Mostrar mensagens com a etiqueta NunoT. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta NunoT. Mostrar todas as mensagens

Le Entrevista a João Costa (Lasers) por Nuno T

João Costa é um portuense que foi dar umas voltas à Holanda e por lá ficou. Dado aos beats e ambiências musicais que transmitem e provocam um estado de espírito contemplativo-espacial. Fã contaminado pelos territórios da "eletrónica do norte" - Eskemo & Boards of Canada diz serem as suas influências.

Talvez esse gosto natural o tenha levado até ao norte da Europa e aí decidido ancorar a sua vida por uns tempos (ou para sempre, quem sabe). Ou talvez tenha sido o contrário, e seja o ADN do próprio João, "homem do norte" como dizemos cá na terra, a quem o Norte sabia a Sul e decidiu "subir" mais um pouco, e então, se tenha apaixonado pelas etéreas quasi oníricas paisagens musicais dessas terras. Mas é um pouco como a questão do ovo e da galinha. Não importa se a João chegou primeiro a música ou o local.

O que importa é que foi em Utrecht que criou o projeto musical LASERS, com o qual editou recentemente o EP homónimo pela Bad Panda Records. Sabe a frio. Sabe a Norte. Sabe àquela fresca magia que nos chega da Europa lá de cima. Só que, desta vez, é um de nós que a faz e que de lá a envia.

Le Entrevista a Julie & the Carjackers por NunoT


Julie & the Carjackers nasce em 2009 da ligação neural de dois cérebros com uma visão da música muito específica. João Correia e Bruno Pernadas, pressente-se, olham para a música através de linhas pautadas. E mesmo que assim não seja fazem-no como se assim fosse. E porquê?, perguntam. Simplesmente porque se percebe que pensam realmente na música que fazem. Pensam-na profundamente. Vão às entranhas de cada pista e instrumento nos seus temas. Vão ao detalhe de cada compasso, de cada linha melódica ou do break rítmico entre a quadra e a ponte que desemboca no refrão. Tudo na sua música faz sentido melódico, harmónico e rítmico. E isto, meus caros, é qualidade na arte de compor e fazer arranjos, que é coisa que o tempo e a tecnologia se tem encarregado de pouco a pouco fazer esmorecer na música de hoje, frequentemente limitada a dois ou três bons acordes de guitarra, ou um beat forte, ou mesmo um simples timbre poderoso "sinteticamente manipulado".

Le Entrevista aos ÖLGA por NunoT


Fiéis a um estilo de rock que parece ter um pé aqui e outro além. Mais concretamente um pé em hoje e outro até há mais de 50 anos. É indie rock na sua definição mais pura. E assim dito pouco parece ter de especial. O que os torna diferentes, é que os Ölga fazem isto há mais de 10 anos. E lembremo-nos todos onde estávamos em 2001. A eletrónica de dança e de ambientais relax estava na crista da onda e tocava omnipresente em todo o par de colunas stereo implantadas em qualquer espaço público. O electro clash devia ainda começar a surgir daí a uns 2 ou 3 anos, e para o rock sólido com camadas eletrónicas a la DFA faltava ainda meia década. Portanto aquela espécie de rock "à antiga" feito com sons de hoje, que atualmente se faz e ouve um pouco por todo o lado, o revivalismo rock, carregado de imagens sonoras (e vídeo) psicadélicas, já os Ölga conhecem desde que decidiram fazer música juntos.

Le Entrevista a Sara Paço por NunoT

Sara Paço chega a Lisboa vinda de Ohio, onde cresceu com o Blues e Soul americanos dos anos 50 a entrar-lhe nas veias desde a mais tenra idade. Não é verdade mas podia ser, porque Sara Paço, geneticamente filha de Lisboa, foi totalmente possuída pela alma blues de algum espírito que por estas bandas pairava quando ela nasceu, em 1987.

Em palco apresenta-se (sempre) a solo. Nos braços uma guitarra vermelha (estilo anos 50) que toca geralmente suave com dedilhados ou harpejos simples mas eficazes. Na garganta uma das mais invejáveis vozes que se pode ouvir pelo país fora, com afinação, expressividade, e garra que surpreende o seu habitat físico, o corpo de uma moça alta e magra de 25 anos. Surpreendente. Mas há mais, é que para além do seu claro dote natural vocal, Sara Paço revela-se igualmente detentora de uma excelente capacidade criativa musical.

No seu myspace podem escutar vários originais de composição totalmente sua, por entre a cover de "Moon River" e "Don't Cry For Louie" interpretadas com arranjos originais suficientemente bem compostos para receberem os aplausos dos seus autores e longa lista de intérpretes que até hoje interpretaram estes mesmos clássicos. Sara Paço tem tudo para vencer aqui, na América (sonho plausível, sobretudo depois do exemplo dado pelos veteranos e conterrâneos Dead Combo) e no resto do mundo.

Quem é, de quando e de onde vem Sara Paço? Fala-nos um pouco da tua história e da pessoa por detrás da cantora e autora.

A Sara Paço é uma rapariga sorridente que por onde passa espalha amor e alegria. De guitarra na mão e areia nos pés. Nos olhos verdes uma canção, nas ondas dos cabelos poesia e nas mãos o coração. É assim que vejo o meu reflexo no espelho salgado. Bem Sara, menos... vamos a isto. Eu sou eu. Não há ninguém igual a mim e se me vierem imitar cuidado que tenho mau feitio. Hahaha. Não, agora é a sério. A Sara veio da barriga da mãe... toda a gente sabe. Lá estava-se bem... uma barriga musical. Os pais faziam a festa à espera que nascesse e ouviam música a toda a hora. Aos seis anos não tiveram alternativa e colocaram-me no coro porque andava sempre a cantar. Aos 12 anos comecei a escrever poesia e aos 17 os meus pais ofereceram-me uma guitarra quando tudo o que queria era uma mota. Mas assim que vi a guitarra foi amor à primeira vista, como se tivesse encontrado uma metade de mim. No mês seguinte compus a minha primeira canção. E depois desta vieram 80 e tal até à data.

