na TV, com música de fazer babies em fundo (ou em tom de epopeia, um ou outro, dependendo de que sigla é o canal). Cada ano que somo tenho uma proximidade com um realizador. 2009 foi um ano Tati, 2010 Amenábar, 2011 Fellini e 2012 Woody Allen.  

Gesticulações, gestos, histórias cruzadas, bizarrias, humores e afetações ao sabor dos meses. Como não quero que 2013 seja Pasolini e gostei mesmo do Midnight in Paris, vou fazer a passagem de ano de direta. Em jejum de passas e de álcool. Mas isto digo eu agora, que sou franco apenas de nome. / Franco Mondego

Le Editorial * 371 por José Repugno

Alibis

O mundo acaba lenta, lentamente, qual digestão de feijão frade na tripa. E, como qualquer feijoada que se preze, a próxima fica logo desejada. Lisboa, essa urbe semeada à beira do ribeiro Tejo, pegou e pegou bem. Floresce como nunca, acabe ou não o mundo ditado pelos maias. Aliás, não é muito de confiar no prognóstico de uma civilização que entretanto se extinguiu. Ainda antes de ter uma mãozinha dos españuelos. Portanto, se o mundo se foi ou se vai no vaticínio do povo que construiu pirâmides no Iucatão que nem autarca tuga a cortar fitas antes das eleições, não interessa. Acho que foi de sacana deixar assim a gente em sobressalto. Apontem aí no calendário: dia 22 de dezembro faz um dia que o mundo não acabou. Pelo sim, pelo não - que las hay, hay - dou um alibi para o dia 21: já comprei cigarros para o dia seguinte e é chato que sobeje. / José Repugno

O Miguel e o Rafa.El também já têm jantares de Natal agendados, assim que acabe lá mais para 26 ou assim.

Le Editorial * 370 por Fauna Maria

Bancos

Agora que me vejo inclinada a confiar mais em bancos de jardim do que em bancos a prazo, coloco o dinheiro no colchão e bombardeio de comida a pombalada. O Marquês de Pombal ficaria orgulhoso de mim. Ele e a minha avó Maria da Consolação, que era mestre em sopa de couve serrana e em guardar o valor da jornada entre a palha que lhe servia de leito. À palha volta o que da palha veio. Alterno entre vícios. O Instagram tem um oponente de peso no desejo de ver o Woody Allen a filmar Lisboa. Talvez filme um fadista que se apaixone por um boxer no Finalmente. Isso ou um kefrô que plante uma horta de dia. Ali para Chelas. Quem sabe. / Fauna Maria

O Miguel e o  Rafa.El  preferem colocar o seu dinheiro em offshores e investir em action figures do Alberto João Jardim. Não fazem manguitos, mas dançam o vira.

Le Editorial * 369 por Fernando Mondego

Sósias

Depois de ter dado de caras com a Gina Gershon do Campo Grande, repetia-se na minha cabeça a frase de uma amiga quando lhe repetiam que era a cara chapada, sem tirar nem pôr, da Helena Bonham Carter. Nem por sombras, repito-lhe. Quem o disse é pitosga ou trocou as páginas do IMDB. Mas a Gershon lisboeta fez prurido, deu que pensar. Haverá um gajo com a minha fronha a assaltar velhinhas pela Ericeira? «Olha o Fernando, deu em ladrãoOu talvez com contas offshore no Luxemburgo? Conseguirei levantar uma milena que seja, mascarado? Isto tarambola-me no pensamento enquanto entro numa pastelaria da Graça e dou de caras com o Jude Law lusitano! «É um abatanado, please.» / Fernando Mondego

O Miguel , a Fauna Maria e o  Rafa.El  também desconfiam que andem por cópias suas. Doppelgänger!

Le Editorial * 368 por Rafa

Crase

A cada manifestação, o político boceja. Mas aos outros e a cada crise no bolso, responde-lhe com crase na rua, àquele orçamento um belo assobio, àquela política um sonoro ululo. O Miguel , a Fauna Maria e o  Rafa.El subscrevem, Lisboa era capital antes de o capital ser termo a capitalizar. E se na televisão ou na rádio ou no jornal a coisa parece estar preta - perdão - tremida, feche-se, desligue-se ou cale-se o pio ao dito.

Saiamos à rua e esqueça-se o frio. A tertúlia voltou, a rua será sempre nossa e Lisboa... Lisboa será sempre nossa sem quaisquer juros que lhe atem com uma guita à perna.

Le Editorial * 367 por Rafa

Conto de Farras

O Miguel , a Fauna Maria e o  Rafa.El adoram uma boa farra. Para um melhor mapeamento destas serras que são colinas e que formam Lisboa, o que nos dá mais prazer é ir colecionando tascas em Mourarias e Alfamas e arrabaldes que tais. Jogo da bola se o houver na caixa, amendoins à descrição, sopa da Ti Juliana ou o verde caldo com ou sem uma rodela de chouriço como bóia, bifana abafada em molho que aperta artérias só de lhe colocar o olho em cima. Lisboa é também popular e ainda bem.

A uma farra das tuas, cubro a aposta com uma das minhas a dobrar. Cada taberna de Lisboa é um templo e assim um santuário onde a crise é comentada e surge palpável se alguma vez a mini escassa.

Le Editorial * 366 por Rafa

Alter Eco

O Miguel , a Fauna Maria e o  Rafa.El comparam manias ao caminhar pela calçada. Portuguesa. Que no Brasil se chama de mosaico e que por aqui tem centenas de anos como chão que pisas. O Miguel gosta de intercalar brancos com pretos, calcário com basalto. A Maria calca apenas os brancos e morre de pânico de ficar numa ilha rodeada de pedra cinza polida. O Rafa.El vai é olhando à vez para cima e para baixo, seguindo tanto os contornos dos edifícios com o céu lisboeta, como a estar atento ao percalço de uma nota caída entre a calçadinha. Porque até dava jeito.

Le Editorial * 365 por Rafa

Old Spicey

O Miguel , a Fauna Maria e o  Rafa.El relaxam à força de chá e de bolinhos. O meu pai - diz R.E - à vista de tantas quedas com os mais variados objetos, nas mais variadas situações (imagina aqui skates, bicicletas, aviões tele-comandados, carros e corridas, aventuras, ultrapassagens, tudo) e à vista dos meus desastres, socorria-se sempre primeiro em favor do objeto. "Está partido, quebrou-se, ainda funciona?" Tal escola e tal crescer fez-me dar sempre conta de que o objeto é sempre secundário, ainda que parta. É como percorrer a Le Cool. Tanto evento semeado na cidade e o que me interessa visitar é aquele que possa partilhar. Contigo será assim - não?