Olá! Sou o André.
Ando a ver os rios navegarem e as pessoas a mudarem. Arranco sorrisos
ao ritmo do sol, isqueiros solares na mão e olhos nos olhos, coração
quente e contente.
Lisboa soa-me a cidade-filme, suspensa no deixa-andar... acelerada e
apressada.
Sem saber para onde quer ir. Encanto-me a retocá-la na
imaginação. Acorda, Lisboa radiante! E sorri à tua beleza. Canta e
dança, às tuas gentes e ruas. Suspira aos teus fados. Deixa-te ser mas
sê! Acorda e brilha corajosa, na tua luz tão deliciosa.
Um sonho? Ocuparmos os telhados de Lisboa, uma-grande-festa,
operação-relâmpago-inesperada, larga-escala-combinada. Grafitarmos o
“Tecto” da cidade todo de cores, limpas e puras. Celebrar e criar.
Maravilhar. A lembrar que é tão fácil mudar.
Le Artista da Capa * 247, Bego Claveria
Sou designer gráfica e ilustradora, e acho que é mesmo por isso que
quando trabalho gosto de misturar técnicas analógicas e digitais. Quando
faço ilustração normalmente começo com a caneta e o papel, mas dou
sempre os toques finais no computador. É a maneira de ter o melhor dos
dois mundos.
Para esta capa fiz muitos desenhos de coisas que me lembram o Verão, e
depois fiz a composição final, a tipografia e a cor no Photoshop.
Desde que cheguei a Lisboa tenho estado a trabalhar como freelancer, mas
quando morava em Barcelona trabalhei em diferentes estúdios. Acho
interessante trabalhar com outras pessoas, pois é a melhor maneira de
continuar a aprender. Para mim o ideal seria combinar essas duas
vertentes - trabalho individual e em grupo.
Eis-me então à procura de trabalho num estúdio de design em Lisboa.
Nesse sentido, nada melhor que dar uma vista de olhos no meu (_portfolio_).
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* Originalmente publicada a 8 de Julho de 2010, na Le Cool Lisboa * 247
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* Originalmente publicada a 8 de Julho de 2010, na Le Cool Lisboa * 247
Le Entrevista a Rita Ruivo por Rafa
Rita Ruivo, joalheira e artista plástica ou qualquer outra designação desde que não me limite. Crio jóias e objectos mediante uso de técnicas de joalharia e de artes plásticas no geral, utilizando todas as técnicas de manipulação de materiais possíveis, aplicadas à pequena escala e em objectos usados no corpo. Gosto de experimentar outras áreas e técnicas, colaborei em moda e em direcção de arte para publicidade. Divertir-me com o trabalho é essencial.
Projectos e ideias são muitas: uma exposição numa ourivesaria tradicional da baixa de Lisboa, contrapondo o trabalho tradicional com uma abordagem pessoal e cruzar a joalharia com outras áreas, como a ilustração por exemplo, que adoro.
Lisboa é um diamante fluorescente. Raro e valioso! É uma cidade com um potencial do qual por vezes parece não se aperceber.
Le Editorial * 246 por Rafa
Ensaboamo-nos de trabalho até que a secretária sugira a miragem de um
divã a vogar tranquilo sobre as águas de um qualquer Oceano,
preferencialmente um que acabe em ICO ou então em ÍBAS e em que a ideia de Verão é de ano inteiro.
O computador ganha a forma de fruta exótica onde se pode inserir uma
palha listrada de branco/vermelho e de onde se pode sugar o suco da cena
sordidamente. Qualquer pequena leve brisa parece empurrar o corpo por
uma corrente de ar e de água e de ondas, onde o tuga não se ouve como
língua oficial nem de bola corrida. As vuvuzuelas morreram e ficaram
prostradas em África esmagadas por elefantes bicolores; morra Vuvu,
morra! No país volta-se a ouvir a engrenagem mecânica e pouco oleada que
dormitou destes dias em demasia e bola-se a bola para a frente. Em
entretanto, nesta frente de eventos LeCool, nós sugerimos-te o melhor a
melhorar desde já o Verão! Verás que não é pouco não. Discorre a lista,
discorre!
O René, o Miguel , a Mami e o Rafa indicam 1 X 2 e apostas múltiplas nos eventos LeCool desta semana – vai a todas!
Isto é um doce para passares aos teus!
Le Entrevista a Francisco Bahia Nogueira
Posso dizer que me chamo Francisco Bahia Nogueira, sou arquitecto e fotógrafo – ainda que sem qualquer ordem – mas suspeito que isso não me defina. Sou, isso sim, fascinado por imagens. Gosto daquelas que impõem perguntas e adivinham respostas.
