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A Paz

Os Artistas Unidos têm a capacidade de encher uma sala às 19h numa quinta-feira. É obra, ainda para mais com um texto difícil. No caso, "A Paz" de António Tarantino. O autor manda Yasser Arafat e Ariel Sharon para o deserto, para o exílio, «para que estes dois senhores da guerra conhecessem as misérias do mundo. Condenou-os a uma espécie de expulsão do paraíso», como explica Jorge Silva Melo, diretor dos Artistas Unidos.  

Vão conhecer o mundo: as estações de comboio, as bichas da assistência social, a miséria do mundo, as mães a quem morrem os filhos, vítimas das bombas. A miséria e a morte estão sempre presente na Palestina, são uma banalidade. Conhecem uma prostituta que afirma a sua boca estar mais limpa do que a deles os dois. E com ela gastam os últimos dinares que tinham, para se verem sodomizados.  

Le Crónica por Eduardo Condorcet

Joaquim Paulo Nogueira e o realizador Jorge António pareceram não ter dúvidas, quando há 20 anos encenaram a primeira peça juntos, "daqui a vinte anos encenamos outra". Meu dito, meu feito e o resultado é 3 Actores à Procura de um Papel, a peça que trazem ao Teatro da Comuna de 19 a 20 de Janeiro. Neste texto, Oceana Basílio, Ângelo Torres e João Cabral, trazem à cena três atores que entram para uma sala para realizarem um casting público.

Uma voz off explica o jogo e as regras: os atores vão ter de entrar em cinco cenas, onde representam personagens diferentes que lhes são atribuídas em segredo.

Ao longo do tempo em que estão juntos vão começar a cruzar as suas histórias de vida e a sofrerem influência dos personagens que representam. Cada história manifesta o seu traço de contemporaneidade, apontando os autores a mira à precariedade, ao terrorismo, às doenças terminais ou à identidade sexual.

Neste trás para a frente de performance teatral o texto flui ágil prendendo o espetador às diversas histórias contadas, mesmo se, não cedendo à facilidade, as transições serem por vezes alargadas misturando-se muito do material das "improvisações encenadas" com as emoções dos atores/personagens em palco. No final, não sabemos inteiramente o propósito desta sessão de casting (afinal para que é o papel em disputa) ou acerca da instituição que está por detrás da voz do altifalante. Subentende-se o establishment, as constrições da vida ou a própria vida em si. Com este recurso cénico, a atenção do espetador não deriva para a desconstrução social ou política, mas mais para o campo do veste-despe de trajos e emoções que é matéria da prática teatral.

onde
Teatro da Comuna, Praça de Espanha
mapa de localização

quando
5ª, 6ª e sáb às 21h30, dom às 16h | Até 2 fev

quanto
10€

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* Originalmente publicado a 26 de Janeiro de 2012, na Le Cool Lisboa * 324

InShadow 2011 | Crónica por Eduardo Condorcet


De 1 a 11 de Dezembro de 2011, realizou-se em Lisboa a terceira edição do festival internacional de vídeo, performance e tecnologias InShadow, tendo a organização do evento cabido à associação cultural VoArte.

A organização liderada por Pedro Sena Nunes trouxe à capital nomes relevantes da intermediação tais como:

Ka Fai Choy, artista/investigador de Singapura que estuda as intersecções da memória muscular com a electrónica, criando coreografias em que a electrónica domina a movimentação do performer através de eléctrodos; Daniel Conrad, canadiano que estuda a "combustão espontânea na improvisação em vídeo-dança e ainda o britânico Caswell Coggins e o aclamado português Rui Horta, cuja apresentação versou sobre os desafios da percepção nas artes performativas.

Le Entrevista a Eduardo Condorcet por Rafa


Nome, descrição sucinta e como te descreves profissionalmente.
Essa sempre foi uma questão algo complicada de responder. Comecei por ser músico (actividade que ainda vou praticando) e assim me registei nas Finanças. A seguir liguei-me ao teatro ainda como músico e actor. Quando terminei o curso da Nova em Comunicação comecei a ser encenador e realizador. Nessa altura quando em inquéritos me perguntavam a profissão, para simplificar continuava a responder músico.

Hoje em dia já é impossível ir descrevendo o que faço. É que às outras acresceu, actor de dobragens, argumentista/guionista, editor/montador, docente universitário, produtor de vídeo, cinema e teatro, criador de cross platform e new media e investigador. Da última vez que fiquei sem emprego o meu avô comentou, “Com que é que estás preocupado, sabes fazer tantas coisas?” Ainda não ganho dinheiro como cozinheiro, mas se a crise se mantiver...