Eis a breve análise social aos dois tipos de pessoas vivem nesta cidade sem Mancha, neles tudo principia e finda, apresentamos… “Os Dom Quixote e os Sancho Pança.”
Os Dom Quixote, sujeitos em tudo espirituais, cavalgam numa numa
ardente demanda estética, seja a apanhar o autocarro para Odivelas seja a
cortejar as Dulcineias de Chelas. Já os Sancho Pança, fulanos assaz
materialistas, dados ao prazer e ao fazer, rebolam pela colina a pé,
ávidos de loucuras com as Dulces do Cais do Sodré.
Ainda que diferentes como um par de olhos tortos, mais amigos que eles
não há, caminhando, um alcançando as estrelas, outro farejando a rua,
por essa Lisboa ainda tão (romanticamente) nua.
Porque a verdade é que sem Dom Quixotes não teríamos os secretos
miradouros, os verdejantes édens municipais, as exposições de vanguarda,
as peças de teatro arrojadas, os ciclos de cinema intelectuais.
E sem Sanchos não teríamos os bairros típicos, as comezainas, as gargalhadas, as festas rijas e concertos que tais. Se um plantou a Alface o outro decidiu temperá-la. Sem eles não havia Le Cool, nem Lisboa. E tu, já sabes qual deles és?
Le Entrevista a Um(a) Pessoa por Rafa
Pessoa repousa em estátua em frente à Brasileira do
Chiado, estendendo a mão como que a acenar a quem passa (ou tentando
talvez afastar o turista que o massacra em fotos). Já brincou ao GeoCaching, tem Casa Museu e não aparece no seu próprio relato em Lisbon, What the Tourist Should See. Sentei-me com ele na pequena cadeira que o ombreia e perguntei-lhe:
Que tal esse ser estátua.
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
À força de diferente, isto é monótono,
Como à força de sentir, fico só a pensar.
Como à força de sentir, fico só a pensar.
Le Entrevista a Peter Shuy por Rafa
Sou o Pedro Evaristo/Peter Shuy, artista
plástico/músico. O nome nasceu da necessidade de criar um alter ego
enquanto elemento dos AbztraQt Sir Q.
É um misto entre Ocidente (Peter) e Oriente (Shuy), atendendo às
reminiscências sonoras da banda e ao meu fascínio por essa cultura.
Nasci em Santarém e terminei os estudos em Lisboa. Lisboa é-me familiar e
uma das referências desde há muito tempo.Lisboa é um abstracto circo?
Lisboa, como pequena metrópole que
é, atrai um maior número de pessoas de outros países relativamente às
restantes cidades portuguesas, permitindo uma interacção/miscigenação
que estimula à criação/ experiência, infelizmente ainda não ao nível de
cidades como Berlim ou Barcelona.
Le Entrevista ao Pai Natal por Mami
Há quantos anos és Pai Natal?
Sou Pai Natal desde
que me conheço. Sempre gostei de oferecer coisas e de andar com
crianças ao colo. Comecei por vestir-me de Pai Natal entre amigos e
familiares, depois para os meus filhos (os da foto ao lado que nos
vendeu como gémeos… duvidoso…) e agora sou o Pai Natal da Festa dos Sem
Abrigo. De 18 a 20 de Dezembro estou na Cantina da Universidade de
Lisboa, onde todos os anos os Sem Abrigo festejam o Natal.
E essas barbas são verdadeiras?
Mais do que verdadeiras. São parte
de mim. Uma das minhas maiores preocupações durante todo o ano é ter a
barba perfeita para os dias e noite de Natal. Aparo-a e preparo-a com o
maior cuidado para estar assim. O mesmo posso dizer desta barriga que é
100% original.
Le Capa * 206
por Margarida Girão
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* Originalmente publicada a 3 de Setembro de 2009, na Le Cool Lisboa * 206
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