Le Entrevista a Julie & the Carjackers por NunoT


Julie & the Carjackers nasce em 2009 da ligação neural de dois cérebros com uma visão da música muito específica. João Correia e Bruno Pernadas, pressente-se, olham para a música através de linhas pautadas. E mesmo que assim não seja fazem-no como se assim fosse. E porquê?, perguntam. Simplesmente porque se percebe que pensam realmente na música que fazem. Pensam-na profundamente. Vão às entranhas de cada pista e instrumento nos seus temas. Vão ao detalhe de cada compasso, de cada linha melódica ou do break rítmico entre a quadra e a ponte que desemboca no refrão. Tudo na sua música faz sentido melódico, harmónico e rítmico. E isto, meus caros, é qualidade na arte de compor e fazer arranjos, que é coisa que o tempo e a tecnologia se tem encarregado de pouco a pouco fazer esmorecer na música de hoje, frequentemente limitada a dois ou três bons acordes de guitarra, ou um beat forte, ou mesmo um simples timbre poderoso "sinteticamente manipulado".

Le Editorial * 355 por Rafa

Lisboa, Cidade-luz

O Miguel , a Fauna Maria e Rafa.El vão pensando em formar um grupo coral alentejano. Dão as mãos por detrás das costas, encostam-se em perfeição ombro com ombro (as poses de equipa de futebol bem alinhada deu jeito) e balanceiam-se em formação. Património da humanidade somos nós, que materializamos o canto e devolvemos-lhe tudo em sorrisos. Belo fado que te bate também à porta, o de seres parte da cidade mais preenchida deste lado do hemisfério.

Le Artista da Capa * 355, João Mel


Eis que ofereço uma foto improvável de Lisboa.
É uma muralha dos anos 60 a 80, encimando uma avenida que era nada e hortas até então.
Padrão dos Descobrimentos é um monumento dos anos 40 ao nosso quattrocentoesta visão - em máquina LC-A de 1981,clássico tambémportanto - é um monumento à pujança construtiva de LisboaBelo ou feiopreenchido, com pouco verde,excessivamente alto, maciçoseja o que for, tenho para mim esta vista como belíssima.
Tutira as conclusões que quiseres. E adivinha onde é.

Le Capa * 355


Por João Mel

Babete Gastrobar


Na sequência de um evento publicado na Le Cool - semana da arte no Babete Gastrobar- surgiu um convite à degustação de que nos oferece este recente espaço na nossa cidade do sol.

Situado no início das Escadinhas do Duque (para quem as desce), lugar este cada vez mais multicultural, o Babete Gastrobar emerge como um espaço de inspiração brasileira que alia os ambientes de bar, boteco e restaurante, dito por Adriana, a chefe de cozinha e co-proprietária. A apresentação do espaço e projeto pessoal Babete Gastrobar foi-nos imediatamente feita pela própria, que conhecemos na entrada enquanto acompanhávamos a pintura ao vivo de um mural que desenhava o encontro entre o senhor Oswald de Andrade e um Índio, evento no âmbito da semana da arte.

Le Entrevista aos ÖLGA por NunoT


Fiéis a um estilo de rock que parece ter um pé aqui e outro além. Mais concretamente um pé em hoje e outro até há mais de 50 anos. É indie rock na sua definição mais pura. E assim dito pouco parece ter de especial. O que os torna diferentes, é que os Ölga fazem isto há mais de 10 anos. E lembremo-nos todos onde estávamos em 2001. A eletrónica de dança e de ambientais relax estava na crista da onda e tocava omnipresente em todo o par de colunas stereo implantadas em qualquer espaço público. O electro clash devia ainda começar a surgir daí a uns 2 ou 3 anos, e para o rock sólido com camadas eletrónicas a la DFA faltava ainda meia década. Portanto aquela espécie de rock "à antiga" feito com sons de hoje, que atualmente se faz e ouve um pouco por todo o lado, o revivalismo rock, carregado de imagens sonoras (e vídeo) psicadélicas, já os Ölga conhecem desde que decidiram fazer música juntos.

