Le Artista da Capa * 407

Sempre desenhei mãos. Comecei é por pôr os pés pelas mãos ao desenhá-las. 
Depois fui aprimorando a coisa.

Tenho um almanaque com mil e uma desenhadas. Em formas e posições para todos os gostos, como se fosse a milena e tal de receitas diferentes do fiel amigo. Sherazade ficaria orgulhosa e até daria à estampa uma por noite, para apimentar as contas.

Afixei uma data delas em folhas alinhadas junto ao Conservatório de Lisboa

Desapareceram num ápice, levadas por outras mãos em pinça de quero-te sem que as pudesse desenhar.

São quase sempre minhas, mas nem sempre. Umas parentes, outras amigas, uma ou outra imaginada, aquela em detesto.

Reparei que os povos se identificam e valorizam (e se valorizam) muito pelo que lhes sai das mãos. Não pela mão em isso, essa é a ferramenta necessária, mas pelo produto do seu trabalho. E toque e jeito e minúcia (o olho e o tacto também entram no jogo).

Filigranas, artesanatos, olarias, relojoeiros, artífices, artistas, joalheiros, bilros, tecedores, sapateiros, gravadores. Enfins, afins e infinitos sabeses. E desenhos de mãos. Claro.

Le Capa * 407

por Rafael Vieira

Le Entrevista a Nobuyasu Furuya por Pedro Tavares e Rafael Vieira [PT]

Fotografia por Nuno Martins.

Podíamos dizer que este saxofonista  e clarinetista é o japonês mais português. E um cozinheiro formidável. Falámos e partilhámos da sua música e paixões, em relação ao jazz e a Lisboa.


Primeiro Istambul, então Berlim e depois Lisboa, porquê? 

Porquê? Foi apenas um sentimento. Antes de decidir ficar em Lisboa, viajei até cá, talvez uma ou duas vezes e tive sempre um óptimo pressentimento em Lisboa. Que podia fazer a minha música aqui. A atmosfera antiga e os sentimentos de Lisboa e dos portugueses marcaram-me positivamente. Não pensei muito, simplesmente vim e tentei ficar. 

Como é que a música apareceu na tua vida?

Para mim a música é um trabalho que estou a fazer, mas claro que não consigo fazer dinheiro com isso. Mas concilio essa parte da minha vida, o meu trabalho tal como as minhas criações e eu, e tudo é completamente parte da minha vida. Não faço música, mas estou a fazer música e isso tornou-se parte da minha vida.

PASSATEMPO Antestreia Shun Li e o Poeta

O filme de Andrea Segre que venceu os Prémios de Melhor Filme e do Público na edição de 2013 da 8 1/2 Festa do Cinema Italiano em antestreia na Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema. Tenho por aqui 5 bilhetes duplos a ganhar a quem acertar nas três perguntas:

1. Em que cidades portuguesas vai estar em exibição Shun Li e o Poeta de Andrea Segre?
2. Em que cinemas portugueses estreia Shun Li e o Poeta de Andrea Segre?
3. Em que data estreia Shun Li e o Poeta em Portugal?

Junta o teu nome e identificação à resposta, para este e-mail : lisboa@lecool.com

SHUN LI E O POETA, de Andrea Segre | CINEMATECA PORTUGUESA | Quarta 18, às 21h30

PASSATEMPO BFF - Bicycle Film Festival Lisbon 3

Não tens bicicleta? Usas o transporte público e sonhas em ter uma vida ciclável? Não deixes os gémeos por mão alheia e nem coloques nos penhores as jóias de família para comprar um selim. Começa por aqui, pelo Bicycle Film Festival.

Para um bilhete duplo para a sessão «Urban Bike Shorts», nomeia lá o nome de cinco realizadores dos filmes em exibição.

Responde para aqui, juntando o teu nome e identificação.
PALÁCIO FOZ | Sábado, 14 de Setembro | Às 23h 

- PASSATEMPO ENCERRADO - 

PASSATEMPO BFF - Bicycle Film Festival Lisbon 2


A bicicleta segue rodando e, em Lisboa, na constante descida no caminho entre cada uma das suas sete bossas, é em piloto automático. 

Para um bilhete duplo para a sessão «The Way I Roll», assinala  o nome do realizador do filme que dá o nome à sessão.

Responde para aqui, juntando o teu nome e identificação.

PALÁCIO FOZ | Sábado, 14 de Setembro | Às 21h 

- PASSATEMPO ENCERRADO -

PASSATEMPO BFF - Bicycle Film Festival Lisbon 1

Prende lá bem a bicicleta do olhar do amigo do alheio. Há gente com gula para exercitar o glúteo. Gula benfazeja é quereres ver a sessão Cinematic Shorts, do Bicycle Film Festival. 

Ganha um bilhete duplo para os Cinematic Shorts, ao dizer-me quantos filmes fazem parte desta sessão. Junta o teu nome e identificação à resposta, para aqui.

