Olá, chamo-me Robert Montargil da Silva aka Bob da Rage Sense link,
nascido em Luanda, vivo há 9 anos em Lisboa e sou músico de profissão,
tenho 3 álbuns desde 2003.
Diários de Marcos Robert é o meu mais recente trabalho discográfico e o
meu favorito, o que me deu mais trabalho e prazer a fazer, o mais
introspectivo liricamente. Sonhos? Dar aulas em África e viajar pela
América Latina. Sou muito observador, adoro aprender todos os dias e
ensinar o que aprendo a outras pessoas, partilhar coisas boas que
existem na sociedade e no mundo.
Adoro viver em Lisboa, a cidade mágica, cada canto conta uma história, é
uma cidade que me inspira a escrever por si só.
Neste momento é a
capital "mestiça" da Europa, pelo grande crescimento de diversidade
cultural. As pessoas são muito particulares tanto pró bem como pró mal,
enfim, um povo e uma cidade única e original.
Le Editorial * 248 por Rafa
Lisboa é uma mulher a vezes dura e impiedosa. Mas sempre quente e uma
excelente anfitriã. Das suas colinas seios desce a sua pele cidade em
encostas até ao rio, vencidas por meios mecânicos que vacilam em carris
chilreando há um século. Do seu sulco se faz rio e se chama Tejo, feito
Mar da Palha a perder de vista e rasgada de pontes, perfeita moldura
para tardes em jogo de miradouros, petiscando cerveja e linguajando
conversas de amigo.
Feminina femina Lisboa, cidade do ocidente cheia de Oriente e bem vindo
áfricas e américas em igual. Mulher com porto de abrigo e mulher de
risco medido, feminina de toque lento de sol assolapado enquanto
descreve o arco do dia no vácuo azul de céu, feminina de aveludada luz
mancheando as suas casas de tonalidades que fazem morrer de inveja
qualquer povo que se diga de norte. Lisboa é uma mulher inconquistável e
tu o seu amante.
Le Editorial * 247 por Rafa
Dia Internacional de Alguma Coisa ou o Dia Internacional de Algo. Brincamos com expressões como em palpos
de aranha, meter o Rossio na Betesga e o Bota-Abaixo, enchemos a boca
delas sem lhe saber o significado e nem um dia lhes dedicamos.
A LeCool
desata o nó górdio que é a atribulada Lisboa pela via que lhe
convém, lavando as mãos de um programa de dias que não se quer vazio.
Povoam-se as ruas agora que é Verão e já se ouve o trovejar dos carros
na ponte, atropelando-se em ânsias de praias da outra margem. Se Marta
morresse de calor, ao menos morreria farta e não é só a arraia-miúda que
deseja sol e praia, é a Lisboa inteira que se vê de toalha e de cerveja
arrefecendo nas mãos! A LeCool baliza-te as noites e dá-te a movida
para o Verão!
René, Miguel , Mami e Rafa
cantam em coro: hoje é o Dia Internacional de Lisboa!
Rola, desliza,
dedilha, tacteia e folheia a tua LeCool, logo aqui pela tua direita.
Passa que nem estafeta a LeCool de mão em mão!
Le Entrevista a André Correia por Mami
Olá! Sou o André.
Ando a ver os rios navegarem e as pessoas a mudarem. Arranco sorrisos
ao ritmo do sol, isqueiros solares na mão e olhos nos olhos, coração
quente e contente.
Lisboa soa-me a cidade-filme, suspensa no deixa-andar... acelerada e
apressada.
Sem saber para onde quer ir. Encanto-me a retocá-la na imaginação. Acorda, Lisboa radiante! E sorri à tua beleza. Canta e dança, às tuas gentes e ruas. Suspira aos teus fados. Deixa-te ser mas sê! Acorda e brilha corajosa, na tua luz tão deliciosa. Um sonho? Ocuparmos os telhados de Lisboa, uma-grande-festa, operação-relâmpago-inesperada, larga-escala-combinada. Grafitarmos o “Tecto” da cidade todo de cores, limpas e puras. Celebrar e criar. Maravilhar. A lembrar que é tão fácil mudar.
