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Le Entrevista aos The StoneWolf Band por João Freire

Mesmo à distância não deixo de acompanhar o surgimento de novas e refrescantes bandas em terras lusitanas. Deparei-me com o EP dos The StoneWolf Band (Daybreak) e apaixonei-me à primeira audição. Era exactamente o que precisava. Por qualquer motivo, que nem me preocupei em analisar, fazia-me bater o pé, abanar a cabeça e mexer as ancas. E é só isto que peço de uma música. Que me faça sentir bem. À medida que fui explorando cada música, cada instrumento e cada nota, apercebi-me que queria mais. 

Não terei que esperar muito, visto que o novo single já aí anda. Conheçam então os «The StoneWolf Band». 


Anarchicks


as viram ao vivo? leram alguma entrevista? ouviram o single? O resto das músicas? Os imensos vídeos que por as divulgam? É um gozo enorme ver a rapidez com que as boas novas se espalham. Ler críticas feitas por quem é suposto fazê-las. Tirando todo o estigma de ser música feita por mulheres, mais ou menos despreocupadas, com riffs a lembrar isto e aquilo, com influências não sei bem de quê misturadas com um bocado do outro também, que soam muito bem, soam. E isso para mim é mais que suficiente. Nunca me considerei um crítico de música, antes um ouvinte.

Le Entrevista a Sara Ribeiro (Offbeatz) por João Freire

Boa tarde. Fala-me um pouco sobre o Offbeatz, como surgiu, como se impôs e como são as perspetivas de futuro?

O Offbeatz surgiu das ideias que o Rui de Brito tem no duche! (risos) Ele imaginou o formato e modos de divulgar ainda mais a música portuguesa e assim nasceram as sessões ao vivo, que numa primeira instância aconteciam no Frágil, no Bairro Alto. Depois veio tudo o resto e a plataforma em si - o Offbeatz - que tem várias vertentes. Não temos o club no Musicbox, como um site e um programa de televisão, na SIC Radical, que compila as sessões ao vivo.  

Tem tudo o mesmo objetivo que é impulsionar o talento e a música portuguesa. E, na realidade, as coisas correram sempre muito bem porque sentimos que estávamos a fazer a diferença e a preencher uma lacuna de divulgação no meio. E percebemos isso devido ao feedback e apelo das bandas, das editoras etc. É para eles e com eles que trabalhamos.

Apercebemo-nos também que interferimos positivamente com os costumes do público. De repente, habituámos as pessoas a descobrir mais música porque o Club Offbeatz é sempre composto por quatro bandas nacionais. Isto faz com que uma pessoa vá ver aquela de que gosta e por consequência descubra outras. E a entrada nessa experiência é por conta da casa!
No futuro queremos expandir essa dinâmica que é o Club a outras cidades. O Porto vem já a seguir na lista. Em paralelo, estamos a pensar noutros formatos mas para já não posso revelar nada.

Fala-me da equipa. Qual a diferença na vossa abordagem que está a fazer este projeto um de enorme sucesso e importância no panorama musical português?

A equipa é unida e acredita no Offbeatz.

O mundo mudou, não há volta a dar, e temos de ser cada vez mais determinados para fazer com que as coisas aconteçam. É incrível ter um grande número de pessoas que se revê neste projeto, que está lá todas as semanas e que faz tudo funcionar. São pessoas ativas e com garra, o que não é assim tão fácil de encontrar por aí. Para além de motivados, acreditam todos na filosofia do projeto. Têm todas as suas vidas, mas encaixam o Off numa parte delas.

Ora, acho mesmo que podem retirar uma lição da nossa equipa. Muita gente critica ou pasma-se com o facto de fazermos isto à base de voluntariado, mas a verdade é que o fazemos, com prazer, porque todos nós encontramos algo que nos recompensa. E estando essa motivação apoiada no facto de contribuirmos para a história musical portuguesa, com os nossos registos, e podermos ajudar bandas e realizadores, faz com que o Offbeatz seja um óptimo ‘trabalho’.

Esperavam tamanha adesão? Acham realmente que esta forma de "mostrar" e fazer as coisas faz a diferença na divulgação da música portuguesa?

Começámos devagar mas fomos tomando força. Ao início, eu e o Rui andámos a distribuir flyers no Bairro Alto para que as pessoas soubessem das sessões. Hoje em dia, temos casa cheia e as pessoas procuram-nos. Foi surpreendente este sucesso, mas penso que vem do quão único é o Offbeatz e da falta que fazia. Conheces outro movimento que apresente 4 bandas nacionais por semana e ainda faça entrevistas, programa de TV, divulgação online e tudo o resto?

Uma vez, um rapaz inglês disse-me «wow, isto nem em Londres acontece!» Pois bem, acontecerá quando o Club Offbeatz estiver por lá. Divulgamos a música gratuita e regularmente, registamo-la para a eternidade e divulgamo-la através de vários meios. Esta é a nossa forma de fazer as coisas e acreditamos que é a certa. Quantos mais o fizeram, melhor.

