Le Entrevista a Umesh Govinde por Daniela Catulo
Tem um dos sorrisos mais contagiantes da noite lisboeta. Natural de Moçambique, a sua energia transparece, e foi em Lisboa que firmou raízes e que provou ser um grande profissional na gestão de um dos bares mais interessantes e com o nome mais apelativo do Bairro Alto: O Kamasutra Bar. Começou como apanha-copos no Garage, cresceu num meio que é cheio de obstáculos e concorrência desleal, mas sempre com garra e persistência é à noite que ele pertence, como peixe na água.
Observa uma Lisboa e um Bairro Alto diferentes daquele onde começou e gostava que o público optasse mais pela qualidade, mesmo em tempos de crise. Porque o que é realmente bom e especial, nem sempre tem que ser mais caro.
As gerações mais novas, que começam agora a sair à noite, não conhecem o brilho que tantos dizem que se perdeu na noite em Lisboa. Quais achas que foram as grandes mudanças da Lisboa em que começaste a trabalhar e a Lisboa de agora?
Muitas mudanças, principalmente no público que frequenta a noite, público muito jovem, que na sua
Le Entrevista a João Santos por Lino Palmeiro
Quando se escreve num teclado sem cedilha nem til, adensam-se as recordações da Pátria, a língua portuguesa? Era uma boa questão, mas não a fizemos. Nada que o João Santos, fotógrafo-viajante-terapeuta-português e tudo, não esteja habituado a resolver. De momento, está em Adelboden (Alpes Suícos) e foi uma conversa a teclar de cá e de lá.
Biografa-te daí um pouco. Querias ser fotógrafo desde menino?
Quando nasci já trazia o "desenho" no dedo e um olhar curioso. Sempre vi o mundo de forma diferente, mas nunca de frente.
Corações de Atum no Ritz Clube
Amanhã, no Ritz Clube, não há caras de bacalhau mas há corações de atum.
Le Crónica, E o Tejo ali tão perto
A água sempre foi amiga da alma portuguesa. Ou não nos tivessemos lançado à descoberta a partir da nossa costa lisboeta, onde o mar se confunde com o rio. Seja mar, ou seja rio, conto sempre com essa linha de água para me orientar. O geográfico torna-se psicológico, porque sabe sempre bem saber que temos ali uma beira-rio onde nos podemos refugiar quando a rotina cansa. Que outras capitais se podem gabar de ter um imenso rio para desfrutar? Não muitas, é certo. Fugir para a beira do Tejo num domingo soalheiro, ou num fim de tarde mais frio. Pode ser para passear, tomar um copo, ou apenas para refletir.
Vê-se sempre um pouco de tudo. Estes são apenas alguns dos privilégios de “ter” um rio. Já dizia o nosso fado, que Lisboa é uma “toalha à beira mar estendida”. Porque, afinal, o Tejo está sempre ali à nossa espera. / Andreia Pedro (Foto por Rafa)
Vê-se sempre um pouco de tudo. Estes são apenas alguns dos privilégios de “ter” um rio. Já dizia o nosso fado, que Lisboa é uma “toalha à beira mar estendida”. Porque, afinal, o Tejo está sempre ali à nossa espera. / Andreia Pedro (Foto por Rafa)
Le Artista da Capa * 370, Nuno Cintrão
Após 12 anos de trabalho em web design, print, ilustração e motion graphics para agências de Lisboa, decidi tornar-me freelance e paralelamente iniciar um percurso mais artístico. Estou agora a começar, por isso toda a ajuda e contactos para expor são bem vindos.
Lisboa para mim é a cidade onde nasci na MAC (maternidade Alfredo da Costa) e é também uma cidade perdida algures entre o passado e o futuro sempre em reconstrução. É uma 5ª dimensão habitada e visitada por todo o tipo de seres incríveis. Adoro viajar mas tenho sempre de voltar aqui, passear pela calçada e imaginar argumentos para os filmes de cada personagem que encontro.
