Le Editorial * 229 por Mami

Bravos ouvintes, antes que as amendoeiras floresçam na verde campina e se comecem a impingir edredons e tupperwares aos velhotes, há coisas que devemos fazer:
Andar com um ananás para todo o lado, comprar o serviço de loiça Couve Verde que está a sair com um jornal qualquer, beijar a estátua do Fernando Pessoa na boca, fazer da tua avó sócia do Bacalhoeiro, comprar o fato de galinha para usar no concerto do Mika, fazer uma manifestação a favor do casamento entre raças inter-galácticas, usar uma t-shirt a dizer “seja esquelecticamente feliz, pergunte-me como”, ir ao Martim Moniz comer uma sopa de Fava Rica, ser fã das minhas “Chamuças de Bacalhau”, ir ao Funicular à procura do senhor que fazia a voz do Mascarado na “Feiticeira da Lua”, encontrar o verdadeiro amor enquanto lavas a roupa na Lavandaria a moedas, ir lutar na lama do Jardim da Torre de Belém, ir aparar essa barba ao velho barbeiro da rua, fazer um jantar temático no The Great American Disaster, levar o pequeno almoço à cama a ti próprio, comer um Garibaldi na pastelaria…

Le Entrevista ao Vespa Gang Mod Club por Mami

Eu sou O Rapaz do Chapéu e gosto de rebeldia, mas com estilo. Gosto de Le Corbusier. Gosto dos filmes fragmentados do Godard, mas também dos filmes narrativos do Samuel Fuller. Gosto de jazz bebop, rhythm and blues e soul antigo, mas também de Stereolab. Gosto de politica. Gosto do meu chapéu. Gosto de dançar e de ver dançar. Eu sou a Elsa V. e gosto de Pizzicato Five e gostaria de ir ao Japão. Gosto muito de yé yé francês. Gosto de andar de Vespa pela cidade ou em passeios. Gosto de encontrar vestidos originais ou então mandar fazer modelos numa costureira. Gosto de dançar e de ver dançar. Eu sou o Professor X, gosto de ser o DJ do Gang. Gosto de partilhar a cabine de DJ com o expert em sixties Milkshake. Gosto de ir à Two Tone em Cacilhas ou à Graver Shop na Baixa comprar roupa. Gosto dos Style Council. Gosto de andar de Vespa. Gosto de por as pessoas a dançar. Juntos somos o Vespa Gang Mod Club.

Em Lisboa de dia gostamos muito de andar de Vespa para conhecer zonas da cidade e levando máquinas fotográficas para registar esses passeios. Na Feira da Ladra encontram-se por vezes coisas estilosas e baratas. Ou simplesmente andar à deriva por prazer. Há noite temos as nossas festas mensais no Europa e por vezes também as festas Dance Craze em Almada. De resto andamos à procura do groove perfeito. Quando não o encontramos fazemos nós.

Le Editorial * 228 por Mami

Esta semana queremos prestar uma curvada vénia aos Lisboeiros, que não são outras que essas embarcações-bus a que se dá o nome de Cacilheiros (por puro desportivismo e camaradagem entre margens). A verdade é que os Lisboeiros, que já nadam mais ou menos desde a altura em que se começou a comprar meloas pelo cheiro, estão fartos de gente atrasada, sentada e cansada. Eles querem mais vida.

Inundemos o Tejo de Lisboeiros temáticos. Façamos de um discoteca, de outro jardim, de outro museu ou cinema secreto, ou palco, hotel, bar.

As gentes do rio não podem ter medo de molhar os pés, vamos a arregaçar a calça e a vivê-lo bem.
A Le Cool ama os Lisboeiros, e tu? Há quanto tempo não danças num?

Le Editorial * 227 por Mami

Ora os meus amigos bem sabem e não se enganam que há 2 tipos de gente por aí a respirar. Os que gostam do Carnaval e os que nem pensar. Os ditos foliões, eram aqueles petizes felizes que iam mascarados ou de Dama-Antiga (fato de 1 só peça tecido-brilhante) ou de Punk. Os que iam de palhaço pobre ou de qualquer coisa original fabricada pela mãezinha nos intervalos do almoço tornaram-se em fulanos não Carnavalescos, vulgo, rezingões.

Mas chegou, enfim, a semana da loucura medieval e está na altura de fazer as pazes com o passado. São 5 dias para nos lixarmos para as conveniências. Onde eles podem, finalmente, vestir-se de mulher e perceber o que custa dançar de saltos e plastificada peitaça, e elas podem “disfarçar-se” de tudo, desde que numa versão bestialmente suínica!

E depois é só olhar para a Lecool e escolher as festas! Últimas dicas: Não vás de Avatar que te constipas. Em caso de dúvida faz o que tens a fazer mas não dês o teu número de telefone! Em suma, diverte-te como se o recreio estivesse quase a acabar. Porque está.

Le Editorial * 226 por Mami

Como para a semana vamos estar mais interessados no Carnaval, falamos já da coisa do Amor e fica despachado. Até porque toda a gente sabe que as efemérides são manobras de marketing para vender produtos em stock que ninguém gosta especialmente e jamais compraria. Ele é o Bolo Rei no Natal, as passas no Ano Novo, o Folar na Pascoa e claro, os presentinhos de São Valentim.
Mas o Amor anda ai. Já não vem entre arco-íris em VHS’s riscados, é certo, mas ainda é bastante divertido.