Le Artista da Capa * 354, Editor

E segue uma boa foto da Lisboa fora dos postais de férias que ilustram álbuns, visitas, escapadinhas, chegadas, partidas, passagens, aportagens, acostagens, viagens, estadias, visitações, aparições e demais vistas da cidade. Uma foto mal comportada, blagh!

Lomo por máquina de 81 e zona bem dentro da cidade, mas fora do polígono centro.

A quem acertar o nome da rua e bairro, dou a hipótese de fazerem uma capa para uma Le Cool próxima.
No entretanto, segue a semana, enquanto me emborracho de sol.

Le Editorial * 354 por Rafa

Lisboada

Lisboada que é o mesmo que dizer arruada, porque é Lisboa é terra de festividades e a rua sempre lhe foi tanta. Mas seguem uns pequenos pedidos, poucos, ligeiros. Miguel, que até gosta de corpos desnudados porque são sinónimo de verão, pede que ao menos nos transportes públicos voltem a colocar as Tshirt. porque roçar por roçar é sempre melhor roçar com a língua num gelado. Fauna Maria , recém chegado de Cem Soldos, acredita que mais um festival em Portugal e a este salta-lhe o pipo. Ah, e deixem de gritar impropérios às 5 da matina. É que a menina tem o sono solto e não tem pachorra para maus vinhos. Rafa.El , experimentando o Metro que chega - iluminados tardios - ao Aeroporto, não deixa de admirar a admirável galeria de caricaturas, cara toma, cara .

Le Capa * 354


Por Editor

Le Capa * 353



Por Editor

Le Editorial * 353 por Rafa

Não morrer na praia

O Miguel chega de festivais a salivar pela Fauna festivaleira (foi um Boom que te avias), enquanto que Maria pede mais um feriado na havaiana para celebrar (porque soma três trabalhos além deste aqui). Rafa.El sempre deixado para trás a guardar que nem perdigueiro apontador, o escritório da Le Cool, tira desforra. Porque Lisboa é sempre tão preenchida que nem um cachorro quente com tudo tudo - mesmo molho de alho. Tira a teima e confirma.

Le Artista da Capa * 353, Editor

Lisboa é uma cidade-macaca porque é dependurado dos seus galhos-colina que lhe vemos os topos dos campanários todos. É um gozo topográfico. Uma sei  chalaça dos deuses que lhe arranjaram o arranjo urbanístico. Urbe em antecipa-ocupação, em equilíbrio sobre um mar que é rio que é mar, que tem até é nome de mar, mas é é estuário, é habitada por uma raça de homens que, sem racismos entre o que lhe é casa e o que lhe é verde, foram colhendo e acolhendo as partes melhores deste mundo. Se o mundo girasse uma terceira rotação, a sua translação seria em torno desta Ulissipona (corruptela, ora toma, de Ulisses e Olissipona). Ou então não, o epicentro coincidiria mesmo era com o Tejo.

Tenho dito. Agora vão de férias.

Le Entrevista a Diego Armés por João Freire


Boas. Fala-me um pouco sobre ti, o teu percurso musical e as bandas que já foste tendo (e tens).

Tive a minha primeira banda aos 16, era a típica banda da Secundária, ainda em Mafra. Chamávamo-nos Kindergarten, éramos cinco e cantava-se em inglês – em 1995 cantava-se em inglês, ponto. Eu não era vocalista. Uma ano mais tarde, formei os Shave com o meu irmão, o Marco Armés, baterista. Começámos como power trio, depois passámos a quatro. Cantávamos em inglês, porque até 1998 se cantava em inglês, ponto. Nesta já era eu que cantava.
Depois desisti de ter bandas durante uns anos, sobretudo nos primeiros tempos em Lisboa. Até que um dia resolvi desenterrar aquilo que tinha começado com o meu irmão, só que já era 2003 ou 2004 e então já se podia cantar em português, por isso tínhamos de nos chamar em português. Achámos que Feromona era um nome porreiro, mas ainda não sabíamos o que significava. Depois investigámos e concluímos que tinha sido uma belíssima escolha.

