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Le Entrevista a Camilla Watson por Cláudio Braga

Camilla Watson já faz parte da Mouraria. Chegou a Lisboa há cinco anos e, perdendo-se de amores pelo bairro, ali decidiu ficar a viver e trabalhar. Do seu atelier no Largo dos Trigueiros têm saído, e continuam a sair, muitas imagens e projectos envolvendo a comunidade e as associações do bairro. O mais conhecido de todos será, talvez, aquele a que decidiu dar o nome de «Tributo» e que parte, precisamente, do seu local de trabalho em direcção às ruas vizinhas, mostrando a quem passa quem são os moradores e quais as suas vivências.
Mas Camilla não pára e prepara-se para oferecer à Mouraria mais uma galeria a céu aberto. «Retratos do Fado – um Tributo à Mouraria» é uma série de 26 fotografias, impressas sobre madeira ou directamente na parede, que Camilla coleccionou ao longo do tempo que leva de vida na Mouraria ou foi recolher junto de museus e particulares.


A Batalha de Tabatô


Acredita se quiseres, mas a batalha é real. Verdade, são os resquícios da chamada guerra das colónias. Fisicamente acabou, mas ainda está bem viva na cabeça dos que a lutaram. Um ex-soldado regressa, vindo de Portugal, à sua Guiné-Bissau para o casamento da filha, mas o único reencontro que lhe acontece é com as suas memórias manchadas de vermelho. Felizmente, Tabatô é um lugar especial. Um lugar de muitos e muitos séculos que todo esse tempo deixou a guerra e abraçou a vida. Um lugar onde todos os habitantes são músicos. E se fazes música, não fazes a guerra. «A Batalha de Tabatô» de João Viana nasceu para ser e é, na realidade, um documentário. Mas um documentário que nos obriga ao exercício da observação para descobrir uma Guiné-Bissau que tanto é moderna, como passada. É estranho, mas mesmo depois de dizer tudo isto é como se ainda estivesse no ponto de partida. Procurem-no. / Cláudio Braga

Le Entrevista a Cláudio Braga (Le Cool Team) por Rafa

Fala-me de ti como se entre nós estivesse uma mesa de café. Passa-me um cigarro, no entretanto.

Então, anda daí e senta-te. Que se é para ser à mesa do café, faço questão que seja a sério. Enquanto bebemos um café, conto-te tudo. Sem açúcar, se bem me lembro... Cigarros é que não tenho, não se usa disso por aqui. Hurray...! Pois que sou uma importação minhota. Uma das muitas, não grande originalidade , que aterrou em Lisboa para frequentar o ensino superior e nunca mais se foi embora. Nine, ouviste falar? É uma aldeia que herdou o nome dos engenheiros britânicos que ajudaram a construir a linha férrea até Braga. Não ferroviário ou viajante regular para aquelas bandas que não a conheça.

E o teu nome? Parece saído dum romance de Le Carré se este fosse alfacinha. Ou é nom de plume para quando escreves?

Nada disso. É tal e qual o que está no registo… pessoas que têm pais iluminados na hora de escolher o nome. O apelido é culpa do pai, não grande mestria ou inspiração literária. o nome próprio, temo que também seja. Lamentavelmente, cheira-me a inspiração vinda de telenovela brasileira, mas não tenho a certeza. Espera ... Ò mãe…? Mãe…? Responde aqui aos senhores...

Franco Nero no Nimas

"E foi muito giro! Valeu Le cool!”valeu mesmo, cara leitora. Valeu recordar o tempo em que o mundo do cinema se dividia entre Westerns e outros. Valeu recordar que, no que toca a duros, existiam três: Eastwood, Bronson e Franco Nero. Valeu ter ali, a meia dúzia de filas de distância, o homem que fez Corbucci dizer a Leone que o tal de Eastwood devia ser mais como o Nero dele. 

O mesmo que, no dia em que conheceu Tarantino, o ouviu repetir todas as deixas e trautear as músicas das fitas mais marcantes da sua carreira. As comparações com o novo Django, o Unchained, não puderam faltar, assim como a ideia de Nero para o argumento que consistia em fazer do novo filho do original. Tarantino não se deixou convencer mas, como era ponto assente que queria ter Nero no filme, inventou o italiano amante de lutas de mandingos. Curta mas recheada, a conversa. / Cláudio Braga

Holy Crepe

É um São Francisco Xavier, se faz favor... Agora que reparo na mesa do lado, iria igualmente bem servido com um Jesus Cristo ou os mais simples São Vicente e São Nicolau. À mesa do Holy Crepe é tudo sagrado, sobretudo os crepes. A massa é à francesa e nada tem a ver com outras que se encontram por , prometo. No momento de escolher, que depositar numa das muitas combinações e acreditar que ingredientes que jamais imaginaríamos encontrar juntos dentro de um crepe nos levarão ao céu.

A simpática equipa – de sócios, diga-se - está para sugerir aquele sabor especial e decifrar o que escondem os santos nomes. Impossível é comer um . Fiz como a maioria e saí aviado com um crepe salgado e um doce, à laia de sobremesa. Hei de voltar uma e outra vez até ter usado todos os santos nomes em vão. / Cláudio Braga


Le Entrevista a Pedro Leitão por Cláudio Braga


Pedro Leitão, diretor festival PUFF

Pedro Leitão, um alfacinha nascido bem no coração de Lisboa, prepara-se para fazer emergir o melhor do cinema dito underground e espalhá-lo pelo país. A poucos dias do arranque oficial do PUFF – Portugal Underground Film Festival e depois de Lisboa ter sido a primeira a provar uma das ‘iguarias’, que serão servidas, entre 8 e 16 de junho, simultaneamente, em Portimão e no Fundão, fomos conhecer o “louco” que se lançou nesta cruzada épica de organizar um festival com filmes que quase ninguém conhece, vindos dos quatro cantos do mundo, e, ainda por cima, de baixo orçamento.

Fala-nos de ti: quem é o Pedro Leitão? O que o move?

Falarmos de nós próprios quando se trata de desenvolver um projeto desta dimensão, numa altura em que vivemos num país que assassina qualquer manifestação cultural, torna-se uma questão sem grande interesse e nexo... Num país conformado a obedecer a uma ditadura disfarçada e à estupidificação do seu povo, o que me move é tentar proporcionar alguns momentos de entretenimento e de acordar as nossas mentes adormecidas… há várias décadas.

Le Entrevista a Luís Simões por Cláudio Braga


Dar a volta ao mundo de caderno e canetas na mão, a desenhar

Luís Simões ou Simonetti para os amigos, no momento exato em que estão a ler estas palavras, já muito provavelmente partiu em direção aos 5 continentes para dar a volta ao mundo. Não serão 80 dias, mas 5 anos de mochila às costas, máquina fotográfica, portátil e - agora é que vem o mais importante - cadernos, canetas, aguarelas e pincéis.

Parte, aos 32 anos, para desenhar o mundo e dar largas àquela que se tornou, nos últimos anos, a sua grande paixão: o urban sketching. Para trás fica o trabalho como motion designer na SIC, a vida segura e o conforto da família e dos amigos.