Le Capa * 296


Por Andra Malhão

Le Entrevista a Pedro Diniz Reis por Francisca Carvalho


Apesar do reconhecimento público que o seu trabalho tem merecido por parte da crítica nos últimos anos e que esta exposição na Culturgest (De A a Z) vem atestar, Pedro Diniz Reis – artista plástico alfacinha de 38 anos – fala-nos do seu trabalho com uma desconcertante modéstia.

Pedro licenciou-se em pintura pela F.B.A.U.L., terminando em 2000.

O seu interesse pelo vídeo enquanto forma de expressão artística, manifestou-se logo nos primeiros anos de faculdade e nasce da lógica e consciência do tempo próprio da pintura em confronto com as possibilidades abertas pelo vídeo na exploração do tempo enquanto narrativa.

Do tempo e dos seus compassos, que marcam os primeiros trabalhos do artista, chegamos à linguagem e aos seus ritmos. Neste conjunto de trabalhos que agora apresenta na Culturgest, debruça-se sobre diferentes alfabetos e toma-os como matéria abstracta para os reconfigurar em composições visuais e sonoras geradoras de novos significados e que se aproximam da poesia concreta.

A sua relação com a cidade manifesta-se numa opção clara pelos espaços de interioridade vs espaços públicos. É essa cidade oculta e íntima, impossível de ver de fora, que interessa a Pedro Diniz Reis.

Le Capa * 295


Por Andra Malhão

Le Vitória 5

Cinema Documental. Uma das minhas paixões. E Cuzco, outra.

Desde que comecei a viver aqui e me consciencializei da realidade e da necessidade constante nesta cidade com tanto contraste social, que a vontade de produzir um documentário surgiu naturalmente. A oposição entre o turismo e as vidas deixadas ao abandono, com a vertente histórica, sem um acesso às condições básicas de vida deixa-me revoltada. É complicado explicá-lo em poucas palavras. O mundo precisa de saber o que se passa, num dos países mais ricos em recursos naturais e mais forte culturalmente na América do Sul.

Le Capa * 293


Por AyR

Le Entrevista a Sueli de Souza por Marcelo Valadares


Sueli de Souza, sou fotógrafa, paulistana que viveu 10 anos no Natal e está há 1 ano, entre idas e vindas, em Lisboa. Sempre fui movida pelo amor e a minha vinda para Lisboa não poderia dar-se por outro motivo. Conheci uma pessoa no Brasil e um desejo que já existia antes, tomou forma, a paixão antecipou meus planos e vim parar em Lisboa de mala e cuia!

A  fotografia  entrou  na  minha  vida  quando  tinha,  aproximadamente, 18 anos. Nesta época, tinha um namorado que fazia tudo por mim, um dia manifestei o desejo de uma câmara fotográfica, um tempo  depois, ele me deu de presente  uma Canon analógica. O  namoro  acabou e a Canon ficou. Depois, a vida me levou por outros caminhos e virei produtora de TV, comerciais e documentários. Há, aproximadamente, 6 anos a fotografia voltou à minha vida, por acaso: um dia comprei uma Sony digital e, meio na brincadeira, comecei a fotografar. Como estava envolvida no meio artístico, o que era um hobby começou a virar uma profissão, comecei a ter convites para fotografar shows e fiz alguns trabalhos em fotojornalismo. Quando vi já estava completamente dentro deste mundo.

Le Entrevista a Cláudio Sousa por Rafa


Licenciei-me em Artes Plásticas pela ESAD.CR e estou actualmente a tirar um Mestrado de Desenho e Técnicas de Impressão na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. A nível colectivo trabalho com os Super Gorrila e na dupla criativa Mr. Lazy & Mme. Leisure.

Este último projecto nasceu na cidade invicta numa necessidade de responder a todos os impulsos que ela vai produzindo diariamente. Exemplo disso são as performances do "Vende-se Alma ao Kilo" e "Arte o Muerte" que foram criadas a partir da relação que se criou com o ambiente desta cidade, da partilha que daí resulta.