Licenciei-me em economia pelo ISEG e fui estagiar na Irlanda. Dei concertos em Dublin e ganhei amigos e fãs Irlandeses. Toquei nas ruas. Trabalhei em part-time numa grande venue “The Academy” a limpar casas de banho e a parte mais difícil era ver os músicos a passar carregados com instrumentos para fazer o soundcheck e eu de esfregona na mão a desejar do fundo do coração saltar para o palco e cantar. Viajei para Londres onde me apaixonei pelo Thames e fui assaltada. Aí fiz amigos maravilhosos e regressei duas vezes. Sou aquela que escreveu canções à janela em Dublin “Plastic Flowers” e num autocarro a caminho de Portobello Market “Portobello Road”.

Andei tanto a pé que gastei a sola das botas num mês e fiquei com calos nas mãos de carregar a guitarra comigo para todo o lado. Trilhei pelos caminhos mais incríveis e sinuosos sem nunca perder o rumo. Iluminada pela minha fé, confiança, amor e empenho, cheguei hoje a vocês e a todos os que me lêem. Amanhã será o mundo.

Quando foi e como foi que na tua vida entrou a música que se viria a transformar numa carreira?

Foi quando o meu coração bateu pela primeira vez, quando me nasceu o primeiro dente, quando aprendi a andar de bicicleta. A música já estava em mim. Gravada no meu ADN. Houve um período da minha vida quando tinha 17, 18 anos e estava na faculdade, não sabia bem o que haveria de ser, se economista, se musica. Isso angustiava-me. Ao mesmo tempo que trabalhava em part-time no McDonalds no Colombo e dava concertos para ajudar a pagar as propinas as coisas pareciam muito difusas mas o destino ajudou-me a escolher quando fiz o meu estágio num banco e me proibiram de dar concertos. Nunca até então tinha vivido sem música e foram os meses mais difíceis. Perdi a cor, a alegria de viver e caí doente com anemia. Foi só despedir-me e voltar a ter uma vida própria que me curei e voltei a ser eu, em vez de um robot programado para trabalhar 12 horas por dia, comer em 15 minutos e apresentar resultados. Mas não foi fácil. Imaginemos uma balança. De um lado um trabalho seguro e promissor, uma vida estável e sem sal. Do outro a música, altos e baixos, incertezas, um part-time nas limpezas e um coração corajoso. Já adivinharam o que escolhi!

Sobre a música de Sara Paço.

É diferente, original, refrescante. Quem ouve “sings along”. É como uma receita. Numa taça peneira-se o blues, junta-se o soul e uma pitada de jazz. Envolve-se tudo muito bem. Não esquecer a guitarra, prancha de surf e o anjo da guarda. Tudo com muito amor. Simples!

Porquê este blues com soul? O que gerou esta tua escolha musical na vida?

Porque é que tens olhos castanhos? Foi inevitável. Dei por mim a cair na cama a ouvir Ray Charles e acordar com Nat King Cole. Enquanto estudava para os exames ouvia Memphis Minnie, T Bone Walker, Louis Armstrong e tantos outros. Mas não me ficava só por este universo. Gosto de música clássica. Sou apaixonada por Chopin. A música Celta sempre me encantou mesmo antes de sequer desconfiar que iria viver na Irlanda. Ouvi e oiço muita música e isso é como uma construção. São os tijolos. Mas a estrutura tem de estar lá para a casa não cair. A essência. Acho que não fui eu que escolhi o blues e soul mas sim “eles” me escolheram a mim e não posso estar mais feliz com isso.

Descobriste que a tua voz era talhada para este género, ou achas que a foste / se foi moldando pela música que ouvias e procuravas? Fui abençoada com uma voz grave e potente. Ideal para estes géneros. Mas a voz é como o nosso inteleto. Eu fui alimentando-a a blues, soul e jazz e ela foi crescendo e evoluindo nesse sentido.

Como se desenvolve o teu processo criativo? Letra primeiro ou as palavras vão rolando sobre a música num ensaio?

É como calha. Por vezes faço as melodias primeiro e as letras vêem depois. Às vezes é ao contrário. Mas o mais comum é fazer tudo em simultâneo. Letra e música. Passo a passo. Acorde a acorde. Às vezes faço uma música completa em meia hora. Outras vezes demoro 2, 3, 4 horas. Nunca gosto de parar quando começo. Nem para beber água ... e o mundo pode cair que não paro enquanto a musica não nasce. Costumo chamar-lhes “my babies”. E quando estão cá fora quero mostrá-los ao mundo inteiro. Olhar, escutar e contemplá-los sem me cansar porque são as coisas mais lindas do mundo. Mas às vezes não consigo acabar e gravo no laptop ou telemóvel. E aí ficam à espera de serem terminadas. À espera da inspiração.

E as tuas letras? Onde te inspiras?

Em tudo. Na vida, No dia a dia. Na paisagem. No amor. Nas pessoas. Muitas vezes as pessoas pensam que um músico escreve só sobre o que aconteceu. Mas acontece que dou por mim a escrever sobre o que poderia ter sido, invento histórias, crio personagens. É esse o encanto. Mas é claro que há canções que fogem a esta magia do sonho e espelham a realidade tal como ela é. Como por exemplo o meu original “Liberia”, o qual escrevi depois de ver um documentário sobre este país que me tocou e entristeceu muito. Tudo serve de inspiração e adoro fugir ao óbvio.

Escolheste a guitarra como tua exclusiva parceira de palco. Foi o instrumento que achaste mais adequado ao teu género ou já tocavas antes de cantar?