PALÁCIO FOZ | Sexta-feira, 13 de Setembro | Às 19h30 

- PASSATEMPO ENCERRADO -

Tertúlia Jazz 2, na Livraria Barata




Joaquim Monte, «Sou um sortudo»

texto: Pedro Tavares 
fotografia: Nuno Martins

Regra geral, os apreciadores de música não estão conscientes da estrutura que está em redor dos músicos e que faz com que a própria música exista. É o caso da gravação, da fotografia, do «design» ou do trabalho de edição. Os músicos são o centro da atenção, mas para que o seu trabalho chegue ao público é necessário que todo um conjunto de pessoas garanta as condições da sua actividade.

Uma dessas figuras de bastidores é Joaquim Monte, director do estúdio de gravação Namouche, em Lisboa, responsável por uma grande fatia dos registos de jazz que se fazem no nosso país e não só. 

Esta segunda Tertúlia Jazz realizou-se na Livraria Barata em Julho passado, com a participação do público presente, e é agora reproduzida em simultâneo pelas revistas online Rua de Baixo, Le Cool Lisboa e jazz.pt. 

Como é que nasceu o Estúdio Namouche?

Inicialmente pertencia à Rádio Triunfo, mas não sei a história em detalhe. Foi com Arnaldo Trindade, em Abril de 1973, que passou a chamar-se Namouche. Inicialmente situava-se em Campolide, tendo-se transformado mais tarde num estúdio também muito conhecido, o Xangrilá. Há uma história curiosa com José Fortes, que inaugurou aquilo como director técnico. O Namouche abriu a 25 de Abril de 1973 e ele estava, na véspera, com um colega a fazer os últimos retoques. O colega disse-lhe: «Que grande dia! Amanhã devia ser feriado.» Um ano depois deu-se o 25 de Abril e neste dia é feriado deste então. Passou por lá muita coisa e durante muito tempo fez-se, essencialmente, publicidade.

Le Editorial * 406 por La Cucarafa

CAOS DE SODRÉ

O i grego das ruas pejadas de bares, um porta-sim-porta-sim, sim oh sim, entremeado a Casa Conveniente e restaurantes de garfo e faca na mão sobre a chicha em bitoque. A cavalo. Mulheres a demarcar esquinas, em conta e fazendo de conta, em bicho-de-conta, patrulhando com os olhos, as ancas flácidas e a língua afilada, áreas invisíveis a estrangeiros como eu. Templos de todos os vícios e mais alguns fora da carta. Um chão rosado e um firmamento a negro, das horas tardias de todos os pardos. O Cais é um caos, em bom e infinito. Quem não gosta, não toca, mas há-de sempre - sempre - lá desaguar. / La Cucarafa

Miguel e o Rafa.El concordam com ambas as duas visões da coisa.

Somos parceiros de comunicação do Alfama-te, do Pecha Kucha Night Lisboa e da Madame. A Le Cool Lisboa não se rege pelo AO90.

Le Capa * 406

por Sérgio Augusto
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* Originalmente publicado a 12 de Setembro de 2013, na Le Cool Lisboa * 406

FILMES COM LISBOA DENTRO (1955/1959)

[1] «Lisbon» é um filme policial do actor/realizador Ray Milland, de 1956, filmado na sua quase totalidade por aqui e ainda por Cascais, Seteais e com interiores filmados na Tobis (estaria ainda na Quinta das Conchas?). É considerado o primeiro filme de Hollywood feito em Portugal e inclui esta, «Lisbon Antigua», de Nelson Riddle, adaptada de uma música portuguesa de 1937: http://bit.ly/17Sx7f7

Le Artista da Capa * 405, Rita Mota


Apresenta-te e fala-me de ti em pinceladas leves.

Gosto de coisas e pessoas simples mas desafiadoras. Coisas e pessoas felizes e com sentido de humor porque me revejo em tudo isso e apenas isso é preciso para me sentir feliz!
O que te leva a fotografar, porque fotografas tu?

Porque quando os meus pais me começaram a dar prendas «a sério», decidiram começar por me oferecer uma máquina fotográfica e logo isso bastou para deixar lá a curiosidade!

A seguir a essa e que eu me lembre, veio pelo menos mais uma, até eu comprar a minha primeira máquina! A partir daí e até aos dias de hoje, a fotografia têm-me ajudado a abrir horizontes, a ver muitas mais interpretações além das que captamos a olho nu, a desenvolver a criatividade e o sentido crítico, a conhecer pessoas e partilhar conhecimentos mas essencialmente é um exercício de relaxamento!

Le Editorial * 405 por La Cucarafa

Em cada café, uma cara nórdica a soletrar um pedido em sorriso: ga-la-o. Assim, chocalhando vogais entre língua e céu da boca. E desmonta-se o mundo todo se lhe replicam em pergunta de volta: frio, cheio, de máquina, escuro, com espuma, claro, heim? Em cada eléctrico, a qualquer hora que seja, um casal e a sua prole. De boca aberta estes e aqueles, imaginando talvez corridas de diligência pelo Oeste Selvagem aos solavancos lisboetas. Um «índio» aborda o eléctrico, finca as mãos na porta lateral e segue de pendura até onde lhe der na telha. Sem quaisquer escalpes. E sem mitos se cuidado com os carteiristas. É verdade, de onde surgiu este tão badalado receio? / La Cucarafa

Miguel e o Rafa.El acham tudo muito bem.

