Os presépios monumentais em Lisboa devem tanto a António Ferreira como a Joaquim Machado de Castro. Sim, o mesmo da estátua com D. José sobre o cavalo arco-íris (em virtude de todas as cores que lhe foram sendo atribuídas, agora restaurada em patinado). Machado de Castro esculpiu os presépios da Sé, um outro que habita o Museu de Arte Antiga e este, da Basílica da Estrela (da qual também compôs a fachada), mandado construir por D. Maria I em 1781 e que lhe tomou três anos até ver a luz da estrela cadente. Um barroco piscar de olho a Bernini e 480-500 (não as contei, mas as fontes não se decidem) figuras de barro e terracota. Ao mínimo admirável, no entretanto, divino. Aqui todas as dúvidas se esfumam (abre PDF). / La Cucarafa
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Park
Se eu fosse tentado a hiperbolizar a coisa, diria: esta dor de dedos que me acompanha é, sinto-a como, uma locomotiva lançada sem freios. É a dor do que me falta escrever. E assim, em gestos desgarrados, à pendura do 28 enquanto se faz à montanha da Calçada do Combro, num constante e frenético sobe-em-vai-e-vém, surge-me o Park. E o Park oferece a melhor vista da cidade. Nem os «bambi» viram a cara e nem a subida dos degraus do silo automóvel com a «cereja» Park no topo, me faz cansar os gémeos (e há elevador, ó chefe). O Park, sem qualquer dúvida, oferece a melhor vista de Lisboa desde este ângulo. E depois há tudo o resto que faz os fins de tarde e o início das noites parecer demasiado rápidas. / La Cucarafa
Le Editorial * 405 por La Cucarafa
Em cada café, uma cara nórdica a soletrar um pedido em sorriso: ga-la-o. Assim, chocalhando vogais entre língua e céu da boca. E desmonta-se o mundo todo se lhe replicam em pergunta de volta: frio, cheio, de máquina, escuro, com espuma, claro, heim? Em cada eléctrico, a qualquer hora que seja, um casal e a sua prole. De boca aberta estes e aqueles, imaginando talvez corridas de diligência pelo Oeste Selvagem aos solavancos lisboetas. Um «índio» aborda o eléctrico, finca as mãos na porta lateral e segue de pendura até onde lhe der na telha. Sem quaisquer escalpes. E sem mitos se cuidado com os carteiristas. É verdade, de onde surgiu este tão badalado receio? / La Cucarafa
Miguel e o Rafa.El acham tudo muito bem.
Somos parceiros de comunicação do Alfama-te, do Pecha Kucha Night Lisboa e da Madame. A Le Cool Lisboa não se rege pelo AO90.
Le Entrevista a Dito Von Tease por La Cucarafa [ENG]
“Behind the finger” there is an art director, illustrator and graphic
designer.
I’m from central Italy. Actually I live and work in Bologna, a beautiful city
known as “the red, the fat and the acknowledged” so famous for being red-
painted and political-left-positioned, for good food and for arts and culture.
I think that growing up nestling in beauty of arts, eating good food and
Italian friendly sociality have created the right atmosphere to help developing
my creativity.
Although sometimes I have the temptation to turn me from an index into a middle-finger and to flee abroad.
Le Entrevista a Dito Von Tease por La Cucarafa [PT]
Quem é, de facto, o Dito? Por detrás do dedo, há um director de arte, um ilustrador e um designer. Sou do Centro de Itália. Actualmente trabalho e vivo em Bolonha, uma cidade lindíssima conhecida como «a vermelha, a gorda e a conhecedora» («la rossa, la grassa e la dotta»), tão famosa por ser pintada de vermelho e posicionada à esquerda, pela boa comida e pelas artes e cultura.
Penso que foi ao crescer num ambiente cheio de beleza artística, de comer boa comida e estar rodeado de uma amigável sociedade italiana, que se criou a atmosfera certa para desenvolver a minha criatividade. Se bem que, às vezes, tenho a tentação de mudar do indicador para o dedo médio e fugir para o estrangeiro.
Comecei o projecto Ditology em 2009, quando decidi criar a minha conta de Facebook. Queria que se tornasse um espaço virtual, livre de familiares opressivos, de colegas e de não-muito-amigos. Então decidi criar um avatar.
