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Le Entrevista a Ana Azevedo (Le Cool Team) por Rafa

De onde vens, quem és e para onde vais (mesmo que não bebas Nicola)? 

Venho de muitos sítios, depende sempre do dia em que me encontres. Posso estar facilmente a regressar do Porto, de Istambul, Berlim, Nova Iorque ou mesmo da República Dominicana, mas é certo e sabido que regresso sempre a Lisboa. 

Sou um amontoado de contradicções que fazem perfeito sentido em mim e na minha cabeça. Ainda assim é mais fácil dizer-te o que já fui: o bebé mais antigo da maternidade, a portuguesinha em Itália, a nortenha em Lisboa e a lisboeta no Porto, a pessoa com mais sotaque no local de trabalho (ganhei um prémio e tudo!), aquela que envia SMS românticos à chefe por engano, trabalhadora-estudante durante 2 anos, a child-hater organizadora de babyshowers, alguém esquisito que só fuma depois de jantar, a maior devoradora de delícias turcas do país, locutora de rádio por um dia, estrela de karaoke por umas horas, visiante em prisões holandesas e portuguesas também, trendscout
nas horas vagas, redactora do Zoomarine e Le Cooliana até na alma.

Vou para onde me deixarem e sei sempre para onde vou antes de partir, mesmo que me baralhem o ponto de partida. Não tenho nunca medo de ir mas tenho muito medo de um dia não querer voltar. 

E bebo sempre café, mesmo que não seja Nicola. 

O que te dá prazer em escrever para a le cool, esquecendo os meus elogios, claro? 

Os teus elogios são aquilo que me tem mantido por cá e que espero que ainda me mantenham mais uns tempos! Acho que se não fosse isso já tinha ido escrever para outra cidade. Mas o que me dá mesmo prazer a escrever é não só poder partilhar com os lisboetas as coisas boas da vida, mas poder sempre mostrar esta paixão que me une à cidade onde nasci mas donde fui levada aos 5 anos. É como se estivesse a regressar à minha cidade-alma e Lisboa me estivesse a receber de braços abertos, qual polvo alface!

Lisboa é uma... a) Cidade de que adoro sair para poder sempre voltar, b) Um amontoado de casas com tesouros por entre todas as suas gretas-rua, c) Onde o fado recebeu presentes dos reis magos,
d) Todas as anteriores? 

Todas as anteriores. E ainda mais algumas que me fazem sempre muito feliz. Lisboa é casa, é a minha cidade-berço, a minha amante e a minha amada.

O que surgiu primeiro, o Fado ou a Amália? e há todas as severas e os marceneiros... 

Para mim é o fado! Gosto de acreditar naquela coisa do Destino, de um intricado de linhas emaranhadas que nos guiam ao próximo passo e confluem num bordado perfeito que é a vida de cada um. A minha de preferência vivida em Lisboa, com amores menos ilícitos que os das severas, mas igualmente musicados pelos marceneiros alfacinhas.

Por onde levas a conhecer lisboa, quem nada dela conheça? 

Ao Mundo todo, como te disse! 

Depende sempre dos dias e onde vou, mas já converti muitos portuenses, alentejanos, algarvios de gema e na categoria internacional, turcos, lituanos, espanhóis, franceses, húngaros, alemães, holandeses, austríacos, finlandeses, suecos e espanhóis que são os mais fáceis! E sabes que aquilo de que todos falam é a luz de Lisboa, a comida, o rio, o sol que nos mima e os bairros típicos. 

Mas tenho de confessar que de vez em quando também me deixo converter por eles um bocadinho. No entanto, sou incapaz de trair Lisboa, por mais do que uns dias. Flirto e tenho casos românticos com outras cidades, mas namoro sério para casar, só com Lisboa.

Qual será o pódio dos teus segredos de lisboa. Ou «schiu», que ninguém deve descobri-los.

O pódio dos meus segredos é o bairro onde vivo, Campo de Ourique. Esses não conto a ninguém. 

Já os outros, deixo-os por estas páginas, quando valem mesmo a pena. Não tivesse eu como lema de vida: «Um amor só se torna maior, quando partilhado». É assim com tudo na minha vida e Lisboa não é excepção.
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* Originalmente publicado a 23 de Outubro de 2013, na Le Cool Lisboa * 412

Le Entrevista a Vera Marmelo, por Rafa

Para quem anda nestas andanças de acompanha-eventos-e-assiste-a-concertos-e-
escreve-sobre-os-ditos, o teu nome e o teu trabalho não passam despercebidos. Como te apresentarias para os restantes?


Sou uma rapariga que vai a muitos concertos. Gosta de música e de pessoas. Usa a fotografia para comunicar e se ligar a estas duas coisas. Ao mundo da música e a pessoas.

De certeza que já ouviste muita malta a gozar com o teu apelido. Como - civilizadamente - lhes respondes? E sem civismos, como é?