Dá-me gozo jogar com o espaço, o tempo e outras dimensões improváveis cristalizadas numa fotografia. Construir uma memória paralela através de jogos de luzes e contrastes. Estar – enquanto fotógrafo – dentro e fora do cenário fotografado.
Talvez fruto desta ilusão, não sou o maior fã de tele-objectivas e prefiro as grandes angulares. A lente com que leio o mundo vibra com pessoas, lugares desconhecidos, arquitectura. Derrete-se com a luz de Lisboa, de onde venho e onde não posso deixar de voltar.
Le Editorial * 245 por Rafa
O manjerico vive da cultura da oferta e da troca por alturas dos
Santos lisboetas – trocam-se mimos e votos, frases feitas e outras
apontadas de momento, piropos e brejeirices. É a planta do quero-te, do
desejo-te, do vou ter-te – uma tradição pagã por alturas da divina festa
da sardinha e da bifana.
Apetecia oferecer-te o número 7, assim de bandeja, toma. 7 dias faz a
LeCool o teu programa de semana com as suas sugestões; 7 são os dias
que de 5ª a 4ª vêm preenchidos com o que de melhor se passa por aqui. E 7
são os golos que nos fazem caminhar e sonhar mais além que o Cabo das
Tormentas. E Sextas são conhecidas por fazerem história, de começo de
fim-de-semana pelo menos…
O país voga como Jangada de Pedra e a LeCool é a timoneira de Lisboa,
traz a Mensagem do bom que é para ti seres alfacinha de pronto, de
gema, de sopro, de corpo; alfacinha, pois então!
O René, o Miguel , a Mami e o Rafa sugerem que escolhas ao calhés um evento LeCool e que vás, que saias – atreve-te a fazer algo não planeado!
Dá esta de presente, posta numa bandeirinha de manjerico!
Le Editorial * 244 por Rafa
... galaró, a puxar a brasa toda a si, brilhante e prateada, senhora cheia de si.
Com todos ou a solo, despida deitada sobre o pão, enxugada ao de leve
de sal, toma duche de azeite e então sai para o arraial. Ela é a rainha
dos Santos, dona e senhora de Lisboa, mete-te o apetite a jeito
em tarde de sol e também em noite de meloa! A bela sardinha gingona,
toda pimpona, dengosa – rainha do teu prato e enfeite do teu estômago,
ternura para o teu palato e carinho de Lisboa.
O lisboeta veste-se já quase de Verão, brinca trocando a cidade pela
areia de praia, o chato sapato pelo chinelo de dedo e a camisa pelo
tronco em pêlo. E enquanto sonhas com paisagens idílicas, dolce fare niente e marguerita na mão, damos-te o menu da cidade.
O René, o Miguel , a Mami e o Rafa
já comeram mais sardinhas este ano que eu sei lá e aconselham – uma
sardinha e uma leitura à LeCool por dia prolongam a longevidade e a
fertilidade!
Passa este manjerico aos teus amigos que amam Lisboa!
Le Entrevista a João Gomes por Rafa
João Gomes, sociólogo e gestor, cinéfilo aspirante a
cineasta que procura novo fôlego pessoal e criativo. Tenho um projecto
de documentário no qual sou co-autor e serei realizador, que está
prestes a garantir financiamento e arrancar. Colaboro na reescrita e
produção de uma curta metragem sobre o Fernando Pessoa. Criei
recentemente um cineclube na área de Alfama e entretenho-me a escrever sobre cinema no meu blog e na revista Take.
Adoro a cidade onde sempre vivi, há inúmeros recantos a conhecer em Lisboa, muitos mesmo. É grande a sensação de casa aqui, várias das suas zonas se associam a fases da minha vida. Costumo dizer que tenho 4 casas que são as minhas raízes, a minha morada espiritual (expressão do Scorsese): a minha casa na Estefânia, a Cinemateca, o Estádio da Luz e o Incógnito. Longa vida às 4, não passo sem elas.
Adoro a cidade onde sempre vivi, há inúmeros recantos a conhecer em Lisboa, muitos mesmo. É grande a sensação de casa aqui, várias das suas zonas se associam a fases da minha vida. Costumo dizer que tenho 4 casas que são as minhas raízes, a minha morada espiritual (expressão do Scorsese): a minha casa na Estefânia, a Cinemateca, o Estádio da Luz e o Incógnito. Longa vida às 4, não passo sem elas.
Le Editorial * 243 por Rafa
Lisboa é substantiva, Lisboa é feminina e masculina, Lisboa é superlativa, Lisboa é mestra e senhora e Lisboa é… Festas Populares!