Sem saber para onde quer ir. Encanto-me a retocá-la na imaginação. Acorda, Lisboa radiante! E sorri à tua beleza. Canta e dança, às tuas gentes e ruas. Suspira aos teus fados. Deixa-te ser mas sê! Acorda e brilha corajosa, na tua luz tão deliciosa. Um sonho? Ocuparmos os telhados de Lisboa, uma-grande-festa, operação-relâmpago-inesperada, larga-escala-combinada. Grafitarmos o “Tecto” da cidade todo de cores, limpas e puras. Celebrar e criar. Maravilhar. A lembrar que é tão fácil mudar.
Le Artista da Capa * 247, Bego Claveria
Sou designer gráfica e ilustradora, e acho que é mesmo por isso que
quando trabalho gosto de misturar técnicas analógicas e digitais. Quando
faço ilustração normalmente começo com a caneta e o papel, mas dou
sempre os toques finais no computador. É a maneira de ter o melhor dos
dois mundos.
Para esta capa fiz muitos desenhos de coisas que me lembram o Verão, e
depois fiz a composição final, a tipografia e a cor no Photoshop.
Desde que cheguei a Lisboa tenho estado a trabalhar como freelancer, mas
quando morava em Barcelona trabalhei em diferentes estúdios. Acho
interessante trabalhar com outras pessoas, pois é a melhor maneira de
continuar a aprender. Para mim o ideal seria combinar essas duas
vertentes - trabalho individual e em grupo.
Eis-me então à procura de trabalho num estúdio de design em Lisboa.
Nesse sentido, nada melhor que dar uma vista de olhos no meu (_portfolio_).
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* Originalmente publicada a 8 de Julho de 2010, na Le Cool Lisboa * 247
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* Originalmente publicada a 8 de Julho de 2010, na Le Cool Lisboa * 247
Le Entrevista a Rita Ruivo por Rafa
Rita Ruivo, joalheira e artista plástica ou qualquer outra designação desde que não me limite. Crio jóias e objectos mediante uso de técnicas de joalharia e de artes plásticas no geral, utilizando todas as técnicas de manipulação de materiais possíveis, aplicadas à pequena escala e em objectos usados no corpo. Gosto de experimentar outras áreas e técnicas, colaborei em moda e em direcção de arte para publicidade. Divertir-me com o trabalho é essencial.
Projectos e ideias são muitas: uma exposição numa ourivesaria tradicional da baixa de Lisboa, contrapondo o trabalho tradicional com uma abordagem pessoal e cruzar a joalharia com outras áreas, como a ilustração por exemplo, que adoro.
Lisboa é um diamante fluorescente. Raro e valioso! É uma cidade com um potencial do qual por vezes parece não se aperceber.
Le Editorial * 246 por Rafa
Ensaboamo-nos de trabalho até que a secretária sugira a miragem de um
divã a vogar tranquilo sobre as águas de um qualquer Oceano,
preferencialmente um que acabe em ICO ou então em ÍBAS e em que a ideia de Verão é de ano inteiro.
O computador ganha a forma de fruta exótica onde se pode inserir uma
palha listrada de branco/vermelho e de onde se pode sugar o suco da cena
sordidamente. Qualquer pequena leve brisa parece empurrar o corpo por
uma corrente de ar e de água e de ondas, onde o tuga não se ouve como
língua oficial nem de bola corrida. As vuvuzuelas morreram e ficaram
prostradas em África esmagadas por elefantes bicolores; morra Vuvu,
morra! No país volta-se a ouvir a engrenagem mecânica e pouco oleada que
dormitou destes dias em demasia e bola-se a bola para a frente. Em
entretanto, nesta frente de eventos LeCool, nós sugerimos-te o melhor a
melhorar desde já o Verão! Verás que não é pouco não. Discorre a lista,
discorre!
O René, o Miguel , a Mami e o Rafa indicam 1 X 2 e apostas múltiplas nos eventos LeCool desta semana – vai a todas!
Isto é um doce para passares aos teus!
Le Entrevista a Francisco Bahia Nogueira
Posso dizer que me chamo Francisco Bahia Nogueira, sou arquitecto e fotógrafo – ainda que sem qualquer ordem – mas suspeito que isso não me defina. Sou, isso sim, fascinado por imagens. Gosto daquelas que impõem perguntas e adivinham respostas.
Dá-me gozo jogar com o espaço, o tempo e outras dimensões improváveis cristalizadas numa fotografia. Construir uma memória paralela através de jogos de luzes e contrastes. Estar – enquanto fotógrafo – dentro e fora do cenário fotografado.
