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Les Mauvais Garçons

Os rapazes são bons. Têm gin, hamburguer e muito amor para dar. Chama-se David e Bruno e foi da união que um conceito se gerou. Os rapazes são assim, assim. Têm água tónica e capitais do mundo para vender. Aqui a viagem faz-se sentado à mesa, bebericando a arte de bem servir. Os rapazes são maus. E têm muito gosto em receber-te. Les Mauvais Garçons, renovado e a recomendar-se! / Francisco Pinheiro (Foto do Banalidades)

Le Entrevista a Fernando Mondego por Francisco Pinheiro


A equipa Le Cooliana lisboeta mais parece um acordeão, em cada membro uma nota musical esticada ao seu limite como se de um intermezzo se tratasse. És parte desta partitura de forma esporádica, e segues a linha por detrás de um grande Homem? Há sempre outro, ou na verdade os originais são únicos e inimitáveis?

Sou homem de tez pálida, cútis bem tratada para a idade de pouco mais de três décadas que somo e com compleição que muitos dizem ser judaica e outros tantos francesa. A minha tia tinha toques de indiana, a minha mãe de cigana, o meu pai de africano e eu de europeu do centro e semita. Uma mistura boa como convém; sou então português, pois somos um povo vindo diretamente da liquificadora, bem aglomerados. Grande homem? Tenho 1,78, serve-me bem nos concertos, mas sinto-me baixo noutras ocasiões. 

Caxemira

A experiência de chegar é a introdução para aquilo que posso designar como o melhor restaurante indiano da cidade de Lisboa. Nunca dizer 'meter o Rossio na Betesga' fez tanto sentido, e entrando no número 4 da Rua dos Condes de Monsanto, subindo ao primeiro andar direito descobrimos como todo o sabor e tradição da Índia podem existir num espaço tão pequeno e único. À porta a fila amontoa-se e o odor a tandoori domina o estímulo às papilas gustativas.  
Aqui tudo é genuíno e próximo. As mesas convivem entre si e os pratos sabem melhor quando partilhados entre amigos. Nunca os caris foram tão perfumados ou as especiarias tão coloridas. O Caxemira é daqueles restaurantes que se esconde na espera de ser descoberto. / Francisco Pinheiro (Foto daqui)
 

Le Entrevista a José Manuel Castanheira por Francisco Pinheiro


José Manuel Castanheira, homem dos sete ofícios, é uma das figuras de proa da cenografia nacional. Resumidamente poderíamos dizer de si ser um arquiteto de formação, pedagogo de profissão e cenógrafo de corpo e alma?

Sim, de facto considero ser cenógrafo. Não sei se de corpo e alma, mas com uma grande paixão e em permanente transformação. Dito isto de outra forma, o que me levou a ser cenógrafo não teve rigorosamente sempre a mesma causa e efeito. Os sonhos de criança e adolescente tinham em si uma grande e generosa carga de ingenuidade que foram amadurecendo com a experiência real, motor essencial da minha condição de cenógrafo.

Le Entrevista a Francisca Carvalho (Le Cool Team) por Francisco Pinheiro


De uma Francisca para um Francisco, como me resumirias esta aventura de uma escalabitana em Lisboa?

Esta aventura é mais um reposição da peça “o bom filho a casa torna” do que uma estreia absoluta. Na verdade, sou uma espécie de híbrido ribacinho ou alfaçano, já que fui emprestada à Lezíria com 4 anos e retomei a Lisboa em 2002 quando entrei na faculdade. Sou natural da freguesia de S. Cristóvão e S. Lourenço, nasci à vista do Tejo, ali onde a cidade se inclina em direção ao castelo..

Reparei que usas peep toes com um salto assim para o meio alto. Não dás meias quedas pela calçada da cidade?

Essa pergunta tem piada, precisamente porque a única vez em que caí não ia de saltos. Foi nas escadas do metro da Baixa-Chiado. Tendo passado com distinção as principais, fui meter os pés pelos pés nas de acesso ao cais. Aterrei de cabeça no patamar intermédio. Quem me deu a mão e uns quantos lenços de papel para estancar o sangue, foi um cozinheiro-samaritano que estava de regresso ao Porto e perdeu o comboio porque só saiu “da minha beira” quando chegou o INEM. Contas feitas: cabeça aberta e um cotovelo partido, para além da convicção plena de que, se estivesse de saltos, aquilo não tinha acontecido.

Le Entrevista a Francisco Pinheiro (Le Cool Team) por Rafa


Fala-me de ti na terceira pessoa - comenta como se fosses um jogador de futebol a comentar o mister: "O Francisco mexe-se bem, puxa todos para a grande área com a sua força humana..."

O Francisco é a latência daquilo que se poderia descrever como a arte maior. Não vive de uma só frente (apesar de ser na frente que se vê intitulado a pagar as contas mensais), mas enfrenta as que lhe surgirem nesse ardiloso caminho da felicidade a que se chama vida. Entre a conclusão de um desejado curso de arquitetura ao início da actividade profissional em Portugal, passou pelas pradarias calorosas da meseta espanhola e exilou-se por dois anos na capital de 'nuestros hermanos'. Arrastado pela onda colossal do subprime financeiro, regressou ao país que o viu nascer mas do qual não tem nacionalidade.
Nascido, criado e, quase em permanência, de vida feita em Portugal, o Francisco tem essa longa e intrínseca história sobre ser brasileiro no seu B. I..

Le Capa * 275

por Francisco Pinheiro

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* Originalmente publicada a 17 de Fevereiro de 2011, na Le Cool Lisboa * 275