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Le Editorial * 410, por Fernando Mondego

TÓXISTAS

É toda uma ciência o conversar com um taxista (ou com uma taxista, que o género ficou preso entre a caixa de velocidades ou no rosário dependurado). Uma aventura a dois, condutor@ e conduzido, pelas bossas e pelas gretas da cidade, àquela velocidade a que nem os santos querem ajudar. Rádio Amália, taxímetros, (de)bandeiradas e coisas que tal, estampadas a cor creme-caro ou preto-alface, com menos gelo a quebrar do que num elevador. E mais estofos também. Conversas favoritas: governos e taxas, os trânsitos, equipas da predilecção e outros condutores, esses bananas, badanas. Lancem o tópico «ciclistas» ou «Costa» a ver o que pega. E a cor creme do táxi a ver se cola. um Tejo de sabedoria-de-volante ali à espera de recolha. / Fernando Mondego

Miguel e o Rafa.El usam o táxi quando lhe na telha. Ou quase nunca (é mais bina).
Somos parceiros de comunicação do Alfama-te, do Pecha Kucha Night Lisboa, da Madame e do Córtex 4. A Le Cool Lisboa não se arruma pelo AO90.

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* Originalmente publicado a 10 de Outubro de 2013, na Le Cool Lisboa * 410

Le Editorial * 409, por Fernando Mondego

AVENIDA DA FUTILIDADE

a da Liberdade e a da Futilidade em Avenidas. De futilidades digo que é um tramado exercício em vão o tentar escapar às gotas da chuva. Não que seja ácida e me desnude o couro cabeludo ou que eu seja feito de açúcar e me desfaça à primeira bátega. É chata e tal. para chapinhar, dar uma de aquaplanagem, encostar uns beijos molhados e sarapintar pela Lisboa de chapéu ao léu. E ser patinador artístico em charco de calçada (ou ter o primeiro malho do Outono e aguardar que os mirones se ocupem com outros assuntos). Mas, enfim, Lisboa com água a pingar do céu é melhor por detrás da vidraça ou debaixo da manta. E os turistas que se entupam mutuamente pelos passeios. / Fernando Mondego

Miguel e o Rafa.El não têm chapéu de chuva - mas se existisse um dos Rainy Days Factory, who knows?

Somos parceiros de comunicação do Alfama-te, do Pecha Kucha Night Lisboa, da Madame e de Até Amanhã! em cena no Teatro da Trindade. A Le Cool Lisboa não se rege pelo AO90.

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* Originalmente publicado a 3 de Outubro de 2013, na Le Cool Lisboa * 409

Le Editorial * 408, por Fernando Mondego

MONSTROS DE LISBOA

Ali ao lado apontam-se alguns animais que semeiam Lisboa de vida, desejada ou não. O capista chama-lhes monstros, mas não é por mal, é por carinho. Mas também, assim, me o mote para deslizar umas perguntas. Não se arranja por um mito de monstro no Metro, como no Mimic? E não temos uma história do Castelo, como um Vlad Tepes? Ou alguma gárgula em desfaçatez, como um corcunda na ? Um Yeti das arcas do Mercado da Ribeira, um Gojira do Tejo ou um Sasquatch em Monsanto? , nem que seja um gambozino em Alfama! / Fernando Mondego

Miguel e o Rafa.El recusam comentar erecções. Perdão, eleições.

Somos parceiros de comunicação do Alfama-te, do Pecha Kucha Night Lisboa, da Madame, do QUEER LISBOA 17, de Até Amanhã! em cena no Teatro da Trindade e da LISBON WEEK. A Le Cool Lisboa não se rege pelo AO90.