Le Capa * 292


Por Inês Mendes

Le Entrevista a Giulia Battaglini por El Rafa

Giulia, italiana, acabou de entrar nos 30 anos, uma fase delicada para uma mulher. Um amigo acha que esta década vai ser a época melhor da vida: somos mais maduros, sabemos o que queremos e vamos mais directos a isso. Mas eu sou mais nostálgica - sou portuguesa nisso - já tenho saudade de pronunciar vint...

Estudei comunicação e publicidade, mas nunca trabalhei nessa área. Ainda estudante, recusei uma óptima oferta de trabalho numa agência de comunicação em Itália, para começar a minha aventura em Portugal trabalhando como empregada de mesa. Saí do meu País por amor, achando que devia lutar para fazer o que gostava. Agora, ao pensar melhor nisso, se calhar tem mesmo razão o meu amigo: aos vinte, ainda não percebemos nada!

A minha vida é um cliché: vim a Lisboa para estudar pelo Erasmus, apaixonei-me por um português e fiquei por cá. A história de amor acabou, mas a paixão por Lisboa, infelizmente, não. Trabalhei, durante vários anos, em produção de espectáculos e cinema, e paralelamente a estas colaborações, criei o meu próprio projecto. Migalhas - Cultura à Mesa esteve na gaveta, durante alguns anos, antes de sair para a rua. Provavelmente, os tempos não estavam maduros o suficiente. Esperei entrar numa época de crise para dar vida a um novo projecto cultural. Diria que escolhi um óptimo timing!!! Embora a época não seja, provavelmente, a melhor para avançar com um projecto de cariz cultural, acho que Lisboa é a cidade perfeita para o acolher. É uma capital pequena, mas culturalmente muito activa e rica. Além disso, as pessoas adoram passar tempo nos cafés. Isto oferece um casamento perfeito para o Migalhas acontecer.


Le Capa * 290


Por Guilherme Almeida

Le Vitória 4


6 de Maio. Eu e o fotógrafo japonês Tatsuya Kato organizámos um evento para apoiar as vítimas do derrumbe de Ayahuayco ocorrido no mês passado. Amaru Puma Condor aceitaram o nosso convite para tocar a favor da beneficência para os danificados.

Conseguimos dinheiro suficiente para alugar as máquinas para removerem toda a terra para as pessoas poderem construir as suas casas de volta. No entanto continuará a batalha de tentar proteger o resto da comunidade de que o mesmo se volte a passar, pois vivem numa zona geograficamente sensível a derrubes. Maio maduro Maio, já Zeca Afonso dizia. No meu caso diria mais, Maio duro Maio!

Le Entrevista a Miguel Honrado por El Rafa


Lisboa é a minha Cidade. Nasci na Av. da República e os meus estudos universitários realizaram-se na UNL, ali na Avenida de Berna. Lisboa esteve sempre presente, tendo nela desenvolvido ao longo dos últimos 20 anos a maior parte da minha vida profissional.

Nas Festas de Lisboa ' 11 destaco: o Festival Silêncio: um dos eventos culturais internacionais mais marcantes, surgidos recentemente em Lisboa sob o mote “Lisboa Capital da Palavra”; uma originalíssima forma de colocar Lisboa na rota das novas tendências artísticas urbanas. Tejo em Festa: Uma rubrica de programação que pretende a partir deste ano consolidar uma ligação mais efectiva do Tejo às Festas de Lisboa. O Tejo como objecto cultural e artístico.

Haverá dois pontos altos como convém a uma Festa que se propõe envolver toda a Cidade e alastrar à sua região: O espectáculo de Abertura e o Espectáculo de Encerramento, este último celebrando o Fado como Património Imaterial da Humanidade na voz de 3 intérpretes de excepção, acompanhados pela Orquestra Metropolitana de Lisboa: Cristina Branco, Camané e Carlos do Carmo.