Encontra-me pelo Pinterest, pelo Behance e contacta-me por aqui.
Le Editorial * 370 por Fauna Maria
Bancos
Agora que me vejo inclinada a confiar mais em bancos de jardim do que em bancos a prazo, coloco o dinheiro no colchão e bombardeio de comida a pombalada. O Marquês de Pombal ficaria orgulhoso de mim. Ele e a minha avó Maria da Consolação, que era mestre em sopa de couve serrana e em guardar o valor da jornada entre a palha que lhe servia de leito. À palha volta o que da palha veio. Alterno entre vícios. O Instagram tem um oponente de peso no desejo de ver o Woody Allen a filmar Lisboa. Talvez filme um fadista que se apaixone por um boxer no Finalmente. Isso ou um kefrô que plante uma horta de dia. Ali para Chelas. Quem sabe. / Fauna Maria
O Miguel e o Rafa.El preferem colocar o seu dinheiro em offshores e investir em action figures do Alberto João Jardim. Não fazem manguitos, mas dançam o vira.
Le Entrevista a Luísa Jacinto por Clara Henriques
Luísa Jacinto na Galeria Alecrim 50
«A Arte é inesgotável. Nela cabe tudo».
São estas as palavras de Luísa Jacinto que nos fazem partir numa
viagem indelével pela sua exposição “O Lugar mais perto”, presente na
Alecrim 50. Luísa Jacinto traz a pintura no olhar e a certeza de que não
poderia ser de outra forma. Lisboeta de gema, resolveu quebrar
fronteiras e procurar em Londres novos rasgos, novos traços, um novo
horizonte que pudesse elevá-la na Arte.
Desta experiência, recupera agora vestígios que nem ela sabe
explicar, mas que nos é possível identificar a cada passo mais fundo na
sua obra:
«A experiência em Londres foi maravilhosa. Londres é uma explosão de
arte e, ao mesmo tempo, faz-nos mergulhar nos conceitos de pequenos
bairros, o que torna tudo mágico. Ainda estou a sentir em mim reflexos
dessa experiência, coisas que ficaram semeadas e só agora se estão a
revelar».
Le Entrevista a Maria Xavier por Pedro Alfacinha
Nesta 3ª edição a Mostra de Cinema da América Latina surge com uma imagem diferente, qual o motivo?
Surge por uma vontade de mudança, de renovação. Na 1ª edição tivemos
uma imagem, na 2ª outra e com esta é que pretendemos marcar a identidade
desta mostra. Nós procuramos associar as características da América
Latina que são transversais aos vários países, que remetem por um lado à
natureza mas também a raízes no sentido das várias heranças culturais e
também a qualquer coisa mais fresca, mais solar, mais esperançosa. Há
muito ainda a aprender com esta região do mundo que tem passado por
tantas coisas e esta mostra tem em si um sentido de esperança.
Mudar de caminho, numa altura em que os países europeus passam por uma grave crise financeira mas também de valores.
Le Entrevista a Fernando Caruso por Rafu
Fernando Caruso é uma estrela no Brasil. Melhor, é toda uma constelação. Este comediante volta para cintilar em Portugal no Espaço Brasil, nos dias 6 a 9 de dezembro, acompanhando pelos stand up António
Raminhos, Luís Barros Franco e Ricardo Vilão. Fizemo-lo descer um pouco
do firmamento do palco para responder a uma bátega de perguntas. Cá
vai. Sem risos falsos.
Quem é Fernando Caruso e o que o levou a seguir pela carreira humorística, foi importante a influência paterna e a do tio (já que é filho e sobrinho dos Caruso, cartoonistas reconhecidos do Brasil)?
Fernando Caruso sou eu, muito prazer. A influência paterna pode ter sido genética, porém nunca consciente. Acabei seguindo meus próprios caminhos e me encontrei na comédia. No jornal onde meu pai trabalha (O Globo), sou conhecido como "o filho do Caruso". Nas peças em que eu atuo, com um público diferente, mais jovem, ele é conhecido como "o pai do Caruso".