Le Editorial * 407, por Fernando Mondego

PROFESSOR LECULA

Não sofras mais por desamor. Este grande conselheiro tem anos de experiência no dito e no beijo; é conhecido e recebe postais natalícios de grandes personalidades do mundo e de além-mar da música e dos subúrbios da canção; astrólogo experimentado nas cartas astrais da Maria e nas fases aluadas do Borda d'Água. Aconselha rapidamente sobre todos os problemas, mesmo perante o desespero daqueles tramados como «qual o melhor sabor no Santiniou «será que isto me vai bem com as algemasConsulta à distância de um clique e também por correspondência pelo e-mail. Honesto, sério, eficiente, rápido e limpinho. Trata à confiança de amarrações, multas da EMEL, afastamentos e ainda faz uma Punheta de Bacalhau dali. Curandeiro (excepto calosidades e calotes). Resultados 101% visíveis em sete dias ao dedo. / Fernando Mondego

Miguel e o Rafa.El vão recorrendo a adivinhações. Pelo menos para o Totobola.

Somos parceiros de comunicação do Alfama-te, do Pecha Kucha Night Lisboa, da Madame, do QUEER LISBOA 17, de Até Amanhã! em cena no Teatro da Trindade e da LISBON WEEK. A Le Cool Lisboa não se rege pelo AO90.

Estátua Equestre de D. José I


Um rei montado a cavalo, plantado no caroço da titânica praça que mandou rasgar depois do Terramoto. Tudo por obra e graça de um grande ministro que não deu embaraço ao arregaçar as mangas. O Marquês está , em alto-relevo na frente do pedestal da estátua. Confirma. Os dados históricos e a cronologia construtiva da coisa estão ao alcance, basta desenterrar. o restante que interessa reconhecer é todo o alarido de que são feitos os mitos e o gracejo que rodeiam o monumento. De que cor é afinal o cavalo branco de D. José? Nasceu bronzeado, mas «pátinou» com o tempo e fez-se verde. Recuperado, revive umas nuances acobreadas, mas, para bem do arco-íris, o cavalo que lhe serviu de musa e que se chamava Gentil, era negro! E agora, qual é afinal a pata direita do cavalo? / Fernando Mondego (Quadro de Louis-Michel van Loo, de 1766, comentado aqui)

Le Entrevista a Miguel Boucinha, Director da Le Cool Lisboa, por Fernando Mondego

Diz-me um pouco sobre ti.

Não é fácil ser juiz em causa própria. Contudo, dir-te-ei que sou um ser irrequieto, lutador pelas coisas em que acredito, amigo do meu amigo e geralmente bem disposto. Há quem diga que tenho um pouco de mau feitio, mas nada disso... São eles que não me entendem.

Goyo-ya

Para o menino e para a menina e para a velhinha que não quer que a açorda a faça gorda, para amantes da culinária nipónica, auspiciosos pretendentes da gastronomia de sol nascente. Para qualquer necessidade premente na mente, cozinhado oriental a orientar de última hora, maki a enrolar jantares conjugais, conjunções de sushi em porções abundantes de sésamo ou soja ou picante ou wasabi. Goyo-ya é a mercearia. É a escolha acertada, diria aquela revista que bem-conduz os consumidores. E, se não a escolha económica, é sobretudo a mais ampla. Aqui as marcas e os produtos são mesmo da terra do Sumo, sem cópias ou outros predicados. Até Maneki-neko autênticos têm, dos verdadeiros, japoneses como manda a tradição. Agora, sem hesitações, brinde-se a sake! / Fernando Mondego

Le Entrevista a Leonor Zamith por Fernando Mondego

Falamos com Leonor Zamith, a pretexto da exposição que vai ter no espaço Balneário, LX Factory, a inaugurar a 10 de Maio.

Tens um apelido bem reconhecível e apetecível no mundo da ilustração.
Estarei errado, certo? Quem é, antes de tudo, a Leonor Zamith e a sua obra?

Não sei se o meu nome já é reconhecível no sentido em que mais preciso dele, como garantia de trabalho! Acho que não, mas sinto cada vez mais vontade de trabalhar e continuar a ser só ilustradora, o que me parece suficiente para chegar ao apetecível! 