A guitarra não é um instrumento para mim. É como se fosse uma pessoa muito especial. Tem nome, tem personalidade, tem história e conhece-me melhor que ninguém. Viajou comigo para Dublin e Londres, e foi ao meu lado no avião. Tive de pagar bilhete para a guitarra como se fosse uma pessoa mas jamais a enviaria no porão. Não deixo que ninguém toque nela. Que posso fazer? Sou possessiva com tudo o que amo. Mas não. A guitarra veio depois do canto mas é um amor incondicional e sem ela sinto-me incompleta.

E como encontraste a tua guitarra? Foi amor à primeira vista?

Neste momento tenho uma Ibanez elétrica mas quando a comprei ia para trazer uma Gretsch hollow body white. Mas a Rita (nome da guitarra) estava lá. Dourada e encantadora. Pedi para experimentar and yes... it was “love for the first sight”. Mas a Gretsch não me escapa da próxima vez.

E o Surf, chegou antes ou depois da música?

O surf entrou na minha vida como um presente. Estava eu a estudar para os exames em casa e os meus amigos todos na praia. Estava concentrada quando na rádio passou um spot a dizer “Queres ganhar 4 dias nas Billabong Girls em Carcavelos, aulas de surf, estadia em hotel quatro estrelas, fato e prancha? Envia uma frase...” Liguei o computador e enviei a minha frase. E esqueci-me daquilo. Passado uns dias estava a estudar e ligaram da rádio a dizer que tinha ganho. Foram as melhores férias de sempre. Descobri que tinha jeito e que o surf é o desporto mais maravilhoso que alguma vez experimentei. E em cima da prancha pela primeira vez pude ver um mundo diferente e inteiramente novo. Adorei a sensação à noite de sentir o colchão balançar como ondas no mar. Nunca mais quis outra coisa.

Qual (onde foi e quando) o teu melhor concerto? E o pior? O que tiveram de especial?

Os melhores concertos foram em Londres em Chelsea Bridge, em Lisboa no Chapitô em em Cascais no “European HOG rally 2012”. O primeiro pela viagem, pelas condições de som, pela plateia e pelo glamour. O segundo pelo magnífico público, som e great atmosphere. O último por ter sido especial. Foi maravilhoso ver os motards a dançarem ao meu som. Três crianças vieram ao palco enquanto estava a cantar para me darem beijinhos. Foi enternecedor e engraçado porque tudo parecia ir correr mal uma vez que foi o pior soundcheck de sempre. O equipamento falhou e estive mesmo para não tocar. Mas depois tudo acabou por solucionar-se e foi maravilhoso.

O pior foi em Dublin no “Panama”. Depois de quase duas horas a cantar, o dono do bar chegou e quando me viu a arrumar o som disse arrogantemente “que estás a fazer? Volta a montar e a tocar porque ainda não te ouvi”. O meu sangue ferveu e disse-lhe uma série de verdades na cara. Saí para uma noite fria e percorri o caminho de volta a casa com o coração pesado e lágrimas nos olhos. Pela O'Connell Street, carregada, e o céu escuro salpicado de estrelas... o sentimento de ser pequena. Demasiado pequena num mundo cruel.

Qual foi o primeiro disco que compraste?

A verdade é que nunca comprei um disco. Os meus pais têm uma verdadeira colecção de CD e vinis. E a música foi sempre uma partilha entre amigos “Emprestas-me este CD? Olha vê se queres algum dos meus?” E depois há toda aquela questão do computador. Mas a minha irmã ofereceu-me um CD da Shania Twain quando tinha 11 anos e foi um presente marcante porque na altura era tudo o que eu queria.

Qual a tua banda/produtor e tema preferido atualmente, e qual a banda/produtor e tema preferido de sempre (internacional e português)?

Sou louca pelo Ray Charles, Louis Armstrong, Memphis Minnie, Frank Sinatra, Billy Holiday, Vaya com Dios... oh tantos e há tantas músicas que gosto. No momento tenho cantado muito “Gotta make a change blues” de Memphis Minnie. Em Portugal admiro Jorge Palma pelo seu percurso, pelas letras e pela musicalidade. Adoro “Deixa-me rir”.

Melhor disco de sempre (internacional e português)?

Nat King Cole “Body and Soul”e Jorge Palma “Voo Nocturno”.

Melhor guitarrista de sempre? (Sugere um tema)

T Bone Walker. “Don't throw your love on me so strong” é uma daquelas músicas que posso ouvir over and over again sem me cansar. A guitarra é absolutamente fenomenal.

Melhor baterista de sempre? (Sugere um tema)

Max Roach sem dúvida. Um génio da bateria.

Melhores vozes masculina e feminina de sempre? (Sugere um tema)

Screamin' Jay Hawkins e Dani Klein. “I put a Spell on you” the Screamin' Jay Hawkins. Maravilhoso!

Como é fazer música em Portugal no auge (esperemos) da crise que assola o país em pleno 2012? E lá fora achas que seria melhor?

Já Bessie Smith dizia “Nobody knows you when you're down and out” no auge da great depression. Acho que são nas piores alturas da vida que se compõem as grandes obras porque a dificuldade faz com que procuremos na arte um escape para as nossas tristezas. Sem dúvida de que lá fora os músicos são mais respeitados e há mais oportunidades. Em Portugal as pessoas estão a alargar horizontes e noto que há muita carência de boa música. Os portugueses estão fartos de Pimba e querem mais, música com qualidade.

Mas o mercado musical não existe em Portugal. As Editoras não fazem nada, não investem, não criam nem geram valor. Ficam sentadas à espera de melhores dias. Não é assim que se trabalha nem se atinge objetivos. Vivemos num país em que se dá mais valor aos carros, casas e aparência do que à cultura. Um país que esquece e negligencia uma grande potencial artístico. Não só a nível musical mas também no cinema, nas artes plásticas etc. É preciso brilhar lá fora para sermos reconhecidos em Portugal.