Somos parceiros de comunicação do Alfama-te, do Pecha Kucha Night Lisboa e da Madame. A Le Cool Lisboa não se rege pelo AO90.

Le Capa * 405

por Rita Mota

Estátua Equestre de D. José I


Um rei montado a cavalo, plantado no caroço da titânica praça que mandou rasgar depois do Terramoto. Tudo por obra e graça de um grande ministro que não deu embaraço ao arregaçar as mangas. O Marquês está , em alto-relevo na frente do pedestal da estátua. Confirma. Os dados históricos e a cronologia construtiva da coisa estão ao alcance, basta desenterrar. o restante que interessa reconhecer é todo o alarido de que são feitos os mitos e o gracejo que rodeiam o monumento. De que cor é afinal o cavalo branco de D. José? Nasceu bronzeado, mas «pátinou» com o tempo e fez-se verde. Recuperado, revive umas nuances acobreadas, mas, para bem do arco-íris, o cavalo que lhe serviu de musa e que se chamava Gentil, era negro! E agora, qual é afinal a pata direita do cavalo? / Fernando Mondego (Quadro de Louis-Michel van Loo, de 1766, comentado aqui)

Pelourinho de Lisboa

Os pelourinhos (essa coisa com tanto de menir como de totem, objecto fálico do poder judicial do passado), apreciados historicamente, evocam um passado pouco simpático. Um nada sorridente mesmo, sobretudo do ponto de vista dos prisioneiros que eram agrilhoados a ferragens para deleite dos restantes. O pelourinho de Lisboa, o da Praça do Município, perdeu essas ferragens exibicionistas em 1883, passando de mostrengo a monumento. Destruído o anterior, manuelino, durante o terramoto de 1755, o que se agora é de construção oitocentista. Agulha central da Praça, à falta de um qualquer obelisco como na Praça de São Paulo, ali perto, exibe-se agora como pelo facial lisboeta, apontado ao firmamento. / Fauna Maria (Foto de Dias dos Reis, aqui)

Eléctrico 15



Restam em Lisboa o 12, o 15, o 18, o 25 e o 28. Ditos assim, artigo e número, percebendo-se logo que falamos de eléctricos. Uma combinação de totoloto a saltitar de 5 em 5 e de 8 a 8 e com uma data de 1 e 2. Qualquer seguidor de numerologia encontraria aqui algo que comentar. Comenta-se também, rotineiramente, em eliminar um ou outro eléctrico, em repuxar esta ou aquela linha a reavivar uma Lisboa mais eléctrica e menos poluente. O 15, o eléctrico 15, cospomolita e ribeirinho, será sempre uma das últimas cartas do baralho a descartar, assim como o 28, o que fica sempre bem nos postais. Num percurso que toma mais de meia hora, Belém e Algés são servidos de bandeja a quem, de nova ou velha composição, nele embarcar desde a Praça da Figueira. / Rafa (Ilustração por M. Ramos)

Le Artista da Capa * 404, Rita Mota

- Sobe Sobe Glória Sobe

É um sobe e desce sem parar! Seja Verão ou Inverno, faça chuva ou faça sol, a Glória pertence a quem sobe e desce aquelas carruagens amarelas!

Apinhadas de gente, com turistas ou meros Lisboetas que, ou por não terem opção ou pelo prazer genuíno que sentem em se deixarem transportar pelo velhinho amarelo, vão elas, rua abaixo e rua acima. Pelo meio, um ou outro atrevido salta para a carruagem, agarra-se e ali vai ele, do lado de fora, para toda a gente ver.
Em cima: Alfama, o Castelo, Miradouros, o Chiado...

Em baixo: Rossio, Restauradores, as ruelas da Baixa Pombalina, com as suas lojas e lojistas singulares…

Dois pequenos mundos que se completam energicamente. Um leque distintíssimo de cores, cheiros e sabores, ligados pela eterna Glória da cidade das 7 colinas.

Do Miradouro de São Pedro de Alcântara inspiro uma Lisboa rendida a quem a percorre. No regresso a casa expiro a eterna vontade de voltar.

Le Capa * 404

por Rita Mota

Le Editorial * 404 por Le Cool



LIVRO DE PONTA

Regressamos dali do lado (uns quantos e quantas de baixo, este e aquela de cima e aqueloutro, o bandalho, de além-mares), ligeiramente mais tatuados de sol do que à partida. A cor bronzeada liga bem com o azul do céu e com gelado de pistacchio a deslizar em cascata pela queixada. Lisboa devia ser apenas uma praça, nada mais, uma praça. Com mantos de areia sobre o Tejo, espreguiçadeiras em vez de colinas e um penacho de verde e coqueiros aqui e ali. que concordar, não é?

Miguel e o Rafa.El acham tudo muito bem.

Somos parceiros de comunicação do Alfama-te, do Pecha Kucha Night Lisboa, da Madame e das Amêijoas à Bulhão Pato de Odeceixe. A Le Cool Lisboa não se rege pelo AO90.