Nunca foi necessário responder a gozos. Na verdade sou sempre eu a fazer questão de sublinhar o meu apelido. No final de contas ninguém se irá esquecer muito facilmente de uma Marmelo.

Como e quando começaste a ver a fotografia como algo mais do que mera observação quotidiana?

A viragem foi o início do blog. Partilho o meu trabalho, sem pudores, na internet. E foi no início dessa partilha que marcou o início. Foi no final de 2006, depois de fotografar uma edição do Festival OUT.FEST, no Barreiro, cidade onde ainda moro.

Os teus retratos e reportagens versam muito sobre o mundo da música, como é que começou este «arranjinho»? A malta vai voltando e pedindo novos trabalhos? Tens lugar cativo - esta é curiosidade minha, que já te vi lá inúmeras vezes, em pose e lugar privilegiado de observação - junto ao palco do aquário da ZDB?

Este arranjinho não é um contrato, é natural. Tal como tu te habituaste a ver-me em lugares «cativos», também os músicos se acostumaram a mim. E é diferente ser um modelo, ou ser uma pessoa que «tem de ser fotografada», mas que a maior parte das vezes não gosta de o fazer. Mais vale que a tortura seja sempre infligida pelo mesmo. Aconteceu ser eu, no caso de muitos deles. Na ZDB encontras-me muitas vezes porque me agrada a programação, porque gosto de lá fotografar e porque encontro lá amigos.

Para onde te leva o mundo da fotografia - fala-me de livros editados e a editar, de exposições e de outros projectos volantes. 
Vou continuar a fotografar, óbvio. Estou a preparar as coisas novas do You Can’t Win Charlie Brown e isso deixa-me muito contente. Há e-mails de outros músicos à espera de respostas.

Vou, obrigatoriamente e sem sofrimento algum, continuar a fotografar os concertos de que gosto. Tenho sempre em stand by uma série de retratos que vou fazendo a amigos quando os visito. E sim, depois desta zine, há a vontade de continuar com edições neste formato, para arrumar a casa. Preciso de me organizar. Andei, sem grande cuidado, a fotografar durante os últimos 7 anos e pode ser interessante tentar perceber o que tenho.

Projectos e ideias não me faltam, vai faltando o tempo para os concretizar.

Lisboa é uma menina e moça? O que te cativa na nossa cidade?

A luz, como a todos, a massa de água infindável que temos à nossa frente e os sorrisos familiares dos amigos com quem é tão fácil me cruzar por aqui. Sentir espaços como a ZDB, a Casa Independente e outros como um bocado meus. E estar a ser constantemente motivada, por pessoas que conheço por cá, a fazer cenas.

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Foto por Margarida Pinto 

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Ligação v-miopia.blogspot.com


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* Originalmente publicado a 21 de Outubro de 2013, na Le Cool Lisboa * 412

Le Entrevista a Noiserv, David Santos, por Rafa

Sem mais necessárias apresentações, até porque esta não é a primeira entrevista que te faço, como está agora a faceta musical do David Santos? Ou seja, em matéria de adjectivações, mais madura, mais contido, mais seguro, mais firme?

Acho que acabas por responder na pergunta. Sinto que enquanto músico estou mais maduro e até tecnicamente mais evoluido, e acho que isso se sente nas músicas. No entanto, não acho que isso me dê mais segurança porque o receio de fazer algo que as pessoas não gostem se mantém. 




Como tem sido o percurso do Noiserv nestes últimos tempos, um maior tempo dedicado à composição, à criação e a colaborações, como com os You Can't Win, Charlie Brown? O teu percurso tem sido, recentemente, de produção contínua, com A day in the day of the days em 2010, o duplo One hundred miles from thoughtlessness, A day in the day of the days em 2011 e, este teu último, AVO (Almost Visible Orchestra), de 7 de Outubro de 2013. É seguro afirmar-se que a música - o ser músico - já é aquilo que te define em absoluto?

Acho que sim, estes últimos 3 anos 100% dedicado à música e a tudo que a ela dizem respeito, fazem acreditar que isto já é a minha vida em completo.

O ser músico em Portugal, mesmo um em ascenção e com notoriedade como Noiserv, é uma caminhada complicada. Julgo que concordarás. O que achas que é necessário e que foi necessário para ti neste processo de crescimento?

Acho que é complicado e que continuará sempre a ser uma caminhada longa e dificil. Acima de tudo, acho que é necessário nunca desitir, e acreditar que realmente se sentimos que existe algo que gostamos mesmo de fazer não podemos desistir apenas porque às vezes é dificil ou parece impossível. Não há truques, nem formas de fazer da melhor maneira. Apenas não desistir é uma certeza para que um dia resulte.

