Os pelourinhos (essa coisa com tanto de menir como de totem, objecto fálico do poder judicial do passado), apreciados historicamente, evocam um passado pouco simpático. Um nada sorridente mesmo, sobretudo do ponto de vista dos prisioneiros que eram agrilhoados a ferragens para deleite dos restantes. O pelourinho de Lisboa, o da Praça do Município, perdeu essas ferragens exibicionistas em 1883, passando de mostrengo a monumento. Destruído o anterior, manuelino, durante o terramoto de 1755, o que se vê agora é de construção oitocentista. Agulha central da Praça, à falta de um qualquer obelisco como na Praça de São Paulo, ali perto, exibe-se agora como pelo facial lisboeta, apontado ao firmamento. / Fauna Maria (Foto de Dias dos Reis, aqui)
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Le Artista da Capa * 404, Rita Mota
- Sobe Sobe Glória Sobe -
É um sobe e desce sem parar! Seja Verão ou Inverno, faça chuva ou faça sol, a Glória pertence a quem sobe e desce aquelas carruagens amarelas!
Apinhadas de gente, com turistas ou meros Lisboetas que, ou por não terem opção ou pelo prazer genuíno que sentem em se deixarem transportar pelo velhinho amarelo, lá vão elas, rua abaixo e rua acima. Pelo meio, um ou outro atrevido salta para a carruagem, agarra-se e ali vai ele, do lado de fora, para toda a gente ver.
Em cima: Alfama, o Castelo, Miradouros, o Chiado...
Em baixo: Rossio, Restauradores, as ruelas da Baixa Pombalina, com as suas lojas e lojistas singulares…
Dois
pequenos mundos que se completam energicamente. Um leque distintíssimo
de cores, cheiros e sabores, ligados pela eterna Glória da cidade das 7
colinas.
Do Miradouro de São Pedro de Alcântara inspiro uma Lisboa
rendida a quem a percorre. No regresso a casa expiro a eterna vontade
de voltar.
Le Editorial * 404 por Le Cool

LIVRO DE PONTA
Regressamos dali do lado (uns quantos e quantas de baixo, este e aquela de cima e aqueloutro, o bandalho, de além-mares), ligeiramente mais tatuados de sol do que à partida. A cor bronzeada liga bem com o azul do céu e com gelado de pistacchio a deslizar em cascata pela queixada. Lisboa devia ser apenas uma praça, nada mais, uma praça. Com mantos de areia sobre o Tejo, espreguiçadeiras em vez de colinas e um penacho de verde e coqueiros aqui e ali. Há que concordar, não é?
Somos parceiros de comunicação do Alfama-te, do Pecha Kucha Night Lisboa, da Madame e das Amêijoas à Bulhão Pato de Odeceixe. A Le Cool Lisboa não se rege pelo AO90.
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