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PASSATEMPO OUT.FEST 2013 - dia 12
Dois bilhetes individuais para o festival que se inunda, não de palha, mas de excelente música junto ao Mar da Palha. Para ires dar uma de ouvido a The Fall, responde para aqui (juntando o teu nome e identificação à resposta, BI ou CC), a:
- Quais os actuais membros da banda The Fall?
OUT.FEST 2013 | The Fall + Carla Bozulich's Bloody Claws + HHY & The Macumbas | Pavilhão do GD Ferroviários, Barreiro | 12 de Outubro às 21h30
- PASSATEMPO FECHADO -
- PASSATEMPO FECHADO -
PASSATEMPO OUT.FEST 2013 - dia 11
Ganha um de dois bilhetes individuais para este estuário de magnífica música. Responde certo para aqui, nomeando quatro projectos com que Richard Pinhas (na foto) tenha colaborado. Junta o teu nome e identificação (BI, CC) à resposta.
OUT.FEST 2013 | Mohn + Lee Gamble + Richard Pinhas | Auditório Municipal Augusto Cabrita | 11 de Outubro às 21h30
- PASSATEMPO FECHADO -
- PASSATEMPO FECHADO -
Le Crónica ao OUT.FEST 2012 por Hugo Strawn | Fotografia por Rula Domínguez
Quinta-feira à noite no Barreiro: pouco movimento nas ruas.
21h, 21h30. A cidade gosta de se pensar como de trabalho, apesar da
falta de dinheiro, da desindustrialização, da suburbanização estilo
dormitório. A cidade tem um modo peculiar de viver as mudanças. O Teatro
Municipal do Barreiro fica num centro comercial onde quase todos os
espaços comerciais não funcionam enquanto tal... ARRENDA-SE. O auditório
onde decorreu o segundo concerto agendado do OUT.FEST 2012 encheu.
Helena Espvall surgiu em palco com um colorido vestido. Trabalhou o violoncelo a solo, tocado através de loopers
e pedais de efeitos e construindo uma atuação baseada numa improvisação
melódica e algo, por assim dizer, telúrica. Prelúdio para o que
seguiria.
Steve Gunn tem vindo a delinear e ofereceu no
Barreiro um fascinante trajeto/ação assente numa guitarra na tradição da
americana e da vagabundagem numa colocação de voz de assombração. Uma
canção sobre um homem que busca/buscava coisas no lixo. Sons como pura
presença, paus espetados na terra. Not the Spaces You Know, But Between Them. Com
o homem do Brooklyn percebemos, então, isso de musica exploratória e
como o OUT.FEST brinda quem dele se aproxima com os melhores momentos
musicais do ano e a cada ano. O final do concerto foi uma colaboração
entre Espvall e Gunn. Aliás, o final foram os aplausos e como os músicos
se retiraram modestamente depois de terminado o seu trabalho. Nem encores, nem braços no ar, nem gritos. A intuição de inteligência prossegue.
Hipóteses de reconciliação com a cidade.
Sexta-feira à noite numa outra zona da cidade do Barreiro: mais movimento nas ruas do que no dia anterior.
21h30, 22h. Será possível na realidade portuguesa uma vida citadina
diferente da formatação sair de casa centro
comercial/copos/delinquência e pouco mais? Caminhar por passeios
europeus... A igreja do Convento da Madre de Deus da Verderena (que
necessita de renovada pintura exterior) encheu. Algumas dezenas de
pessoas. Musica exploratória. Os membros da associação OUT.RA (Rui Pedro
Dâmaso, Tiago Sousa etc.) andam sempre por ali e o festival funciona,
simpático e com intenção. A antiga igreja do convento, na penumbra,
recebeu o público.
Helm, aliás, Luke Younger, abordou, em linguagens noise
e espectrais, um peculiar conceito de ordem: massa sonora,
dissidências, prevalência da dissidência, uma segunda dissidência (massa
rítmica), combate, um terceiro elemento, prevalência do terceiro
elemento (massa/ordem), transmutação, final cavo.
