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Le Entrevista a Miguel Sá e Fernando Fadigas por Rafa


Gostaria de começar com um enquadramento pessoal, com uma pequena  apresentação individual do Miguel e do Fernando - organizadores do SuperStereoDEMOnstration. E, uma curiosidade sem ser abusivo, dir-se-iam  alfacinhas?

O Miguel Sá é artista multidisciplinar e ultimamente tem trabalhado sobretudo como Dj em diversos clubes de música alternativa. O Fernando Fadigas tem assinado alguns trabalhos sonoros para performance, vídeo e instalação.


Alfacinhas não! O Miguel é do Porto e com isso não se brinca! O Fernando nasceu em Oeiras, ali na linha com esgotos a céu aberto... Quem não conhece a praia de Caxias e Oeiras dos anos 80 não sabe a verdade deste país.

E uma introdução quanto à Pogo e à variz.org - associação  cultural, editora, promotoras. Partilhem quanto à inquietude - ou seja, necessidade criativa - de criar o SuperStereDEMOnstration e realizem um pequeno manifesto - apresentação - quanto ao evento.

O Pogo e variz colaboram há alguns anos. O Fernando também pertence a este colectivo artístico e daí esta ligação. O Pogo trabalha desde 1995 rompendo alguns cânones no teatro utilizando a multimédia nas suas performances, introduzindo disciplinas como a arquitetura, o design e as artes plásticas. A variz promove a música eletrónica de cariz mais experimental mesmo que se trate de música de dança mais exigente. têm realizado diversos eventos e programações, destacando a do festival Número com os Cluster e agora Chris & Cosey; mais um pouco de história da música contemporânea presente em Lisboa.

Le Entrevista a Francisca Carvalho (Le Cool Team) por Francisco Pinheiro


De uma Francisca para um Francisco, como me resumirias esta aventura de uma escalabitana em Lisboa?

Esta aventura é mais um reposição da peça “o bom filho a casa torna” do que uma estreia absoluta. Na verdade, sou uma espécie de híbrido ribacinho ou alfaçano, já que fui emprestada à Lezíria com 4 anos e retomei a Lisboa em 2002 quando entrei na faculdade. Sou natural da freguesia de S. Cristóvão e S. Lourenço, nasci à vista do Tejo, ali onde a cidade se inclina em direção ao castelo..

Reparei que usas peep toes com um salto assim para o meio alto. Não dás meias quedas pela calçada da cidade?

Essa pergunta tem piada, precisamente porque a única vez em que caí não ia de saltos. Foi nas escadas do metro da Baixa-Chiado. Tendo passado com distinção as principais, fui meter os pés pelos pés nas de acesso ao cais. Aterrei de cabeça no patamar intermédio. Quem me deu a mão e uns quantos lenços de papel para estancar o sangue, foi um cozinheiro-samaritano que estava de regresso ao Porto e perdeu o comboio porque só saiu “da minha beira” quando chegou o INEM. Contas feitas: cabeça aberta e um cotovelo partido, para além da convicção plena de que, se estivesse de saltos, aquilo não tinha acontecido.

Le Capa * 330

Por Pedro Castanheiro