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Praça do Comércio

Um dia li a frase que será, permanentemente, uma das frase mais belas sobre Lisboa para mim. Depois, esqueci-me da autoria, varreu-se-me o livro, olvidei o motivo, desvaneceu-se o momento e ainda perdi um bom par de óculos de sol. Ora bolas. Mas a frase ficou, que nem os arrumadores de carros no Príncipe Real: todos os dias. «Lisboa é, a par com Veneza, cidade que foi capital de um império e com uma praça central a tocar a água.» Era algo assim, em tradução livre da minha memória. A praça lisboeta, claro está, é a Praça do Comércio. Terreiro do Paço com Paço desde D. Manuel I, que se mudou do Castelo, e Praça do Comércio desde Pombal, que lhe devolveu o umbigo de cidade. / Fauna Maria (Bilhete postal dos anos 50)

onde 
Praça do Comércio,
mapa de localização
 

Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros

Lisboa e Tróia não se fizeram num dia, mas Lisboa continua a cantar e Tróia foi-se, em canto de cisne, com Átridas e Helenas a tiracolo. É na nossa cidade também, como em Roma ou Petra, que cada calhau levantado revela outro. Bem mais antigo. Um sumário de tão sumarenta história, guardado na arca frigorífica da história e do manto de pedra que serve embasamento a Lisboa. E onde lhe topar os objectos, os artefactos e as estórias da história? No Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros - NARC. Que até estará em horário alargado de 28 a 30 Set, incluído nas Jornadas Europeias do Património. / Fauna Maria

Pelourinho de Lisboa

Os pelourinhos (essa coisa com tanto de menir como de totem, objecto fálico do poder judicial do passado), apreciados historicamente, evocam um passado pouco simpático. Um nada sorridente mesmo, sobretudo do ponto de vista dos prisioneiros que eram agrilhoados a ferragens para deleite dos restantes. O pelourinho de Lisboa, o da Praça do Município, perdeu essas ferragens exibicionistas em 1883, passando de mostrengo a monumento. Destruído o anterior, manuelino, durante o terramoto de 1755, o que se agora é de construção oitocentista. Agulha central da Praça, à falta de um qualquer obelisco como na Praça de São Paulo, ali perto, exibe-se agora como pelo facial lisboeta, apontado ao firmamento. / Fauna Maria (Foto de Dias dos Reis, aqui)

A Provinciana

Espera. Quero preparar o cenário para esta revelação: senta-te, escuta com atenção, coloca a mão sobre o estômago em expectativa, ouve rufos em crescendo de anúncio. Agora, um pequeno restaurante, casa-de-pasto, tasca, um pequeno útero familiar. Pai no leme, mãe na confecção e filha na distribuição, um trio de magos à disposição. Um, dois, três, vinhos óptimos ao preço da uva mijona. E a carta? Torno-me quase religioso tal a benção! Caras de bacalhau, peixes a tiracolo (sardinhas, bacalhau à minhota), chanfana à verdadeiro beirão (sou, eu eu, mata-saudades!), bolo de bolacha de querer outro e um mostruário de doces que me fazem colar os olhos (e a língua, babosa, quase) à vitrine. Provinciana? E com orgulho de querer voltar! / Fauna Maria

Lateral Bistro

Na arte de bem comer, não como contar também com um quanto de apresentação para auxiliar ao palato. O Lateral Bistro, que conjuga o saber apresentar ao comer bem, é um sítio que tal. Restaurante caseiro com um decoração moderna, pratos a encher o olhar e a apetecer à digestão nada minimal, é o novo sítio onde comer em Lisboa. Ao almoço apontam-se menus de almoço, com valores simpáticos a jogar entre o menu Lateral - o da casa - e o Focaccia&Burguer. Se saltita o olho, embala-se a saliva; e entre vinho a copo, degustam-se pregos do lombo em pão brioche caseiro, comida caseira e petiscos ao prato, saladas, pratos vegetarianos e o mais que te surja em desejo e que apareça descrito em carta. / Fauna Maria

Le Editorial * 370 por Fauna Maria

Bancos

Agora que me vejo inclinada a confiar mais em bancos de jardim do que em bancos a prazo, coloco o dinheiro no colchão e bombardeio de comida a pombalada. O Marquês de Pombal ficaria orgulhoso de mim. Ele e a minha avó Maria da Consolação, que era mestre em sopa de couve serrana e em guardar o valor da jornada entre a palha que lhe servia de leito. À palha volta o que da palha veio. Alterno entre vícios. O Instagram tem um oponente de peso no desejo de ver o Woody Allen a filmar Lisboa. Talvez filme um fadista que se apaixone por um boxer no Finalmente. Isso ou um kefrô que plante uma horta de dia. Ali para Chelas. Quem sabe. / Fauna Maria

O Miguel e o  Rafa.El  preferem colocar o seu dinheiro em offshores e investir em action figures do Alberto João Jardim. Não fazem manguitos, mas dançam o vira.