E, já agora, qual a tua forma de ver os novos fenómenos musicais portugueses? Achas que há um aumento de qualidade, ou essa sempre esteve lá e as pessoas tornaram-me mais sensíveis e disponíveis para ouvir e apreciar?

Eu penso que hoje em dia as pessoas ouvem mais música, porque há mais facilidade. Agarram-se a uma coisa, contribuem para os fenómenos, e pouco depois agarram outra novidade. O truque por parte de quem faz música será manter o interesse. E isso não quer obrigatoriamente dizer que os projetos não tenham qualidade mas sim que é difícil permanecer num mundo em constante produtividade.

Em Portugal existem projetos de qualidade, e há bandas que vão sabendo manter essa curiosidade viva por isso não estou preocupada. O que acontece é que, por vezes, vejo umas que poderiam tentar ter um pouco mais de visão e de ousadia só para evitarem seguirem os caminhos mais normais.

Houve alguma noite que te ficou cravada na memória?

Nunca vou ter outra igual à primeira, corria o ano 2010. O caminho até lá fez-se de determinação e incertezas, o que desde logo a marcou. E depois, quando finalmente chegou, viveu-se num ambiente muito underground. O Frágil estava cheio de pessoas da indústria, o que eu achei porreiro para as bandas (Youthless e The Doups), arrasou-se no palco, houve momentos de improviso e, bem, eu sentia-me feliz por conseguirmos realizar a primeira sessão. Como podes ver, não se esquece.

Há outras noites que memorizo também como quando existem bandas de hip hop que lá vão, quase acabadas de serem concebidas, e de repente têm o Sam the Kid na plateia. Um momento como esse torna-se bom para eles e para nós, que possibilitamos isso.

Onde achas que está o futuro da música em Portugal? Em tempos de crise apertada, o facto dos vossos eventos serem gratuitos vai continuar a fazer com que desempenhem um papel fundamental na divulgação de novos valores, ou mesmo assim vai-se refletir na adesão do público?

Acho que o presente já está a pedir que pensemos em novas maneiras de fazer as coisas, quanto mais o futuro. Se não há dinheiro, terão de ser inventadas formas diferentes para desenvolver as ideias. E isto não se aplica apenas à música, mas a todas as outras áreas. O Offbeatz é um exemplo de um formato pensado de maneira alternativa e apelativa, não só para as bandas que tocam mas também para o público. É um modelo que funciona. E estaremos por cá até deixar de fazer sentido.

O Rui de Brito costumava responder «nunca!» quando nos perguntavam quando acabaríamos com as sessões. Entretanto nunca mais respondeu a isso porque o pessoal começou a perceber que vamos continuar.

A crise só faz com que as pessoas queiram poupar e ali terão sempre uma noite gratuita. E ainda há imenso para mostrar, porque já percebemos que a música portuguesa não pára de surpreender. E com isto acho que não é preciso dizer mais nada.

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* Originalmente publicado a 17 de Janeiro de 2013, na Le Cool Lisboa * 375

Le Entrevista a Adeline Michèle (Escort) por João Freire

Em princípios de 2000 Dan Balis e Eugene Cho conheceram-se e iniciaram uma longa viagem musical. Após uma breve conversa telefónica de 15 minutos com Adeline Michèle, francesa de nascimento e vocalista da banda, fiquei a conhecer um pouco mais do que move esta (grande) banda.

Como é que a banda começou?

O Dan e o Eugene conheceram-se na faculdade. Queriam fazer música disco, da maneira antiga. Primeiro em sets de DJ, depois mais a sério começaram a compor.


A banda é grande. Chegam a ser 18 em palco. Qual a razão para uma banda tão multi-instrumentista?

Quando eles começaram a gravar sabiam a sonoridade que queriam. E acima de tudo queriam usar o som de instrumentos reais nas gravações, não apenas usar samples. E queriam que os concertos tivessem o mesmo som que as gravações, daí terem optado por usar também instrumentos reais nos concertos em vez de os "samplarem".

Le Entrevista a Pedro Chagas Freitas por João Freire


Boa tarde. Fala-me um pouco do teu percurso e da tua evolução enquanto escritor. Não enquanto profissional, mas o que te levou a fazer o que fazer agora enquanto ser social.

O meu percurso enquanto escritor confunde-se com o meu percurso enquanto pessoa. Escrever, segundo a minha filosofia, é pensar. Desde que me lembro de ser pessoa que sou escrevente. E fui crescendo em paralelo – enquanto escritor e enquanto pessoa. Escrevo porque é, até ao momento, aquilo que vejo que sou capaz de fazer melhor. Escrever e ajudar a melhorar a escrita dos outros preenche-me bastante – embora comece, cada vez mais, a abrir novas áreas de trabalho, como a de orador, por exemplo. Mas bem vistas as coisas não há grandes diferenças entre um e outro. No fundo, o orador faz aquilo que o escritor faz: obriga quem está do outro lado a pensar. E é isso que eu adoro fazer. Pensar é um prazer do caraças.

