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Oficina do Duque

Os tempos são outros e a tradição não é o que era. A Monarquia pena como os mortais que trabalham, e os Duques tornam-se acessíveis. Por aqui os títulos abundam e as ideias também. Na engrenagem histórica que é a nação de Camões sinto sempre que estamos nesta grande oficina, edificando aquilo a que se chama a tradição portuguesa. Vivemos em tempos de crise, e a contenção económica tem disto. Gasta-se menos mas come-se melhor. E a sua resposta surge quando a criação se expande e os valores se centram nos petiscos da hora contente.

Le Entrevista a Von Rau Pipiska (Le Cool Team) por Francisca Carvalho


Sabendo que V.Exª é de nórdica descendência, a luz de Lisboa é para a sua cútis um bálsamo ou um punhal?

Lisboa pode ser isso mesmo, uma luz transcendente que nos apunhala na esquina de uma rua. A minha humilde origem aristocrática remete-me para uns idos tempos passados em Kaalasluspa, Verões de cura solar, pelas bordas do lago Kaalasjärvi cujas águas têm ricos minérios protecionistas de dita cútis. Com a caída acentuada das noites (e porque não do valor das acções do senhor meu pai) e o frio tornando-se
em algo subsistente, a fuga solucionada trouxe-me até ao país dos brandos costumes e apunhaladas solares.

Tendo em conta a sua origem aristocrática, descreva para si o cenário mais horrendo:  Ser obrigado a cumprimentar o D. Duarte com as mãos a cheirar a camarão tigre ou com o blazer empestado de sardinha
assada.

Cresci entre as paragens reais mais monárquicas que uma Europa decadente pode oferecer, e indo eu, como boa educação juvenil de ocupação dos tempos livre, para o sequeiro do arenque e truta salmonada, apertar a mão de uma qualquer figura de proa real, com cheiro de carne de veado, alce ou mesmo peixe ressecado, parece apropriado desde que com um toque de Grav Lax. Dito isto, nada melhor que um surtido nórdico adaptado à realidade portuguesa. Num serão de convívio monárquico com os dignitários nacionais serviria a versão lusa do Janssons frestelse. E tenho dito, copo de água e palito!