Quem é Fernando Caruso e o que o levou a seguir pela carreira humorística, foi importante a influência paterna e a do tio (já que é filho e sobrinho dos Caruso, cartoonistas reconhecidos do Brasil)?
Fernando Caruso sou eu, muito prazer. A influência paterna pode ter sido genética, porém nunca consciente. Acabei seguindo meus próprios caminhos e me encontrei na comédia. No jornal onde meu pai trabalha (O Globo), sou conhecido como "o filho do Caruso". Nas peças em que eu atuo, com um público diferente, mais jovem, ele é conhecido como "o pai do Caruso".
O Ni
E que tal uma cachupa? Para os saudosos da cachupa do Poço dos Negros, naquele lugar escurinho, meio clandestino, em que ir comer uma cachupa às 4h da manhã parecia mais uma missão secreta, têm agora uma deliciosa cachupa à altura de comer e chorar por mais. Para quem ainda não conhece esta relíquia gastronómica de Cabo Verde, venham descobrir o “O Ni”. Recém inaugurado, junto à Gulbenkian, o Ni que é de cabo-verdianos que põem muito amor nos seus pratos, oferece-nos a versão da cachupa rica e a pobre (a que tem por cima o ovo estrelado).
Le Editorial * 369 por Fernando Mondego
Sósias
Depois de ter dado de caras com a Gina Gershon do Campo Grande, repetia-se na minha cabeça a frase de uma amiga quando lhe repetiam que era a cara chapada, sem tirar nem pôr, da Helena Bonham Carter. Nem por sombras, repito-lhe. Quem o disse é pitosga ou trocou as páginas do IMDB. Mas a Gershon lisboeta fez prurido, deu que pensar. Haverá um gajo com a minha fronha a assaltar velhinhas pela Ericeira? «Olha o Fernando, deu em ladrão!» Ou talvez com contas offshore no Luxemburgo? Conseguirei levantar uma milena que seja, mascarado? Isto tarambola-me no pensamento enquanto entro numa pastelaria da Graça e dou de caras com o Jude Law lusitano! «É um abatanado, please.» / Fernando Mondego
O Miguel , a Fauna Maria e o Rafa.El também desconfiam que andem por aí cópias suas. Doppelgänger!
Le Entrevista a Adeline Michèle (Escort) por João Freire
Em princípios de 2000 Dan Balis e Eugene Cho conheceram-se e iniciaram uma longa viagem musical. Após uma breve conversa telefónica de 15 minutos com Adeline Michèle, francesa de nascimento e vocalista da banda, fiquei a conhecer um pouco mais do que move esta (grande) banda.Como é que a banda começou?
O Dan e o Eugene conheceram-se na faculdade. Queriam fazer música disco, da maneira antiga. Primeiro em sets de DJ, depois mais a sério começaram a compor.
A banda é grande. Chegam a ser 18 em palco. Qual a razão para uma banda tão multi-instrumentista?
Quando eles começaram a gravar sabiam a sonoridade que queriam. E acima de tudo queriam usar o som de instrumentos reais nas gravações, não apenas usar samples. E queriam que os concertos tivessem o mesmo som que as gravações, daí terem optado por usar também instrumentos reais nos concertos em vez de os "samplarem".
Le Artista da Capa * 369
Após 12 anos de trabalho em web design, print, ilustração e motion graphics para agências de Lisboa, decidi tornar-me freelance e paralelamente iniciar um percurso mais artístico. Estou agora a começar, por isso toda a ajuda e contactos para expor são bem vindos.
Lisboa para mim é a cidade onde nasci na MAC (maternidade Alfredo da Costa) e é também uma cidade perdida algures entre o passado e o futuro sempre em reconstrução. É uma 5ª dimensão habitada e visitada por todo o tipo de seres incríveis. Adoro viajar mas tenho sempre de voltar aqui, passear pela calçada e imaginar argumentos para os filmes de cada personagem que encontro.