Caríssimo Lecooliano que nos lês agorinha mesmo pestanejando o olho direito e comichando a remela do esquerdo, lê isto com Le atenção: enquanto descem os santinhos todos à cidade com o Antoninho à cabeça e de petiz dependurado do braço, desce também a Selecção à ponta sul africana, prometendo dobrar as outras equipas como aquele cabo a que demos o nome e fazer como o Bartolomeu, que lhe enfiou um padrão!
Por Lisboa o mês é de arraias, de Santa Sardinha e de São Bifano, da pingona ginginha e de chafurda cerveja, atropelam-se néctares e baila-se o imbailável – a cidade festeja e o brinde é à redondinha!
Santo René, São Miguel , Santa Mami e São Rafa abençoam Lisboa, os leitores e as Quinas! A cheirosa sardinha e a LeCool pavimentam o caminho para o céu!
Dá esta gorda sardinha a debicar ao teu amigo!
Le Entrevista a Santo António de Lisboa por Rafa
António, nasci em Lisboa como Fernando de Bulhões.
O
António arranjei-o por Coimbra, mas por esse mundo fora conhecem-me
tanto como António de Lisboa ou como António de Pádua. Não sei dizer, na
verdade, qual nome de cidade é mais utilizado por aí. Sou Santo. Viajo
muito por aí além, abençoando casais e noivos e realizo um milagre uma
vez por outra. São já muitos anos disto. Também me chamam Doutor da
Igreja. Escrevo, faço sermões e prego, gosto do contacto com as pessoas.
Mesmo viajando tanto, arranjo sempre tempinho para pular até Lisboa,
sempre por alturas de Junho. Agrada-me a cidade nesta altura, é festiva,
é alegre, há sardinhas e bailaricos por todas as ruas, nada que eu
alguma vez tenha visto noutra cidade quando ando por aí ao andarilho.
Perfeito em Lisboa são os arraiais e saborear a sardinha ainda a fumegar
sobre uma fatia de pão caseiro. E refrescá-la a gosto com um bom tinto
de Colares. Também gosto de ir comer papos de anjo à Suíça e dar um
passinho de dança no Capela.
Le Entrevista a Chacho Puebla por Rafa
Sou um argentino de Mendoza que chegou a Portugal em
2005. Trouxe-me a publicidade e fiquei por Lisboa. Obviamente que não
gosto só de publicidade, gosto de muitas coisas mais e tento sempre
fazê-las quanto tenho tempo. O que é fantástico na Europa, é que aqui a
criatividade sente-se no ar e isso para mim é um estímulo permanente!
Lisboa tem tudo. Para mim é uma das melhores cidades da Europa, de longe
– é uma dessas cidades que poucos conhecem e quando a apresentas ficam
loucos. É amor à primeira vista. Vejo que não é para todos e isso é que a
faz única. A minha tarde perfeita seria a tomar umas cervejas no
Adamastor, ter grandes conversas com amigos até ao entardecer. Lisboa é
para mim uma cidade mágica, porque uma tarde qualquer se pode tornar
perfeita. Ultimamente o trabalho não me tem deixado tempo para outras
coisas e assim aproveito para exigir-me mais.
Que coisas? Escrever, ter um alter-ego, divertir-me, sacar fotos e roupa!
Le Editorial * 240, por Rafa
Lisboa é um ninho e berço de poetas, uma casa de poetas e um porto de poetas é. E é um braço de rio, um braço de mar, um braço de rio de mar é. E é um livro cheio de poetas e cheio da poesia dos poetas. Esta cidade é pasto de criação – é trigo para a poesia – espera por aí em redor o verso, agachado por de fora das casas, sonhando só o que pode Lisboa ser das entranhas. E o Tejo e o Mar dá-lhe tanto de possível.
Cidade triste e alegre , com suas casas, de várias cores, lá dizia e apontava Pessoa nas suas lides heteronómicas em intervalo de guarda-livros. E em passo largo apressava-se pela cidade, nos entretantos em que as coxas de Ofélia não lhe ocupavam a mente. Colo também um excerto de Cesariny, neste Poema a tal amada perdida pode bem ser a nossa Lisboa:
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
em todas as ruas te perco
Le Editorial * 239 por Rafa
… lá dizia o venerável Mies. E como é precioso o detalhe:
Sair aos tropeções da cama para descobrir já na rua que tens meias de
cada nação, perder uma tarde a perseguir a gataria no Castelo para te
insinuares pela noite à Gata da rua, apanhar o barco para o lado de lá
apenas para dar meia volta para voltar para o lado de cá, mexer o café
com afinco pela manhã para o ir beber sem açúcar, pedir um croissant
para levar para o abrir ainda no bar, tirar monos do nariz
distraidamente no meio do trânsito e dar conta que meia cidade reparou
em ti, fazer fila só porque sim para perceber que a fila nem sequer
existia só porque não, fingir que falas inglês e ir pedindo orientações a
toda a gente da rua até te surgir alguém que o fale melhor que tu, ir
ao supermercado e ter uma branca total do que querias no meio do
corredor dos enchidos e bries e pegar qualquer coisa ao calhés e
esquecer o aniversário de toda a gente e até mesmo o teu, nem que o
marques no tele e no frigo.