Le Artista da Capa * 352, Homem-macaco

Homem-macaco a.k.a. Helena Carvalho

Designer freelancer, de galho em galho explora os quatro cantos do mundo - Macau, Barcelona, Londres, São Paulo -, onde se alimenta de inspiração para além de deliciosas bananas!

Lisboa é a cidade com menos palmeiras que mais histórias lhe conta. Um dia cruzou-se com um crocodilo que queria dançar com uma raposa...

Lisboa é uma fábula que se escreve longe e conta-se perto.
Lisboa é uma fábula que se conta ao ouvido.

_

__ __

* Originalmente publicado a 9 de Agosto de 2012, na Le Cool Lisboa * 352

Le Editorial * 352 por Rafa

Lizhboa

Miguel, Fauna Maria e Rafa.El orquestraram umas férias que metem mares nunca dantes navegados, algumas ilhas a que vão chamando de taprobanas por de cima dos óculos raybantes e alguns Hanno albinos de presente perante areais ou prados infinitos a fazer salivar assalariados que o acolhem como um dos mais utilizados wallpaper. Parece que agora é a altura ideal para tomar uma viagem, este é aquele momento em que vem ao de cima aquela angústia bem tuga de, nas palavras desse grande poeta e barbudo Variações: "estou bem aonde não estou / porque eu quero iraonde eu não vou".

A cura e a resposta? É soltares-te por . Em viagem, digo.

Le Entrevista a Sara Paço por NunoT

Sara Paço chega a Lisboa vinda de Ohio, onde cresceu com o Blues e Soul americanos dos anos 50 a entrar-lhe nas veias desde a mais tenra idade. Não é verdade mas podia ser, porque Sara Paço, geneticamente filha de Lisboa, foi totalmente possuída pela alma blues de algum espírito que por estas bandas pairava quando ela nasceu, em 1987.

Em palco apresenta-se (sempre) a solo. Nos braços uma guitarra vermelha (estilo anos 50) que toca geralmente suave com dedilhados ou harpejos simples mas eficazes. Na garganta uma das mais invejáveis vozes que se pode ouvir pelo país fora, com afinação, expressividade, e garra que surpreende o seu habitat físico, o corpo de uma moça alta e magra de 25 anos. Surpreendente. Mas há mais, é que para além do seu claro dote natural vocal, Sara Paço revela-se igualmente detentora de uma excelente capacidade criativa musical.

No seu myspace podem escutar vários originais de composição totalmente sua, por entre a cover de "Moon River" e "Don't Cry For Louie" interpretadas com arranjos originais suficientemente bem compostos para receberem os aplausos dos seus autores e longa lista de intérpretes que até hoje interpretaram estes mesmos clássicos. Sara Paço tem tudo para vencer aqui, na América (sonho plausível, sobretudo depois do exemplo dado pelos veteranos e conterrâneos Dead Combo) e no resto do mundo.

Quem é, de quando e de onde vem Sara Paço? Fala-nos um pouco da tua história e da pessoa por detrás da cantora e autora.

A Sara Paço é uma rapariga sorridente que por onde passa espalha amor e alegria. De guitarra na mão e areia nos pés. Nos olhos verdes uma canção, nas ondas dos cabelos poesia e nas mãos o coração. É assim que vejo o meu reflexo no espelho salgado. Bem Sara, menos... vamos a isto. Eu sou eu. Não há ninguém igual a mim e se me vierem imitar cuidado que tenho mau feitio. Hahaha. Não, agora é a sério. A Sara veio da barriga da mãe... toda a gente sabe. Lá estava-se bem... uma barriga musical. Os pais faziam a festa à espera que nascesse e ouviam música a toda a hora. Aos seis anos não tiveram alternativa e colocaram-me no coro porque andava sempre a cantar. Aos 12 anos comecei a escrever poesia e aos 17 os meus pais ofereceram-me uma guitarra quando tudo o que queria era uma mota. Mas assim que vi a guitarra foi amor à primeira vista, como se tivesse encontrado uma metade de mim. No mês seguinte compus a minha primeira canção. E depois desta vieram 80 e tal até à data.

