Le Entrevista a Camilla Watson por Cláudio Braga

Camilla Watson já faz parte da Mouraria. Chegou a Lisboa há cinco anos e, perdendo-se de amores pelo bairro, ali decidiu ficar a viver e trabalhar. Do seu atelier no Largo dos Trigueiros têm saído, e continuam a sair, muitas imagens e projectos envolvendo a comunidade e as associações do bairro. O mais conhecido de todos será, talvez, aquele a que decidiu dar o nome de «Tributo» e que parte, precisamente, do seu local de trabalho em direcção às ruas vizinhas, mostrando a quem passa quem são os moradores e quais as suas vivências.
Mas Camilla não pára e prepara-se para oferecer à Mouraria mais uma galeria a céu aberto. «Retratos do Fado – um Tributo à Mouraria» é uma série de 26 fotografias, impressas sobre madeira ou directamente na parede, que Camilla coleccionou ao longo do tempo que leva de vida na Mouraria ou foi recolher junto de museus e particulares.


A poucos dias da abertura oficial, decidimos testar o percurso da exposição, ainda sem a azáfama dos muitos curiosos que se esperam após a inauguração, mas já com a atenção e opiniões críticas dos moradores. Entramos pela Rua do Capelão, onde se podem ver já algumas das fotografias que ficarão expostas, e, espreitando para a Rua João do Outeiro, lá identificamos Camilla Watson junto da sua câmara escura portátil. Preparava-se a parede para a impressão da fotografia de Ana Maurício, sobrinha de Fernando Maurício, enquanto se lutava, como sempre, contra as pequenas entradas de luz e que podem estragar tudo. Esperamos pelo fim da impressão, e que bem que ficou, mas lá conseguimos captar a atenção da artista.

Olá Camilla. Explica-nos lá como nasceu esta ideia e o projecto de ir à procura dos «Retratos do Fado» na Mouraria?

A ideia surgiu-me há 4 anos. As pessoas dizem que a Mouraria é o berço do fado, mas nada indica isso... Na Rua do Capelão havia aquelas molduras vazias [portas e janelas tapadas com cimento] e isso deu-me a ideia para fazer o início do caminho dos fadistas. Fiz a proposta há 3 anos junto da Câmara Municipal de Lisboa que gostou da ideia, mas que por várias razões acabou por concluir que não ser possível avançar. Depois veio a candidatura e o reconhecimento do Fado como Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO e fiz a proposta de novo e eles aceitaram.

Como se chega até este percurso? Houve alguma preocupação especial na colocação das imagens em cada espaço?
A ideia é fazer um caminho dentro do bairro. Cada esquina, cada rua tem um fadista, um músico com ligação forte ao bairro acompanhado por uma biografia em baixo. Onde for possível, haverá sempre a ligação dessa imagem com a história: onde as pessoas nasceram, por exemplo. Mas, queria também integrar as pessoas, fazer uma coisa muito comunitária... 

Na minha experiência, o Fado não são só os fadistas, são as pessoas que assistiram aos fados... É uma certa maneira de estar. A ideia aqui [aponta para a fachada de prédio devoluto na Rua João do Outeiro], por exemplo, é pôr imagens de pessoas a assistir aos fados, pessoas a cantar fado, os poemas, um pouco de tudo...

Então e o fado? Começaste a fotografá-lo já a pensar na exposição ou por vontade própria? 
 
As fotografias começaram em 2009, quando comecei a fotografar fado. Comecei porque gostei do fado e das situações. Naquela altura não pensava neste projecto. Mas, por acaso, a primeira proposta que fiz foi logo em 2009 ou 2010. Embora, este projecto só tenha sido aprovado, em definitivo, há pouco mais de um ano.

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A exposição «Retratos do Fado – um Tributo à Mouraria» será inaugurada este Sábado por António Costa, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, com direito a petiscos e fado ao vivo na Rua João do Outeiro. 

O percurso completo começa na Rua do Capelão, passando depois pela Rua João do Outeiro, Rua do Capelão, Rua João do Outeiro, Beco Jasmim, Largo da Severa, Rua da Guia, Largo do Terreirinho, Largo das Olarias, Calçada do Monte, Travessa da Nazaré, terminando no Grupo Desportivo da Mouraria.

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