Em italiano, podia dizer-se que eu queria «esconder-me por detrás de um dedo» («nascondermi dietro un dito»), que é uma metáfora para um esconderijo não muito eficaz. O desejo de me esconder da vida real, fez-me pensar sobre a minha identidade e a de outras pessoas... e por isso usei a imagem de um dedo para sugerir que todos nos escondemos por detrás de uma imagem que construímos de nós próprios.
Que personagens te deram mais prazer a criar?
Definitivamente, Mr. Spock! Adoro-o. Foi como um tributo. Um dedo-tributo.
E quanto à tua recriação do Fernando Pessoa, o que te fez escolhê-lo?
Escolhi Fernando Pessoa, porque penso que ele representa uma parte da cultura portuguesa e lisboeta e Lisboa é a minha capital europeia favorita. Tenho realmente saudade de Lisboa. Ao criá-lo, lembrei-me de imensas coisas sobre a minha viagem a Lisboa...
Como é que as pessoas reagem às tuas dedo-criações?
Alguns riem-se, outros encontram o conceito por detrás do Ditology, mas ninguém pode ignorá-lo. O projecto Ditology convida todos a olhar para lá das «máscaras» que usamos ao brincar às nossas vidas e ir mais profundamente procurar a nossa impressão digital única... tal como a polícia sabe!
Alguns riem-se, outros encontram o conceito por detrás do Ditology, mas ninguém pode ignorá-lo. O projecto Ditology convida todos a olhar para lá das «máscaras» que usamos ao brincar às nossas vidas e ir mais profundamente procurar a nossa impressão digital única... tal como a polícia sabe!
O conceito é, basicamente, que a nossa identidade é o resultado de uma complexa combinação de verdade e ficção, individual e social, natural e cultural e, actualmente, componentes virtuais e reais.
Na era digital (e digitus é dedo em Latim), o dedo é a ferramente que usamos nos ecrãs tácteis, nos ratos e no teclado. Assim, toda a gente está escondida por «detrás do seu dedo», enquanto surfa na Internet e, especialmente, nas redes sociais. Muitas vezes, ou pelo menos às vezes, escondemo-nos na nossa identidade digital, sentimo-nos livres para expressar ideias, opiniões, sensações e sonhos que não expressamos (não poderíamos?) claramente na vida real.
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Ligações:
https://www.facebook.com/ pages/Dito-Von-Tease/ 191180957568516
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* Originalmente publicada a 18 de Julho de 2013, na Le Cool Lisboa * 401
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* Originalmente publicada a 18 de Julho de 2013, na Le Cool Lisboa * 401
Quiosque de São Paulo
A acompanhar a então recente sede de quiosques em Lisboa, inaugurava o balcão no Largo de São Paulo em 1870, indelevelmente ligado ao nome do seu fundador e proprietário, José Castanheira. De Castanheira em Castanheira, herdeiros e filhas limitada ao sabor dos anos, chegou até hoje com um novo dono e um ar da sua graça. É a deliciosa moda do regresso dos quiosques à paisagem lisboeta que o devolveu, moda agora como foi então quando cogumelaram pela cidade, oferecendo beberagens e demais delícias aos habitantes da cidade. Agora o quiosque é de Refresco, esse conforto dado ao paladar e com alguns pontos fortes: Lisboa ganhou mais um Largo e um quiosque. E São Paulo voltou a ter capilé e lambreta. / La Cucarafa (Desenho in «Uma História de Quiosques» de Claudie Bony)
Le Editorial * 398, por La Cucarafa
RAIO DE SOL?