Encontra-me pelo Pinterest, pelo Behance e contacta-me por aqui.
Le Crónica do Pastel de Nata
Nunca damos valor aquilo que temos. Clichés à parte, há grande verdade nesta expressão. Estar em Lisboa, pedir um café e um pastel de nata é uma coisa tão banal, como tropeçar de saltos altos na calçada portuguesa. Mas quando o chão muda as coisas às quais nem prestávamos atenção tornam-se naquelas das quais mais falta sentimos. As saudades apertam se não tivermos disponíveis aqueles sabores de sempre, que fazem parte de uma tradição quotidiana.
Quando no estrangeiro encontramos um cafezinho que vende pastéis de nata, a repentina felicidade depressa se transforma numa pequena irritação.
Quando no estrangeiro encontramos um cafezinho que vende pastéis de nata, a repentina felicidade depressa se transforma numa pequena irritação.
Le Editorial * 368 por Rafa
Crase
A cada manifestação, o político boceja. Mas aos outros e a cada crise no bolso, responde-lhe com crase na rua, àquele orçamento um belo assobio, àquela política um sonoro ululo. O Miguel , a Fauna Maria e o Rafa.El subscrevem, Lisboa já era capital antes de o capital ser termo a capitalizar. E se na televisão ou na rádio ou no jornal a coisa parece estar preta - perdão - tremida, feche-se, desligue-se ou cale-se o pio ao dito.
Saiamos à rua e esqueça-se o frio. A tertúlia voltou, a rua será sempre nossa e Lisboa... Lisboa será sempre nossa sem quaisquer juros que lhe atem com uma guita à perna.
Le Artista da Capa * 368, Ana Gil
O que é que Lisboa tem?
Quem lhe atravessa as ruas sob o pôr do sol de novembro, que já não arde, sabe do que falo. A calçada com cheiro a chuva, as folhas que se soltam obedecendo à estação. O outono já se debruça sobre os cadernos de esquiços. Apresso-me pelas suas escadas e a cidade dita-me todas as ruas que desaguam no Tejo. O cheiro fresco do sabão nos lençóis que se estendem. Nas castanhas e nas romãs, o inverno que já sabe para dali a pouco. Desenho-a.
Conheço-a de cor e mesmo assim, continuo sem saber qual o caminho para ir e não querer voltar.
O meu nome é Ana Gil, sou arquitecta e perco a conta aos cadernos das cidades que desenhei. Trago-as na memória porque desenho. Desenho para ver melhor.
O meu blog fica neste sítio e se ainda for de interesse, também tenho facebookas. Hoje é que a Le Cool partilhava comigo umas quentes e boas!!
Bom magusto para todos.
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* Originalmente publicada a 29 de Novembro de 2012, na Le Cool Lisboa * 368
Quem lhe atravessa as ruas sob o pôr do sol de novembro, que já não arde, sabe do que falo. A calçada com cheiro a chuva, as folhas que se soltam obedecendo à estação. O outono já se debruça sobre os cadernos de esquiços. Apresso-me pelas suas escadas e a cidade dita-me todas as ruas que desaguam no Tejo. O cheiro fresco do sabão nos lençóis que se estendem. Nas castanhas e nas romãs, o inverno que já sabe para dali a pouco. Desenho-a.
Conheço-a de cor e mesmo assim, continuo sem saber qual o caminho para ir e não querer voltar.
O meu nome é Ana Gil, sou arquitecta e perco a conta aos cadernos das cidades que desenhei. Trago-as na memória porque desenho. Desenho para ver melhor.
O meu blog fica neste sítio e se ainda for de interesse, também tenho facebookas. Hoje é que a Le Cool partilhava comigo umas quentes e boas!!
Bom magusto para todos.
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* Originalmente publicada a 29 de Novembro de 2012, na Le Cool Lisboa * 368
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