El-rei D. Frango

Frango, é nem vê-lo na lista, nem no prato. Está ausente de ambos, mesmo que o nome do sítio te dê uma falsa-partida. O que encontras por aqui, que comer e que beber, é uma pequena dádiva para o estômago. E logo na selva de restaurantes e de angariadores de clientes da Calçada do Duque. É obra. Deliciosa. É certo que não deves esperar muito fausto, a não ser que o gajo da mesa do lado, em marcação cerrada a um bitoque, se chame Fausto. E a decoração? meh. Mas a simpatia e dedicação de Carla e de Luciana e a dose de lulas (e a de sardinhas) que me acompanham quando vou a este (falso) rei do Frango, valem por todo o restante. Em digestão e palato. Apostas para jantar? Começa no digestivo este reinado. / Fernando Mondego (Foto daqui)

Le Entrevista a João Rapazote, Madalena Miranda e Fernando Carrilho (Panorama) por Fernando Mondego

Um prolongado e belíssimo panorama à produção cinematográfica portuguesa é aquilo de que nos falam os programadores do Panorama - 7ª Mostra do Documentário Português.

Iniciam a apresentação do Panorama com a própria definição do termo. Do grego Pán + hórama, «todo» + «vista». Agora que a Cinemateca anunciou cancelamento de ciclos por falta de verbas para a sua manutenção e que o Estado emagrece em financiamento cultural, qual é o panorama da produção cinematográfica em Portugal? Como é que criadores - como são - e programadores - o assunto ao que venho - se acham no meio desta situação, há um esvaziamento ou isto tudo potencia a criação?

O ano de 2012 foi um «ano zero» para o cinema feito em Portugal na medida em que o ICA não teve disponibilidade financeira para o apoiar, como é sua obrigação (é para isso que existe). As consequências deste facto vão com certeza fazer-se sentir por vários anos. 

Não serve de consolo, mas a verdade é que nesse mesmo ano houve pelo menos a possibilidade de alguns realizadores trabalharem no âmbito de Guimarães-Capital Europeia da Cultura que, através do seu programa de cinema e audiovisuais, acabou por financiar vários filmes.

Foi por isso que o PANORAMA deste ano resolveu dar destaque a essa produção, criando duas sessões (ambas no Cinema S. Jorge) onde se mostram três filmes produzidos nesse contexto: «Em Honra de São Gualter» (de Rui Simões) e «A Menina dos Olhos» (de Regina Guimarães) passam no Sábado, 4 de Maio, às 15h; «O Fantasma do Novais» (de Margarida Gil) passa no Domingo, 5 de Maio, às 21h.

Apesar deste panorama desolador, mais chocante por sabermos que o cinema português vive um grande momento de reconhecimento internacional, é quase incrível perceber que, na área do documentário, as coisas ainda funcionam, o que se deve, sem dúvida, à persistência dos autores e às características pouco industriais, para não dizer artesanais, de produção deste género de cinema. O documentário português faz-se cada vez mais de diferentes percursos e identidades, que têm tido amplo reconhecimento também lá fora.

Qual o papel de um festival, de documentário, eminentemente português, como o Panorama? Está à partida balizado como de género, o público acompanha?

Podemos dizer que o público adere ao documentário com entusiasmo… Talvez por ser difícil ver este género de cinema nas salas comerciais, talvez por a televisão marginalizar a sua exibição, talvez por toda a gente estar cansada das fantasias «hollywoodescas», talvez por causa dos tempos cruéis que vivemos, que impelem à necessidade de estarmos atentos às realidades.

Mas atenção, o PANORAMA não é um festival, não é uma competição. É uma Mostra que tem como principal objetivo dar a ver a diversificada produção nacional de documentários; é uma Mostra que pretende ser um espaço de reflexão sobre os caminhos para onde vai e por onde se move o documentário português.

O nosso trabalho todos os anos (já vamos no sétimo ano de existência) é tentar construir, através da exibição dos filmes que selecionamos, um retrato alargado do tipo de documentários que se vão fazendo em Portugal, ao qual associamos uma plataforma de reflexão que se materializa em quatro vertentes: 

1) na rubrica «Percursos no Documentário Português», dedicada a períodos históricos ou a autores relevantes da história do documentário em Portugal, que este ano é sobre «O Documentário no Cinema Novo» e passa na Cinemateca nos dias 6, 7 e 8 de Maio;

2) nos encontros e conversas entre público e realizadores que proporcionamos no final de cada sessão;

3) nos debates que organizamos em torno de temas pertinentes, sendo que este ano o tema em foco é «Televisão: Experimentar ou Normalizar», às 17h de Sábado, 11 de Maio;

4) e no Caderno que publicamos, que reflecte a estrutura anual do PANORAMA e desenvolve as temáticas em causa com ensaios, textos teóricos, entrevistas e inventários da produção anual de documentários.