A expressão é outra, é ao lado, temos já já que a refazer no livro de provérbios do povão. Já não deves nem podes dizer, tristonho e de riso atangerinado: «Olha um raio de Sol...». Deves é gritar a todo o pulmão e de braços esticados cristorreiando: «Já tardavas, ò Sol!». Porque raio era até agora, isto estava um raistaparta de tempo que, sempre que acordava, olhava pela janela e pensava: não estou em Londres, pois não? Mas logo, logo, se esfumava a confusão: o vizinho do 1º bomba uma kizombada na telefonia, o cheiro da sardinha chega da rua e o Gaspar fala egípcio no telejornal. Lisboa, faz do Sol o teu balão e não o largues nunca. / La Cucarafa
A expressão é outra, é ao lado, temos já já que a refazer no livro de provérbios do povão. Já não deves nem podes dizer, tristonho e de riso atangerinado: «Olha um raio de Sol...». Deves é gritar a todo o pulmão e de braços esticados cristorreiando: «Já tardavas, ò Sol!». Porque raio era até agora, isto estava um raistaparta de tempo que, sempre que acordava, olhava pela janela e pensava: não estou em Londres, pois não? Mas logo, logo, se esfumava a confusão: o vizinho do 1º bomba uma kizombada na telefonia, o cheiro da sardinha chega da rua e o Gaspar fala egípcio no telejornal. Lisboa, faz do Sol o teu balão e não o largues nunca. / La Cucarafa
Somos parceiros de comunicação do LandArt Cascais 2013, do Alfama-te, do Pecha Kucha Night Lisboa e da Madame. E que tal uma parceria com a Fábrica dos Pastéis de Belém, heim?
A Le Cool Lisboa abdicou do Acordo Ortográfico. pp p -- - c c c- p (Estas foram recuperadas do balde de sobras). Gostas ou adoras? O Graça Moura acho que sim.
Le Editorial * 397 por La Cucarafa
LISBOA EM TI
Ainda me curo dos Santos e já me meto em outras, em várias, digamos... histórias. É só ver o cardápio da Le Cool para a semana e escolher a festa ou o baile a dedo, raistaparta que esta cidade não pára nem para coçar a pestana. O lastro das festas permanece, que nem gelado gorgulhando pelos dedos abaixo - pode ser um de limão do Santini que já faz tempo. Lisboa tem percalços e muita coisa que se vê errada, mas tem tanta coisa certa que te faz voltar a apaixonar por ela a cada acordar. Um belíssimo corpo a repousar ao teu lado pela manhã, em todas as manhãs. E então é beijá-lo (ou algo mais, faz a tua própria escolha múltipla). / La Cucarafa
Somos parceiros de comunicação do LandArt Cascais 2013, do Alfama-te, do Pecha Kucha Night Lisboa e da Madame. Até que uma parceria divina, de Zeus ou assim, dava algum jeitinho.
A Le Cool Lisboa abdicou do Acordo Ortográfico. pp p -- - c c c- p (Estas foram recuperadas do balde de sobras). Gostas ou adoras? O Graça Moura diz que sim.
Le Editorial * 389 por La Cucarafa
Onde há um lisboeta, há dois ou três... poliglotas. Tagus é o exónimo de Tejo, já Tajo é o que se ouve por aí, ressoado a mil em dezena e meia de miradouros e lambido a peixe em mil tascas de Alfama. Se bufo aos turistas na fila do supermercado do Rossio, é porque já devia era ter uma horta na varanda lá de casa, para resolver as aflições. Isso e a despensa atestada. Alface e agrião em vasos largos, rabanete e morango no patamar das escadas e talvez um vasinho de hortelã. Para o mojito que apeteça. Segue já um? / La Cucarafa
O Miguel e o Rafa.El já experimentaram a nova «praia» do Cais e têm umas quantas dúvidas quanto àquilo. Que te parece? É assim como que um tiro ao lado ou é só limar algumas imperfeições?
Somos parceiros de comunicação do IndieLisboa'13, do LandArt Cascais 2013, do Alfama-te, do Café Improv, do Pecha Kucha Night Lisboa e da Madame. E gostávamos de ser do Museu de Cera (o Tussauds, não o outro).