Kevin Drumm voltou a encher a igreja. Os Yong Yong montaram a tenda e o sistema de som no claustro. Lá fora as ruas esvaziavam-se.
O rigor do «silêncio» ainda é possível.
__ __
* Originalmente publicado a 18 de Outubro de 2012, na Le Cool Lisboa * 362
Le Crónica ao OUT.FEST 2011 por Hugo Strawn | Fotografia por Rula Domínguez
O fim da música
O Out.Fest não é
um megafestival nem coisa parecida e ainda bem. Não há confirmações
conformadas, nem seguidores incondicionais: há a tentativa de criar
espaço, olhar em frente e atrair um público que seja criativo e
interessante. Pela música, para descobrir. O Barreiro não quer as
massas, pois disso tem outro conceito. Se já noite longa alguém tripa de
forma estranha, a ameaçar cenas menos dignas, leva um toque e um «olha
pró palco chavalo!». É uma forma do velho orgulho operário que
caracteriza a cidade, que tenta redesenhar-se no meio da tormenta.
Sons do Arco Ribeirinho Sul,
um nome burocrático para um projecto louvável. Possivelmente e
desejavelmente o que mais perdurará deste festival. O que não é pouco.
Um projecto de longa duração, apresentado nesta edição e que se alongará
por quatro. Luís Antero, fonografista, músico e radialista, a recolher
sons do Sapal de Coina, da Mata da Machada e da frente industrial
ribeirinha. Do Barreiro portanto. Da foz do Coina aos silvos das
fábricas. Não é para pusilânimes.
E então os três últimos,
digamos, artistas do festival: Stephen O'Malley, Damo Suzuki &
Sunflare, Oneida. O fim da noite de sábado...
Stephen O'Malley resumiu:
um ensaio sobre o metal. Apostando bastante no impacto físico do som,
não para abanar o capacete (como se costumava dizer nos tempos em que o
metal era popular...), mas para causar uma impressão de explosão
atómica, um processo caracterizado por súbito aumento de volume e grande
libertação de energia. Deflagração. Prelúdio afinal.
Damo Suzuki
começou a noite no bar dos Ferroviários, calmo, ao lado das taças e por
detrás da banca de souvenirs. Chapéu de coco, sorriso tranquilo, um
buda da combustão. Subiu ao palco com três rapazes com ar rockeiro
familiar e parece que ninguém se lembrava que estava diante do vocalista
dos Can. Já não é, mas foi dos Can. E para quem esperasse piscadelas de
olho, Damo, com ajuda é certo, mas sobretudo ele, largou uma descarga
de voz-ruído, pseudo-metal, pseudo-nada, insuportável: Insuportável?!
Quando Demo acabou já o público estava embriagado, as suas palavras
gritadas (japonês?! inglês?! português?!) e aquele ruído todo soavam a
melodia, canção que fica no ouvido. Mais e mais e quando acabou a
performance barreirense da sua never ending tour, os humanos ali
presentes deram conta dos estado dos seus aparelhos auditivos e ficaram
perturbados e contentes. Uma experiência estética. Concerto do ano? O
que é que isso intereressa? Quantos tatamis terá o laboratório de Damo?
Para acabar, os Oneida.
Não houve canções. Houve ruído, descargas de guitarra e o funeral do
rock. Música?! Isso perguntam os Oneida. Banda sonora de bombardeamentos
em directo, melódicas, do momento da vingança, do descolar dos caças.
Com os Oneida a coisa acabou. Só ficam uns rapazes ainda a tocar. Uma
reflexão sobre o silêncio feita de granulação. Quando vivemos?
Out.Fest 2011 : http://outfest.outra.pt/2011
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* Originalmente publicado a 10 de Novembro de 2011, na Le Cool Lisboa * 313
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