Temos consciência de que uma Mostra de filmes sem prémios é uma proposta um pouco a contracorrente do consumo cultural dos dias que correm, mas talvez estejamos a trabalhar mais para o futuro, contribuindo para a construção de públicos culturais que têm conhecimento da sua própria história, neste caso do documentário português.

O documentário é um favorito pessoal dos realizadores portugueses, temos inúmera produção, realizadores de topo, um historial longo no género, festivais de monta e o público - revejo-me - também lhe pisca o olho. O português gosta de observar e de o registar em filme? Há espaço para a reinvenção e para novas temáticas e abordagens? Tiveram 120 inscrições para esta edição...

Vimos mais de 200 filmes produzidos entre finais de 2011, princípios de 2013 e seleccionamos 56 documentários para mostrar no Cinema S. Jorge e, uma novidade deste ano, no Teatro do Bairro. Temos 17 estreias e 16 primeiras obras de realizadores. Como se pode constatar por estes números, ainda se fazem muitos documentários em Portugal e para mostrarmos mais filmes foi essencial abrirmos outro espaço de visionamento – os responsáveis pelo Teatro do Bairro foram muito generosos e aderiram logo à nossa proposta.

É lá que se vão poder ver as sessões dedicadas a filmes que se destacaram no DocLisboa de 2012 e que também se inscreveram no PANORAMA, cinco filmes com os quais construímos um programa que designámos de «Panorama DocLisboa» e que passam nos dias 6, 7 e 8 de Maio, pelas 17h ou 18h.

Mas, para respondermos à pergunta, sugerimos que se olhe para as sessões que compõem o PANORAMA, pois é aí que se reflectem as temáticas e as diferentes abordagens cinematográficas que conseguimos detectar na produção actual. Por exemplo, na sessão de Sábado, 4 de Maio, às 19h, temos quatro filmes que abordam questões relacionadas com a ocupação do território e o urbanismo: «5040» (de Inês Teixeira), «A Luz da Terra Antiga» (de Luís Oliveira Santos), «A Rua da Estrada» (de Graça Castanheira) e «Pequenos Teatros de Rua» (de Regina Guimarães).

No Domingo, 5 de Maio, às 15h, passamos dois filmes de clara intenção política que acompanham as revoltas sociais decorrentes da actual crise, mas que o fazem com linguagens cinematográficas distintas: «Manifestação» (de Carlos Godinho) é quase uma instalação artística em que a imagem em movimento é quase paralisada, enquanto «Quero-vos, Respeito-vos, Preciso de Vocês - 15M de Dentro» (de Alex Campos García) é um «cinema direto» e agitado, sobre a ocupação da Puerta del Sol em Madrid.

Na Sexta-feira, 10 de Maio, às 17h, exibem-se três filmes que exemplificam um tema clássico do documentário, ou seja, a dedicação a um protagonista e a descoberta de uma personagem que surpreende tanto o realizador como o espectador: «Teles» (de José Magro), «As Partes e o Todo» (de Levi Martins) e «Thierry» (de Rodrigo Lacerda). No Sábado, 11 de Maio, às 15h, é África que está em foco, com dois filmes em que o espaço e o tempo de um lugar se mostram em diferentes fôlegos. É disto que também é feito o documentário português.

Arrancam com uma pérola do Cinema Novo português e terminam com três biografias de três grandes sobre três grandes. Há portanto um papel de fixar a história por parte do Panorama. É importante esta revisão, cada vez mais?

Como já é tradição no PANORAMA, as sessões de Abertura e Encerramento são preenchidas com documentários da rubrica histórica dos «Percursos no Documentário Português». Esta revisitação à história do documentário feito em Portugal é uma particularidade do nosso programa que muito acarinhamos e que só é possível fazer com a colaboração da Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema, nosso estimado parceiro.