Onde gostavas de fazer o teu concerto em 2028 de título "Sara Paço - 20 anos e uma guitarra"? E se pudesses, quem gostarias de convidar ao palco a tocar/cantar um tema contigo?

Gostava de fazer esse concerto na “Times Square” e gostava de convidar ao palco um músico que conheci recentemente e que me maravilhou por ser um grande médico, um grande cantor e compositor com um estilo único e diferente. É maravilhoso ver que a música atravessa profissões, extratos sociais, raças e credos. Mas quando há talento... ele está lá, indiscutível! O nome: Miguel Stanley.

Qual é a melhor sala/espaço de concertos de Lisboa? E do país?

Acho que o Coliseu de Lisboa e também o do Porto, bem como o Pavilhão Atlântico são os melhores. O nosso país é rico em beleza e não faltam por aí palcos lindos e cheios de história. Só falta mesmo iniciativas para os pôr a render.

Qual é o teu local preferido em Lisboa (de noite e de dia) e qual é o teu canto secreto na cidade do Sol?

Sou apaixonada pelo Castelo de São Jorge e um passeio à beira rio não podia ser mais maravilhoso.
À noite, Santos, Alfama e Bairro Alto.

Muito obrigado. E boa viagem de regresso até Ohio!

Obrigado eu! Adorei ser entrevistada por esta revista maravilhosa. E aproveito para vos agradecer esta oportunidade e também gostava de agradecer a todos os meus amigos e fãs que me acompanham todos os dias e me incentivam tão carinhosamente. Sem eles e os meus patrocinadores (Semente Surfboards, Chakra Gym, JC Hairstlylist, Extra Extra Surf e a grande White Clinic). Muito obrigada a todos!

>> Sara Paço atua a 23 agosto, às 22h em Cascais, nas Festas do Mar.

_
Enlaces

__ __ 

* Originalmente publicada a 9 de Agosto de 2012, na Le Cool Lisboa * 352

Le Entrevista a NunoT por Rafa (Le Cool Team)

NunoT iniciou os estudos de música aos 6 anos, compõe desde os 17, e pelo caminho licenciou-se em Economia em Lisboa. Em 2011 criou a marca Sounds Real com a qual edita produções musicais para Video, TV, Teatro, Radio e Web Blogging. Com a música faz de tudo um pouco, desde crónicas políticas em VaiUmaGasosa.com, a bandas sonoras que passaram já pelo Fantasporto e a Experimenta Design. Quando não faz música, escreve sobre ela, em LeCool.com e DIF. E quando não faz nem escreve sobre música, sai de casa e vai ouvi-la pelas ruas da cidade.


Fala-me de ti e não me omitas nada.

Bem, antes de mais e talvez melhor para começar, importa saberes (se é que não sabes já) da minha incapacidade crónica para a síntese. Escrevo demais. E quando me pega o entusiasmo também falo demais, mas o prato forte é mesmo o escrito. Mais a mais, desde que comecei a escrever mais com as teclas do que com o papel.

Le Entrevista aos a Jigsaw por NunoT


Quem são os a Jigsaw? Falem-nos um pouco do trio de pessoas por trás dos músicos.

Os a Jigsaw são o Jorri, a Susana Ribeiro e o João Rui. Julgo que não há muito a falar acerca das pessoas por detrás dos músicos porque tentamos que a nossa música seja suficientemente sincera para justificar as pessoas que somos. Talvez fizesse mais sentido falar dos músicos por trás das pessoas.

Quando foi e como foi que nas vossas vidas entrou a música que se viria a transformar numa carreira (de cada um)? E como é que os vossos percursos musicais se cruzaram?

A música entrou bastante cedo na vida de cada um devido à importância que têm as memórias que lhe associamos da nossa infância. Contudo, é a Susana a primeira a enveredar por esse caminho, por via da formação clássica do conservatório. Quanto a mim e ao Jorri, esse caminho surgiria bastante mais tarde, quando percebemos que a nossa paixão por música não se bastava na sua audição. Os percursos cruzam-se entre mim e o Jorri em 99, quando formámos os a Jigsaw. Finalmente, os nossos percursos cruzaram-se com a Susana Ribeiro em 2005 quando a convidámos para tocar violino em algumas faixas do nosso primeiro álbum “Letters From The Boatman”.

Le Entrevista a D-Mars / Rocky Marsiano por Nuno T


Marko Roca também conhecido como D-Mars, Rocky Marsiano, o Microlandês ou ainda como "Espião em Amsterdão", é certamente um dos DJ/Produtores portugueses melhor projetado na Europa nos dias de hoje. Depois do seu intenso e bem construído percurso com a (entretanto extinta) Loop Recordings em Lisboa, D-Mars transferiu-se em 2008 para Amsterdão, cidade onde tem elevado a sua carreira enquanto Músico, DJ e Produtor, e a partir da qual tem aproveitado para projetar no mundo alguma da corrente musical eletrónica made in Portugal.

"Lisbon Bass" compila o trabalho de 14 jovens músicos dos mares da eletrónica de dança portuguesa e é o mais recente projeto de D-Mars enquanto produtor, segundo o qual este disco surge com a intenção de captar o momento especial que a música eletrónica vive atualmente em Lisboa. A Le Cool Lisboa aplaude a iniciativa e o projeto e encontra-se com Marko Roca para saber mais sobre si, a sua estadia na cidade do mais puro "Open Mind" e sobre este potentíssimo "Lisbon Bass".

