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Le Entrevista a Filipe Raposo por Francisca Carvalho


No insert do teu disco “First Falls” encontrei uma frase que me chamou à atenção: “algumas descobertas tornam-se parte de nós como cicatrizes na pele”. Como é que, no teu processo criativo, um fragmento, uma impressão, uma página de um livro ou uma imagem de um filme se transmutam numa música?

Quando componho ou toco, há uma tentativa de exteriorizar através da música, imagens poéticas que vou construindo, recolhidas da literatura, colhidas de uma imagem ou até de simples partilhas diárias... são uma espécie de quadros sonoros, que vou desenhando na estrutura formal das minhas composições e improvisações, criando uma espécie de "história" compacta, que se materializa na voz do meu piano.

Neste sentido algumas destas descobertas são tão importantes que se tornam "cicatrizes", no sentido que permanecem na nossa pele, evocando a experiência do impacto da descoberta. Na realidade diariamente somos confrontados com muita informação (por vezes até demasiada informação), no entanto só algumas descobertas se projetam no futuro.