Pensamos que é uma oportunidade estimulante, estruturada, de dar a ver ao público em geral e, em particular, aos estudantes e investigadores de cinema, filmes que raramente podem ser vistos onde devem – numa sala de cinema. Como este ano os Percursos são dedicados ao «Documentário no Cinema Novo», vamos poder ver uma série de documentários realizados por cineastas como Fernando Lopes, Manuel Costa e Silva, José Fonseca e Costa, Faria de Almeida, António de Macedo ou António Escudeiro, quando estes estavam a iniciar as suas carreiras.

A maioria das sessões passa na Cinemateca e estão estruturadas de forma a poderem dar pistas de leitura dos filmes enquanto parte da «revolução» estética e política que caracterizou o movimento que hoje conhecemos como Cinema Novo português. Mas as sessões de Abertura e de Encerramento do PANORAMA são no S. Jorge e na sala Manoel de Oliveira, a sala perfeita para podermos ver em toda a sua dimensão o «Belarmino», logo seguido da actuação ao vivo do grupo de jazz que participou no filme em 1964 (Trio Hot Clube de Portugal), que escolhemos para abrir em homenagem a Fernando Lopes – que faleceu exactamente há um ano, no dia 2 de Maio de 2012. Pareceu-nos também que esta sala enorme e o seu ecrã gigante eram ideais para mostrar três filmes que até já se podem ter visto isoladamente, mas que garantirmos terem outro impacto vistos em conjunto.

São três curtas biografias realizadas em 1969 por três cineastas em afirmação e que aí já demonstram o que querem do cinema: uma sobre Almada Negreiros (de António de Macedo), outra sobre Fernando Lopes Graça (de António-Pedro Vasconcelos) e a última com Sofia de Mello Breyner (de João César Monteiro).

Que destacariam nesta edição - seja filmes, debates ou conversas. Sei que é inglório um destaque no meio de um programa escolhido a dedo mas, talvez, um par de sugestões pessoais?

Podemos começar por destacar mais uma inovação deste ano na estrutura do PANORAMA, que são as duas sessões dedicadas à cidade de Lisboa, filmes que nos dão uma peculiar visão da cidade e onde vamos misturar documentários dos anos 1960 com filmes recentes: a «Sessão Lisboa I» é na Quinta-feira, 9 de Maio, às 19h, que inicia com um pequeno filme de 1966, «Para um Álbum de Lisboa» (de Faria de Almeida) e termina com «Alfama, Bairro Típico de Lisboa», realizado António Ruano e Miguel Spiguel em 1970, entre os quais passam os filmes contemporâneos «Abandonados» (de Júlio Pereira), «Santa Maria dos Olivais» (de Susanne Malorny), «Sem Anos» (de Lino de Oliveira/Marta Tavares) e «As Coisas dos Outros» (de Alexandra Côrte-Real); a «Sessão Lisboa II» passa quase a encerrar o PANORAMA, no Sábado, 11 de Maio, às 19h, com os filmes «225, Rua da Rosa» (de José Ricardo Lopes) e «Domingo à Tarde» (de Cristina Ferreira Gomes).

Podemos ainda destacar a sessão das 21h do dia 4 de Maio, por ser uma Estreia do filme de João Botelho «Anquando La Lhéngua Fur Cantada». É um documentário muito original porque faz a ponte com um género de cinema muito específico na ficção, o musical, e vai passar na sala grande do S. Jorge – arriscamos porque achamos que o filme merece ser visto aí… Esperemos que encha!

Por fim destacamos o debate «Documentário no Cinema Novo», no dia 8 de Maio às 18h, na Cinemateca, pois vamos reflectir sobre a importância do documentário para os realizadores e para a renovação do cinema português da época.

«Panorama é uma plataforma aberta e viva», o que serve de antecâmara a um convite. Naturalmente que espera maior afluência do que desde 2006, mas e que tal um convite personalizado para esta edição?

Permitam-nos a ironia, mas não sei se já repararam que nos autocarros da Carris existe um slogan para incentivar as pessoas a pagarem bilhetes que diz qualquer coisa como: «valide o seu bilhete se quer que esta carreira continue a funcionar». Pois bem, nestes tempos de crise, com grandes cortes orçamentais também no PANORAMA, quase arriscaríamos a dizer mesmo: VENHAM AO PANORAMA, pois com muito público é mais fácil argumentarmos a validade desta Mostra única no contexto português, exclusivamente dedicada ao documentário e a quem gosta de cinema.