Le Entrevista a Alípio Padilha por Rafa
Chamo-me Alípio Padilha.
Tiro fotografias em Lisboa. Na infância costumava olhar por debaixo das
minhas pernas e via o mundo ao contrário. Olhar dessa forma invulgar
transformava então esse lugar. É assim ainda hoje que vejo a “escrita
com luz”. Polaroids e um AE-1 foram as primeiras aliadas. Hoje, vivo
onde sempre quis viver: Lisboa. Gosto da palavra, do lugar de passagem
que sempre foi. A cultura urbana que se esconde e descobre a cada
esquina, numa rua, num palco improvisado ou não, está acessível a todos
os que a queiram adoptar. Estar atento a isso para mim é fotografá-la,
espio tudo, atento, através do viewfinder de uma câmara. Um voyeur
assumido.
Lisboa deixa-se fotografar. É exibicionista e vaidosa desde as calçadas onde se tropeça na alma dos lugares, aos miradouros românticos e sempre iluminada pelo Tejo. Há novos fados de Lisboa, basta olhar para eles. Eu registo-os com o que tenho à mão: a fotografia; desafia-me o trabalho no colectivo TPP e na Rua.
Lisboa deixa-se fotografar. É exibicionista e vaidosa desde as calçadas onde se tropeça na alma dos lugares, aos miradouros românticos e sempre iluminada pelo Tejo. Há novos fados de Lisboa, basta olhar para eles. Eu registo-os com o que tenho à mão: a fotografia; desafia-me o trabalho no colectivo TPP e na Rua.
Le Editorial * 238 por Rafa
... sete colinas e meia a correr ao alto e ao baixo; casas e templos e
bairros a formar um quadro, a emoldurar uma paisagem; eléctricos
amarelos e um ou outro vermelho a chiar pelo Chiado adentro; perderes-te
no emaranhado de Alfama para logo te encontrares na vastidão de Belém;
esperar a dança dos pássaros sobre o Terreiro do Paço e adivinhar-lhe
uma coreografia estudada; ver o sol adormecer por detrás da cidade desde
o Cais do Ginjal e dormitar com o seu toque luminoso nos jardins da
Gulbenkian; ler um livro num parque escolhido a dedo, fechar os olhos a
gosto e acariciar a relva lentamente, adivinhando traços de avião
escavando o céu; jogar ao esconde-encontra com o Tejo desde um dos
muitos miradouros que a cidade criou apenas para ti; ouvir o burburinho
colorido nos mercados e nas feiras e o movimento das gentes a encher as
ruas. A tua cidade é tanto, é tudo e é tua, Lisboa a Grande, a Quente e a
Boa, Lisboa a LeCool.
E a tua Lisboa é _ _ _ _ _ _ _ _ (preenche a teu gosto).
Le Entrevista a Célia F. por Rafa
Eu, sou apenas eu mesma. Aqui e agora. Um humano comum.
Sou Célia F. e Selecta Alice.
Dois lados da mesma unidade. Escrevo para revistas como a Dif, La
Néctar, de Bs. As. e para projectos e produtoras de música. Atrás,
estudei direito. Fiz Teatro e desde muito miúda toco piano. Fiz rádio e o
amor persiste. Pinto. Sou selecta por amor à música e por acreditar na
festa, ritual de encontro e reunião consigo e com os outros.
Lisboa é um dos meus ninhos, onde vivem muitos dos que com quem criativamente partilho a existência. Uma pequena babilónia abençoada por uma luz única e temperada por uma melancolia poética. Gosto de passear pelos bairros antigos sozinha. Parar nos detalhes. Na visão do Tejo. Gosto das pessoas que fazem a cidade. O que dá saudade? A energia única que tem por ser cidade, mas pequena.
Sonhos loucos?! Ando a fazer deles os meus objectivos desde que descobri que não eram loucura!
Lisboa é um dos meus ninhos, onde vivem muitos dos que com quem criativamente partilho a existência. Uma pequena babilónia abençoada por uma luz única e temperada por uma melancolia poética. Gosto de passear pelos bairros antigos sozinha. Parar nos detalhes. Na visão do Tejo. Gosto das pessoas que fazem a cidade. O que dá saudade? A energia única que tem por ser cidade, mas pequena.
Sonhos loucos?! Ando a fazer deles os meus objectivos desde que descobri que não eram loucura!
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