Le Entrevista aos Capitães da Areia por NunoT


Os Capitães da Areia vêm de outro tempo e de outro espaço. Um mundo onde reina uma espécie de boa disposição universal e constante no tempo. Há alegria, muito sol, calor e praias por todo lado. Aliás, o mundo dos Capitães da Areia é uma praia gigante sem saída e na qual o sol nunca se põe. E claro, muita onda para surrar ou simplesmente para nos deixarmos molhar até ao tornozelo. No mundo dos Capitães tudo é alegre, colorido, democraticamente perfeito. Vêm do tempo em que a maior preocupação era o fim de um amor de verão, e um espaço onde todos são Capitães de tudo. Até o último dos marinheiros é capitão no seu solo. Afinal se o indomável mar não pertence a ninguém, a terra, essa é de todos.

A Le Cool quis visitar a praia dos Capitães, onde, claro, não há telefones nem grandes sinais da tecnologia. Por isso mandaram-me à frente num barco à vela sem capitão, nem remos. Sem saber como, lá cheguei, e sem perceber bem porquês quatro Capitães me esperavam na praia de onde me acenavam frenética, quase histericamente. Lisonjeado e excitado por tão efusiva ainda que misteriosa recepção, visto que não anunciara a minha chegada, coloquei o barco de vento em popa para acelerar o meu encontro com os Capitães. Percebi tarde o significado dos seus acenos, e não pude evitar um brutal embate num tramado de um rochedo que mal se via em hora de maré cheia. Mas se há bom sítio no mundo onde encalhar é na praia dos Capitães da Areia. Há música fresca todos os dias e a boa disposição salta de acorde em acorde, de batuque em batuque.

Le Entrevista a Fernando Cabral por Nuno T

Bom dia Fernando. Antes de mais, como te sentes hoje? Como está a correr o teu dia?

Sinto-me bem, acordar todos os dias vivo é uma benção e dou muito valor a isso, é aproveitar a vida todos os dias ao máximo e tentar fazer algo positivo.

Conta-nos, por favor, um pouco da tua vida e de como nasceu a tua carreira profissional na música. Para além da produção de eventos, és músico? Tens ou tiveste algum projeto musical?

Nasci na Guiné Bissau e vivi em Africa até aos 7 anos, seguiu-se Paris até aos 18 e desde 1994 em Portugal. Sempre fui muito ligado à música, cantava numa banda quando era adolescente mas nunca tentei uma carreira a sério, mas a música teve sempre presente na minha vida e é a minha maior paixão. Em 1999 fiz o 3º ano de faculdade em Nova Iorque onde fiz um estágio na VP Records, maior editora mundial de reggae, foi aí que pensei que talvez poderia seguir este caminho profissional além de ter sido a minha primeira experiência no meio do reggae e dos jamaicanos.

Regressei a Portugal e trabalhei na Universal Music e outros. Em 2000 comecei a atuar regularmente em bares de Sintra (tive 3 anos a atuar todas as sextas no Rustikafé em São Pedro de Sintra), Lisboa (Bar 121, Clube Naval, Mood, Jamaica etc.) e arredores, como Dj e ao ver que a malta curtia cada vez mais o reggae comecei a organizar festas em 2002 com a Positive Vibes e nunca mais parei…

E a Sounds Good quando e como nasceu?

Saí da Positive Vibes em 2008 e criei a Sounds Good, como sempre fui a pessoa responsável pelos bookings da PV vinha já com uma bagagem muito grande de contatos e experiência que me levaram a seguir em frente com este projeto. Em 2009 entrou o meu sócio Miguel Ângelo e as coisas têm estado a crescer ano após ano.

A Sounds Good está a preparar o primeiro festival de Reggae em Portugal, o Reggae Blast, com o primeiro dia no Campo-Pequeno em Lisboa, e o dia seguinte no Porto. Quais são as vossas expetativas para esta inauguração, e o que deve/pode o público esperar para estes "dois dias de Reggae non stop"?

A expetativa é muito boa pois temos um excelente cartaz e a promoção esta a correr muito bem. O público pode esperar duas grandes noites de celebração da música reggae em todo o seu sentido, ou seja muita união, boa música e vibrações fortes entre os artistas e o massivo. O cartaz tem 3 nomes muito fortes ao vivo que prometem incendiar Lisboa e Porto, além disso, todos os artistas são muito amigos uns dos outros portanto o ambiente promete ser muito bom e haverá de certeza umas surpresas e grandes momentos.

E para além do Reggae Blast, mais novidades na calha que se possam antecipar aqui na Lecool?

Já temos garantido o regresso de alguns artistas top da Sounds Good este verão e também estreias de novas apostas, não posso divulgar muita coisa...

A Sounds Good trabalha vários géneros musicais, todos de raiz fortemente Africana, sendo o Reggae talvez o género com principal destaque. Que tempos vive o Reggae em Portugal? Temos mercado para espetáculos de Reggae, e quem sabe para a edição de discográfica?

Eu faço parte do movimento reggae em Portugal há muitos anos, já oiço dizer há quase 10 anos que o reggae esta na moda, começou com Gentleman ou Patrice e continua hoje em dia com Dub Inc, SOJA, Alborosie, Groundation, etc…Fico muito feliz de ver que o Reggae já se espalhou pelo país todo pois hoje em dia existem soundsystems, bandas e festas organizadas em Aveiro, Torres Vedras, Porto, Braga, Faro, Açores, Margem Sul, etc… a nova geração está aí com força e isto deixa-me muito feliz pois prova que a semente foi bem plantada e começa a dar frutos…parabéns e força a todos! Em termos de discos, artistas como o Richie Campbell, Bezegol, Souls of Fire, Urbanvybz, Prince Wadada, Kussondulola (sempre aí), Jah Vai, Like The Man Said e tantos outros mostra que existe um mercado em crescimento e público a apoiar, força para todos.

No site da Sounds Good encontramos artistas de praticamente todos os Continentes. Europa, América, África, Oceania. Para além de trazer cá estes artistas, a Sounds Good trabalha também em eventos além fronteiras?