Talvez fruto desta ilusão, não sou o maior fã de tele-objectivas e prefiro as grandes angulares. A lente com que leio o mundo vibra com pessoas, lugares desconhecidos, arquitectura. Derrete-se com a luz de Lisboa, de onde venho e onde não posso deixar de voltar.
Le Editorial * 245 por Rafa
O manjerico vive da cultura da oferta e da troca por alturas dos
Santos lisboetas – trocam-se mimos e votos, frases feitas e outras
apontadas de momento, piropos e brejeirices. É a planta do quero-te, do
desejo-te, do vou ter-te – uma tradição pagã por alturas da divina festa
da sardinha e da bifana.
Apetecia oferecer-te o número 7, assim de bandeja, toma. 7 dias faz a
LeCool o teu programa de semana com as suas sugestões; 7 são os dias
que de 5ª a 4ª vêm preenchidos com o que de melhor se passa por aqui. E 7
são os golos que nos fazem caminhar e sonhar mais além que o Cabo das
Tormentas. E Sextas são conhecidas por fazerem história, de começo de
fim-de-semana pelo menos…
O país voga como Jangada de Pedra e a LeCool é a timoneira de Lisboa,
traz a Mensagem do bom que é para ti seres alfacinha de pronto, de
gema, de sopro, de corpo; alfacinha, pois então!
O René, o Miguel , a Mami e o Rafa sugerem que escolhas ao calhés um evento LeCool e que vás, que saias – atreve-te a fazer algo não planeado!
Dá esta de presente, posta numa bandeirinha de manjerico!
Le Editorial * 244 por Rafa
... galaró, a puxar a brasa toda a si, brilhante e prateada, senhora cheia de si.
Com todos ou a solo, despida deitada sobre o pão, enxugada ao de leve
de sal, toma duche de azeite e então sai para o arraial. Ela é a rainha
dos Santos, dona e senhora de Lisboa, mete-te o apetite a jeito
em tarde de sol e também em noite de meloa! A bela sardinha gingona,
toda pimpona, dengosa – rainha do teu prato e enfeite do teu estômago,
ternura para o teu palato e carinho de Lisboa.
O lisboeta veste-se já quase de Verão, brinca trocando a cidade pela
areia de praia, o chato sapato pelo chinelo de dedo e a camisa pelo
tronco em pêlo. E enquanto sonhas com paisagens idílicas, dolce fare niente e marguerita na mão, damos-te o menu da cidade.
O René, o Miguel , a Mami e o Rafa
já comeram mais sardinhas este ano que eu sei lá e aconselham – uma
sardinha e uma leitura à LeCool por dia prolongam a longevidade e a
fertilidade!
Passa este manjerico aos teus amigos que amam Lisboa!
Le Entrevista a João Gomes por Rafa
João Gomes, sociólogo e gestor, cinéfilo aspirante a
cineasta que procura novo fôlego pessoal e criativo. Tenho um projecto
de documentário no qual sou co-autor e serei realizador, que está
prestes a garantir financiamento e arrancar. Colaboro na reescrita e
produção de uma curta metragem sobre o Fernando Pessoa. Criei
recentemente um cineclube na área de Alfama e entretenho-me a escrever sobre cinema no meu blog e na revista Take.
Adoro a cidade onde sempre vivi, há inúmeros recantos a conhecer em Lisboa, muitos mesmo. É grande a sensação de casa aqui, várias das suas zonas se associam a fases da minha vida. Costumo dizer que tenho 4 casas que são as minhas raízes, a minha morada espiritual (expressão do Scorsese): a minha casa na Estefânia, a Cinemateca, o Estádio da Luz e o Incógnito. Longa vida às 4, não passo sem elas.
Adoro a cidade onde sempre vivi, há inúmeros recantos a conhecer em Lisboa, muitos mesmo. É grande a sensação de casa aqui, várias das suas zonas se associam a fases da minha vida. Costumo dizer que tenho 4 casas que são as minhas raízes, a minha morada espiritual (expressão do Scorsese): a minha casa na Estefânia, a Cinemateca, o Estádio da Luz e o Incógnito. Longa vida às 4, não passo sem elas.