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Foto por Luís Martins


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* Originalmente publicado a 2 de Maio de 2013, na Le Cool Lisboa * 000

Le Entrevista a Expeão por Fernando Mondego

Falamos com Rui Pina, largamente conhecido e reconhecido como vocalista dos Dealema. O mote? O lançamento de novo álbum como Expeão, o «O Fim de Todas as Estradas».
 
Gostava de uma breve apresentação de Expeão e o porquê da escolha deste 
nome de artista. Achas, como apontou Octávio Paz, que o artista não tem
 biografia, a sua biografia é a sua obra - a frase original é «os poetas não têm
 biografia. A sua obra é a sua biografia»?
 

O nome EXPEÃO é um nome que te faz pensar no significado, por isso o escolhi. Para mim significa deixar de ser um mero peão no jogo de xadrez que é a sociedade e passar a ser mais autónomo e árbitro do próprio destino.

Concordo com Octávio Paz, o poeta tem a sua intemporalidade explícita na sua obra.
 

Le Entrevista a Clara Henriques (Le Cool team) por Fernando Mondego

Fala-me de ti e não me omitas nada.

Entras logo a matar, principalmente com uma pessoa tímida como eu. E depois desta já te disse o mais relevante sobre mim. O resto vem com o tempo, porque a piada está aí. E já agora, sendo eu Jornalista, o que estou a fazer “deste lado?”

Além da tua brilhante prestação na Le Cool, que outras andanças me contas?

Ah! Nesta já me deixas omitir coisas… Conto-te que as minhas andanças mais exímias passam pelas palavras, pelas pessoas e pelo amor. É impossível pensar no caminho sem estes três mundos perpendiculares.


Le Artista da capa * 387, Neves Estrela

Apresenta-te e partilha como começaste a fazer fotografia. Ou a interessar-te pela temática do corpo - e, a mais, do corpo feminino.

O meu nome é Neves Estrela e nasci há 33 anos em S. Miguel (Açores). Os primeiros 18 anos vivi-os em Rabo de Peixe e depois nadei até Lisboa para tirar um curso, no qual me ensinaram a matar ratinhos com paracetamol. 

Não estudei fotografia por, na altura, ainda não saber que a amava. Mas ainda me lembro das minhas primeiras fotos, muito à Martin Parr e, de como ao vê-las impressas no Diário de Notícias (DN Jovem, que já não existe!), comecei a achar que, se calhar, até tinha jeito para a coisa. Não sabendo, contudo, que destino dar às fotos acumuladas, abri conta no FLICKR e assentei arraiais. Publiquei umas fotos mas, acima de tudo, perdi-me durante horas nas imagens dos outros. E, quase sem que me desse conta, comecei a desenvolver um estilo em tudo diferente do que até então tinha fotografado. Passei a fotografar-me a mim mesma (e a outros corpos femininos), na tentativa de exorcizar algo que, por dentro, me consumia aos bocados! Molduras de onirismo melancólico começaram a enfeitar-me os retratos, onde a solidão era uma constante que, por vezes, se fazia acompanhar da senhora tristeza. Até hoje.


Tens também um livro onde apresentas a série "I never knew my name". Porquê o título e foi intenção deliberada não mostrar o rosto de quem fotografas, pensas obter a expressividade pelos objectos, pelo uso da luz, pelo corpo em si?

"I never knew my name" é um livro que reúne algumas das minhas melhores fotos dos últimos três/quatro anos. O título reflecte, de alguma forma, a ausência de um rosto visível, presente na maioria das fotos. Esta ausência, não tendo sido, de início, esculpida de um modo consciente, passou a ser uma constante que empresta ao corpo todo o protagonismo da estória que a imagem conta. Cabe assim ao corpo encarnar a tristeza, a desilusão, a languidez... 

Há, por vezes, pequenos objectos que, juntamente com a luz (oh! sim, a luz!), concedem à composição final o tom que me interessa imprimir-lhe.
 
