Le Editorial * 388 por Benjamin Juíz

Espírito de escada é aquela coisa que ficou por dizer, entaramelada na garganta e não verbalizada no momento certo. Pouco depois, mais tarde, é que te vem a coisa. Ressoa então: «Raios ma parta, se não devia ter dito isto» ou «Devia era tê-lo mandado ir ter filhos com o Gaspar», normalmente acompanhado de desagrado e de repuxões de cabelos. Se vinho afoga mágoas, Pessoa o saberia, aqui o resultado é um ressabiamento cruzado de rafeiro à cata de alimento e o álcool destoa. O «L'esprit de l'escalier» é uma coisa tramada de aturar. Aconselha-se resposta imediata para não assentar ressentimento (o Huxley o dizia). / Benjamin Juíz

O Miguel e o Rafa.El não se confundem com espíritos de escada; salta-lhes logo a língua afilada. Deve ser a costela de peixeira da Ribeira que têmSomos parceiros de comunicação do LandArt Cascais 2013, do Alfama-te, do Café Improv, do Pecha Kucha Night Lisboa, do Lisboa, Capital, República, Popular! e daMadame. E gostávamos de ser do Museu de Cera (o Tussauds, não o outro)

Le Entrevista a Valéria Carvalho por Rafa.El

Valéria Carvalho regressa para uma apresentação especial de «Chico em Pessoa», peça onde se desmultiplica em Pessoa e se dedica a desfolhar, camada a camada, folha a folha, as mulheres de Chico Buarque. Trocamos uma palavras em antevisão.

E o que diriam, de facto, Chico Buarque a Fernando Pessoa dos seus personagens, se se encontrassem?

Penso que encontrariam mais pontos em comum do que poderiam a priori imaginar. Por «detrás» das diferenças, muito mais semelhanças.

PASSATEMPO Peça do Coração: For Him, a new fragance | 1 e 2

Sorteiam-se dois bilhetes individuais para esta peça de Mariana Tengner Barros no Negócio. Eis as perguntas:

Para dia 18 Abril - Nomeia outras duas criações de Mariana Tengner Barros.

Para dia 20 Abril - Quais os performers a participar desta criação?

Ambas as respostas para este e-mail.

PEÇA DO CORAÇÃO: FOR HIM, A NEW FRAGANCE | Negócio | 17 a 20 Abril às 21h30

Junta o teu nome completo e identificação (BI, CC ou Passaporte) ao teu e-mail de resposta.

- PASSATEMPO FECHADO - 

Le Entrevista a Expeão por Fernando Mondego

Falamos com Rui Pina, largamente conhecido e reconhecido como vocalista dos Dealema. O mote? O lançamento de novo álbum como Expeão, o «O Fim de Todas as Estradas».
 
Gostava de uma breve apresentação de Expeão e o porquê da escolha deste 
nome de artista. Achas, como apontou Octávio Paz, que o artista não tem
 biografia, a sua biografia é a sua obra - a frase original é «os poetas não têm
 biografia. A sua obra é a sua biografia»?
 

O nome EXPEÃO é um nome que te faz pensar no significado, por isso o escolhi. Para mim significa deixar de ser um mero peão no jogo de xadrez que é a sociedade e passar a ser mais autónomo e árbitro do próprio destino.

Concordo com Octávio Paz, o poeta tem a sua intemporalidade explícita na sua obra.
 

Le Entrevista a Kumpania Algazarra (Luís Barrocas) por Rafael

A começar, uma apresentação. Quem são então os elementos desta Kumpania? 9 elementos para 9 anos de história, há aqui coincidências?

Os membros são: Luís Barrocas no sax alto, voz e guitarra; Luís Bastos no clarinete e sax tenor; Ricardo Pinto no trompete; Francisco Amorim no trombone e guitarra; Paul Robert no trompete; Pedro Pereira no sousafone e baixo eléctrico; Hélder Silva na percussão e electrónica; Gil Goncalves na tuba; Hugo Fontainhas na bateria.

É uma coincidência, pois o número de elementos foi mudando: no início eram 7, já fomos 11, e agora 9. Não somos muito estáticos.

Le Entrevista a Rafael Vieira (Le Cool Team) por Marta Santos

Não eras arquitecto?

Essa forma verbal não existe para quem se fez arquitecto ou realizador, viste o Niemeyer? Até fenecer, desenhou. Agora que não abunde que arquitectar, é outra loiça. Nunca se deixa, nunca deixei nestes 11 anos, somando-lhe os cinco académicos em Coimbra, de esquissar e pensar o espaço que me rodeia. É uma bendição.

