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Le Entrevista a Von Rau Pipiska (Le Cool Team) por Francisca Carvalho


Sabendo que V.Exª é de nórdica descendência, a luz de Lisboa é para a sua cútis um bálsamo ou um punhal?

Lisboa pode ser isso mesmo, uma luz transcendente que nos apunhala na esquina de uma rua. A minha humilde origem aristocrática remete-me para uns idos tempos passados em Kaalasluspa, Verões de cura solar, pelas bordas do lago Kaalasjärvi cujas águas têm ricos minérios protecionistas de dita cútis. Com a caída acentuada das noites (e porque não do valor das acções do senhor meu pai) e o frio tornando-se
em algo subsistente, a fuga solucionada trouxe-me até ao país dos brandos costumes e apunhaladas solares.

Tendo em conta a sua origem aristocrática, descreva para si o cenário mais horrendo:  Ser obrigado a cumprimentar o D. Duarte com as mãos a cheirar a camarão tigre ou com o blazer empestado de sardinha
assada.

Cresci entre as paragens reais mais monárquicas que uma Europa decadente pode oferecer, e indo eu, como boa educação juvenil de ocupação dos tempos livre, para o sequeiro do arenque e truta salmonada, apertar a mão de uma qualquer figura de proa real, com cheiro de carne de veado, alce ou mesmo peixe ressecado, parece apropriado desde que com um toque de Grav Lax. Dito isto, nada melhor que um surtido nórdico adaptado à realidade portuguesa. Num serão de convívio monárquico com os dignitários nacionais serviria a versão lusa do Janssons frestelse. E tenho dito, copo de água e palito!


Rubro Avenida


Comida espanhola foi, pelo menos para mim, sinónimo de tapas feitas com pão branco "daquele" espanhol, a atirar para o completamente desenxabido e sem sabor e com umas rodelas de chouriço ou salpicão e a acompanhar com um tinto de verano. Ora, esta foi sempre a minha ideia de comida espanholita... até a sexta feira de umas semanas, à hora do jantar! Fui jantar com um amigo ao Rubro, ali para as traseiras da Avenida da Liberdade. Comeram-se ovos rotos (vulgo batata frita com ovos estrelados... tudo revolvido) e lulas fritas babys chamadas chipirones, para entrada.

O "comer" propriamente dito foi um mega, hiper, gigante pedaço de uma carne absolutamente maravilhosa e divinal, tudo regado com uma boa vinhaça! Ambiente castiço, bancos de correr, ambiente informal! A visitar em breve, novamente! / Teresa Palma Carlos


Le Artista da Capa * 345, Bárbara Monteiro

Fala-me da capa

Eu sei que não é novidade representar Amália, Vasco Santana ou Fernando Pessoa, como fiz para esta capa. Mas sempre que penso em Lisboa, sou invadida por uma data de conceitos visuais e imagens, torna-se difícil filtrar alguma ideia, porque muito para explorar. E esta foi a primeira coisa em pensei e preferi ficar logo com o first feeling. O resto foi por intuição. Os azulejos típicos, uma fotografia da vista sobre o castelo…

Fala-me de ti

tinha escrito isto uma vez. Porque, na verdade, aquilo que eu sou é aquilo que eu gosto: Gosto dos fins de semana de ronha e elétricos. Gosto de quintas-feiras e sextas de cair na calçada. Gosto dos meus amigos. Gosto de ti. Gosto de música. Gosto de dançar à chuva e da brisa do verão. Gosto de dirty talk. Gosto de doces e amargos.


Le Editorial * 345 por Rafa

Lisboca

O Miguel , a Fauna Maria e o Rafa.El dizem entre si que pela boca morre o peixe, mas é mais o peixe que lhes vai morrendo na boca na guerra de trincheiras entre a sardinha e o pão. Lisboa tem guelras de tanto tempo que passou dentro de água, dentro de rio, perto de mar. E mais nos parece que todos os poetas, fadistas e escritores desta cidade deviam chegar de barco a Lisboa, nem que fosse por uma vez, como uma muito nossa chegada a Meca.

Le Capa * 345


Por Bárbara Monteiro