Parece-me que os objectos acessórios que vais colocando nas tuas fotografias, evocam algo da infância. Talvez uma infância perdida? Agrada-te comentar o que fotografas? 

Sim, há uma certa inocência e candura a envolver as fotos... Mas andam de mãos dadas com uma sensualidade ambígua, que não sabe bem o que quer! Há um evocar de algo que se perdeu... não na infância, mas num tempo em que qualquer coisa ainda parecia possível. Além disso, agrada-me mais fotografar a tristeza, o desalento, a mágoa, a dor, a aflição, a angústia e a incerteza porque é aqui que encontro beleza, encanto e paz. No corpo. 

Que referências é que tens?

Referências? Juergen Teller, David Hamilton, Corinne Day, Wolfgang Tillmans, William Egglestson, Annette Phersson, Elena Kholkina, Valerie Phillips, Flora Hanitijo, Cristina Regadas, Nigel Shafran, Ryan McGinley, Mariam Sitchinava... Podia continuar, mas penso que chega!
 
Lisboa é uma alma feminina que merece ser fotografada? Já pensaste em fotografar também ruas, avenidas, parques, como se fossem eles uma extensão de um corpo de cidade?

Fotografar Lisboa... Já o fiz, mas agora estou longe e, por isso, raramente o faço. Mas o que mais gosto de fotografar em Lisboa são as janelas (principalmente se derem para a cozinha) e os estendais. Porque aqui há a vulnerabilidade, a fragilidade e a banalidade que tanto me inspiram!  
Agora exposições ou projectos que tenhas alinhados. Que se pode esperar de Neves Estrela?

Tenho uma exposição esboçada para breve, aqui por baixo, em Lagos. Projectos? Fotografar. E mostrar. De mim... podem esperar mais fotos.

www.nevesestrela.blogspot.com

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* Originalmente publicada a 2 de Abril de 2013, na Le Cool Lisboa * 387

Le Editorial * 369 por Fernando Mondego

Sósias

Depois de ter dado de caras com a Gina Gershon do Campo Grande, repetia-se na minha cabeça a frase de uma amiga quando lhe repetiam que era a cara chapada, sem tirar nem pôr, da Helena Bonham Carter. Nem por sombras, repito-lhe. Quem o disse é pitosga ou trocou as páginas do IMDB. Mas a Gershon lisboeta fez prurido, deu que pensar. Haverá um gajo com a minha fronha a assaltar velhinhas pela Ericeira? «Olha o Fernando, deu em ladrãoOu talvez com contas offshore no Luxemburgo? Conseguirei levantar uma milena que seja, mascarado? Isto tarambola-me no pensamento enquanto entro numa pastelaria da Graça e dou de caras com o Jude Law lusitano! «É um abatanado, please.» / Fernando Mondego

O Miguel , a Fauna Maria e o  Rafa.El  também desconfiam que andem por cópias suas. Doppelgänger!

Le Entrevista a Fernando Mondego por Francisco Pinheiro


A equipa Le Cooliana lisboeta mais parece um acordeão, em cada membro uma nota musical esticada ao seu limite como se de um intermezzo se tratasse. És parte desta partitura de forma esporádica, e segues a linha por detrás de um grande Homem? Há sempre outro, ou na verdade os originais são únicos e inimitáveis?

Sou homem de tez pálida, cútis bem tratada para a idade de pouco mais de três décadas que somo e com compleição que muitos dizem ser judaica e outros tantos francesa. A minha tia tinha toques de indiana, a minha mãe de cigana, o meu pai de africano e eu de europeu do centro e semita. Uma mistura boa como convém; sou então português, pois somos um povo vindo diretamente da liquificadora, bem aglomerados. Grande homem? Tenho 1,78, serve-me bem nos concertos, mas sinto-me baixo noutras ocasiões. 

Sukhothai

A gastronomia tailandesa tem o seu devido representante nos escaparates da restauração lisboeta. O Sukhothai - que deve o nome ao reino primordial que gerou o Sião e antecedeu a Tailândia - é um portento dos sabores do longíquo Oriente.

