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Le Editorial * 411 por Ana Ema

TAKE ON ME

Estava eu a saborear deliciada um fecundo triângulo de leitão num boteco de canto ao Cais, quando a bomba rebenta. A televisão dependurada no canto, a altura de pessoa e meia (mais meio, menos meio Modulor), debitava VH1. Desde sempre que este canal se destina a repescar coisas que batem na alma e nos glúteos de quem trilhou pistas de dança e ginásios de liceu, nos oitentas e nos noventas. Agora, deixei uma trinca em espera, triângulo na mão e espanto no semblante, passava «Take on Me» dos a-ha. Toda a malta no balcão se calou, clientes viraram-se, três empregados estancaram, extasiados, estáticos, todos em escuta e fincados no ecrã - sinto até que os eléctricos e a cidade fora os acompanharam. Quase quatro minutos de puro delírio e volta a trinca. / Ana Ema

Miguel e o Rafa.El darão o nome de Morten ao seu primeiro filho (a cada respectivo, claro).

Somos parceiros de comunicação do Alfama-te, do Pecha Kucha Night Lisboa e da Madame. A Le Cool Lisboa não se arruma pelo AO90.


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* Originalmente publicado a 17 de Outubro de 2013, na Le Cool Lisboa * 411

Elevador de Santa Justa

A primeiríssima função de um elevador é, obviamente, elevar. De quando em quando, dá-lhe também para abaixar. Mas isso é de vez a vez, pois o importante é chegar-lhe ao topo, que a descer todos os santo antoninhos dão a mão. Ao Elevador de Santa Justa, que abandonou o uso prático pela função turística umas décadas, irão muitos lisboetas contrapor a sua sabedoria: «Senhor@ turista, para lhe chegar ao miradouro - ouça , mister camone, atención - é mais rápido tomar a Rua do Carmo, depois o Sacramento e dobrar ao Largo» e «Qual Eiffel, qual carapuça. Quem lhe traçou as ogivas foi mesmo um português com uma costela e um bigode francês: Raoul Mesnier du Ponsard!», este dito com algum ar de enfado e de repugnância de pastel-de-nata com uma semana. Mas, pensando bem e pela experiência, nele te elevaste? / Ana Ema

onde
Rua do Ouro com Rua de Santa Justa

quando
Horário de Inverno: 7h às 21h45 (pode prolongar até 22h45)

quanto
5€ Bilhete Santa Justa (2 viagens)


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* Originalmente publicado a 10 de Outubro de 2013, na Le Cool Lisboa * 410

Le Editorial * 392 por Ana Ema

A voz off do Metropolitano de Lisboa é o maior turn off matutino na sua versão em inglês. De cada vez que sigo para o trabalho pelas manhãs e me calha a tradução fico-me ali, rindo, quase aparvalhada. Uma explosição gotejona decibelada a tropeções pelo altifalante: «Mind your accent on the platforms», que tal um nativo para não soar cansativo? «Beware the sound of your voice», que tal mais ensaio para não sair assim descabelado? Enfim, ao menos que me desenhe um sorriso ao dia, esta senhora e a sua voz, meio dengosa, meio roufenha, em prendado portuglish. / Ana Ema

O Miguel e o Rafa.El sentem as levas de frio, alternadas com os picos de sol e andam abananados com a coisa.

Somosparceiros de comunicação do LandArt Cascais 2013, do FATAL, do FIMFA, do África Mostra-se, do Alfama-te, do Café Improv, do Pecha Kucha Night Lisboa e daMadame. E sonhamos em ser do Woody Allen =)

Aqueduto das Águas Livres

O Aqueduto das Águas Livres, essa imensa construção hidráulica que viu a luz e a água do dia no reinado de D. João V, reabriu no primeiro dia de Março deste ano de 2013. Obra de mestres como Ludovice, Manuel da Maia, Carlos Mardel e Custódio Vieira, é uma tão complexa rede de obras públicas, que não me entra na cabeça de como nunca a nomearam para Património Mundial da UNESCO! , dediquem-se a isso, é merecida a menção. No entretanto, reataram-se as visitas aos passadiços de 941 metros de distância e 65 metros de altura sobre o Vale de Alcântara, que serviram de cenário aos crimes de Diogo Alves e por onde passaram quilolitros de líquido que alimentou Lisboa de água potável durante séculos.  / Ana Ema

onde
Aqueduto das Águas Livres, Acesso pela Calçada da Quintinha em Campolide

quando
3ª-sáb entre as 10h e as 17h30

quanto
2€ 

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* Originalmente publicada a 28 de Março de 2013, na Le Cool Lisboa  385