Licenciei-me em economia pelo ISEG e fui estagiar na Irlanda. Dei concertos em Dublin e ganhei amigos e fãs Irlandeses. Toquei nas ruas. Trabalhei em part-time numa grande venue “The Academy” a limpar casas de banho e a parte mais difícil era ver os músicos a passar carregados com instrumentos para fazer o soundcheck e eu de esfregona na mão a desejar do fundo do coração saltar para o palco e cantar. Viajei para Londres onde me apaixonei pelo Thames e fui assaltada. Aí fiz amigos maravilhosos e regressei duas vezes. Sou aquela que escreveu canções à janela em Dublin “Plastic Flowers” e num autocarro a caminho de Portobello Market “Portobello Road”.

Andei tanto a pé que gastei a sola das botas num mês e fiquei com calos nas mãos de carregar a guitarra comigo para todo o lado. Trilhei pelos caminhos mais incríveis e sinuosos sem nunca perder o rumo. Iluminada pela minha fé, confiança, amor e empenho, cheguei hoje a vocês e a todos os que me lêem. Amanhã será o mundo.

Quando foi e como foi que na tua vida entrou a música que se viria a transformar numa carreira?

Foi quando o meu coração bateu pela primeira vez, quando me nasceu o primeiro dente, quando aprendi a andar de bicicleta. A música já estava em mim. Gravada no meu ADN. Houve um período da minha vida quando tinha 17, 18 anos e estava na faculdade, não sabia bem o que haveria de ser, se economista, se musica. Isso angustiava-me. Ao mesmo tempo que trabalhava em part-time no McDonalds no Colombo e dava concertos para ajudar a pagar as propinas as coisas pareciam muito difusas mas o destino ajudou-me a escolher quando fiz o meu estágio num banco e me proibiram de dar concertos. Nunca até então tinha vivido sem música e foram os meses mais difíceis. Perdi a cor, a alegria de viver e caí doente com anemia. Foi só despedir-me e voltar a ter uma vida própria que me curei e voltei a ser eu, em vez de um robot programado para trabalhar 12 horas por dia, comer em 15 minutos e apresentar resultados. Mas não foi fácil. Imaginemos uma balança. De um lado um trabalho seguro e promissor, uma vida estável e sem sal. Do outro a música, altos e baixos, incertezas, um part-time nas limpezas e um coração corajoso. Já adivinharam o que escolhi!

Sobre a música de Sara Paço.

É diferente, original, refrescante. Quem ouve “sings along”. É como uma receita. Numa taça peneira-se o blues, junta-se o soul e uma pitada de jazz. Envolve-se tudo muito bem. Não esquecer a guitarra, prancha de surf e o anjo da guarda. Tudo com muito amor. Simples!

Porquê este blues com soul? O que gerou esta tua escolha musical na vida?

Porque é que tens olhos castanhos? Foi inevitável. Dei por mim a cair na cama a ouvir Ray Charles e acordar com Nat King Cole. Enquanto estudava para os exames ouvia Memphis Minnie, T Bone Walker, Louis Armstrong e tantos outros. Mas não me ficava só por este universo. Gosto de música clássica. Sou apaixonada por Chopin. A música Celta sempre me encantou mesmo antes de sequer desconfiar que iria viver na Irlanda. Ouvi e oiço muita música e isso é como uma construção. São os tijolos. Mas a estrutura tem de estar lá para a casa não cair. A essência. Acho que não fui eu que escolhi o blues e soul mas sim “eles” me escolheram a mim e não posso estar mais feliz com isso.

