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Le Vitória 3
2 de Abril. Uma da manhã. Três casas destruídas. Nove famílias na rua. Nove mortos, incluindo 3 crianças. Um monte de terra, por causa das chuvas colapsou e atingiu estas pessoas numa pequena comunidade chamada Ayahuayco, no centro de Cuzco.
O município ajudou-os nos primeiros dois dias trazendo tendas e mantimentos, e comparticipando com todo o processo dos funerais. E mais já é pedir muito. Um fotógrafo japonês contactou-me e desde aí temos-nos reunido procurando soluções de forma a ajudar esta gente. Por causa da segunda volta das eleições e do início da alta temporada, nada saiu nos jornais. Keiko vs Ollanta. Uma democrata capitalista filha de Fujimori, contra um ex-militar que quer nacionalizar o país e com propaganda paga por Chávez. Em menos de uma semana, o crescimento económico no Peru caiu cerca de 12%, coisa que não acontecia há mais de dez anos. Em Junho será a decisão final.
Abril. Águas mil. De dilemas e pensamentos. A Semana Santa entra e dá-me espaco para pensar. Sem razão aparente a saudade por Lisboa aperta, e dou por mim a colocar a hipótese do “Se”, nem que fosse apenas por umas semanas. Mas não. Nao posso deixar esta gente, nao posso deixar a comunidade em Urubamba. Prometi a mim mesma que só deixava o Peru quando eles fossem ter as suas casas de volta fosse de que maneira fosse.
Le Entrevista a Béatrice Dupasquier por Rafa
Béatrice Dupasquier, francesa, 37 anos, nasci na Borgonha do Sul, uma região onde comida e bebida faz parte das tradições. O meu pai ensinou-me muito cedo a importância das matérias primas de qualidade para ter bons produtos finais; sou apreciadora de bons vinhos, e gosto de viajar. Saí da França em 97, por acaso, para ajudar uma amiga em Londres e fiquei lá 2 anos.
Seguindo o sonho de conhecer a Austrália, comprei uma mochila, a passagem e fui, fiquei por lá 18 meses até ter uma proposta de trabalho para Rio de Janeiro, onde passei 6 anos da minha vida. No final de 2006 decidi que precisava de mais um desafio, e comecei a procurar outro sitio para trabalhar, outro país para conhecer e assim cheguei a Lisboa . Gosto de musica clássica e toco flauta transversal.
Sempre quis ser pasteleira, e não sei porquê - devo ter isso no sangue, mesmo pequena nunca comi muitos doces mas sempre adorei fazê-los, trabalhar os produtos e ver as texturas, as reacções químicas entre os produtos. A coisa também que às vezes me faz confusão é que no meu trabalho sou muito organizada, muito teórica, gosto das coisas feitas com regras e antes de mudar qualquer procedimento preciso verificar a necessidade do mesmo e comprovar que vai me dar melhor resultado. Ao contrário da cozinha, a pastelaria é muito rigorosa, pesa-se tudo e a ordem de mistura dos ingredientes numa receita é fundamental.
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