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Le Artista da Capa * 390, Ricardo Filho de Josefina

Apresenta-te e fala-me de como começaste a fotografar.

Tenho uma caixa em casa, dentro dessa caixa está um projector de slides e com ele uns quantos slides.

Lembro-me que o meu pai tirava imensas fotografias fosse onde fosse e nada importava, o que importava é que ele tirava. Algo veio daí. Gostava de as mostrar um dia porque são realmente boas e de tudo o que tenho, elas acabam por ser. Tudo muito simples ali guardado em pedaços quase transparentes e com tanto o que nos prende tentar enquandrar o que vivemos, ali.

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* Originalmente publicado a 2 de Maio de 2013, na Le Cool Lisboa * 390

Le Capa * 390

por Ricardo Filho de Josefina

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* Originalmente publicada a 2 de Maio de 2013, na Le Cool Lisboa * 390

Le Entrevista a Ricardo Filho de Josefina por Rafa

Apresenta-te e fala-me de como começaste a fotografar.

Tenho uma caixa em casa, dentro dessa caixa está um projector de slides e com ele uns quantos slides.


Lembro-me que o meu pai tirava imensas fotografias fosse onde fosse e nada importava, o que importava é que ele tirava. Algo veio daí. Gostava de as mostrar um dia porque são realmente boas e de tudo o que tenho, elas acabam por ser. Tudo muito simples ali guardado em pedaços quase transparentes e com tanto o que nos prende tentar enquandrar o que vivemos, ali.


Já fotografaste estruturas portuárias e paisagens bucólicas. O que te atrai mais quando sais em safari fotográfico, a cidade e a sua decadência ou outros motivos? E pessoas, gentes, multidões, gostas de capturar? 

Acho que não alinho muito em safaris fotográficos, prefiro tirar fotografias. Nem sei responder muito bem a isto, mas acho que a multidões não, pessoas sim.


Também colaboras com o Pedal, fala-me um pouco disto. Qual é a bike que tens?



Essa colaboração começou mais ou menos no início do jornal e acabou por me puxar mais para um campo que continua bem afastado, mas acaba por saber bem tirar fotografias a pessoas e amigos.


Tenho uma bicicleta que me foi dada pelo meu primo, estava no sotão fechada em sacas. Agora está fechada no meu trabalho há meses.

Que projectos e exposições podemos esperar para breve? Tens algum tema alinhado para fotografar?

Não gosto de ver as coisas dessa maneira alinhada. 

Costumo tirar dois, três rolos por mês e gosto de vê-las de vez em quando. Há ideias que surgem ao ver essas fotografias e gosto de ir fazendo pequenos sets e arranjar nomes para eles, mas nunca pensar muito antes e alinhar o que não consigo alinhar. Há uma ideia para uma exposição pelo Jornal Pedal com fotografias não utilizadas nas publicações. Vou fazer uma editora de livros com um amigo, o Palhinha, mas com a moleza que me corre nas veias e tropeça nos ossos, talvez lá para 2015 saia o primeiro livro. E quero conseguir acabar todos os livros que não ando a fazer. 


Agora Lisboa. E uma pergunta da praxe. O que te agrada mais de fotografar na nossa cidade?

Vivi a minha vida toda em Lisboa e gostava de a fotografar vezes sem conta, mas está a tornar-se cada vez mais dificil, precisava de me sentir o longe suficiente para a poder ver outra vez. Não a vejo e mal tenho saudades dela.


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* Originalmente publicado a 30 de Abril de 2013, na Le Cool Lisboa * 390

Le Artista da Capa * 385, Ricardo Filho de Josefina

acender o que nunca foi deixado ao vento fora e eu aqui dentro a
morrer de frio.


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* Originalmente publicado a 28 de Março de 2013, na Le Cool Lisboa * 385

Le Capa * 385

por Ricardo Filho de Josefina

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* Originalmente publicado a 28 de Março de 2013, na Le Cool Lisboa * 385

Le Artista da Capa * 384, Ricardo Filho de Josefina

sair em frente a quente. deixar tocar, continuar a deixar e tudo senão
tocar
em tudo o que é teu.

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* Originalmente publicado a 21 de Março de 2013, na Le Cool Lisboa * 384

Le Capa * 384

por Ricardo Filho de Josefina

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* Originalmente publicado a 21 de Março de 2013, na Le Cool Lisboa * 384

Le Entrevista a Ricardo Filho de Josefina por Rafa

Apresenta-te e comenta aquilo que te dá maior paixão em fazer. E uma provocação, és mesmo Filho da Josefina?

