Por Sueli Ferreira de Souza
Vik
Muniz está por Lisboa a acompanhar o lançamento de Lixo Extraordinário e
para viabilizar - assim o desvendou - uma exposição em nome próprio em
Lisboa. Trocámos umas palavras durante o festival FESTin, que continua
no Cinema São Jorge até Sábado, dia 30.
Apresente-se e fale-me um pouco de quem é Vik Muniz, o homem por detrás do artista (ou o homem feito artista).
(Risos)
O homem. O Homem é um homem normal. Simples. Acho que não tem muito
mistério. As pessoas tem uma tendência a fantasiar um pouco a imagem do
artista. Vem do facto que tem um aspecto histórico disso, os artistas
quererem fazer aprender a gostar através dos tempos. Você vai imaginar
sempre vidas conturbadas. Eu tinha esse defeito, imaginava artistas
cortando orelhas, nunca vendendo quadros. É uma ocupação como qualquer
outra, que não dá direito a saber mais. Do ponto de vista político, por
exemplo, as pessoas acham que o artista vai saber mais da sociedade. Uma
pessoa que vê através das coisas, que tem uma visão aprofundada. Eu sou
contra, do ponto de vista político ele não sabe mais do que o padeiro, o
policial ou o torneiro mecânico. Muito pelo contrário. Tem uma visão
muito superficial da maneira como as coisas funcionam, pois vive num
mundo meio fantasioso. Um mundo de imaginação.