Le Editorial * 385 por La Cucarafa
O TESOURO LUSO
Sempre de pé sobre o ombro de gigantes, já dizia o Newton. E se Lisboa foi criada da orelha ou da costela direita de Ulisses, esse viajante de sonhos e contos, está ela também muito bem colocada nos ombros de gigantes. São eles sete (ou oito, segundo outras contas) e chamam-se de colinas, cotos de cidade com miradouros no alto, casas nas encostas e muita gente encavalitada a descer e a subi-las ao dia. A ver o eléctrico passar, pejados de turistas e de penduras. Já agora, que tal um eléctrico sound system? A debitar música, calçada acima, trilho abaixo, Alfama adentro? / La Cucarafa
Sempre de pé sobre o ombro de gigantes, já dizia o Newton. E se Lisboa foi criada da orelha ou da costela direita de Ulisses, esse viajante de sonhos e contos, está ela também muito bem colocada nos ombros de gigantes. São eles sete (ou oito, segundo outras contas) e chamam-se de colinas, cotos de cidade com miradouros no alto, casas nas encostas e muita gente encavalitada a descer e a subi-las ao dia. A ver o eléctrico passar, pejados de turistas e de penduras. Já agora, que tal um eléctrico sound system? A debitar música, calçada acima, trilho abaixo, Alfama adentro? / La Cucarafa
O Miguel e o Rafa.El andam em demanda dos melhores Chocos à Lagareiro de Lisboa - alguma sugestão gastronómica? Somos parceiros de comunicação da Festa do Cinema Italiano, do FESTin, do Alfama-te, do Café Improv e da Madame. E gostávamos de ser do Museu de Cera (o Tussauds, não o outro).
Le Editorial * 377 por La Cucarafa
Tic Trac
Ia jurar que me cruzei com o César Monteiro reencarnado. Até me cravou um cigarro e tudo, à Pensão Amor, embalado pela minha baba em máquina de lavar, ao fazer o cigarro de enrolar. Hoje, que acordei só ao décimo nono despertador (trabalhei tardio), sonhei empreendedor e construí negócios que fariam bem a Lisboa. Um franchise de Bifana Gourmet, um serviço 24 horas de material artístico, um veggie a casa, um hostel spa, um barco-bar a vogar no Tejo, um club tenda de circo, um hotel móvel, um serviço de segurança canino. Pega/risca o que te interessa, enquanto prego mais um olho no colchão para acordar enxuto para Lisboa. / La Cucarafa
O Miguel e o Rafa.El adoram a palavra empreendedorismo, se bem que no "Scrabble" seria tramada.
Ia jurar que me cruzei com o César Monteiro reencarnado. Até me cravou um cigarro e tudo, à Pensão Amor, embalado pela minha baba em máquina de lavar, ao fazer o cigarro de enrolar. Hoje, que acordei só ao décimo nono despertador (trabalhei tardio), sonhei empreendedor e construí negócios que fariam bem a Lisboa. Um franchise de Bifana Gourmet, um serviço 24 horas de material artístico, um veggie a casa, um hostel spa, um barco-bar a vogar no Tejo, um club tenda de circo, um hotel móvel, um serviço de segurança canino. Pega/risca o que te interessa, enquanto prego mais um olho no colchão para acordar enxuto para Lisboa. / La Cucarafa
O Miguel e o Rafa.El adoram a palavra empreendedorismo, se bem que no "Scrabble" seria tramada.
Le Editorial * 375 por La Cucarafa
Pêpinos
Agora que 2013 assentou arraias e as colinas de Lisboa são já tracejadas com alguns raios de sol, é de pensar em plantar pêpinos nas hortas que abundam na nossa cidade. Isso ou feijões, antes que chovam malas na altura de desabrochar. Eu gosto de pensar que a Le Cool é um feijoeiro mágico que te leva a trepar até ao Castelo de São Jorge e a uma data de eventos todas as semanas. Para te colocar bem nas nuvens. Se este país tem uma polémica por dia, porque não uma boa novidade diária que lhe faça frente? Isto tudo metido numa balança do Mercado da Ribeira, levava com prece e pregão: «Ó cara linda, leva esta pêtingas, que vão bem com tudo!» / La Cucarafa
Agora que 2013 assentou arraias e as colinas de Lisboa são já tracejadas com alguns raios de sol, é de pensar em plantar pêpinos nas hortas que abundam na nossa cidade. Isso ou feijões, antes que chovam malas na altura de desabrochar. Eu gosto de pensar que a Le Cool é um feijoeiro mágico que te leva a trepar até ao Castelo de São Jorge e a uma data de eventos todas as semanas. Para te colocar bem nas nuvens. Se este país tem uma polémica por dia, porque não uma boa novidade diária que lhe faça frente? Isto tudo metido numa balança do Mercado da Ribeira, levava com prece e pregão: «Ó cara linda, leva esta pêtingas, que vão bem com tudo!» / La Cucarafa
Le Entrevista a Frederico Carvalho por La Cucarafa
Apresenta-te
Frederico Carvalho, 36 anos, nascido em Lisboa, profissionalmente…? Um produtor de ideias.