Le Editorial * 384 por Ana Ema

O INVERNO JÁ ERA

É isso que me faz gostar de Equinócios e de Solstícios, antípodas um do outro, periélios de bom com sol e marés cheia vai-não-vai. Os senhores marcam passagens, assinalam a mudança, fazem a gravidade ser grávida em água e até têm qualquer coisa a ver com a lua ser comida à bolacha, lua cheia sim, lua cheia não. Não se papam passas, nem se apontam promessas muito nossas por esta altura, mas foi feito no passado. O arranque da primavera que é agora, era o início da época de semeadura e o verdadeiro símbolo de começar o ano. Começa pelo menos, por aqui, a semana. / Ana Ema

O Miguel e o Rafa.El deram bye bye ao bicho que lhes dava espirro e estão para as curvas (e as retas). Somos parceiros de comunicação da Festa do Cinema Italiano, do Alfama-te, do Café Improv e da Madame. E gostávamos de ser do Museu de Cera (o Tussauds, não o outro).

Le Editorial * 383 por Ana Ema

LISBORAMA

Eu sempre quis dizer: o ponto G da ordem de trabalhos não vai ao âmago da coisa ou não é profundo como devia. Pois então. E tenho também o sonho de ser fotografada pelo Alfaiate Lisboeta, em transe de compras ou a dar um passo à frente do outro no Carmo. Lisboa e o sol, recomeçaram a sua história de amor. Mais dia menos dia e estamos em modo primavera, a colecionar cafés e esplanadas, vistas e miradouros. / Ana Ema

O Miguel e o Rafa.El chocam uma virose - parece que anda por , por todo o lado.

Le Editorial * 379 por Ana Ema


Agora que não Habemus Papam, é de ir espreitar o filme do Moretti. naquela de perceber que na alta cúpula eclesiástica, tal como no Olimpo, muitos atributos e inseguranças humanas. Lisboa não tem recuos. Apesar de repleta de contradições e de ser muito humana, é cheia e segura de si como poucas. Venham vinte Romas ou trinta Mogadíscios testar o assunto e levam a eito. Para tem o concurso mais concorrido de sempre, o das Sardinhas, que envolve batalhas de argumentos e de traço que deixam Alcácer-Quibir a chorar. Depois, é linda de morrer e contamina todos os turistas que arrisquem um dia poisar aqui o pezinho. É vê-los ficar por a assentar. / Ana Ema

O Miguel e o Rafa.El gostavam de assentar um dia com uma casa e um pátio por Alfama, um. Pela Madragoa, o outro. Algo que inclua vista, uma figueira e talvez piscina. Mas não somos esquisitos, aos sábados pela manhã.

Le Editorial * 378 por Ana Ema


Lisboa tem saldos o ano inteiro. Chama-se Feira da Ladra. O resto do ano é ver as gentes a desbravar montanhas de roupa deixadas ao dará em lojas com sufixos como outlet ou com dísticos em mil e uma variações de "Saldos". Ou "rebaixas", como um alguém escreveu, num refinado portunhol. Rebaixas é, ao certo, a época de promoções na luta de trincheiras pela registadora. É um rebaixamento ao desbarato, ali, contado à peça e ao euro. São peças de roupa, senhores, não um sabor limitado do Santini. Mas o que é verdade, confessa esta ana, é que me encho de trapinhos novos a cada saldo. Salto e entro nele que nem o Livingstone em África: em frenético safari. / Ana Ema

O Miguel e o Rafa.El gostam de ir à vez à Feira da Ladra: só naquela de serem os primeiros a encontrar aquela pechincha. Ou então esplanar para o Clara Clara, que tem uma ótima vista de pássaro sobre os vendilhões.

Le Editorial da Le Cool * 376 por Ana Ema

Papoilha

O meu avô repetia uma frase que me desengonçava: «Desde que vi um cão a andar de bicicleta...». Foi ao crescer e aparecer por Lisboa que lhe percebi o fundamento. Os mistérios do Entroncamento também têm lugar nestes bairros trajados de sombra e de luz. Uma senhora que vende poesia à folha. Outra que fala com anjos sobre o ombro, correndo a rua. Um sem-abrigo artista. Alguém que vende o património de alfarrabista na Feira da Ladra. Um mendigo rapper. Sei que todas as cidades têm o seu ângulo, mas aqui aquilo que me causa estranheza, faz parte desse romantismo que se cola a Lisboa que nem bolo de chocolate à língua. É o ópio de uma papoilha cidade. / Ana Ema