Haverá, nalgum código deontológico ou nalguma brochura da ERC, por exemplo, penalizações previstas para isto de entrevistar o «patrão»...

Não.
Por falar em relvismo... José Relvas, o «escolhido» para proclamar a República, a 5 de Outubro de 1910, da varanda da Câmara Municipal de Lisboa, afirmou certa vez que o «desengano foi cruel». Tempos cruéis em Lisboa? Ou o Tejo limpará tudo?

Já que comentamos um Relvas, eu endereço-te outro. Não aquele que anda por aí nas equivalências do mundo, mas o pai desse teu José Relvas, que conheci quando fui a uma Feira do Cavalo na Golegã. Carlos Relvas, fotógrafo da dobra do século que tem Casa-estúdio. Museu. A visita vale bem uma ida. 

Eu sou um optimista optimizado. Apontar desenganos é óptimo à mesa de café ou no Estádio. Mas depois do segundo cigarro que estou a deixar de fumar ou de se esfumar a espuma do quarto fino, pois faço tudo a pé ou de bicicleta, as ideias e as possibilidades continuam a brotar.

Tu, como o Afonso Henriques, vieste lá de «xima». Dizem que os convertidos são os piores. Já te sentes, digamos, alfacinha?

Eu vim do meio, de Coimbra, de onde alguns também anunciam ter vindo esse nosso primeiro Afonso. Talvez de Coimbra, talvez de Viseu, enfim. Em Coimbra está também o seu túmulo, naquele que é um dos dois Panteões Nacionais portugueses. O outro está "inacabado" ali em Alfama. Divago.

Não me converti, fiz uma translação. Coimbra é uma cidade-postal e será sempre a primeira. Temos Torga, togas, repúblicos e repúblicas, Chanfana e Queijada de Pereira. Sopa da avó, uma sagrada família, um conforto com lareira, uns terrenos para cultivar e um leite-creme de tia. Pode-se ser aeminiense e alfacinha ao mesmo tempo, estou confortável. 

Mas, também os futricas me apoiarão nisto, é-se da Briosa para sempre. O casco velho de Coimbra é o melhor sítio para conduzir em Portugal, sublinho-o em terceira. Como sou o maior teimoso que conheço acima ou abaixo do Mondego, continuo a pedir «uma nata» e «um fino», a dizer joêlho e pintêlho, a ler ministro e não menistro, a soletrar pis-cina e a usar cruzetas para dependurar as camisas, esteja no Chiado ou no Choupal. Só me falta é perceber se o Fado de Coimbra é também património imaterial.

Muitos forasteiros afirmam que a vida urbana em Lisboa não tem de invejar a ninguém. No entanto, perdura aquela sensação desconfortável de que a verdadeira vida está lá fora, mesmo que seja em Barcelona ou Hamburgo... Uma perspectiva defeituosa?

Pois eu já habitei Barcelona e prefiro Lisboa. E em Hamburgo encontras natas e café Delta, alguns dos combustíveis necessários. Cada português é que, por defeito, tem que ir. Seja para onde for. O desconforto pode advir é de não poder. É a nossa Hajj, andar por aí como Camões, sem palas. Também me chateia ficarmos inchados quando é alguém de fora a dizê-lo. Temos que perceber de uma vez para todas, que esta cidade é extraordinariamente rica. E que os percalços lhe fazem parte.

A cidade não corre o risco de vender a alma ao turismo?

Corre o risco de vender mais postais e miniaturas da Torre de Belém. Só no 28 é que bufo com a amálgama de turistas e nos passeios do Chiado devia ser imposto um livro de código para peões. Em mandarim e russo também, já a contar. Mas na Morais Soares acontece o mesmo e ouve-se português. No centro é que há muitos senhorios que vendem arrendamento-a-dias a milhares de almas. O que é pena, pois podiam arrendar a anos a outros milhares. E estes, claro está, podiam perfeitamente conviver com uns quantos hotéis e hostels, com ou sem charme.

O orçamento participativo de Lisboa tem contado com a tua contribuição. Tens necessidade de pensar a cidade com outra pretensão? 

Já participei em dois com três projectos: «Vilas Criativas» e o «Verde em Rede» (com Inês Mendes, Joana Lages e Maria Fonseca) e «Gema» com Liliana Marante. Talvez contribua este ano, é a ver. Isto tem a ver com o que te respondi na primeira pergunta, não há como o contornar, Lisboa surge-me a quatro dimensões.

A maioria das pessoas em «Lisboa» vive nos subúrbios. Não faria sentido uma reorganização administrativa mais profunda do que o colar a cuspo freguesias?