Quanto ao novo álbum, o AVO (Almost Visible Orchestra), já antes de o ouvirmos se revela uma óptima peça de colecção, com um puzzle que te revela frontalmente e por detrás. Como te surgiu esta ideia criativa - que imagino todos irão querer guardar ciosamente, como objecto de colecção que é - e representa algo na tua música e nesta edição? A desconstrução de algo?

A ideia tem muito a ver com todo o processo que envolveu a composição deste disco. O qual, no inicio não era mais que um puzzle totalmente desconstruido, com vários pedaços de músicas soltas. As ilustrações que compõem o puzzle, essas sim, poderão revelar todos os meus estados de espirito em todo este processo, por vezes construído e outras vezes descontruído.

Cada música que fazes representa um pedaço de ti, correspondem a episódios, a histórias? Será, cada álbum que fazes, e este em particular, uma autobiografia?
Acho que os meus discos serão sempre uma autobiografia musical da minha vida, e do período em que fiz as canções. As músicas acabam por relatar episódios, histórias, mas acima tudo as vivências e estados de espirito que fui tendo.

Que podemos contar para próximas edições, o que te interessa criar e que te puxa a curiosidade em termos musicais?

Estou ainda muito perto deste novo disco para perceber qual será o próximo passo, neste momento estou focado em conseguir que estas novas músicas cheguem da melhor maneira possível às pessoas, só daqui a uns tempo, conseguirei pensar qual será o meu «futuro» musical.

Foto por Vera Marmelo


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Ligação : www.noiserv.net


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* Originalmente publicado a 18 de Outubro de 2013, na Le Cool Lisboa * 412

Le Entrevista a Tiago Galo, 2, por Rafa El

Explica-me lá esta capa e bem-vindo de volta.

De cada vez que olho Lisboa desde um qualquer miradouro, sinto-me como que um gigante, e como gigante que sou espreito a cada janela, destapo aqui e ali sem olhar a contenções.

O que te faltou dizer na primeira capa que ilustraste para a Le Cool?

Para além de ter sido uma enorme honra ilustrar uma capa para a Le Cool Lisboa, faltou-me lembrar para aproveitarem o Sol de Outono e fazer um passeio no 28!

Parece-te que Lisboa é uma salada ou mais uma sopa? É a diversidade que lhe está na fonte do interesse? Vês-te alfacinha?

É incrível como Lisboa se define pela sua indefinição. Sabe perfeitamente quem é por ser muitas coisas. Muda de cor, forma e textura tão facilmente que até o Bowie se deve roer de inveja. O fantástico disso tudo é que qualquer um pode ser alfacinha. Lisboa molda-se e cativa-te para depois te apresentar a todos os seus outros «eus». Talvez haja qualquer coisa de Pessoa nisto. Só pode.

Se os lisboetas são alfacinhas, não seriam também lagartas, já que querem tudo e mais para a sua cidade?

Acho que Lisboa é habitada por muitas lagartas sedentas que a consomem... como que se de uma folha de alface cheia de buracos se tratasse. O pior é que quem chega de fora a veja como uma espécie de ruína nostálgica que só olha para o passado num registo delicodoce. Parece-me que há muito a fazer em Lisboa, e embora tenha melhorado, ainda vai aparecendo uma ou outra borbulha das que falava na entrevista anterior.

Escreve aquilo que te surgiu neste momento. Anything.

«Estamos todos na sarjeta, mas alguns de nós contemplam as estrelas», Oscar Wilde.


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* Originalmente publicado a 10 de Outubro de 2013, na Le Cool Lisboa * 411

Le Entrevista a Tiago Galo por Rafa

Gostava que te apresentasses sem contenção. Mostra-te, diz-me como começaste a ilustrar, qual o teu percurso e história (isto não é um CV).

Nasci em Lisboa no início dos oitentas e fui-me perdendo por até hoje. Comecei a desenhar desde que me reconheço e provavelmente continuarei até deixar de me reconhecer.  

Estudei arquitectura e trabalhei enquanto arquitecto durante muitos anos, até que um dia decidi baralhar e voltar a dar: o que sempre quis ser, e na verdade sempre o fui, é ilustrador. Por uma vez na vida decidi seguir esse tal de Confúcio, que aparece amiúde em livros de auto-ajuda, e seguir a máxima do faz o que gostas e não voltarás a ter um único dia de trabalho

E a verdade é que não lamento em nada deixar para trás as conversas inenarráveis com empreiteiros a tresandar a Casal Garcia e as escolhas de azulejos de casa-de-banho entre o salmão e o creme-platinado. Agora mesmo ando a estudar Design.

Gostas assim tanto do 28? Conta-me lá alguma história engraçada sobre isso.

O 28 surge sempre que algum amigo de fora me pede para lhe apresentar a cidade. O 28 é o narrador por excelência, uma espécie de MC da cidade, que nunca me deixa ficar mal.

Que te agrada mais ilustrar?