Le Editorial * 243 por Rafa
Lisboa é substantiva, Lisboa é feminina e masculina, Lisboa é superlativa, Lisboa é mestra e senhora e Lisboa é… Festas Populares!
Caríssimo Lecooliano que nos lês agorinha mesmo pestanejando o olho direito e comichando a remela do esquerdo, lê isto com Le atenção: enquanto descem os santinhos todos à cidade com o Antoninho à cabeça e de petiz dependurado do braço, desce também a Selecção à ponta sul africana, prometendo dobrar as outras equipas como aquele cabo a que demos o nome e fazer como o Bartolomeu, que lhe enfiou um padrão!
Por Lisboa o mês é de arraias, de Santa Sardinha e de São Bifano, da pingona ginginha e de chafurda cerveja, atropelam-se néctares e baila-se o imbailável – a cidade festeja e o brinde é à redondinha!
Santo René, São Miguel , Santa Mami e São Rafa abençoam Lisboa, os leitores e as Quinas! A cheirosa sardinha e a LeCool pavimentam o caminho para o céu!
Dá esta gorda sardinha a debicar ao teu amigo!
Le Entrevista a Santo António de Lisboa por Rafa
António, nasci em Lisboa como Fernando de Bulhões.
O
António arranjei-o por Coimbra, mas por esse mundo fora conhecem-me
tanto como António de Lisboa ou como António de Pádua. Não sei dizer, na
verdade, qual nome de cidade é mais utilizado por aí. Sou Santo. Viajo
muito por aí além, abençoando casais e noivos e realizo um milagre uma
vez por outra. São já muitos anos disto. Também me chamam Doutor da
Igreja. Escrevo, faço sermões e prego, gosto do contacto com as pessoas.
Mesmo viajando tanto, arranjo sempre tempinho para pular até Lisboa,
sempre por alturas de Junho. Agrada-me a cidade nesta altura, é festiva,
é alegre, há sardinhas e bailaricos por todas as ruas, nada que eu
alguma vez tenha visto noutra cidade quando ando por aí ao andarilho.
Perfeito em Lisboa são os arraiais e saborear a sardinha ainda a fumegar
sobre uma fatia de pão caseiro. E refrescá-la a gosto com um bom tinto
de Colares. Também gosto de ir comer papos de anjo à Suíça e dar um
passinho de dança no Capela.
Le Entrevista a Chacho Puebla por Rafa
Sou um argentino de Mendoza que chegou a Portugal em
2005. Trouxe-me a publicidade e fiquei por Lisboa. Obviamente que não
gosto só de publicidade, gosto de muitas coisas mais e tento sempre
fazê-las quanto tenho tempo. O que é fantástico na Europa, é que aqui a
criatividade sente-se no ar e isso para mim é um estímulo permanente!
Lisboa tem tudo. Para mim é uma das melhores cidades da Europa, de longe
– é uma dessas cidades que poucos conhecem e quando a apresentas ficam
loucos. É amor à primeira vista. Vejo que não é para todos e isso é que a
faz única. A minha tarde perfeita seria a tomar umas cervejas no
Adamastor, ter grandes conversas com amigos até ao entardecer. Lisboa é
para mim uma cidade mágica, porque uma tarde qualquer se pode tornar
perfeita. Ultimamente o trabalho não me tem deixado tempo para outras
coisas e assim aproveito para exigir-me mais.
Que coisas? Escrever, ter um alter-ego, divertir-me, sacar fotos e roupa!
Le Editorial * 240, por Rafa
Lisboa é um ninho e berço de poetas, uma casa de poetas e um porto de poetas é. E é um braço de rio, um braço de mar, um braço de rio de mar é. E é um livro cheio de poetas e cheio da poesia dos poetas. Esta cidade é pasto de criação – é trigo para a poesia – espera por aí em redor o verso, agachado por de fora das casas, sonhando só o que pode Lisboa ser das entranhas. E o Tejo e o Mar dá-lhe tanto de possível.
Cidade triste e alegre , com suas casas, de várias cores, lá dizia e apontava Pessoa nas suas lides heteronómicas em intervalo de guarda-livros. E em passo largo apressava-se pela cidade, nos entretantos em que as coxas de Ofélia não lhe ocupavam a mente. Colo também um excerto de Cesariny, neste Poema a tal amada perdida pode bem ser a nossa Lisboa:
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
em todas as ruas te perco
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