Porquê Lisboa?
Algures num mural da cidade está escrito Lisboa é boa. Esta é a melhor
justificação que consigo encontrar. Lisboa oferece-nos matéria para nos
apaixonarmos nela, com ela e por ela. Ela é velha e nova, é grande e
pequena, é bonita e feia, é animada e calma, é verde e cinzenta, é
rápida e lenta, é cidade e aldeia... é um espaço que acolhe ou pode
acolher tudo e todos. Apaixonei-me por Lisboa quando a percebi e quero
amá-la, só isso... e quem ama faz.
Que projectos tens concretizado?
Organizo eventos na cidade desde 2007. Tudo começou no âmbito da
comunidade de viajantes CouchSurfing onde desempenhei a função de
embaixador do projecto em Lisboa. Durante este período ajudei a
organizar inúmeras actividades destinadas essencialmente a viajantes,
para que desta forma usufruíssem da cidade pelos olhos de quem cá vive.
Entretanto comecei a olhar mais para o lisboeta… Desde o inicio de 2010
que passei a focar a minha atenção numa área específica da cidade -
Alfama, onde moro, e com alguns amigos criei o projecto Alfama-te. O
Alfama-te organiza inúmeras actividades que visam promover Alfama e tudo
o que acontece nesta zona da cidade. Desde projecções através do núcleo
Cinalfama, festas temáticas, filmagens suecadas e artes performativas
na rua há um pouco de tudo.
Alfama é uma princesa a descobrir ou uma varina velha?
Diria que é um misto das duas… Alfama consegue ser um recanto de cantos
encantadores, com pessoas afáveis, divertidas, uma verdadeira aldeia
dentro da cidade. Mas ao mesmo tempo é de pêlo na venta e faca na liga…
Descobrir e viver esta dicotomia é que a torna tão interessante. Alfama é
observar o fadista vadio que assobia às bifas passando pelo rufia que
carrega os sacos da tia entravada enquanto alguém berra à janela que se
faz tarde para o almoço. É estar sentado numa esplanada a apreciar quem
não sabe apreciar Alfama e se passeia num qualquer trangolarango
eléctrico com GPS integrado, provocando sorrisos na fauna local… Alfama é
ouvir fado na rua, jogar à bola com os putos, ver um filme projectado
numa parede de uma igreja, beber umas ginjas, dar de caras com um
concerto improvisado num beco, um jogo de lerpa nas escadarias, observar
os telhados na tela de um artista anónimo num qualquer miradouro…
Frase teaser para quem visita Alfama. Como já alguém disse: há um novo verbo na cidade – Alfama-te!
Um sítio de fado em Alfama. Toda a zona de S. Miguel – o fado acontece ali.
Uma tasca em Alfama. A Ginja de Alfama na Rua de S. Pedro.
Um local de copos.
O Tejo Bar. O Tejo Bar é daqueles sítios que nem queria divulgar, é
como um segredo bem guardado... Antro de pessoal das artes. Se sabes
tocar um instrumento irás sentir-te em casa pois aqui podes tropeçar
numa bossa nova arrancada à viola, num fado à guitarra, numas passagens
de piano, leitura de poemas e receitas (sim... receitas!), violino,
flauta, e mais que tragas. É como estar na sala de estar de um amigo.
Ah... estás a ver os pacotinhos de açúcar da Tofa? Pois... o Mané do
Café é quem toma conta do Tejo Bar.
Uma personagem de Alfama.
Esta é difícil… mas recomendo uma passagem em frente à Igreja de S.
Miguel e troquem uma conversa com uma senhora que lá está sentada no
banco de jardim acompanhada do seu caniche e pacote de vinho – uma
pérola. Já agora… levem-lhe um cigarro.
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