Desenhar sempre foi para mim como que uma terapia, o que vendo bem me faz pensar que devo ter imensos problemas, tal é a necessidade constante em desenhar. Agrada-me pensar na ilustração como uma porta aberta para uma qualquer outra realidade que extravase esta e onde podemos ser e deixar de ser.

Lisboa aparece-te sempre assim, uma personagem, uma paixão e um fundo de estuque?

No fundo e, por mais lugar-comum que isto possa parecer, Lisboa é um palco gigante onde a vida acontece com a diferença de não existirem cortinas... excluindo, claro está, as dos peep shows ali da calçada da Glória.

Sugere-me aí algo que te pareça especial a fazer em Lisboa - um percurso, um evento, um momento.

Vejo Lisboa como alguém que se olha constantemente ao espelho (o Tejo). Não sei se por vaidade ou insegurança... talvez por aparecer por vezes aqui e ali uma ou outra borbulha. Gosto de admirar Lisboa ao longe, quando se olha ao Tejo, à medida que me aproximo à boleia de um cacilheiro desde a outra margem.

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Enlace: http://www.behance.net/tiagogaloilustrador


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* Originalmente publicado a 10 de Outubro de 2013, na Le Cool Lisboa * 410

Le Entrevista a Sérgio Augusto por Rafa.El

O que te inspira a fotografar lisboa?

Aqui já pouco me inspira. Enquanto rebolo pelas mesmas voltas, o fascínio surge já tépido e os lugares amorfos misturam-se comigo. É algo mais denso que me faz querer fotografar Lisboa. Há pequenas fixações que usurpam monumentos entre outras subtilezas que devem ser regadas. É bom destapar a cidade das muitas camadas.


O que te puxa mais pelo dedo e pelo olho na lente, pessoas, bairros, detalhes, perspectivas, horizontes?


Gosto de combinações bastardas, do desfocado expressivo e do pouco que enche.
Se pudesses resumir lisboa numa frase, qual é que seria?

Lisboa é feita de pedaços.


Conta-me um pouco sobre ti e como começaste a fotografar.

Os contos sobre mim estão sempre trocados. Deambulei muito até ficar suspenso na fotografia. Numa viagem espreitei inadvertidamente por uns óculos sem contexto. Acabei por largar todas as ideias e deixar o autodidacta perder-se nos erros e na novidade. É um método que vicia porque a frustração tem um ritmo diferente das outras formas de arte. Depois apareceu o hábito.
Releva-me um percurso, um bairro ou uma história engraçada sobre a cidade.

Recomendo nascer no disperso da Apolónia e acabar nos vértices da Estrela. No meio há inúmeras pérolas que não quero enumerar.
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* Originalmente publicado a 8 de Outubro de 2013, na Le Cool Lisboa * 410

Le Entrevista a José Chaíça (um dos programadores do Festival Córtex) por Rafa

O Festival Córtex arranca com a sua 4ª formulação, no Centro Olga Cadaval, Sintra, de 10 a 13 de Outubro. Falámos com José Chaíça, um dos programadores do Festival.

A escolha do nome Córtex para o Festival de Curtas-Metragens de Sintra, não é tão óbvio no imediato. Serve para que, em igual modo, se ergam atenções e se potencie a percepção quanto ao cinema que será mostrado?

Essa é a analogia que pretendemos estabelecer quando criámos este nome. O córtex cerebral desempenha as funções que queremos activar e potenciar com este festival e com o cinema que exibimos: atenção, memória, percepção, linguagem, consciência e pensamento. 

Considero que um conceito tão científico que tem simultaneamente a capacidade de desenvolver aspectos tão instintivos e intuitivos como aqueles que enumerei, presta-se na perfeição para caracterizar aquilo que me parecem os primordiais objectivos da obra cinematográfica e da arte em geral.

A imagem presente no cartaz que acompanha a mostra, transporta um desiquílibrio de proporções nas figuras, despertando tanto curiosidade, como apelando a querer saber mais. Como foi o processo de escolha da imagem e o que pretende representar?

A proposta de comunicação do Córtex, passa quase sempre, pela construção de uma imagem que esteja relacionada com o nome da mostra e, em simultâneo, que seja uma interpretação sui generis do mesmo. Toda a estruturação ou modelação das figuras responde exactamente a esse propósito. A imagem do Festival pretende, e tem conseguido, marcar a diferença. A thisislove studio, pela mão da Joana Areal, tem vindo a desempenhar um trabalho de excelência no que diz respeito a toda a imagem e design do Festival, inclusivamente, por dois anos consecutivos a imagem do Córtex consta em diversas publicações, livros de design internacionais de elevada reputação e mais recentemente na Novum Magazine (World of Graphic Design).

Quais os pontos altos que gostaria de destacar no festival deste ano, a sua 4ª edição? Terá, incluído, uma mostra retrospectiva dedicada a João César Monteiro.