Sim, eu sou de Guiné Bissau e a minha família tem fortes ligações a Cabo Verde e outros países africanos como o Senegal e a Costa do Marfim, já fizemos vários concertos em Cabo Verde que é um mercado no qual queremos investir. Além disso e duvido as minhas muitas viagens ao continente e ligações a artistas como Tiken Jah Fakoly (Costa do Marfim), Naby e Meta Dia (Senegal), Manjul (Mali) e outros, Africa é um continente que nos atrai muito e esperemos nos próximos anos estar cada vez mais presente lá, Africa is the Future… A Sounds Good tem a sorte de trabalhar com artistas do mundo inteiro e obviamente que isto também nos leva a querer estar presente nos seus países, o meu sócio tem fortes ligações aos artistas brasileiros que é também outro mercado que nos interessa muito.

O Reggae é um género musical com pelo menos 40 anos de idade, e que já está demonstrado que não morrerá nunca. No entanto, tal como todos os géneros musicais, tem evoluído e mutado ao longo dos anos. Qual poderá ser a próxima evolução do Reggae? E que possibilidade tem o Reggae de se fundir substancialmente com outros géneros e quem sabe criar um subgénero novo? (Por exemplo, lembro-me de um disco de Gilberto Gil totalmente constituído de temas de Bob Marley tocados em chave de Bossa/Samba. E a combinação rítmica de ambas as raízes musicais resultou, a meu ver, muito bem). É possível esperar a afirmação de fusões como esta num futuro próximo? Sobretudo numa era em que os músicos, movidos pela necessidade de rentabilizar o seu tempo, se associam muito a outros músicos.

Eu acho que o reggae hoje em dia já não pertence apenas à Jamaica e está presente no mundo inteiro com cada país a incorporar as suas tradições e cultura na música, isto esta bem presente no nosso catálogo de artistas com nomes como Dub Inc (França), Groundation (USA), SOJA (USA), Tiken Jah Fakoly (Costa do Marfim), Terrakota (Portugal) e outros que não sendo jamaicanos criaram o seu estilo próprio, penso que a evolução da música passa por aí. Na Jamaica o dancehall domina as pistas de dança mas o roots esta sempre presente e penso que regressará em breve com muita força pois foi o que aconteceu nos anos 90 e penso que irá acontecer novamente, o mundo atual precisa de música consciente e com mensagens fortes.

Fernando, se não existisse o Reggae, qual seria o teu género musical de eleição?

Penso que seria a música africana que é a raiz de tudo.

Lisboa tem uma alma Reggae?

Portugal é um país que vibra com reggae, penso que se deve ao nosso clima, às praias e ao povo, não apenas Lisboa mas em todo o país, aliás quando cá cheguei em 1994 sempre fiquei espantado que não houvesse mais reggae aqui porque todas as condições estavam aqui, entretanto muita coisa mudou e a minha visão tornou-se numa realidade, o reggae esta aí forte e recomenda-se.

Qual é o teu cantinho especial em Lisboa?

O Bairro Alto é sem dúvida o sítio que frequento mais há já muitos anos, o bar do Horácio (O Pescador), o 121, Mood, Spot Bar e, ultimamente, o Roots Bar do Tiago Careca são os meus spots de sempre.

E onde te pode encontrar nesta cidade de dia ou de noite?

De dia numa praia com ondas e de noite em casa com a minha empress ;-) Óbvio que quando vale a pena lá estarei nas festas e concertos a curtir um som.

Por fim, podes sugerir locais de Lisboa aos leitores da Lecool interessados na oferta Reggae da cidade? Locais com regular programação Reggae.

O Jamaica continua aí sempre as terças feiras, mas há festas um pouco por todo lado, sítios como o Bacalhoeiro, Arte e Manha, Bicarte, Casting Club (LX Factory) e outros, têm regularmente festas reggae com todos os soundsystems e djs locais. É só estar atento, também podem consultar sites como o Reggae Vybez, Inforeggae e as páginas de facebook dos diversos sounds e produtoras.

Muito obrigado e boa sorte para o Reggae Blast. Eu vou e já estou ansioso!
Obrigado Le Cool :-)

_
Enlaces
 

__ __ 

* Originalmente publicado a 22 de Março de 2012, na Le Cool Lisboa * 332

Le Entrevista com os Lacraus por NunoT


Quem são os Lacraus? Falem-nos um pouco das 4 pessoas por detrás dos músicos.

Se por um lado há imensas coisas que temos em comum, por outro não poderíamos ser mais diferentes.
Somos 4 tipos, 3 casados, com filhos, e 1 solteiro.

Gostamos de rock descomplicado e direto. Gostamos de estar onde estamos. Temos todos 30 e qualquer coisa anos, e vimos todos do hard-core. Quisemos fazer um disco duro, mas ao mesmo tempo de estádio. Quisemos soltar o punk que nos alimentou, mas quisemos fazê-lo de maneira que um estádio pudesse fazer um monumental "sing along".

Le Entrevista aos Nigga Poison por NunoT


Quem são os Nigga Poison? Falem-nos um pouco das pessoas por detrás dos músicos.

Os Nigga Poison são originalmente formados por mim, Karlon e pelo Praga. Agora junta-se a nós o Beat Laden também. Somos pessoas muito simples, e que amam a música acima de tudo, e estamos sempre dispostos a novos desafios e a explorar novas fronteiras para além dos géneros musicais.

Como começou a vossa vida na música e como foi que as vossas carreiras musicais se cruzaram?

Já nos conhecemos desde miúdos, crescemos juntos no Bairro da Pedreira dos Húngaros. Quando começámos a querer rimar, não tínhamos equipamento nem beats, então fazíamos beatbox e rapávamos por cima. Os anos foram passando e em 1991 começámos com o grupo TWA; o Praga era Mc e eu era o programador musical deles. Depois eu e ele, em 1994, decidimos criar um grupo só os dois, e foi assim que nasceram os Nigga Poison.