Vive nos subúrbios, mas desloca-se para o restante. As novas freguesias fazem sentido e nem esta foi a primeira ou única reforma de Lisboa. A nova freguesia de Santa Maria Maior, por exemplo, tem uma lógica muito atraente. Não só no mapa. Agora parece-me que se podia pensar numa coisa à Tóquio, que está dividida em grandes porções urbanas que são administradas como cidades. Há depois uma entidade maior que as une, para o necessário. É que há várias lisboas e faz-me confusão estar no Barreiro a desconsiderar aquilo como subúrbio. Um passo interessante seria criar um organismo metropolitano activo, que ligasse as pontas e as pontinhas.

A Le Cool Lisboa perdurará na eternidade?

Na eternidade à escala de revista, claro.

O Rafael é editor da Le Cool Lisboa desde Junho de 2010.

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* Originalmente publicada em 15 de Abril de 2013, na Le Cool Lisboa * 387

Le Entrevista a Clara Henriques (Le Cool team) por Fernando Mondego

Fala-me de ti e não me omitas nada.

Entras logo a matar, principalmente com uma pessoa tímida como eu. E depois desta já te disse o mais relevante sobre mim. O resto vem com o tempo, porque a piada está aí. E já agora, sendo eu Jornalista, o que estou a fazer “deste lado?”

Além da tua brilhante prestação na Le Cool, que outras andanças me contas?

Ah! Nesta já me deixas omitir coisas… Conto-te que as minhas andanças mais exímias passam pelas palavras, pelas pessoas e pelo amor. É impossível pensar no caminho sem estes três mundos perpendiculares.


Salada de prémios no FESTin

Agora que termina a quarta edição do FESTin, celebram-se os prémios e espera-se já pelo regresso, numa quinta edição, mas cheia, maior, mais partilhada e mais assistida. Assim, sem mais rufos no anúncio, segue a eleição:

O prémio da Melhor Longa-Metragem foi para "A Coleção Invisível", o filme de estreia de Bernard Attal.

O Prémio CPLP, foi para "Cartas para Angola" de Coraci Ruiz e Júlio Matos (Brasil). Leandra Leal, foi eleita melhor actriz pela sua interpretação em "Bonitinha, mas Ordinária" de Moacyr Góes (Brasil) e Lázaro Ramos, como melhor actor, por "O Grande Kilapy" de Zezé Gamboa (Portugal/Brasil/Angola). 

"Colegas", de Marcelo Galvão, galvanizou o público e acumulou o prémio deste e a menção honrosa do júri.

Nas curtas, "Cowboy" de Tarcísio Lara Puiati (Brasil), foi considerada a melhor do FESTin. Já "O Bebé" do realizador iraniano a residir em Portugal, Reza Hajipour, foi a que mais brilhou aos olhos do público. 

A findar, três menções honrosas. A Fernanda Montenegro, pela sua interpretação em "A Dama do Estácio", a Cristovão Campos, pela sua actuação em "Nylon da Minha Aldeia" e ainda a "Água Boa, Vida Saudável", do são-tomense Kalú Mendes, pela temática. 

Os prémios e um excepcional festival continuarão para o ano. Bravo FESTin!

PASSATEMPO Sightings + Pedro Sousa

Para um bilhete individual para ver os Sightings, diz-me para este e-mail o nome de duas faixas do longa "City of Straw".

SIGHTINGS + PEDRO SOUSA | ZDB | 13 de Abril às 22h

Junta o teu nome completo e dados à tua resposta. 

- PASSATEMPO FECHADO - 

PASSATEMPO Sun Araw + Diva + Matthewdavid


Para um bilhete individual para esta noite bem preenchida de som na ZDB, comenta para este e-mail, dois álbuns de Sun Araw, o senhor Cameron Stallones.

SUN ARAW + DIVA + MATTHEWDAVID  | ZDB | 12 de Abril às 22h

Junta o teu nome completo e dados à tua resposta.

- PASSATEMPO FECHADO - 

PASSATEMPO Rock Faktory

Ganha um de entre quatro convites individuais para uma noite que reúne A Cisma, os Tape Junk e um set dos DJ La Dolce. E como fazê-lo? Basta responder a:

Qual o nome do single dos Tape Junk?