De facto a Mostra Retrospectiva dedicada a João César Monteiro é sem dúvida um dos pontos altos desta edição. Será algo completamente inédito. Este ano assinalam-se os 10 anos da morte do cineasta, daí esta ser uma oportunidade perfeita para manter o João César Monteiro vivo no panorama do cinema português. Depois de percebermos que nunca tinha sido feita uma mostra com todas as curtas do realizador, a ideia desta homenagem pareceu-nos não apenas óbvia, mas perfeita, com um timing brilhante.

Foi realizada uma extensa pesquisa de fundo pela Ana Isabel Strindberg, que é responsável pela organização desta mostra retrospectiva, que teve um árduo trabalho para conseguir localizar as cópias destes filmes que são autenticas raridades, património nacional, que infelizmente não anda ser tratado com o cuidado que devia. Foi muito difícil localizar as cópias e quase fomos obrigados a desistir desta ideia. No dia 10 de Outubro, vamos exibir as 9 curtas metragens de João César Monteiro, realizadas entre 1969 e meados dos anos 90, na sua grande maioria serão projectadas em 35mm. Planeamos também convidar personalidades que estiveram envolvidas directamente com o trabalho do realizador, para partilharem num debate aberto as suas experiências, assim como, jovens realizadores influenciados pela sua obra. O público também terá a oportunidade ver uma exposição com várias fotografias de João César Monteiro, autenticas preciosidades cedidas pela Cinemateca.

As curtas na competição internacional são seis, as da competição nacional ultrapassam a dezena. Isto ajuda a explicar um maior interesse no formato - a curta - por parte dos realizadores portugueses? Naturalmente que os filmes que concorrem correspondem já a uma triagem, quantos receberam, como foi essa selecção e o que acha que representa esta adesão em termos de produção nacional? É significativo e demonstra que há mais e melhores filmes, mesmo tendo em conta constrangimentos económicos?


Bem antes de mais nada devo confessar que a competição internacional tem apenas seis filmes, mas não por falta de obras recebidas, muito pelo contrário, o volume de curtas internacionais que recebemos triplicou este ano. O facto de não podermos (ainda) exibir mais trabalhos que nos chegam de além-fronteiras, tem a ver com constrangimentos monetários, o Festival é feito com muito pouco dinheiro, daí termos apenas 4 dias. Tendo isso em conta o nosso foco sempre foi dar primazia à produção nacional, cujo volume de curtas que recebemos também aumentou bastante, mas não de forma tão evidente como no que diz respeito às curtas internacionais. Isto porque em Portugal já tínhamos edificado uma voz própria que agora também se projecta lá fora. 

Ao todo recebemos mais de duas centenas de filmes, cerca de 120 nacionais e 80 internacionais. Para a competição nacional seleccionámos 17. O facto de não exigirmos estreias, o que é raríssimo acontecer num Festival de Cinema, cria uma série de oportunidades na escolha dos filmes. Procuramos seleccionar os filmes mais emblemáticos dos dois últimos anos, podendo realizar assim uma mostra de alguns dos melhores trabalhos, do circuito nacional e internacional. Outro dos critérios é ter em consideração o público, tentamos sempre oferecer uma programação ecléctica, com filmes que cumpram o objectivo de ecoar em cada uma das pessoas na sala, filmes que tenham algo a dizer e que se saibam fazer compreender, o que muitas vezes não acontece no mundo as curtas metragens pelo excesso de experimentalismo. 

Os géneros que temos em competição, vão desde a animação à ficção, passando pelo documentário e experimental. Não creio que tenham havido mais filmes este ano, os filmes continuam a fazer-se mesmo sem dinheiro porque os tempos que correm apesar de serem negros, acabam por nos levar a ter algo que dizer, que é urgente exorcizar porque caso contrário acaba por nos consumir. A curta-metragem é um formato que permite dizer muita coisa num curto espaço de tempo e com baixos custos, porque o avanço da tecnologia hoje em dia, já permite que os jovens tenham fácil acesso a material que lhes permita criar uma obra com relativa qualidade.

Um filme acaba sempre por ser uma história a querer contar - mesmo que se fale de videoart. A curta acaba por ser o resumo de uma história maior. Como vê o formato, a capacidade de sumarizar uma história em alguns minutos de bom cinema e como transparece isso no Córtex?

Acho que a curta é dos formatos mais difíceis de se acertar, de fazer bem, exactamente pelo facto de serem curtas metragens. Os seus criadores têm de ter as ideias muitíssimo bem elaboradas, concretas e com um poder de síntese incrível. Aliado a isto tudo, para além de se contar (ou não) uma história em tão pouco tempo, existe todo o lado artístico e da beleza das imagens que não pode ser descurado, e o lado técnico que cada vez é mais exigente, a fasquia está muito alta. Eu gosto muito de boas narrativas, na minha opinião pessoal, que também sou autor de vários textos para teatro, contar uma boa história em tão pouco tempo pode ser um calvário. 