Le Entrevista a Diego Armés por João Freire


Boas. Fala-me um pouco sobre ti, o teu percurso musical e as bandas que já foste tendo (e tens).

Tive a minha primeira banda aos 16, era a típica banda da Secundária, ainda em Mafra. Chamávamo-nos Kindergarten, éramos cinco e cantava-se em inglês – em 1995 cantava-se em inglês, ponto. Eu não era vocalista. Uma ano mais tarde, formei os Shave com o meu irmão, o Marco Armés, baterista. Começámos como power trio, depois passámos a quatro. Cantávamos em inglês, porque até 1998 se cantava em inglês, ponto. Nesta já era eu que cantava.
Depois desisti de ter bandas durante uns anos, sobretudo nos primeiros tempos em Lisboa. Até que um dia resolvi desenterrar aquilo que tinha começado com o meu irmão, só que já era 2003 ou 2004 e então já se podia cantar em português, por isso tínhamos de nos chamar em português. Achámos que Feromona era um nome porreiro, mas ainda não sabíamos o que significava. Depois investigámos e concluímos que tinha sido uma belíssima escolha.

Le Entrevista a Corsage por João Freire

Fundada em 2003 por Henrique Amoroso e Pedro Temporão, de momento os Corsage são constituídos por:

Henrique Amoroso - Voz, percussões, guitarra acústica, sintetizador
Pedro Temporão - Baixo
Carlos António Santos - Teclados
Nuno Damião - Guitarras, teclados e corneta
Nuno Castêdo - Bateria

Com concertos em sítios tão variados como o Festival de Paredes de Coura, a Casa da Música (em espectáculo tributo ao mítico Scott Walker) ou Convento da Saudação em Montemor-o-Novo (no âmbito do evento Danças com Letras com Co-Produção do Centro Coreográfico de Rui Horta). O disco de estreia foi reconhecido como o segundo melhor de 2004, segundo os ouvintes da Rádio Universidade de Coimbra (RUC), numa votação realizada no programa Santos da Casa (o mais antigo programa de rádio inteiramente dedicado à música portuguesa). 

TV Rural - A balada do coiote

Todos sabemos que "tudo vai mal, vai de mal a pior". No entanto este belo espírito português faz-nos pensar que "não quero os pés bem assentes no chão". Que "isto é tudo bem, nada me para". O 2º longa duração desta banda foi "mantido numa caixa algures, fechado e bem guardado". A amadurecer, a ganhar espaço e alma. E vida. Finalmente saído, surpreende e excita. "Crava as unhas dos pés às raízes" e explora-as sabiamente. Manipula-as, convida-nos. "Vem , que quero dizer-te uma coisa, coisa pouca, bem junta ao ouvido". São canções, histórias bem contadas, letras magníficas, que exploram como poucos a riqueza desta nossa língua. E ao vivo, bem, eles dizem isto: "quero que me olhes". "Quero ver a tua expressão mudar". E vale bem a pena, atrevam-se. / João Freire

Le Entrevista às Anarchicks por João Freire






















Sucesso. Popularidade. Concertos, gritos e acenos. Loucura com fartura. Mas q.b. também. Uma maneira desmedida de fazer as coisas. Porque sim e porque querem. Dizem que o que fazem é espontâneo e democrático. Crónica de um sucesso anunciado.

Comecemos pelo início. Se bem que ninguém sabe quando foi. Mas vamos tentar pelo menos.


Le Entrevista aos TV Rural por João Freire


















Os TV Rural apresentaram dia 12 de maio o seu mais recente trabalho, intitulado "Balada de um Coiote". Para quem esteve foi um ótimo concerto, mostrando porque os TV Rural são de momento uma das mais cativantes bandas portuguesas. Cantam em português, misturando elementos tão distintos como um rock musculado e bem delineado, com elementos "jazzísticos" e quase de improviso. São canções instrumentalmente já bastante poderosas, o que aliado à grande qualidade das letras transforma cada uma delas em algo muito viciante.

David Jacinto - DJ
David Santos - DS
Gonçalo Ferreira - GF

Le Crónica Rock'n'Roll Tv 1


Uma vontade de ser. De sentir e de fazer sentir. De ultrapassar fronteiras e limitações. Usar e abusar do que é nosso. Trazer de volta o orgulho ferido, contra tudo e todos. Voltar à ribalta, às bocas do mundo. Mas tudo na penumbra. Sempre com um sentimento de marginalidade. Essa coisa magnífica de fazer em cima do joelho e mesmo assim soar perfeito. De fazer mais e melhor sem os meios. Sem o falso e demasiado pensado. Sem obedecer a estratégias e canais convencionais. De chegar a todo o lado sem comprometer a ideologia e a originalidade. Mais que nunca estamos vivos. E prontos a tomar de assalto o que até há pouco tempo era preenchido por estrangeirismos sem valor. Glorificar e elevar ao expoente máximo da criatividade este nosso sentimento.