Sou o Ricardo, um dos dois filhos da Josefina. O que me dá maior paixão em fazer e vou ter que me repetir, é viajar. Não ficar quieto e conhecer mais, estar lá longe da nossa cidade e tirar umas fotos, beber uns canecos, ver uns bons concertos (perfeito, perfeito, é viajar para ir ver aquele concerto) e umas exposições. Conversar sobre tudo e sobre nada ou então nem abrir a boca e respirar pelo nariz. Adoro estar com quem me sinto bem e o resto é deixar ir com a corrente.

Além de fotógrafo o que mais fazes, o que te movimenta? E como começaste nesse mundo de captar momentos?

Tirei o curso de Eletrónica e Telecomunicações, área em que trabalho há 13 anos. No meu dia-a-dia profissional, reparo radares de navios e essa é a explicação mais rápida e fácil que me sai da boca. Comecei há uns anos por querer guardar os dias da bela viagem de finalistas a Lloret de Mar e tudo começou aí com máquinas descartáveis. Andei ainda uns dois anos a tirar fotografias só com máquinas descartáveis. A partir daí fui comprando máquinas analógicas sem parar e o interesse foi aumentando e ficou tudo um pouco, mas só um pouco, mais sério. O que mais quero e gosto mesmo é de encontrar fotografias perdidas e de recuar com elas para aqueles instantes e recordar-me do que estava a acontecer naquele momento, com quem estava, seja em viagens, em festas, na praia etc.

É um instinto de flâneur que te leva a fotografar tudo aquilo que vês - circulas pela cidade, por Lisboa, e vais tirando instantâneos ou voltas aos sítios que te interessaram, para então os fotografar?

É uma mistura das duas coisas. Como vivo em Lisboa passo muitas vezes nos mesmos sítios e às vezes não consigo tirar uma foto naquele momento, então ao passar lá outro dia, pode ser que resulte tirar aquela que ficou na cabeça. Se não resultar há outra que acaba por surgir.

Gostas mais de realizar "safaris" fotográficos ou de construir toda a ambiência para obter "aquela" foto? Ou melhor, procuras a perfeição sem desvios ou vais tirando fotos até encontrar aquela que mais te atrai?

Não procuro a perfeição sem desvios, de todo, nem corro em busca "daquela" foto. Prefiro ir tirando fotos, muitas vezes, sem pensar muito, seguir o meu instinto e captar momentos, sentimentos e pormenores que me vão chamando a atenção. É claro que há sempre aquele "ora pára lá aí um segundo" ou "levanta lá o cigarro, outra vez".

Onde já te levou a fotografia e até aonde já foste com a máquina fotográfica?

Em termos de trabalho, a fotografia já me levou até Unhais da Serra (Serra da Estrela), quando fui com os pedaleiros do Jornal Pedal fazer uma reportagem. Quando chegámos, ficou tudo para segundo plano (isto foi o que pensei para mim). Andar de robe pelo hotel, pela piscina e pelo restaurante e, pelo meio, passeios de bicicleta e fotografar tudo isto foi a coisa mais natural do mundo, foi um fim-de-semana incrível. É óbvio que fizemos a reportagem e fomos muito profissionais, de robe, mas profissionais.

A fotografia ensinou-me a estar mais atento ao que me rodeia, ao ver as fotografias de outras pessoas acabo por ser transportado, fisicamente e não só, para outros sítios. Certas fotos também já fizeram com que metesse conversa com pessoas e conhecesse outras de outros países e outras realidades. E, com isto, vem uma das coisas que mais gosto de fazer que é partilhar fotos, comentá-las, trocá-las ou até mesmo impingi-las.

Em Setembro, levei a Blonde Redhead (Olympus OM1) até à Escócia, uma das mais especiais roadtrips que já fiz, também muito devido à pessoa com que viajei. Acabei por tirar dez rolos que continuam em cima da mesa de cabeceira à espera de serem revelados.

Que outros fotógrafos (portugueses e outros) destacarias e porquê?

Stephen Shore, Henri Cartier-Bresson, Lee Friendlander, Luke Byrne, Randy Martin, Drew Woods e Noemie Saland. Sara Gomes e Bart Skowron são dois amigos fotógrafos, cujo trabalho gosto bastante. Por último, Luís Janela, a pessoa que mais me tem surpreendido, em termos de fotografia, com quem partilho o Lisboa Drogada, onde colocamos algumas fotos nossas e de pessoas que nos são próximas, do dia-a-dia em Lisboa e por aí.

Lisboa é sempre apregoada de ser uma das cidades com maiores qualidades fotográficas. Essa fotogenia é da sua sombra, da sua luz, das suas cores e das suas gentes. O que achas disto, é verdade e alimenta a tua criatividade?