A curta também se refugia muito no aspecto mais experimental, que é válido, mas creio que o maior desafio está do lado de quem tenta contar uma história. E esse é um foco muito importante do Córtex, eu enquanto programador, estou sempre à procura de boas histórias e quero que elas tenham lugar no nosso festival. Facilmente no universo das curtas-metragens, especialmente em Portugal, caímos no abismo do experimental e da «não-
narrativa» em que tudo é deixado ao critério de quem assiste. 

Creio que a maior parte das vezes essas obras não ecoam no público e acabam por ser objectos muito centrados numa visão demasiado elaborada de um mundo no qual ninguém consegue entrar, que ninguém compreende e com o qual dificilmente alguém se relaciona. Nós queremos envolver o público, queremos ter a certeza que o espectador se identifica de alguma forma com o que assiste.

Gostava que lançasse um convite para que visitem, participem e espalhem a palavra quanto ao Córtex.

O Córtex é feito para o grande público, não é pensado para um nicho. Por isso este convite é para ti que nunca foste a um festival ver curtas e que não estás familiarizado com este formato. Garantimos uma selecção do que de melhor se fez em Portugal entre 2012/2013, do documentário, à animação, passando pela ficção e pelo experimental. 

Temos de impulsionar o cinema português, temos de criar uma nova geração de realizadores e todos temos um papel a desempenhar, o teu é melhor de todos, assistir! São 3€ por cada sessão de seis curtas, nem a crise pode ser pretexto para faltar.

CÓRTEX 4 | Festival de Curtas-Metragens de Sintra : www.festivalcortex.com

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* Originalmente publicado a 8 de Outubro de 2013, na Le Cool Lisboa * 409

Le Entrevista a Susana Santos Silva e Torbjörn Zetterberg por Pedro Tavares [PT]

Recuperamos a entrevista que o Pedro Tavares conduziu com a trompetista portuguesa Susana Santos Silva (SSS) e o contrabaixista sueco Torbjörn Zetterberg (TZ). Calha bem, até porque se juntam novamente em Lisboa para concerto na Culturgest, no ciclo «Isto é Jazz?», comissariado por Pedro Costa, a 9 de Outubro.

Como correu o concerto? 

SSS : Gostei muito, estava inspirada. 

TZ : Foi divertido! É um sítio estranhamente inspirador.

SSS : Estranho não!

TZ : Não, não é estranho de todo! É apenas pouco habitual tocar num sítio assim.

Como se juntaram?

TZ : Bem, conhecemo-nos... Basicamente, conhecemo-nos num safari de vacas em Portalegre.

SSS : É autêntico!

TZ : Sim, é verdade. Na verdade soa...

SSS : Estávamos a tocar no festival Portalegre Jazz em Setembro [2012] e o Pedro Costa levou-nos num safari pelo meio das vacas. E então começámos a falar em tocar juntos. Eu fui a Estocolmo em Dezembro e gravámos o CD [«Almost Tomorrow», Clean Feed, 2013].

TZ : Na verdade, a primeira coisa que ouvi foi Lama [Lama Trio] que estava no alinhamento deste festival [Portalegre Jazz]. Essa, imagino, terá sido a primeira parte desta ideia musical.

SSS : Ele pensou que eu era maravilhosa.

TZ : Eu disse isso?

SSS : (ri-se) Estou a brincar.


Um dueto de trompete e contrabaixo. Se considerarem as características dos instrumentos... qual foi o entendimento? A apostar mais no experimentalismo?

SSS : Sim, não?


TZ : Não tínhamos nenhum compromisso quanto ao que tocar quando começámos. Assim, as primeiras coisas foram completamente não planeadas, não tínhamos nenhuma, nenhuma...


SSS : Ideia pré-concebida.

TZ : Pré-concebida, a começar. E então tínhamos algumas músicas que tentámos depois.

SSS : E a primeira música que gravámos, é a primeira faixa do nosso CD, não é?

TZ : Sim, está certo. 

SSS : Então começámos a colocar algumas coisas no papel, algumas pequenas ideias, ideias musicais, melodias e outras coisas, que pudessemos depois pegar e ensaiar.

TZ : Como… é experimental no sentido de ser tão música experimental quanto experimentarmos com o grupo e vemos aquilo que realmente podemos fazer. Também estamos a testar músicas não-experimentais, algo assim. Do meu ponto de vista, é testar o que podemos fazer com o contrabaixo e o trompete, o que pode caber no conceito... e connosco, também.

As vossas faixas mostram uma forma mais afirmativa de tocar e a abordagem instrumental é um pouco mais dura. Reparei nisso especialmente no tema «Knights of Storvålen». O que sentem quanto a esta afirmação?

TZ : Não sei quanto à afirmação, mas estou a pensar no todo... especialmente essa canção e algumas outras no CD... é bastante inspirada no ambiente onde foi tocada e gravada... Foi um Inverno duro...