Lisboa é uma Cidade Transatlântica. Agrada-me subir às colinas e ver como a cidade ainda hoje “se envolve” no rio.

Le Capa * 289


Por Dunya Rodrigues

Le Entrevista a Nuno Moura por Marta Santos


Nuno Moura por Pat

Nuno Moura, alfacinha, nasceu em 1970. Poeta, declamador e editor e tudo. Ex-jogador de pólo aquático, ex-professor de natação, ex-criativo de publicidade, ex-copywriter. Alguns títulos: Não saia nem entre após aviso de fecho de portas (Signo, 1993), Soluções do problema anterior (& etc., 1996), Nova asmática portuguesa (Mariposa Azual, 1998), Os Livros de Hélice Fronteira, Regina Neri, Vasquinho Dasse, Ivo Longomel, Adraar Bous, Robes Rosa, Estevão Corte e Alexandre Singleton (Mariposa Azual, 2000) e Calendário das dificuldades diárias (& etc., 2002). A Naifa musicou um poema seu. Leituras cidade fora e fora desta cidade. Gravou para a Boca. Este ano, uma nova editora, a Mia Soave. Onde andas tu Nuno Moura?

O que é a Mia Soave?

É o que os seus autores fazem. Ajudados por mim, pelo Pedro Serpa, pelo Zé Luís Costa e pela Bibi Pereira, que aliás envia a sua energia através da medula cósmica. A Mia Soave é uma editora de vão de escada, de contratos orais, de vontades. Entre os autores e os ajudantes diz-se: primeiro há que recuperar o investido para fazer o seguinte; depois divide-se o escandaloso lucro em 50/50. No que respeita à Mia Soave esses 50 serão reinvestidos em altos impostos, porque alguém tem que passar o recibo verde que deveria ser vermelho, e em mais poesia e música.

Actualmente já surgem muitas pequenas editoras, algumas revelam-se experiências fugazes. O que faz correr um editor?

A vida é fugaz, portanto nada contra. O que faz correr um editor é a preguiça. Os autores fazem o trabalho de sapa e a paternidade.

Trabalhaste em publicidade? Há coisas que um poeta não pode fazer? Estavas farto de ganhar bem?

Não gostei que a Cofidis pagasse parte do meu ordenado. E na verdade isto tem só a ver com o que gastas e não com o que ganhas. Quanto ao poeta, não pode deixar de mudar fraldas a filhos e a livros.

És o declamador do momento.

De momentos, isso sim.

O que faz um poeta em Lisboa?

Cai em granizo.

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Le Capa * 288


Por Frederico Mancellos

Le Entrevista a Joana Soares por El Rafa


Joana, obsessivo-compulsiva ironicamente nascida num dia em que se celebra independência nos US (4 de Julho) e co-criadora do Alfama-te. Deito fumo quando não tenho tempo para respirar mas inquieto-me quando me sinto a hibernar. Licenciei-me em Psicologia mas formatei o disco imediatamente após conclusão, pela dificuldade em aceitar o que não me pode ser objectivamente provado e definido em termos únicos. Perdi-me até descobrir que o sonho de criança é que fazia sentido, estando agora nas mãos da Medicina dos Animais. Não sou pianista mas alio o saber tocar piano a ser boa analista de processos, pelo que dou aulas de piano a crianças. Estudo violoncelo e estou apaixonada pelo meu instrumento, um Quasimodo renascido. Entre o aqui e o ali perco-me por Alfama, nas caipiras da minha Espanhola.

"Olha uma placa a dizer Abrantes!" - gritava eu em qualquer ponto do país aos 7 anos, com um sorriso de espanto e profundo orgulho. Era a ovelha ronhosa da família, a única nascida na província para onde a minha família foi empurrada pelo emprego do meu pai. Ora aos fins-de-semana lá vinha eu à capital, a contragosto, visitar os avós e aliviar o saudosismo angustiado da minha mãe.