Envia a resposta para este e-mail, junto com o teu nome completo e a tua identificação (BI, CC ou Passaporte)

ROCK FAKTORY | Ritz Clube | 12 de Abril a partir das 22h


- PASSATEMPO FECHADO - 

Elevador da Boca do Vento

A 24 de Junho deste ano de 2013, o Elevador da Boca do Vento celebra 13 anos de vida. Não é equivalente a Santa Justa, pois não, mas é uma adolescência que convive com uma vista mais desafogada e, arrisco, infinitamente mais interessante pois contém todo um rio e toda uma cidadeEssa existência, vivida nas alturas da outra margem, leva as gentes que quiserem em viagem panorâmica desde essa belíssima varanda a ver-Lisboa do Cais do Ginjalaté ao âmago citadino da Almada Velha. E tudo ao preço da uva mijona. E , as bicicletas pagam nicles, limitadas naturalmente à lotação conveniente. / Rafa El (Foto de Almada Digital)

Stasha

Ao escrever, a quente, sobre um restaurante que se visita, um sem número de recordações que suscitam inesperados efeitos físicos. Para , um salivar-cascata. No entretantouma saciada sensação de insaciedade. Depois, a recorrente visão de pratos ricamente decorados e sublinhados de um sabor a que a ambrósia emprestou a lata. Aquele divinal folhado de queijo de cabra do Stasha, deixa memórias tão bem cravadas nas papilas e nas pupilas que, fosse eu jantar fora hoje - e, convenhamos malta, tenho sempre que jantar - era ao Bairro Alto e a este pequeno e bem simpático no servir, restaurante, que voltaria, sem desculpas. Até porque a carta de vinhos é servida com um gosto que não deixa culpas a gorjas. / Rafa El

BarAlto

Este restaurante, aparte tudo o restante que se encontra reunido numa visita que vive na memória e no palato como inesquecível, tem um ponto alto no meu percurso gastronómico. O BarAlto, que reabriu no passado Outubro de 2012 com nova - e dedicada - gerência, exibe cozinha de autor por parte das diligentes mãos criativas de António Latas. Tasca de fusão comodamente decorado - sentes-te que nem em casa - é descrita pelo chef como "tasca de fusão". O seu playground é a ementa. O ponto alto foi a primeira experiência em cozinha molecular. O restante, foram uma sucessão de vivas por parte da claque dos sentidos: Paté de salmão com cebolinho, Pão com azeitona, Risotto em papadine com molho de iogurte e um Risotto de camarão com vinho tinto. Pausa para um sem número de onomatopeias de apreciação. Agora mesmo a visita. / Óscar Amado

Le Editorial * 387 por Benjamin Juíz

Enquanto continua a triste saga de São Pedro, amandando gambozinos des'o céu, respigos da pequena era do gelo que  (?) passou. Infeliz porque quem ganha são apenas os vendilhões de apara-águas. Mas adiante, que conversa de tempo interessa para amolecer o tempo de espera de elevadores e das repartições da segurança social. Enquanto vejo esse grande clássico "They Live" penso que Lisboa daria um óptimo cenário para um jogo de plataformas. Em todo o caso, quem seriam os boss ao final de cada nível? Aquela gente de São Bento daria uma boa hipótese, mas gostava de pensar noutras espécies de vilões. Um para cada bairro. / Benjamin Juíz

O Miguel e o Rafa.El jogam o Wolfenstein e pensam que o Lissabonstein até não seria uma ideia tolaSomosparceiros de comunicação do Alfama-te, do Café Improv e da Madame. E gostávamos de ser do Museu de Cera (o Tussauds, não o outro).

Le Artista da Capa * 387, Neves Estrela

Neves Estrela faz a capa e responde a uma quantas perguntas, continua a ler por aqui.

Le Capa * 387

Por Neves Estrela

Márcia

"Deixa-me Ir", vídeo de Márcia, realizado por Miguel Gonçalves Mendes, para ver (e escutar, delicadamente) por aqui.

Portuglish

A coisa é simples: envolve falar e com isso ginasticar outras línguas. Ou seja, coisas a que um português não diz que não. Segue simplesmente como uma conversa de café, entabulando diálogos seja em português, em inglês, em russo, em vietnamita e em tanto eteceteras quanto de línguas tem o mundo e de idiomas têm os intervenientes. Uma interessante hipótese de intercâmbio linguístico. Uma Torre de Babel, com bons resultados, a não perder.

PORTUGLISH | Cinema City Classic Alvalade | 10 de Abril 

Le Entrevista a Sarah Frances Dias por Rafa

Gostava que te apresentasses e contasses um pouco de como começaste a pintar.

Como arquitecta, a arte foi sempre uma parte importante da minha vida. Sempre acreditei em encontrar formas de expressão que reflictam uma procura e descoberta interior. Pintar é a minha forma de explorar diferentes ideais e crenças.

Enquanto pintas, o que te prende a atenção? Existe algum assunto que prefiras sobre outros?

Eu sou toda pela beleza, nas suas múltiplas formas, e pela essência abstracta.