Numa cabana coberta de neve...


TZ : Sim, tu leste! Era realmente nas montanhas, no Norte da Suécia. 

SSS : Sim, em Dezembro. 

TZ : Era muito sossegado, topos de montanha, imensa neve... um misterioso vibe. É assim que o imagino! É algo de que falámos... ainda que não o tenhamos posto na música, falámos em tentar capturar a atmosfera o máximo que pudéssemos. 

SSS : O sentimento que tínhamos era de transportá-lo para a música...

TZ : Acho que conseguimos fazê-lo.

SSS : Acho que sim! Boa!


Parece que há uma certa influência árabe nesta composição. É possível?


SSS : Ah, a chegada de Colombo... onde?

TZ : Härjedalen.

Onde é Härjedalen?

TZ : O local onde gravámos. 

SSS : Bem a Norte da Suécia. E é como: Colombo... devemos explicá-lo?

TZ : Força.

SSS : Não, explica tu porque foi tua a ideia... Colombo, sabes, ele perdeu-se e em vez de rumar à Índia, acabou em Härjedalen. Essa é a chegada de Colombro a Härjedalen.

TZ : E essa será a nossa ligação, português e sueco.

SSS : Sim. 

TZ : Bem, não sei... penso que essa canção...

SSS : Apenas saiu assim, não foi? 

TZ : É tão difícil de falar dela depois [da canção] porque, quando improvisas, quando as coisas vêm instantaneamente, é realmente difícil dizer de onde vieram... Nós temos todas estas influências, mas...

SSS : Bem, eu estava realmente a fazer algumas experiências, a tirar este pistão da válvula, para conseguir estes sons estranhos. Toquei, saiu assim, começámos a gravar e foi isso.

TZ : Será que isso a faz oriental?

SSS : Não, mas o som que retiras... A afinação que se consegue ao tirar esta válvula... torna-se estranha e monotónica de alguma maneira. Talvez por isso tenha este som, não?

TZ : Claro, se tu o dizes (ri-se). Eu diria que, desde que não tenhas nada específico em mente, quaisquer influências serão possíveis, dado que estamos a ouvir tantas coisas.

SSS : Diferentes tipos de música... A um dado ponto, mais cedo ou mais tarde, elas despontarão se continuarmos a tentar experimentar. Não foi propositado.

Que me podem dizer mais sobre o álbum que gravaram para a Clean Feed Records, o «Almost Tomorrow»?

SSS : O álbum foi gravado em Dezembro, nesta cabine nas montanhas. Foi uma experiência magnífica porque estávamos a fazer todas estas coisas na neve. Sabes, ir esquiar...

TZ : Down skiing, cross country skiing, snow scooter

SSS : Para mim foi uma experiência extraordinária, pois nunca o tinha feito. Foi a primeira vez que esquiei e, claro, tentámos colocá-lo na música de alguma maneira. Gravámo-lo, enviámos ao Pedro [Costa, da Clean Feed Records] e ele gostou.

Sei que têm vários concertos marcados para este ano. No entanto, qual o futuro para este dueto, o que podemos esperar?

TZ : Bem, falámos em fazer mais digressões e mais gravações, mas ainda é cedo para fazer planos.

SSS : Sim, quero dizer, pensamos no CD, na digressão e em tudo; mas parece-me que nos devemos concentrar no CD. Devemos tentar marcar concertos e digressões para promover este álbum. Esse é o nosso próximo passo!

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Enlace : http://ssstz.tumblr.com

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* Originalmente publicado a 3 de Outubro de 2013, na Le Cool Lisboa * 409

Le Entrevista a Jonas Runa por Rafa

Jonas Runa encontra-se com João Barradas no Lisbon Week, num concerto que será memorável em toda a adjectivação possível, no Teatro Thalia, a 26 de Setembro.  

Tocam no Teatro Thalia, um espaço cultural devolvido a Lisboa, no contexto do Lisbon Week e a convite do programador musical deste evento, Carlos Martins. Como encararam este convite e a hipótese de se apresentarem num espaço que não recebia música há dezenas de anos?

É um privilégio actuar no Teatro Thalia, onde foi estreado o Frei Luís de Sousa de Almeida Garrett e óperas significativas para a cultura musical em Portugal. De facto, durante o século XIX, passaram por esse teatro as mais importantes figuras musicais da época. Sinto-me particularmente tocado pelo «mote» em latim do teatro, que se encontra à entrada: «Hic Mores Hominum Castigantur», que significa «Aqui serão castigados os  costumes do homens». A música, tal como o teatro satírico, deve ser um desafio à inteligência, sensibilidade, e aos costumes (musicais) de cada época. A música de arte procura a revolução na continuidade.