Afastados que estamos geograficamente, foi o tempo de ligação entre Portugal a Tailândia, que nos foi aproximando. Depois de mergulhar num vinho nacional servido a jeito e duma entrada deliciosa de camarões marinados, eis o principal.


Le Entrevista a Inês Alvim (Le Cool Team) por Fernando Mondego


Quem é a Inês Alvim? E como surge Lisboa nesse percurso – ou dito por outras palavras – não é Madrid melhor?

Conheço-a de vista, é escorregadia e foge do divã como o diabo da cruz. É hiperactiva, mas lá para o meio-dia e meia, uma hora (antes disso, é não contar com ela). Tem tendência para o disparate e está normalmente atrasada, ainda que desconheça para quê. Gosta de fazer coisas com as palavras e de escrever a direito, mas as palavras saem-lhe em ziguezague, cheias de rodriguinhos. Está, invariavelmente, embrenhada em figuras de estilo. Lisboa é casa, Madrid é invasão crónica. Vou estando muito em Madrid, mas é a Lisboa que não consigo parar de voltar.

Le Entrevista a Inês Mendes por Fernando Mondego

Auto-retrato, 2009

Chamo-me Inês Mendes e sou mais do que uma coisa. Sou mais coisas do que normalmente se é...

De mim para mim, sou e sempre serei em primeiro lugar artista plástica. Estudei pintura no Porto, cá em Lisboa e na Alemanha e o meu meio é o desenho, feito em todas as superfícies possíveis, das mais concretas às digitais. Este ano decidi conciliar um projecto antigo, o de aliar os dois lados da minha família, (o da biologia e o da representação científica), e comecei um projecto no Centro de Zoologia do Instituto de Investigação Científica Tropical onde desenho as colecções, de caixas de insectos ao crânio do Benjamim, um dos primeiros elefantes do Jardim Zoológico. Estou também a fotografar borboletas para arquivo digital. E são lindas.

Le Entrevista ao Coletivo 57 por Fernando Mondego


Coletivo 57 (Flavio, Sílvio e Pedro)

O Coletivo 57 é um belo dominó de circunstâncias e de acasos felizes. É também o criar algo a sério a partir de um nada antes. Flavio é um jornalista venezuelano que tem raízes portuguesas e que depois de passagens por NY e Londres aporta finalmente a Lisboa. Pedro é português e encontrou Sílvio, brasileiro, em 2008 - do encontro dos três por Alfama nasceu o Coletivo 57 (homenagem ao número de porta do covil e espaço de criação no coração da medina lisboeta).

O Coletivo é uma produtora que pretende ser a ponte musical entre a América do Sul e a Europa, pelo que vai habitando já a Casa do Brasil ao Bairro Alto com inúmeros eventos e possibilidades.

Lisboa é mais vagarosa que outras cidades mas o que poderia perder em rapidez ganha no restante: o contacto familiar com as pessoas do bairro, o conhecer pessoalmente e cavaqueiramente toda a gente, o contacto fácil. Flávio não prescinde da bicicleta por aqui e Pedro não deixa de caminhar pela cidade.

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Le Entrevista feita no Arcaz Velho, Alfama | Foto pelo Coletivo 57
Espreita aqui o Coletivo 57 : http://coletivo57.com

Le Entrevista a Ana Pena por Fernando Mondego


De onde vem e para onde vai a Dona Pena - e que Pena, dona é essa?
Sempre tive uma vida um pouco de nómada, o que me fez ter contacto com estrangeiros desde cedo. Em 2000 e 2001 vivi em NY e foi lá que a minha veia de tradutora de ditados e expressões populares portuguesas se revelou, e daí a ideia de criar T-shirts com as ditas.

Fala-me dos teus projectos - os que bombam e bombarão. E o Solta a Franga.
Essa ideia ficou na prateleira quando voltei a Portugal, pois estava a terminar a faculdade em Lisboa e em início de vida profissional. Foi este ano de 2010, que decidi avançar com o projecto, depois de ver uma amiga minha estrangeira um pouco envergonhada numa festa em Alfama, e dei por mim a dizer-lhe que ela devia “Let the chicken go” (soltar a franga).