Por isso, antes que Lisboa se alcatife de fofa piroseira, antes que os patos da Gulbenkian acasalem e que as galinhas do Curry Cabral ponham ovos, vamos celebrar o Amor a verde, oferecendo alfaces frescas, vivendo noites à Byron em pensões com nome de antigas colónias, lambendo ameijoas a pingar manteiga e alho em vez de ostras, dançando em meias pelos cacilheiros e por ai fora.
E se ainda não tens com quem viver esse fogo que arde sem querer, toma lá 25 ideias onde procurar. Não há como não se apaixonar.

Le Editorial * 225 por Mami

Temos recebido um ror de cartas dos nossos desesperados leitores perguntando o que fazer, na urbe, nestes dias de intenso Sol e frigorífico. Enquanto ninguém inventa um ipod com aquecimento central, damos alguns bitaites:

#1-Levar os livros, a namorada e algum chocolate e ir hibernar para a “estufa quente” ou para a “estufa doce” da Estufa fria. Se resulta com os cactos do Arizona, não pode estar muito errado!

#2-Levar lençóis brancos e recriar a Primavera nos Alpes em pleno Jardim da Gulbenkian. Levar também um termos com Bolero bem quente para ir bebericando com prazer, ao som de musicas tirolesas.

#3-Vestir o vestido às flores ou os calções de veludo em cima da lycra do primo surfista, e ir andar de barco a remos para o lago do Campo Grande, recriando a mais linda cena da Disney.

#4-Fazer a cama nos telhados da cidade e ficar a adorar o astro-Rei, comungado com laranjas doces (pois que são o Sol em fruta).

Mas não fiques em casa. Sintetiza o Sol em alegria. Faz fotolecool.

Le Editorial * 224 por Mami

Eis a breve análise social aos dois tipos de pessoas vivem nesta cidade sem Mancha, neles tudo principia e finda, apresentamos… “Os Dom Quixote e os Sancho Pança.” Os Dom Quixote, sujeitos em tudo espirituais, cavalgam numa numa ardente demanda estética, seja a apanhar o autocarro para Odivelas seja a cortejar as Dulcineias de Chelas. Já os Sancho Pança, fulanos assaz materialistas, dados ao prazer e ao fazer, rebolam pela colina a pé, ávidos de loucuras com as Dulces do Cais do Sodré.

Ainda que diferentes como um par de olhos tortos, mais amigos que eles não há, caminhando, um alcançando as estrelas, outro farejando a rua, por essa Lisboa ainda tão (romanticamente) nua.
Porque a verdade é que sem Dom Quixotes não teríamos os secretos miradouros, os verdejantes édens municipais, as exposições de vanguarda, as peças de teatro arrojadas, os ciclos de cinema intelectuais.
E sem Sanchos não teríamos os bairros típicos, as comezainas, as gargalhadas, as festas rijas e concertos que tais. Se um plantou a Alface o outro decidiu temperá-la. Sem eles não havia Le Cool, nem Lisboa. E tu, já sabes qual deles és?

Le Entrevista a Um(a) Pessoa por Rafa

Pessoa repousa em estátua em frente à Brasileira do Chiado, estendendo a mão como que a acenar a quem passa (ou tentando talvez afastar o turista que o massacra em fotos). Já brincou ao GeoCaching, tem Casa Museu e não aparece no seu próprio relato em Lisbon, What the Tourist Should See. Sentei-me com ele na pequena cadeira que o ombreia e perguntei-lhe:
 
Que tal esse ser estátua.
 
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora, 
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro. 
À força de diferente, isto é monótono,
Como à força de sentir, fico só a pensar. 

Le Entrevista a Peter Shuy por Rafa

Sou o Pedro Evaristo/Peter Shuy, artista plástico/músico. O nome nasceu da necessidade de criar um alter ego enquanto elemento dos AbztraQt Sir Q. É um misto entre Ocidente (Peter) e Oriente (Shuy), atendendo às reminiscências sonoras da banda e ao meu fascínio por essa cultura. Nasci em Santarém e terminei os estudos em Lisboa. Lisboa é-me familiar e uma das referências desde há muito tempo.

Lisboa é um abstracto circo? 
Lisboa, como pequena metrópole que é, atrai um maior número de pessoas de outros países relativamente às restantes cidades portuguesas, permitindo uma interacção/miscigenação que estimula à criação/ experiência, infelizmente ainda não ao nível de cidades como Berlim ou Barcelona. 

Le Capa * 221

por Inês Miguéns Gomes

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* Originalmente publicada a 17 de Dezembro de 2009

Le Entrevista ao Pai Natal por Mami

Há quantos anos és Pai Natal? 

Sou Pai Natal desde que me conheço. Sempre gostei de oferecer coisas e de andar com crianças ao colo. Comecei por vestir-me de Pai Natal entre amigos e familiares, depois para os meus filhos (os da foto ao lado que nos vendeu como gémeos… duvidoso…) e agora sou o Pai Natal da Festa dos Sem Abrigo. De 18 a 20 de Dezembro estou na Cantina da Universidade de Lisboa, onde todos os anos os Sem Abrigo festejam o Natal.  

E essas barbas são verdadeiras? 

Mais do que verdadeiras. São parte de mim. Uma das minhas maiores preocupações durante todo o ano é ter a barba perfeita para os dias e noite de Natal. Aparo-a e preparo-a com o maior cuidado para estar assim. O mesmo posso dizer desta barriga que é 100% original.