Le Entrevista a João Barradas por Rafa

João Barradas encontra-se com Jonas Runa no Lisbon Week, num concerto que será memorável em toda a adjectivação possível, no Teatro Thalia, a 26 de Setembro.
Tocam no Teatro Thalia, um espaço cultural devolvido a Lisboa, no contexto do Lisbon Week e a convite do programador musical deste evento, Carlos Martins. Como encararam este convite e a hipótese de se apresentarem num espaço que não recebia música há dezenas de anos?
Vai ser uma experiência a recordar! O convite do Carlos Martins muito me honra e a ideia é bastante interessante logo a priori. Um acordeonista improvisando e respondendo à electrónica usada de uma forma inteligente por parte do Jonas Runa jogando com a espacialização e modificação do timbre do instrumento. Vamos passar por gestos bem agressivos até «paisagens» de contemplação (apenas!). 

Le Entrevista a João Ferreira, director artístico do Queer Lisboa, por Pedro Alfacinha

O Pedro Alfacinha trocou umas palavras com João Ferreira, director artístico do Queer Lisboa 17, que corre na cidade até dia 28 de Setembro.

O Queer Lisboa já é um festival crescidinho e está quase a atingir a maioridade, o que mudou nos últimos anos?

Um festival tem sempre que adaptar-se e acompanha a sociedade, as mudanças políticas que vão ocorrendo e tem que estar sempre atento ao que se passa à sua volta. Tem que estar atento aos espectadores, que vão mudando, chegam novos, novas gerações e tem que ser sempre um reflexo e uma observação atenta da sociedade. 

É algo orgânico, tem que ir mudando. Depois há outros factores que operam essa mudança, o facto de no início sermos o único festival que havia em Lisboa, olhávamos para a programação de uma certa forma, uma preocupação política diferente e depois com a evolução das mentalidades e das leis e devido ao facto de haver mais festivais em Lisboa, a programação também tem que se adaptar. É um dos bons desafios do festival, não deve nunca estagnar.

Le Entrevista a Nobuyasu Furuya por Pedro Tavares e Rafael Vieira [PT]

Fotografia por Nuno Martins.

Podíamos dizer que este saxofonista  e clarinetista é o japonês mais português. E um cozinheiro formidável. Falámos e partilhámos da sua música e paixões, em relação ao jazz e a Lisboa.


Primeiro Istambul, então Berlim e depois Lisboa, porquê? 

Porquê? Foi apenas um sentimento. Antes de decidir ficar em Lisboa, viajei até cá, talvez uma ou duas vezes e tive sempre um óptimo pressentimento em Lisboa. Que podia fazer a minha música aqui. A atmosfera antiga e os sentimentos de Lisboa e dos portugueses marcaram-me positivamente. Não pensei muito, simplesmente vim e tentei ficar. 

Como é que a música apareceu na tua vida?

Para mim a música é um trabalho que estou a fazer, mas claro que não consigo fazer dinheiro com isso. Mas concilio essa parte da minha vida, o meu trabalho tal como as minhas criações e eu, e tudo é completamente parte da minha vida. Não faço música, mas estou a fazer música e isso tornou-se parte da minha vida.

Le Artista da Capa * 405, Rita Mota


Apresenta-te e fala-me de ti em pinceladas leves.

Gosto de coisas e pessoas simples mas desafiadoras. Coisas e pessoas felizes e com sentido de humor porque me revejo em tudo isso e apenas isso é preciso para me sentir feliz!
O que te leva a fotografar, porque fotografas tu?

Porque quando os meus pais me começaram a dar prendas «a sério», decidiram começar por me oferecer uma máquina fotográfica e logo isso bastou para deixar lá a curiosidade!

A seguir a essa e que eu me lembre, veio pelo menos mais uma, até eu comprar a minha primeira máquina! A partir daí e até aos dias de hoje, a fotografia têm-me ajudado a abrir horizontes, a ver muitas mais interpretações além das que captamos a olho nu, a desenvolver a criatividade e o sentido crítico, a conhecer pessoas e partilhar conhecimentos mas essencialmente é um exercício de relaxamento!

Le Entrevista a Margarida Girão por Rafa

Tu, Margarida Girão, portuguesa e afins, que voltaste agora de calcorrear o mundo (américas latinas, sul e semelhantes), que achas daquela velha história de turistas versus viajantes?

São opções e por vezes circunstâncias, ah! e também atitude. O resto são nomes numa história velha e chata. :)

O que trouxeste da tua viagem de volta a Portugal, Lisboa criou-te aquele bichinho carpinteiro português chamado de saudadinha?

Não criou bichinho algumApenas tive saudades gastronómicas: do verdadeiro caldo verde e da dourada grelhada.

Agora, por dentro ou não consegues deixar de pensar em fora, a viagem deu fruta?

Agora quero ter calma.

Deu muito sumo e um livro de recordaçõeshttp://margaridagirao.com/?portfolio=south-america-book


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* Originalmente publicada a 8 de Agosto de 2013, na Le Cool Lisboa * 403