Descobriste que a tua voz era talhada para este género, ou achas que a foste / se foi moldando pela música que ouvias e procuravas? Fui abençoada com uma voz grave e potente. Ideal para estes géneros. Mas a voz é como o nosso inteleto. Eu fui alimentando-a a blues, soul e jazz e ela foi crescendo e evoluindo nesse sentido.

Como se desenvolve o teu processo criativo? Letra primeiro ou as palavras vão rolando sobre a música num ensaio?

É como calha. Por vezes faço as melodias primeiro e as letras vêem depois. Às vezes é ao contrário. Mas o mais comum é fazer tudo em simultâneo. Letra e música. Passo a passo. Acorde a acorde. Às vezes faço uma música completa em meia hora. Outras vezes demoro 2, 3, 4 horas. Nunca gosto de parar quando começo. Nem para beber água ... e o mundo pode cair que não paro enquanto a musica não nasce. Costumo chamar-lhes “my babies”. E quando estão cá fora quero mostrá-los ao mundo inteiro. Olhar, escutar e contemplá-los sem me cansar porque são as coisas mais lindas do mundo. Mas às vezes não consigo acabar e gravo no laptop ou telemóvel. E aí ficam à espera de serem terminadas. À espera da inspiração.

E as tuas letras? Onde te inspiras?

Em tudo. Na vida, No dia a dia. Na paisagem. No amor. Nas pessoas. Muitas vezes as pessoas pensam que um músico escreve só sobre o que aconteceu. Mas acontece que dou por mim a escrever sobre o que poderia ter sido, invento histórias, crio personagens. É esse o encanto. Mas é claro que há canções que fogem a esta magia do sonho e espelham a realidade tal como ela é. Como por exemplo o meu original “Liberia”, o qual escrevi depois de ver um documentário sobre este país que me tocou e entristeceu muito. Tudo serve de inspiração e adoro fugir ao óbvio.

Escolheste a guitarra como tua exclusiva parceira de palco. Foi o instrumento que achaste mais adequado ao teu género ou já tocavas antes de cantar?

A guitarra não é um instrumento para mim. É como se fosse uma pessoa muito especial. Tem nome, tem personalidade, tem história e conhece-me melhor que ninguém. Viajou comigo para Dublin e Londres, e foi ao meu lado no avião. Tive de pagar bilhete para a guitarra como se fosse uma pessoa mas jamais a enviaria no porão. Não deixo que ninguém toque nela. Que posso fazer? Sou possessiva com tudo o que amo. Mas não. A guitarra veio depois do canto mas é um amor incondicional e sem ela sinto-me incompleta.

E como encontraste a tua guitarra? Foi amor à primeira vista?

Neste momento tenho uma Ibanez elétrica mas quando a comprei ia para trazer uma Gretsch hollow body white. Mas a Rita (nome da guitarra) estava lá. Dourada e encantadora. Pedi para experimentar and yes... it was “love for the first sight”. Mas a Gretsch não me escapa da próxima vez.

E o Surf, chegou antes ou depois da música?

O surf entrou na minha vida como um presente. Estava eu a estudar para os exames em casa e os meus amigos todos na praia. Estava concentrada quando na rádio passou um spot a dizer “Queres ganhar 4 dias nas Billabong Girls em Carcavelos, aulas de surf, estadia em hotel quatro estrelas, fato e prancha? Envia uma frase...” Liguei o computador e enviei a minha frase. E esqueci-me daquilo. Passado uns dias estava a estudar e ligaram da rádio a dizer que tinha ganho. Foram as melhores férias de sempre. Descobri que tinha jeito e que o surf é o desporto mais maravilhoso que alguma vez experimentei. E em cima da prancha pela primeira vez pude ver um mundo diferente e inteiramente novo. Adorei a sensação à noite de sentir o colchão balançar como ondas no mar. Nunca mais quis outra coisa.

Qual (onde foi e quando) o teu melhor concerto? E o pior? O que tiveram de especial?