Le Entrevista a Magazino por NunoT

Quem é Magazino? E, já agora, porquê o nome Magazino?

Magazino surgiu quando regressei de Espanha em 2008 e achei que tinha de dar uma lufada de ar fresco na minha carreira. Precisei de um desafio extra, e nada mais desafiante que mudar o nome artístico, não renegando o passado, mas imprimindo uma nova dinâmica para o futuro. Magazino pura e simplesmente porque tenho o vício de ler jornais e revistas de diversos quadrantes e de vários países.

Como nasceu a tua paixão pela música? E depois disso, como e quando começaste como DJ?

O meu pai tinha uma grande colecção (100 discos) de música clássica com os melhores compositores desde Wagner, Schubert, Beethoven, Vivaldi, etc. Na altura olhava para aquilo como uma biblioteca. Achava piada a tantos discos e comecei a desenvolver um gosto especial por música num sentido lato. A electrónica surge pouco depois com 14 anos numa excursão de finalistas a Benidorm. Aí sim, fiquei encantado com a movida, as cabines, os djs etc. Comecei então a comprar vinis (maxis) e tocava em casa com pratos de correia, até que aos 17 tornei-me residente  de uma discoteca em Setúbal - "Clubissimo" - a convite de dois amigos que lá trabalhavam. Recordo-me que na altura o Clubissimo já estava na vanguarda da música electrónica o que influenciou de uma forma muito positiva todo o meu trajecto posterior.

E como se cruzou o teu destino com o de José Belo e a Bloop?
 
O Zé fundou a Bloop, na altura subsidiária da já extinta Loop. Creio que ele ouviu um dos temas que tinha acabado de colocar no meu myspace. Não o conhecia. Entrou em contacto comigo para assinar um disco para a Bloop e eu não aceitei de imediato, ficara de pensar no assunto. Na altura vivia em Barcelona e não estava por dentro do que era a editora. Quis saber mais. Pesquisei e horas de conversa depois resolvi aceitar e o disco saiu. A empatia e química foram crescendo culminando com um convite para ser sócio da Bloop ao fim de alguns meses. Ele sentiu que poderia ser muito importante para a marca, eu achei que o meu input iria ser uma mais valia. Na altura que entrei, no fim de 2008 coincidiu com a minha volta para Portugal e com a  trágica morte da minha Mãe que perigou a minha entrada para a sociedade. Superado o choque inicial, seguimos em frente com tudo o que tínhamos delineado e aqui estamos hoje com a Bloop em grande forma.

Desde aí muito mudou. Entraram o João Cruz e o João Gonçalves como sócios, cada um com a sua área e fomos recrutando pessoas para preencher as necessidades que a empresa começou a gerar. Em poucos anos conseguimos consolidar e estabilizar a marca, outros desafios se levantam, outras necessidades surgiram. Estamos atentos e acabámos de recrutar 2 pessoas para áreas que neste momento fazem todo o sentido, marketing e assessoria de imprensa.

A Bloop realizou no dia 8 Outubro a sua festa de lançamento da nova estação e conceito para 2012, o Bloop Sport Clubbing. Conta-nos um pouco mais deste novo conceito e imagem que a Bloop propõe.

Quando entrei para a Bloop, decidi com o Zé e o João incutir maior dinâmica na parte dos eventos e na imagem. Recrutámos algumas pessoas - a Partners (Design) na pessoa do Gil Correia - que passou a trabalhar toda a imagem da Bloop, e o Nuno Carvalho para trabalhar no emergente mundo das redes sociais (isto no inicio de 2009). Na altura a Partners sugeriu a introdução de temáticas com períodos de 9 a 12 meses. Começámos pelo trabalho, seguido da fé/culto onde a imagem já passou de uma forma mais consistente. Agora para os próximos 9 meses optámos pelo desporto. Desta vez a ideia partiu de nós, o Gil e a sua equipa desenvolveram toda a temática de uma forma brilhante, aliás o Gil tem tido um papel fulcral no sucesso da Bloop.

A par da temática lançámos o Bloop Card. É um cartão que vem premiar e fidelizar os clientes que acompanham a Bloop de forma mais interessada e assídua. O cartão tem um chip com todos os dados do seu portador para facilitar e melhorar a identificação na porta dos nossos eventos. Este cartão tem uma série de vantagens associadas. Para já foram impressos 350 como forma de manter alguma restrição e exclusividade para os portadores, com isto não estamos a fechar portas para novos "desportistas" mas sim beneficiar aqueles que connosco já privam de uma forma mais constante.

Entre outras vantagens, iremos ter entrada exclusiva nos eventos para os membros, acesso preferencial para eventos de lotação limitada, descontos nos eventos. Estão também a ser negociadas uma série de parcerias e descontos noutras actividades para o target do Bloop Card.

Qual é o desporto que mais segues?

Futebol, o Vitória em particular. Ténis e Basquetebol com especial enfoque na NBA.

Praticas algum desporto? Qual?

Sim, squash, futebol, xadrez e umas corridas de vez em quando.

Qual o teu sucesso/feito mais recente (dentro ou fora da Bloop)?

O melhor ainda está por vir, o meu próximo disco que sairá na Bloop tem tido muito bom feedback, são 2 temas e sairá em Dezembro com remixes de Dyed Soundorom e do Tiago Marques. Antes desse sairá pela Bloop um outro EP do Faster (Romeno que convidou os também romenos Livio & Roby para remisturarem o mesmo EP).

Qual o teu próximo grande desafio para o futuro?

O maior desafio que tenho para a Bloop, é fazer com que a marca tenha um papel activo na intervenção social. Os primeiros passos nesse sentido já estão a ser dados. Estamos por exemplo a negociar com uma ONG uma colaboração estreita num futuro breve.

Como é ser DJ em Portugal/Lisboa?