Eu sou alfacinha e vivi a minha vida toda em Lisboa (apesar de me terem dito muito recentemente que tenho sotaque do Porto). É óbvio que Lisboa tem uma luz especial, cores, sombras muito caraterísticas, mas mais que isso, as pessoas (incluindo as que nos roubam descaradamente, bem engravatadas e de sorriso na cara), as ruas e os prédios são o que mais observo e respiro. Mas o que me alimentou mesmo e continua a alimentar é todo um passado em Lisboa, as idas para a escola, as jogatanas na rua, as Janelas Verdes e o facto de ter vivido Lisboa de uma maneira muito própria e continuar, no presente, a vivê-la e a olhar para ela dessa forma e sempre com a saudade que Lisboa nos marca e que só se acentua com o passar dos dias.

E agora a cidade, que te falta fotografar na cidade? E de onde retiraste os melhores instantes?

Falta-me fotografar os dias que me restam e o céu, falta sempre fotografar o céu. As minhas fotografias preferidas foram tiradas entre a Lapa e as Janelas Verdes e aquelas que tiro aos meus amigos e às pessoas especiais que fazem parte da minha vida.

Sugere-me um percurso pela cidade, com ou sem máquina a tiracolo.

Há uns meses jantei com dois amigos, já não me lembro muito bem onde, mas acabámos a vaguear em Lisboa à noite, pela zona do Príncipe Real. Todo aquele percurso foi tão calmo, estávamos completamente envolvidos pela conversa e por toda a noite lisboeta, incluindo a beata a espreitar pela janela. Às vezes, não vale a pena inventar muito nem definir nada. O melhor percurso é aquele em que os passos nos levam inconscientes pela cidade e pelas ruas fora. À noite é muito bom, quer dizer, a qualquer altura do dia, mas à noite há mais paz e silêncio. A máquina no bolso para qualquer foto que se queira no negativo. No entanto, não tirei uma única foto nessa noite. As conversas e os passos ficaram só para nós.

E apresenta-me a tua próxima (e corrente) exposição.

Estou neste exato momento na praia em frente ao navio que vou assistir, à espera que ele atraque. O porto de Sines de um lado e Porto Covo lá ao fundo. E assim começa a Tempestade de Cactos. 15 fotografias tiradas durante estes últimos dois anos da minha vida profissional e dessas viagens pelos portos. Vai ser uma exposição especial por ser mesmo isso, expor indiretamente a minha profissão, que acaba por ser pouco óbvia e raramente me associam a ela. Tempestade de Cactos, como o nome não diz, é isso mesmo: navios, mar e, de certa forma, uma solidão boa.

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Enlace : ricardofilhodejosefina.com

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* Originalmente publicado a 15 de Novembro de 2012, na Le Cool Lisboa * 366

Le Artista da Capa * 364, Ricardo Filho de Josefina

título do texto/legenda

.aguenta, eu estou aqui.

texto:
o tempo não se decide, bruto e inoportuno, e eu no quinto passo
ideia primitiva de carne e pele e não sei o que faço.
tu bem perto e tão demasiado com os pés na água fria.
larga, apanha-me depois nas palavras que embaciam qualquer dor.
senti o deixar que não quer na noite que vai tarde e deserta.
volta que não vem e aqui não ondas nem mares em que te vens.
cheguei agora e pouco mais.

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* Originalmente publicada a 1 de Novembro de 2012, na Le Cool Lisboa * 364

Le Capa * 364

por Ricardo Filho de Josefina

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* Originalmente publicado a 1 de Novembro de 2012, na Le Cool Lisboa * 364

Le Artista da Capa * 363, Ricardo Filho de Josefina

Amor ao Tejo

quero-te entre tanto que não passa, mas traça e amassa.
o pequeno lince finge deitado e amordaçado, ao sol é dourado.
o que vai não fica esmurrado como a maior parte que não parte.
nem sequer olhei para o relógio e ainda não é meia noite.
foram quatro dias em tão pouco tempo em que nada fiz,
pelo tamanho era aquilo e dentro de pouco o habitual.
língua sem tento morde os dentes,
cala as vozes de quem com dentes nem as nozes devora e engole vento.
ao largo passa o barco enquanto o medo caminha ao relento.

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Foto: fome de rouca, dura


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* Originalmente publicado a 25 de Outubro de 2012, na Le Cool Lisboa * 363

Le Capa * 363

por Ricardo Filho de Josefina

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* Originalmente publicado a 25 de Outubro de 2012, na Le Cool Lisboa * 363