Os melhores concertos foram em Londres em Chelsea Bridge, em Lisboa no Chapitô em em Cascais no “European HOG rally 2012”. O primeiro pela viagem, pelas condições de som, pela plateia e pelo glamour. O segundo pelo magnífico público, som e great atmosphere. O último por ter sido especial. Foi maravilhoso ver os motards a dançarem ao meu som. Três crianças vieram ao palco enquanto estava a cantar para me darem beijinhos. Foi enternecedor e engraçado porque tudo parecia ir correr mal uma vez que foi o pior soundcheck de sempre. O equipamento falhou e estive mesmo para não tocar. Mas depois tudo acabou por solucionar-se e foi maravilhoso.

O pior foi em Dublin no “Panama”. Depois de quase duas horas a cantar, o dono do bar chegou e quando me viu a arrumar o som disse arrogantemente “que estás a fazer? Volta a montar e a tocar porque ainda não te ouvi”. O meu sangue ferveu e disse-lhe uma série de verdades na cara. Saí para uma noite fria e percorri o caminho de volta a casa com o coração pesado e lágrimas nos olhos. Pela O'Connell Street, carregada, e o céu escuro salpicado de estrelas... o sentimento de ser pequena. Demasiado pequena num mundo cruel.

Qual foi o primeiro disco que compraste?

A verdade é que nunca comprei um disco. Os meus pais têm uma verdadeira colecção de CD e vinis. E a música foi sempre uma partilha entre amigos “Emprestas-me este CD? Olha vê se queres algum dos meus?” E depois há toda aquela questão do computador. Mas a minha irmã ofereceu-me um CD da Shania Twain quando tinha 11 anos e foi um presente marcante porque na altura era tudo o que eu queria.

Qual a tua banda/produtor e tema preferido atualmente, e qual a banda/produtor e tema preferido de sempre (internacional e português)?

Sou louca pelo Ray Charles, Louis Armstrong, Memphis Minnie, Frank Sinatra, Billy Holiday, Vaya com Dios... oh tantos e há tantas músicas que gosto. No momento tenho cantado muito “Gotta make a change blues” de Memphis Minnie. Em Portugal admiro Jorge Palma pelo seu percurso, pelas letras e pela musicalidade. Adoro “Deixa-me rir”.

Melhor disco de sempre (internacional e português)?

Nat King Cole “Body and Soul”e Jorge Palma “Voo Nocturno”.

Melhor guitarrista de sempre? (Sugere um tema)

T Bone Walker. “Don't throw your love on me so strong” é uma daquelas músicas que posso ouvir over and over again sem me cansar. A guitarra é absolutamente fenomenal.

Melhor baterista de sempre? (Sugere um tema)

Max Roach sem dúvida. Um génio da bateria.

Melhores vozes masculina e feminina de sempre? (Sugere um tema)

Screamin' Jay Hawkins e Dani Klein. “I put a Spell on you” the Screamin' Jay Hawkins. Maravilhoso!

Como é fazer música em Portugal no auge (esperemos) da crise que assola o país em pleno 2012? E lá fora achas que seria melhor?

Já Bessie Smith dizia “Nobody knows you when you're down and out” no auge da great depression. Acho que são nas piores alturas da vida que se compõem as grandes obras porque a dificuldade faz com que procuremos na arte um escape para as nossas tristezas. Sem dúvida de que lá fora os músicos são mais respeitados e há mais oportunidades. Em Portugal as pessoas estão a alargar horizontes e noto que há muita carência de boa música. Os portugueses estão fartos de Pimba e querem mais, música com qualidade.

Mas o mercado musical não existe em Portugal. As Editoras não fazem nada, não investem, não criam nem geram valor. Ficam sentadas à espera de melhores dias. Não é assim que se trabalha nem se atinge objetivos. Vivemos num país em que se dá mais valor aos carros, casas e aparência do que à cultura. Um país que esquece e negligencia uma grande potencial artístico. Não só a nível musical mas também no cinema, nas artes plásticas etc. É preciso brilhar lá fora para sermos reconhecidos em Portugal.