Ser Dj em Lisboa é seguramente mais fácil que no resto do país, excepção feita ao Porto. É muito difícil vingar neste meio se viveres fora destas 2 grandes urbes. Infelizmente Portugal tem apenas 2 grandes pólos urbanos ao contrário por exemplo da vizinha Espanha.

Tudo se centra em Lisboa e no Porto, todas as novas tendências são absorvidas por estas 2 cidades. Sim, porque em Portugal são raros os casos onde se criam as tendências. Em 90% dos casos seguem-se tendências criadas nas grandes capitais europeias. É um pouco o resultado de termos uma população de apenas 10 milhões de habitantes e de estarmos no canto mais afastado do centro da Europa. Em Portugal tocar a música que toco também não é fácil. Existem no máximo 10 clubes onde posso tocar com regularidade, nos restantes toco apenas esporadicamente. O mercado está invadido pela música dita comercial. Se por um lado é mau porque sobram poucos locais para ouvir outras correntes, por outro, as pessoas que realmente não gostam dos géneros mais comerciais tornam-se mais fiéis às outras correntes. No fundo é o que tem acontecido com a Bloop. Por incrível que possa parecer, apesar de caminhar em sentidos opostos, quanto mais o mercado da música electrónica comercial cresce, mais a Bloop se consolida e reúne mais simpatizantes, claro está fruto também do trabalho que temos vindo a desenvolver.

O que és tu para Lisboa e Lisboa para ti?

Vivo em Lisboa mas não sou de cá. Nasci em Setúbal apesar de todas as minhas origens remontarem aos Açores. É a segunda vez que cá vivo, desta vez de uma forma mais efectiva. Lisboa é a capital e como disse antes, se queres vingar nesta área é aqui que tens de estar. Tudo se passa aqui e, ou acompanhas, ou tudo esmorece e morre.

Gosto de Lisboa. Da famosa luz, da oferta cultural (aqui estamos ao nível das maiores capitais europeias), do clima, das diferentes etnias que co-habitam num pequeno espaço físico. Na zona onde vivo existe uma paleta de nacionalidades incrível. Tenho conhecido gente das mais diversas partes do globo, se ao início achava um pouco estranho, agora adoro sentir os diferentes cheiros e ouvir vários idiomas, tenho feito inclusive bons conhecidos de outras origens: Indianos, Brasileiros, Guineenses, Paquistaneses, Cabo-verdianos, Espanhóis, Finlandeses, Romenos…

Para Lisboa não sou mais que um cidadão que se limitou a migrar para cá em busca do triunfo. Algo impossível nesta área noutra qualquer cidade deste país com excepção do Porto. Aliás na Bloop, entre todos os que trabalham e colaboram connosco, 90% das pessoas são de fora de Lisboa. Mudaram-se para cá em busca de emprego e melhores condições de vida.

Qual é o teu “canto secreto” em Lisboa? (locais que te inspiram)

Não tenho, locais que me inspirem em Portugal só mesmo nos Açores.

Quando não estás atrás da consola, por onde andas? Onde te podemos encontrar na noite nesta cidade branca?

Em Lisboa à noite, certamente no Lux, às vezes no Cais do Sodré e Santos, e muito pouco no Bairro. Não sou particular fã, especialmente ao fim-de-semana.

_
Enlaces

__ __

* Originalmente publicado a 20 de Outubro de 2011, na Le Cool Lisboa * 310

Le Entrevista a Vasco Ferraz por NunoT


Produtor é aquele papel-título-profissão que pode ser tudo e pode ser nada. Vasco Ferraz encaixa decididamente no primeiro caso. Munido de uma versatilidade e capacidade criativa surpreendentes é o pilar mestre de cada projecto em que se envolve. Designer de formação e empreendedor por convicção, Vasco, geração 80, conta já com um currículo de produções invejável e dirige hoje a sua segunda empresa. O seu projecto mais recente - Máquina, A Cultura do Processo (em exposição na Plataforma Revólver até 15 de Outubro e com artigo na Le Cool Lisboa * 308) - foi aclamado unanimemente pelo público e pela imprensa. Mas como, segundo o próprio, o tempo é pouco para tudo o que quer fazer, tem já as mãos na massa com o proximo desafio: comunicação e imagem da 22ª edição do Amadora BD - o FIBDA. Evita o protagonismo e não perde tempo a colher louros. É discreto e humilde, mas é provavelmente mais animado que o Herman José, os Gatos Fedorentos e os Monty Python juntos. Apanhá-lo livre é praticamente impossível, mas se um dia conseguirem um jantar com Vasco Ferraz, preparem-se, pois ele falará durante 3 horas e vocês rirão durante as mesmas 3 horas.

Le Entrevista a Dj Ride por NunoT


Quem é Dj Ride?

Dj Ride é um miúdo que gosta de scratch, bicicletas, gadget's, electrónica e hip hop. Cheguei a fazer downhill quando tinha 14 anos, mas como perdia sempre virei-me para os campeonatos de Turntablism. Ficava dias e dias fechado em casa só a treinar scratch. Comecei por fazer festas no sótão com uns amigos, mas nunca ninguém aparecia. Tive alguns projectos com MCs e bandas, desde o jazz ao rock. Nessa altura conheci o Stereossauro e formámos os Beatbombers. Foi mais ou menos nessa altura em que participámos no primeiro campeonato de scratch, em Lisboa. Ninguém me conhecia na altura e, como ganhei, para além de levar algo bastante diferente dos outros djs, aquela noite teve mesmo muito impacto na comunidade de djs/turntablism nacional. Basicamente a partir daí nunca mais parei, lancei álbuns, vinis, colaborações com músicos, bandas e actuações de norte a sul do país e algumas idas lá fora também. Vi o meu hobby tornar-se aos poucos o meu full time job e tem sido incrível poder viver da música a fazer aquilo que
amo.