A água sempre foi amiga da alma portuguesa. Ou não nos tivessemos lançado à descoberta a partir da nossa costa lisboeta, onde o mar se confunde com o rio. Seja mar, ou seja rio, conto sempre com essa linha de água para me orientar. O geográfico torna-se psicológico, porque sabe sempre bem saber que temos ali uma beira-rio onde nos podemos refugiar quando a rotina cansa. Que outras capitais se podem gabar de ter um imenso rio para desfrutar? Não muitas, é certo. Fugir para a beira do Tejo num domingo soalheiro, ou num fim de tarde mais frio. Pode ser para passear, tomar um copo, ou apenas para refletir.
Vê-se sempre um pouco de tudo. Estes são apenas alguns dos privilégios de “ter” um rio. Já dizia o nosso fado, que Lisboa é uma “toalha à beira mar estendida”. Porque, afinal, o Tejo está sempre ali à nossa espera. / Andreia Pedro (Foto por Rafa)
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Le Crónica do Pastel de Nata
Nunca damos valor aquilo que temos. Clichés à parte, há grande verdade nesta expressão. Estar em Lisboa, pedir um café e um pastel de nata é uma coisa tão banal, como tropeçar de saltos altos na calçada portuguesa. Mas quando o chão muda as coisas às quais nem prestávamos atenção tornam-se naquelas das quais mais falta sentimos. As saudades apertam se não tivermos disponíveis aqueles sabores de sempre, que fazem parte de uma tradição quotidiana.
Quando no estrangeiro encontramos um cafezinho que vende pastéis de nata, a repentina felicidade depressa se transforma numa pequena irritação.
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