Onde gostavas de fazer o teu concerto em 2028 de título "Sara Paço - 20 anos e uma guitarra"? E se pudesses, quem gostarias de convidar ao palco a tocar/cantar um tema contigo?

Gostava de fazer esse concerto na “Times Square” e gostava de convidar ao palco um músico que conheci recentemente e que me maravilhou por ser um grande médico, um grande cantor e compositor com um estilo único e diferente. É maravilhoso ver que a música atravessa profissões, extratos sociais, raças e credos. Mas quando há talento... ele está lá, indiscutível! O nome: Miguel Stanley.

Qual é a melhor sala/espaço de concertos de Lisboa? E do país?

Acho que o Coliseu de Lisboa e também o do Porto, bem como o Pavilhão Atlântico são os melhores. O nosso país é rico em beleza e não faltam por aí palcos lindos e cheios de história. Só falta mesmo iniciativas para os pôr a render.

Qual é o teu local preferido em Lisboa (de noite e de dia) e qual é o teu canto secreto na cidade do Sol?

Sou apaixonada pelo Castelo de São Jorge e um passeio à beira rio não podia ser mais maravilhoso.
À noite, Santos, Alfama e Bairro Alto.

Muito obrigado. E boa viagem de regresso até Ohio!

Obrigado eu! Adorei ser entrevistada por esta revista maravilhosa. E aproveito para vos agradecer esta oportunidade e também gostava de agradecer a todos os meus amigos e fãs que me acompanham todos os dias e me incentivam tão carinhosamente. Sem eles e os meus patrocinadores (Semente Surfboards, Chakra Gym, JC Hairstlylist, Extra Extra Surf e a grande White Clinic). Muito obrigada a todos!

>> Sara Paço atua a 23 agosto, às 22h em Cascais, nas Festas do Mar.

_
Enlaces

__ __ 

* Originalmente publicada a 9 de Agosto de 2012, na Le Cool Lisboa * 352

Le Capa * 352

por Homem-Macaco
__ __


* Originalmente publicado a 9 de Agosto de 2012, na Le Cool Lisboa * 352

Le Capa * 351


Por R.

Le Entrevista a Led Bib por Pedro Tavares


Em antevisão ao concerto no Anfiteatro ao Ar Livre da Fundação Gulbenkian, no próximo 4 de agosto de 2012, os Led Bib (na pessoa de Mark Holub) respondem a algumas perguntas sem se deixarem ficar ao relento. O Jazz em Agosto 2011 findou, viva o Jazz em Agosto 2012!

Como se formaram os Led Bib?

Em verdade, a banda começou como projeto de mestrado na Middlesex University em North London. O meu projeto principal para o curso era o de compor e tocar música com os Led Bib.

Le Entrevista a Evan Parker por Pedro Tavares


Evan Parker colocou-se à disposição para responder a algumas perguntas da Le Cool uns dias antes do reencontro com Misha Mengelberg no Jazz em Agosto, a 5 de Agosto, no Anfiteatro ao Ar Livre da Gulbenkian. Bem disposto e articulado, o saxofonista é um grandes nomes da música improvisada da atualidade. É uma sucessão pergunta-resposta a um ídolo vivo, abrindo excelentes expetativas para um concerto que será certamente bem ao vivo, vivo.

Atuaram [Mengelberg e Parker] juntos apenas uma vez na sala Bimhuis em Amesterdão em 2006, do qual resultou a edição de um trabalho: “It Won’t Be Called Broken Chair”. Querem recordar-me esse concerto?

Ainda que o concerto do Bimhuis tenha sido a nossa primeira experiência como dueto, a nossa relação vem de muito antes, do contato entre os músicos de Inglaterra, Alemanha e Holanda. Através de Peter Kowald conheci Peter Brötzman, através dele conheci Han Bennink e Willem Breuker e através dos dois, fui apresentado a Misha.